quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tolerância e Diversidade

Por

Bhikkhu Bodhi



Na atualidade, todas as principais religiões do mundo têm que responder a um duplo desafio. De um lado está o desafio da secularização, uma tendência que varreu o mundo, demolindo as cidadelas mais antigas daquilo que é sagrado e convertendo todas as iniciativas do homem em direção ao Além num gesto inútil, comovente mas desprovido de sentido.

De outro lado está o encontro das grandes religiões. À medida que as nações e culturas mais remotas se fundem numa única comunidade global, os representantes da busca pela espiritualidade humana acabaram sendo reunidos num foro de uma intimidade sem precedentes, um encontro tão próximo que não deixa espaço para recuo.

Assim, cada uma das principais religiões enfrenta, à sua vez e ao mesmo tempo, no anfiteatro da opinião pública mundial, todas as demais religiões da terra, bem como o vasto número de pessoas que reagem com desdém, ou com um bocejo indiferente, a todos aqueles que reivindicam possuir a Grande Resposta.

Nesta situação, qualquer religião que queira emergir como algo mais do que uma relíquia da adolescência da humanidade tem que ter a capacidade de lidar, de forma convincente e concreta, com os dois lados do desafio.

De um lado ela tem que conter a crescente onda de secularização, mantendo viva a intuição de que nenhum nível de controle tecnológico sobre a natureza, nemhum grau de habilidade em satisfazer as necessidades mundanas da humanidade poderá trazer paz para o espírito humano ou poderá saciar a sede por uma verdade e valores que transcendam as fronteiras da contingência.

Por outro lado, cada religião tem que encontrar alguma forma de desembaraçar as afirmações conflituosas que todas religiões fazem, de entender o nosso lugar no esquema mais amplo das coisas e de possuir a chave para a nossa salvação.

Enquanto permanece firme nos seus princípios mais fundamentais, uma religião tem que ser capaz de tratar as diferenças significativas entre a sua própria doutrina e aquela dos outros credos, de uma forma tal que seja ao mesmo tempo, honesta e no entanto humilde, perspicaz mas sem se impor.

Neste breve ensaio eu gostaria de delinear uma resposta adequada Budista para o segundo desafio. Visto que o Budismo sempre declarou oferecer um "caminho do meio" para a solução dos dilemas intelectuais e éticos da vida espiritual, podemos descobrir que a chave para a nossa problemática atual também se encontra em descobrir a resposta que melhor exemplifique o caminho do meio.

Como tem sido observado com freqüência, o caminho do meio não é um compromisso entre os extremos mas um caminho que se eleva acima deles, evitando as armadilhas às quais cada um deles conduz. Portanto, ao buscar a abordagem Budista adequada ao problema da diversidade de credos, podemos começar apontando os extremos que o caminho do meio deve evitar.

O primeiro extremo é um recuo ao fundamentalismo, a proclamação agressiva daquilo que a pessoa crê combinada com o proselitismo fervoroso para com aqueles que ainda se encontram fora do círculo dos correligionários.

Enquanto que essa reposta ao desafio da diversidade tem assumido proporções alarmantes nas congregações de fiéis das grandes religiões monoteístas, Cristianismo e Islamismo, não é o tipo de resposta em relação à qual o Budismo possua uma afinidade imediata, pois as diretrizes éticas do Dhamma tendem naturalmente a estimular uma atitude de tolerância benevolente em relação a outras religiões e aos seus seguidores.

Embora não possa haver uma garantia contra o surgimento de uma militância ligada ao fundamentalismo dentro das próprias fileiras do Budismo, os ensinamentos do Buda não oferecem nenhuma purificação, nem mesmo a mais remota, para tal desenvolvimento malígno.

Para os Budistas a alternativa mais tentadora é o segundo extremo: Este extremo, que alcança a tolerância ao custo da integridade, pode ser chamado de a tese do espiritualismo universal: a opinião de que todas as grandes religiões no seu núcleo sustentam essencialmente a mesma verdade, apenas vestidas de distintas formas de expressão.

Tal tese não poderia, é claro, ser mantida em relação aos credos formais das principais religiões, que diferem tanto que seria necessário um esforço tenaz de contorção de palavras para lograr um acordo.

Ao invés disso, chega-se à posição universalista por um caminho indireto. Os seus defensores argumentam que precisamos distinguir entre a face externa de uma religião - as suas crenças explícitas e práticas exotéricas - e o seu núcleo interno de realização experimental.

Baseado nesta distinção, eles então insistem que por detrás das significativas diferenças externas entre as grandes religiões, na sua essência – com relação à experiência espiritual da qual elas emergem e o objetivo último ao qual elas conduzem – descobriremos que elas são substancialmente idênticas.

Portanto as principais religiões diferem apenas na medida em que são meios distintos, expedientes diferentes para a mesma experiência libertadora, que pode ser indiscriminadamente designada como "iluminação", ou "redenção", ou "realização divina", já que esses diferentes termos simplesmente designam diferentes aspectos do mesmo objetivo. Como diz o famoso provérbio: os caminhos que conduzem ao topo da montanha são muitos, mas o lugar no topo é um só.

Sob esse ponto de vista, o Dhamma do Buda é somente uma outra variação da "filosofia perene" subjacente a todas as expressões maduras de busca espiritual do homem. O Dhamma pode se destacar por sua elegante simplicidade, claridade e objetividade; mas uma revelação única e exclusiva da verdade ele não contém.

À primeira vista, a adoção de tal idéia parece ser um passo indispensável na direção da tolerância religiosa, e a insistência em que as diferenças doutrinárias não são apenas verbais mas reais e importantes pode dar a impressão de beirar a intolerância.

Dessa forma aqueles que adotam o Budismo como uma reação contra a estreiteza doutrinária das religiões monoteístas podem encontrar nessa idéia - tão suave e amoldável - uma bem vinda trégua à típica insistência dessas religiões de terem acesso privilegiado à verdade.

No entanto, um estudo imparcial dos discursos do Buda mostra de forma muito clara que a tese universalista não conta com o endosso do próprio Abençoado.

Ao contrário, o Buda repetidamente proclama que o caminho para o objetivo supremo da vida santa é conhecido apenas através dos seus próprios ensinamentos e portanto a realização desse objetivo - a completa libertação do sofrimento - somente pode ser alcançada através da sua própria revelação.

A mais conhecida instância desta afirmação foi na véspera do seu Parinibbana: que somente no seu ensinamento são encontrados os quatro tipos de pessoas iluminadas e que as outras seitas são desprovidas de verdadeiros ascetas, aqueles que alcançaram os planos de libertação.

A restrição do Buda de que a emancipação final apenas faça parte da sua revelação não resulta de um dogmatismo estreito ou da falta de boa vontade, mas está apoiada sobre uma determinação absolutamente precisa da natureza do objetivo final e do método que precisa ser implementado para alcançá-lo.

Esse objetivo não é nem a vida eterna num paraíso, nem a concepção nebulosa de um estado de iluminação espiritual, mas o elemento de Nibbana, a libertação sem deixar nenhum resíduo do ciclo de repetidos nascimentos e mortes. Esse objetivo é realizado com a completa destruição das impurezas mentais - desejo, raiva e delusão - até o seu nível mais sutil de latência.

A erradicação das impurezas somente pode ser alcançada através do insight da verdadeira natureza dos fenômenos, o que significa que alcançar Nibbana depende do insight, através da experiência direta, de todos os fenômenos condicionados, internos e externos, marcados com as "três características da existência": impermanentes, insatisfatórios e não-eu.

O que o Buda sustenta, como fundamento para a sua declaração de que os seus ensinamentos oferecem a única maneira de obter a libertação final do sofrimento, é que o conhecimento da verdadeira natureza dos fenômenos, com toda exatidão e integridade, só pode ser alcançado através dos seus ensinamentos.

Assim é porque, em teoria, os princípios que definem esse conhecimento são exclusivos dos seus ensinamentos e contraditórios em aspectos vitais em relação às doutrinas básicas de outras crenças; e porque na prática, somente os seus ensinamentos revelam, na sua perfeição e pureza, o método para gerar esse entendimento libertador como um elemento da experiência pessoal imediata. Esse método é o Nobre Caminho Óctuplo que, como um método de treinamento espiritual integrado, não pode ser encontrado fora da revelação de um Iluminado.

Surpreendentemente, essa postura exclusivista do Budismo em relação à possibilidade de obter a emancipação final nunca engendrou uma política de intolerância por parte dos Budistas em relação aos devotos de outras religiões.

Ao contrário, durante a sua longa história, o Budismo tem demonstrado profunda tolerância e uma cordial boa vontade em relação às muitas religiões com as quais esteve em contato. Essa tolerância tem sido mantida simultaneamente com a profunda convicção de que a doutrina do Buda oferece o único e insuperável caminho para a libertação dos problemas inerentes da existência condicionada.

Para o Budismo, a tolerância religiosa não é alcançada reduzindo todas as religiões a um denominador comum, nem explicando as formidáveis diferenças nas idéias e práticas como acidentes do desenvolvimento histórico.

Do ponto de vista Budista, fazer com que a tolerância seja contingente para encobrir discrepâncias não seria um exercício de verdadeira tolerância; pois tal abordagem só "tolera" diferenças através da diluição delas, de forma tão completa que já não fazem qualquer diferença.

A verdadeira tolerância religiosa envolve a capacidade de admitir diferenças reais e fundamentais, mesmo que profundas e irreconciliáveis, e apesar disso, respeitar os direitos daqueles que seguem uma religião diferente da sua própria (ou nenhuma religião) e continuar a agir assim sem ressentimento, desvantagens ou restrições.

A tolerância Budista brota do reconhecimento de que o caráter e as necessidades espirituais dos seres humanos são demasiadamente diversos para serem abrangidos por uma doutrina em particular, e que portanto essas necessidades irão naturalmente encontrar uma forma de expressão em uma ampla variedade de formas religiosas.

Os sistemas não Budistas não serão capazes de conduzir os seus devotos ao objetivo final do Dhamma do Buda, mas isto, de todos modos nunca foi a proposta original delas. Para o Budismo, a aceitação da idéia de um ciclo de renascimentos, sem um princípio definido, significa que seria completamente irreal esperar que mais que um pequeno número de pessoas fossem atraídas para um caminho espiritual direcionado para a completa libertação.

A maioria esmagadora, mesmo aqueles que buscam a emancipação das desgraças mundanas, terá como objetivo assegurar um meio de existência favorável dentro do ciclo, ao mesmo tempo que confundem isso com o objetivo último da busca religiosa.

Na medida em que uma religião proponha princípios éticos sólidos e possa promover o desenvolvimento de qualidades benéficas tais como o amor, a generosidade, o desapego e a compaixão, ela irá merecer nesses aspectos a aprovação dos Budistas.

Esses princípios defendidos por outros sistemas religiosos também conduzem ao renascimento nos reinos de bem aventurança - os paraísos celestiais e as moradas divinas. O Budismo não reivindica de nenhuma forma deter acesso único a esses reinos, mas sustenta que os caminhos que conduzem a eles foram articulados, com distintos graus de clareza, em muitas das grandes tradições espirituais da humanidade.

Ao mesmo tempo que o Budista irá discordar da estrutura de crenças de outras religiões, na medida em que elas se desviem do Dhamma do Buda, ele as respeitará na medida em que elas imponham virtudes e padrões de conduta que promovam o desenvolvimento espiritual e a integração harmoniosa dos seres humanos entre si e com o mundo.





Revisado: 16 Abril 2005

Copyright © 2000 - 2010, Acesso ao Insight - Michael Beisert: editor, Flávio Maia: designer.
Um Verbo para Nibbana

Por

Ajaan Thanissaro



Na época do Buda, nirvana (nibbana em Pali) tinha o seu próprio verbo: nibbuti. Que significava “extinguir” como uma chama. Porque se pensava que o fogo estava num estado de aprisionamento enquanto ardia – apegado e aprisionado ao combustível do qual se alimentava – a sua extinção então era vista como o desapego ou desatamento.

Extinguir era o mesmo que tornar-se desatado. Algumas vezes um outro verbo era usado – parinibbuti – “pari” significando total ou completo, para indicar que a pessoa desatada, ao contrário do fogo desatado, nunca mais seria aprisionada.

Agora que nirvana foi incorporado ao nosso vocabulário, seria bom se tivesse o seu próprio verbo para também transmitir a noção de “estar desatado.” Em geral dizemos que uma pessoa “alcança” nirvana ou “entra em” nirvana, sugerindo que nirvana seria um lugar para onde podemos ir. Mas, sem dúvida nenhuma, nirvana não é um lugar. Nirvana só é realizado quando a mente pára de se definir em relação a um lugar: aqui ou ali, ou entre os dois.

Isto pode parecer um problema de um neologista – que benefício um ou dois verbos traria para a nossa prática? Mas a idéia de que nirvana é um lugar já criou muita confusão no passado e pode facilmente criar mal-entendidos agora.

Houve uma época em que alguns filósofos na Índia argumentaram que se nirvana é um lugar e samsara outro, então ao entrar em nirvana você ficaria preso: o seu âmbito de movimentação seria limitado, pois você não poderia retornar para o samsara.

Então, para solucionar esse problema eles inventaram aquilo que pensavam ser um novo tipo de nirvana: um nirvana não estabelecido, no qual uma pessoa poderia estar em ambos os lugares - nirvana e samsara - ao mesmo tempo .

No entanto, esses filósofos não entenderam dois pontos importantes acerca dos ensinamentos do Buda. Primeiro, nem samsara e nem nirvana são um lugar. Samsara é um processo de criação de lugares e até mesmo de mundos completos, (isso é chamado de ser/existir ou devir) e depois perambular neles, (isso é chamado nascimento). Nirvana é o fim desse processo.

Podemos encontrar uma forma de estar em dois lugares ao mesmo tempo, mas não podemos alimentar um processo e vivenciar o seu fim ao mesmo tempo. Ou estamos alimentando samsara ou não. Se sentirmos a necessidade de trafegar livremente em ambos, samsara e nirvana, então estaremos simplesmente engajados em mais samsar-ização, mantendo-nos aprisionados.

Segundo, desde os primórdios, nirvana era realizado através da consciência não estabelecida - aquela que não vem, não vai, tampouco permanece no mesmo lugar. Não é possível que algo não estabelecido fique de algum modo preso a qualquer coisa, pois essa consciência não só é não localizada como também indefinida.

A noção de um ideal religioso que esteja além do espaço e das definições não é exclusiva aos ensinamentos Budistas, mas as questões de localização e definição, aos olhos do Buda, tinham um significado psicológico específico. E é por isso que é importante entender a não localização de nirvana.

Como todos os fenômenos estão enraizados no desejo, a consciência se localiza através da cobiça. A cobiça é o que cria o “ali” onde a consciência pode pousar ou se estabelecer, quer esse “ali” seja uma forma, sensação, percepção, formação mental ou algum tipo de consciência mesmo.

Uma vez que a consciência se estabeleça em qualquer um desses agregados, ela se apega e depois prolifera, alimentando-se de tudo ao seu redor e criando todo o tipo de confusão. Onde quer que o apego se estabeleça, ali haverá a definição de um ser. Nesse ponto é criada a identidade, e ao fazer isso uma limitação é estabelecida.

Mesmo se o “ali” for uma noção da consciência infinita se estabelecendo, envolvendo ou permeando todo o restante, ainda assim há limitação, pois o “estabelecer”, e assim por diante, são aspectos de lugar. Onde quer que haja espaço, não importando o quão sutil, a cobiça encontra-se latente, buscando mais alimento para comer.

No entanto, se a cobiça puder ser removida, não haverá mais “ali”. Um sutta ilustra isso com um símile: um raio de sol entrando pela janela do lado leste de uma casa e pousando na parede do lado oeste. Se a parede do lado oeste, o solo e os lençóis freáticos contidos no solo fossem todos removidos, o raio de sol não teria onde pousar.

Do mesmo modo, se a cobiça pela forma, etc., pudesse ser removida, a consciência não teria “onde” pousar e assim se tornaria não estabelecida. Isso não significa que a consciência seria aniquilada, mas que, como com o raio de sol, ela simplesmente não teria localidade. Sem localidade, ela não mais seria definida.

É por isso que se diz que a consciência de nirvana é “sem superfície”, (anidassanam), pois ela não pousa. Como o agregado da consciência abrange apenas a consciência que é próxima ou distante, passada, presente ou futura, isto é, em conexão com o tempo e espaço, a consciência sem superfície não está incluída nos agregados.

Ela não é eterna porque a eternidade é uma função do tempo. E como sem localidade também significa indefinida, o Buda insistiu em que uma pessoa iluminada, ao contrário de uma pessoa comum, não pode ser localizada ou definida de nenhum modo em relação aos agregados nesta vida; após a morte, ele/ela não pode ser descrito como existindo, não existindo, nenhum dos dois, ou ambos, porque as descrições só se aplicam a coisas que podem ser definidas.

O passo essencial na direção dessa realização sem localidade e indefinida é reduzir as proliferações da consciência. Em primeiro lugar, contemplar as desvantagens de manter a consciência aprisionada ao processo de comilança.

Essa contemplação gera a urgência para os passos seguintes: trazer a mente para a unicidade da concentração, refinando-a gradualmente e aí decliná-la até zero. As desvantagens da comilança são descritas de modo mais claro no SN XII.63, A Carne de um Filho.

O processo da refinação gradual da unicidade está provavelmente melhor descrito no MN 121, O Pequeno Discurso sobre o Vazio, enquanto que o declínio até zero está melhor descrito no discurso para Malunkyaputta : “Aqui, Malunkyaputta, com relação às coisas vistas, ouvidas, sentidas e conscientizadas por você: no visto haverá apenas o visto; no ouvido haverá apenas o ouvido; no sentido haverá apenas o sentido; no conscientizado haverá apenas o conscientizado.

Quando, Malunkyaputta, com relação às coisas vistas, ouvidas, sentidas e conscientizadas por você, no visto houver apenas o visto, no ouvido houver apenas o ouvido, no sentido houver apenas o sentido, no conscientizado houver apenas o conscientizado, então, Malunkyaputta, você não estará ‘com aquilo.’

Quando, Malunkyaputta, você não estiver ‘com aquilo,’ então você não estará ‘naquilo.’ Quando, Malunkyaputta, você não estiver ‘naquilo,’ então você não estará aqui, nem além e tampouco entre os dois. Isso em si mesmo é o fim do sofrimento.”

Quando não há aqui ou além, ou entre os dois, é óbvio que não podemos empregar, ainda que como uma metáfora, o verbo “entrar” ou “alcançar” para descrever essa realização. Talvez devêssemos fazer da própria palavra nirvana um verbo: “Quando não há você em conexão com aqueles, você nirvana.” Assim, podemos indicar que o desatamento é uma ação distinta de todas as demais e evitar qualquer noção equivocada de ficar “preso” na completa libertação.





Leituras Complementares

“Todos os seres dependem de alimento.” [Khp 4]


Sentado a um lado o Venerável Radha disse para o Abençoado: “Venerável senhor, dizem,‘um ser, um ser.’ De que modo, venerável senhor, alguém é chamado um ser?”

“Alguém está grudado, Radha, grudado com firmeza, ao desejo, cobiça, deleite e paixão pela forma; assim alguém é chamado um ser. Alguém está grudado, grudado com firmeza, ao desejo, cobiça, deleite e paixão pela sensação ... pela percepção ... pelas formações ... pela consciência, assim alguém é chamado um ser. [SN XXIII.2]

“Se alguém permanecer obcecado com a forma, senhor, é com base nisso que ele será medido. Se alguém é medido com base em algo, então, com base nisso ele será avaliado.

“Se alguém permanecer obcecado com a sensação...

“Se alguém permanecer obcecado com a percepção...

“Se alguém permanecer obcecado com as formações...

“Se alguém permanecer obcecado com a consciência, senhor, é com base nisso que ele será medido. Se alguém é medido com base em algo, então, com base nisso ele será avaliado.

“Mas, se alguém não permanecer obcecado com a forma, senhor, ele não será medido com base nisso. Não sendo medido com base em algo, então, ele não será avaliado com base nisso.

“Se alguém não permanecer obcecado com a sensação...

“Se alguém não permanecer obcecado com a percepção...

“Se alguém não permanecer obcecado com as formações...

“Se alguém não permanecer obcecado com a consciência, senhor, ele não será medido com base nisso. Não sendo medido com base em algo, então ele não será avaliado com base nisso. [SN XXII.36]

“Quem está apegado não está libertado; quem não está apegado está libertado. A consciência, bhikkhus, enquanto se mantém, poderá ser mantida apegada à forma, suportada pela forma, fundamentada na forma e com um pouco de prazer, ela poderá exibir crescimento, incremento e expansão.

Ou a consciência, enquanto se mantém poderá ser mantida [apegada à sensação ... apegada à percepção] apegada às formações, suportada pelas formações, fundamentada nas formações e com um pouco de prazer, ela poderá exibir crescimento, incremento e expansão.

“Bhikkhus, embora alguém possa dizer: ‘Separado da forma, separado da sensação, separado da percepção, separado das formações, eu declararei a vinda e ida da consciência, o seu falecimento e renascimento, o seu crescimento, incremento e expansão’ – isso seria impossível.

“Bhikkhus, se um bhikkhu abandona a cobiça pelo elemento forma...

“Bhikkhus, se um bhikkhu abandona a cobiça pelo elemento sensação...

“Bhikkhus, se um bhikkhu abandona a cobiça pelo elemento percepção...

“Bhikkhus, se um bhikkhu abandona a cobiça pelo elemento formações...

“Bhikkhus, se um bhikkhu abandona a cobiça pelo elemento consciência, então devido ao abandono da cobiça o suporte é eliminado e não existe base para o estabelecimento da consciência.

“Quando esta consciência não se estabelece, não cresce, não gera, ela se liberta. Estando libertada, ela fica estável; estando estável, ela fica satisfeita; estando satisfeita, ela não se agita. Sem agitação, ele realiza Nibbana. Ele compreende que ‘O nascimento foi destruído, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, não há mais vir a ser a nenhum estado.’”

“Bhikkhus, aquilo que alguém intenciona, aquilo que alguém planeja e pela qual alguém tenha preferência: isto se torna uma base para a manutenção da consciência.

Quando há uma base, haverá um suporte para o estabelecimento da consciência. Quando a consciência se estabelece e cresce, há a produção de uma renovada existência futura. Quando há a produção de uma renovada existência futura, o futuro nascimento e morte, lamentação, dor, angústia e desespero surgem. Essa é a origem de toda essa massa de sofrimento.

“Se, bhikkhus, alguém não intenciona, alguém não planeja, mas ainda tem preferência por algo, isto se torna uma base para a manutenção da consciência. Quando há uma base, haverá um suporte para o estabelecimento da consciência ... Essa é a origem de toda essa massa de sofrimento.

“Mas, bhikkhus, quando alguém não intenciona, alguém não planeja e não não tem preferência por algo, nenhuma base existe para a manutenção da consciência. Quando não há uma base, não haverá suporte para o estabelecimento da consciência. Quando a consciência não se estabelece e não cresce, não há a produção de uma renovada existência futura. Quando não há a produção de uma renovada existência futura, o futuro nascimento e morte, lamentação, dor, angústia e desespero cessam. Essa é a cessação de toda essa massa de sofrimento.

"Existem esses quatro tipos de alimentos para a manutenção dos seres que já nasceram e para o sustento daqueles que estão em busca de um nascimento. Quais quatro? O alimento comida, grosseira ou sutil, o contato como o segundo, a volição mental como o terceiro e a consciência como o quarto. Esses são os quatro tipos de alimentos para a manutenção dos seres que já nasceram e para o sustento daqueles que estão buscando o nascimento.

“Quando existe cobiça, prazer e desejo pelo alimento comida, a consciência ali se estabelece e expande. Quando a consciência se estabelece e expande, a mentalidade-materialidade é acendida. Quando a mentalidade-materialidade é acendida, ocorre o crescimento das formações. Quando ocorre o crescimento das formações, ocorre a produção de um renovado ser/existir no futuro, há um futuro nascimento, envelhecimento e morte, juntamente, eu lhes digo, com tristeza, angústia e desespero.

“Quando existe cobiça, prazer e desejo pelo alimento contato...

“Quando existe cobiça, prazer e desejo pelo alimento volição mental...

“Quando existe cobiça, prazer e desejo pelo alimento consciência, a consciência ali se estabelece e expande. Quando a consciência se estabelece e expande, a mentalidade-materialidade é acendida. Quando a mentalidade-materialidade é acendida, ocorre o crescimento das formações. Quando ocorre o crescimento das formações, ocorre a produção de um renovado ser/existir no futuro, há um futuro nascimento, envelhecimento e morte, juntamente, eu lhes digo, com tristeza, angústia e desespero.

“Como quando existe pigmento, laca, corante auricolor, índigo, carmesim – um pintor pintaria o retrato de uma mulher ou de um homem, completo em todas as suas partes, em um painel ou parede bem polida, ou num pedaço de tela; da mesma forma, quando existe cobiça, prazer e desejo pelo alimento comida ... contato ... volição mental ... consciência, a consciência ali se estabelece e expande.

Quando a consciência se estabelece e expande, a mentalidade-materialidade é acendida. Quando a mentalidade-materialidade é acendida, ocorre o crescimento das formações volitivas. Quando ocorre o crescimento das formações volitivas, ocorre a produção de um renovado ser/existir no futuro, há um futuro nascimento, envelhecimento e morte, juntamente, eu lhes digo, com tristeza, angústia e desespero.

“Quando não existe cobiça, prazer e desejo pelo alimento comida, então a consciência ali não se estabelece ou expande. Quando a consciência não se estabelece ou expande, a mentalidade-materialidade não é acendida. Quando a mentalidade-materialidade não é acendida, não ocorre o crescimento das formações. Quando não ocorre o crescimento das formações, não ocorre a produção de um renovado ser/existir no futuro. Quando não ocorre a produção de um renovado ser/existir no futuro, não há um futuro nascimento, envelhecimento e morte. Assim, eu lhes digo, não há tristeza, angústia e desespero.

“Quando não existe cobiça, prazer e desejo pelo alimento contato...

“Quando não existe cobiça, prazer e desejo pelo alimento volição mental...

“Quando não existe cobiça, prazer e desejo pelo alimento consciência, então a consciência ali não se estabelece ou expande. Quando a consciência não se estabelece ou expande, a mentalidade-materialidade não é acendida. Quando a mentalidade-materialidade não é acendida, não ocorre o crescimento das formações volitivas. Quando não ocorre o crescimento das formações volitivas, não ocorre a produção de um renovado ser/existir no futuro. Quando não ocorre a produção de um renovado ser/existir no futuro, não há um futuro nascimento, envelhecimento e morte. Assim, eu lhes digo, não há tristeza, angústia e desespero.

“Como se houvesse uma casa coberta por um telhado, ou um salão coberto por um telhado com janelas na face norte, sul ou no leste. Quando o sol nascesse e um raio entrasse pela janela onde ele pousaria?”

“Na parede do lado oeste, senhor.”

“E se não houvesse uma parede do lado oeste, onde pousaria?”

“No solo, senhor.”

“E se não houvesse solo, onde pousaria?”

“Na água, senhor.”

“E se não houvesse água, onde pousaria?”

“Não pousaria, senhor.”

“Da mesma forma, quando não existe cobiça, prazer e desejo pelo alimento comida ... contato ... volição mental ... consciência, então a consciência ali não se estabelece ou expande. Quando a consciência não se estabelece ou expande, a mentalidade-materialidade não é acendida. Quando a mentalidade-materialidade não é acendida, não ocorre o crescimento das formações. Quando não ocorre o crescimento das formações, não ocorre a produção de um renovado ser/existir no futuro. Quando não ocorre a produção de um renovado ser/existir no futuro, não há um futuro nascimento, envelhecimento e morte. Assim, eu lhes digo, não há tristeza, angústia e desespero.

“Ele não forma nenhuma condição ou gera vontade com o propósito de ser/existir ou não ser/existir. Já que ele não forma nenhuma condição ou gera vontade com o propósito de ser/existir ou não ser/existir, ele não se apega a nada neste mundo. Não se apegando, ele não fica agitado. Sem estar agitado, ele realiza Nibbana. Ele compreende que ‘O nascimento foi destruído, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, não há mais vir a ser a nenhum estado.'

"Se ele sente uma sensação de prazer, ele compreende: ‘É impermanente; não há que agarrá-la; não existe prazer nela’. Se ele sente uma sensação de dor, ele compreende: ‘É impermanente; não há que agarrá-la; não existe prazer nela’. Se ele sente uma sensação nem de prazer nem de dor, ele compreende: ‘É impermanente; não há que agarrá-la; não existe prazer nela’.


“Irmãs, suponham que um hábil açougueiro ou o seu aprendiz matasse uma vaca e a descarnasse com uma faca afiada de açougueiro. Sem danificar a massa interna de carne e sem danificar o couro externo, ele cortaria, separaria e trincharia os tendões internos, nervos e ligamentos com a faca afiada de açougueiro.

Então, depois de cortar, separar e trinchar tudo isso, ele removeria o couro externo e cobriria novamente a vaca com aquele mesmo couro. Ele falaria corretamente se dissesse: ‘Esta vaca está unida a este couro da mesma forma que antes’?

“Não, venerável senhor. Por que isso? Porque se aquele hábil açougueiro ou o seu aprendiz matasse uma vaca ... e cortasse, separasse e trinchasse tudo aquilo, muito embora ele cubra a vaca novamente com aquele mesmo couro e diga: ‘Esta vaca está unida a este couro da mesma forma que antes,’ aquela vaca está desunida daquele couro.”

“Irmãs, eu citei este símile para transmitir uma idéia. A idéia é a seguinte: ‘A massa interna de carne’ é um termo para as seis bases internas. ‘O couro externo’ é um termo para as seis bases externas. ‘Os tendões internos, nervos e ligamentos’ é um termo para o prazer e a cobiça. ‘A faca afiada do açougueiro’ é um termo para a nobre sabedoria – a nobre sabedoria que corta, separa e trincha as contaminações internas, os grilhões e laços.



Agora, naquela ocasião uma nuvem de fumaça, um redemoinho de trevas, estava se movendo para o leste, depois para o oeste, para o norte, para o sul, para cima, para baixo e para os quadrantes intermediários. Então, o Abençoado se dirigiu aos bhikkhus: “Vocês vêm, bhikkhus, aquela nuvem de fumaça, um redemoinho de trevas, movendo-se para o leste, depois para o oeste, para o norte, para o sul, para cima, para baixo e para os quadrantes intermediários?"

“Sim, venerável senhor.”

“Aquilo, bhikkhus, é Mara, o Senhor do Mal, procurando pela consciência de Godhika, perguntando a si mesmo: ‘Onde agora se estabeleceu a consciência de Godhika? No entanto, bhikkhus, com a consciência não estabelecida, Godhika realizou o parinibbana.”



Upasiva:
Aquele que chegou ao fim: ele é aniquilado, ou permanece eternamente intacto? Por favor, sábio, explique isso para mim pois esse fenômeno é do seu conhecimento.

O Buda:
Não há nada através do qual se possa medir aquele que chegou ao fim. Aquilo através do qual alguém poderia defini-lo - não se aplica no caso dele. Quando todos os fenômenos são eliminados, todos os meios de definição também são eliminados. [Snp V.6]



“O que você pensa, Anuradha, a forma é permanente ou impermanente?

“Impermanente, senhor.

"E aquilo que é impermanente é sofrimento ou felicidade?

“Sofrimento, senhor.

“E é adequado considerar o que é impermanente, sofrimento, sujeito a mudanças como: ‘Isso é meu. Isso sou eu. Isso é o meu eu’?

“Não, senhor.

“...A sensação é permanente ou impermanente?

“Impermanente, senhor.

“...A percepção é permanente ou impermanente?

“Impermanente, senhor.

“...As formações são permanentes ou impermanentes?

“Impermanentes, senhor.

“O que você pensa, Anuradha, a consciência é permanente ou impermanente?

“Impermanente, senhor.

“E aquilo que é impermanente é sofrimento ou felicidade?

“Sofrimento, senhor.

“E é adequado considerar o que é impermanente, sofrimento, sujeito a mudanças como: 'Isso é meu. Isso sou eu. Isso é o meu eu’?

“Não, senhor.

“O que você pensa, você considera a forma como sendo o Tathagata?

“Não, senhor.

“Você considera a sensação como sendo o Tathagata

“Não, senhor.

“Você considera a percepção como sendo o Tathagata

“Não, senhor.

“Você considera as formações como sendo o Tathagata

“Não, senhor.

“Você considera a consciência como sendo o Tathagata

“Não, senhor.

“O que você pensa, você considera que o Tathagata está na forma? ... Separado da forma? ... Na sensação? ... Separado da sensação? ... Na percepção? ... Separado da percepção? ... Nas formações? ... Separado das formações? ... Na consciência? ... Separado da consciência?"

“Não, senhor.

“O que você pensa, você considera que o Tathagata é o conjunto da forma-sensação-percepção-formações-consciência?

“Não, senhor.

“Você considera que o Tathagata não tem forma, não tem sensação, não tem percepção, não tem formações, não tem consciência?

“Não, senhor.

“Mas, Anuradha, quando você não consegue entender o Tathagata como real e presente nesta mesma vida, é apropriado que você declare, ‘Amigos, o Tathagata – o homem supremo, o homem superlativo, que realizou a realização superlativa – ao ser descrito, é descrito de uma maneira distinta dessas quatro: o Tathagata existe após a morte; não existe após a morte; ambos, existe e não existe após a morte; nem existe, nem não existe após a morte.’?”

“Não, senhor.”

“Muito bem, Anuradha. Tanto antes, como agora, eu declaro somente o sofrimento e a cessação do sofrimento.” [SN XXII.86]



“Quando a mente de um bhikkhu está libertada dessa forma, Mestre Gotama, onde ele renasce [após a morte]?”

“O termo ‘renasce’ não se aplica, Vaccha.”

“Então ele não renasce, Mestre Gotama?”

“ O termo ‘não renasce’ não se aplica, Vaccha.”

“ Então, ambos, ele renasce e não renasce, Mestre Gotama?”

“O termo ‘ambos, renasce e não renasce’ não se aplica, Vaccha.”

“Então ele nem renasce nem não renasce, Mestre Gotama?”

“O termo ‘nem renasce nem não renasce’ não se aplica, Vaccha.”

“Quando o Mestre Gotama é perguntado essas quatro questões; ele responde: ‘O termo “renasce” não se aplica, Vaccha; o termo “não renasce não se aplica, Vaccha; o termo “ambos, renasce e não renasce” não se aplica, Vaccha; o termo “nem renasce nem não renasce” não se aplica, Vaccha.’ Agora fiquei atordoado, Mestre Gotama, agora fiquei confuso, e o tanto de confiança, que eu havia obtido através da conversa anterior com o Mestre Gotama, agora desapareceu.”

“É normal que isso o deixe atordoado, Vaccha, normal que isso o deixe confuso. Pois este Dhamma, Vaccha, é profundo, difícil de ser visto e difícil de ser compreendido, pacífico e sublime, não pode ser alcançado através do mero raciocínio, sutil, para ser experimentado pelos sábios. É difícil que você o entenda possuindo uma outra idéia, aceitando um outro ensinamento, aprovando um outro ensinamento, dedicando-se a um outro treinamento e seguindo um outro mestre. Portanto, em retribuição, eu o questionarei acerca disso, Vaccha. Responda como quiser.

“O que você pensa, Vaccha? Suponha que um fogo estivesse queimando à sua frente. Você saberia que: ‘Este fogo está queimando na minha frente’?”

“Eu saberia, Mestre Gotama.”

“Se alguém lhe perguntasse, Vaccha: ‘Esse fogo à sua frente queima na dependência do que?’ – tendo sido assim perguntado, o que você responderia?”

“Sendo assim perguntado, Mestre Gotama, eu responderia: ‘Este fogo na minha frente queima na dependência de capim e gravetos.”

“Se esse fogo à sua frente se extinguisse, você saberia que: ‘Este fogo na minha frente se extinguiu’?”

“Eu saberia, Mestre Gotama.”

“Se alguém lhe perguntasse, Vaccha: ‘Quando esse fogo à sua frente foi extinto, para qual direção ele se foi: para o leste, para o oeste, para o norte, ou para o sul?’ – tendo sido perguntado dessa forma, o que você responderia?’

“Isso não se aplica, Mestre Gotama. O fogo queimou na dependência do seu combustível, capim e gravetos. Quando ele foi consumido, se não há mais combustível, não tendo combustível, ele é extinto.”

“Assim também, Vaccha, o Tathagata abandonou aquela forma material pela qual alguém, descrevendo o Tathagata, o descreveria; ele cortou-a pela raiz, fez como com um tronco de palmeira, eliminando-a de tal forma que não estará mais sujeita a um futuro surgimento.

O Tathagata está libertado de pensar em termos da forma material, Vaccha, ele é profundo, imensurável, difícil de ver e difícil de compreender em profundidade tal como o oceano. O termo ‘renasce’ não se aplica, o termo ‘não renasce’ não se aplica, o termo ‘ambos, renasce nem não renasce’ não se aplica, o termo ‘nem renasce, nem não renasce’ não se aplica.

O Tathagata abandonou aquela sensação pela qual alguém, descrevendo o Tathagata, o descreveria ... abandonou aquela percepção pela qual alguém, descrevendo o Tathagata, o descreveria ... abandonou aquelas formações pela qual alguém, descrevendo o Tathagata, o descreveria ... abandonou aquela consciência pela qual alguém, descrevendo o Tathagata o descreveria; ele cortou-a pela raiz, fez como com um tronco de palmeira, eliminando-a de tal forma que não estará mais sujeita a um futuro surgimento.

O Tathagata está liberto de pensar em termos da consciência, Vaccha; ele é profundo, imensurável, difícil de ser examinado em profundidade, tal como o oceano. O termo ‘renasce’ não se aplica, o termo ‘não renasce’ não se aplica, o termo ‘ambos, renasce nem não renasce’ não se aplica, o termo ‘nem renasce, nem não renasce’ não se aplica.” [MN 72]



“’A consciência desprovida de atributos,
Ilimitada,
E toda luminosa:
que não participa da solidez da terra, que não participa da liquidez da água ... que não participa da totalidade do todo.’


“Na consciência desprovida de atributos, ilimitada e toda luminosa.
Nisso a terra, água, fogo e ar,
Grande e pequeno, fino e grosseiro, puro e impuro – não encontram apoio.
Nisso a mentalidade-materialidade cessa sem deixar vestígios.
Com a cessação [do agregado] da consciência, tudo isso cessa.”