INTRODUÇÃO
produção em saúde por meio da construção de
Conforme dados da Pesquisa Nacional por
significados sobre o serviço de assistência, suas
praticas e cumprimento de demandas(7).
Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 2005, o
número de pessoas com mais de 60 anos é superior a
O Programa Saúde da Família traz em suas
18 milhões, o que corresponde a cerca de 10% da
diretrizes a proposta de atendimento usuário-
população total. Um país pode ser considerado
centrada. É a primeira política de apoio a família
estruturalmente envelhecido, de acordo com a
vulnerável, porém ainda não conta com equipes de
reabilitação(8).
Organização Mundial da Saúde (OMS) quando sua
taxa de idosos ultrapassa 7% da população total(1).
Em decorrencia da escassez do oferecimento
Isso se deve, em parte, ao aumento da
desse tipo de atendimento às populações de baixa
expectativa de vida que tinha média de 64 anos de
renda, a família muitas vezes assume o papel de
idade na década de 90, e será cerca de 73,3 anos em
cuidador do idoso incapacitado. Porém essa família
2025(2). Soma-se a isso a melhora na qualidade de
nem
sempre
tem
condições
de
assumir
vida da população brasileira e a diminuição da taxa
responsabilidades pelo cuidado do idoso de forma
de natalidade, o que leva o Brasil a ter, segundo o
eficiente. Geralmente algum membro da família tem
último censo, cerca de 14 milhões de pessoas com 60
de se sacrificar para exercer essa função. É comum
anos ou mais(3).
que algum familiar pare de trabalhar para cumprir os
Conforme dados do IBGE(3) de acordo com o
cuidados específicos para com o idoso dependente(9).
censo realizado no ano 2000, o número da população
Há também em decorrencia desse novo
de idosos residentes na região sudeste com 60 anos
rearranjo familiar: o luto antecipado, sobrecarga do
ou mais era de 4.984.058. O total relativo desse
papel do cuidador, desajustamento familiar perante a
número foi de 7,9, o maior total relativo se
crise, aumento dos riscos de saúde do cuidador e
mudanças em sua auto-estima(9).
comparado as outras regiões do país. A região
sudeste, portanto, possui a maior população idosa do
A relação de cuidado domiciliar do idoso pela
Brasil, tanto em números absolutos quanto relativos,
família não é nova. A família é elegida como a
e deve fornecer politícas públicas para atender a essa
primeira fonte de cuidados para os idosos e a figura
populacão especifica.
feminina é geralmente a escolhida para exercer essa
função(10).
O aumento da expectativa de vida e os
No
entanto
esse
papel
não
contextos sócio econômicos precários em que grande
desempenhado sem dificuldades e transtornos. Há
parte da população idosa se encontra, contribui para
sobrecargas físicas e emocionais no ato de cuidar do
o aumento da prevalencia e incidencia da
outro. Entre elas destacam-se: o isolamento social,
incapacidade funcional(4). A incapacidade é definida
as mudanças e as insatisfações conjugais, as
como resultante da interação entre a disfunção do
dificuldades financeiras e os déficits na saúde física e
no autocuidado do cuidador(11).
indivíduo, – seja ela orgânica e/ou da estrutura do
corpo – a limitação de suas atividades e a restrição
O desgaste psicológico é grande, pois, um dos
na participação social, sendo que os fatores
motivos que levam o familiar a escolher a função de
ambientais podem atuar como obtáculos ou
cuidador do idoso são as obrigações morais e as
facilitadores para a execução dessas atividades(5).
questões religiosas e culturais. Destaca-se os
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de
conflitos emocionais que surgem da ação do cuidar,
Domicílio (PNAD) mostram que a capacidade
pois ao mesmo tempo que o cuidador sente estar-se
funcional dos idosos é fortemente influenciada pela
sacrificando, gratifica-se pelo sentimento de estar
renda domiciliar per capita(6). A baixa renda da
cumprindo seu dever moral e ético. Essas
população idosa e o difícil acesso aos serviços de
redefinições de papéis decorrentes da dependência
saúde agrava ainda mais a situação de incapacidade
do idoso promovem uma reestruturação familiar que
funcional das pessoas com 60 anos ou mais.
provoca alterações na rotina e na dinâmica de toda a
família(12).
Como meio para suprir essas defasagens as
recentes diretrizes para a política nacional de saúde
Diante dessa situação de crise torna-se
têm como prioridade a população idosa e o
importante que as instituições de saúde dêem
acolhimento
dessa
população
pelo
SUS.
O
atenção as necessiades de saúde destes cuidadores.
acolhimento traz princípios para organizar o serviço
O cuidador é o elo entre o idoso e a equipe
multiprofissional(13). É importante, pois, estabelecer o
de uma forma usuário-centrada ao garantir: a
acessibilidade universal para os usuários; a
diálogo com esse cuidador e apreender as suas
reorganização do processo de trabalho, a fim de que
necessidades e dificuldades. Cabe aos profissionais
esse desloque seu eixo central do médico para uma
oferecer além de cuidado e atenção, educação para
equipe multiprofissional; a qualificação da relação
que os cuidadores possam exercer a sua função de
trabalhador-usuário, que deve dar-se por parâmetros
forma a não prejuicar a própria saúde. Resultará
humanitários de solidariedade e cidadania. Pretende-
disso a maior permanência do idoso em seu lar, o
se que o usuário participe efetivamente do modo de
favorecimento da familiaridade e a diminuição dos
Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(4):923-31. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n4/v11n4a17.htm.
Ramos TMB, Pedrão LJ, Furegato AR. A relação de ajuda não-diretiva junto ao cuidador de um idoso incapacitado.
riscos e custos em internações hospitalares e
forma, ressalta-se a importância do terapeuta não-
intituições de longa permanência.
diretivo mostrar-se congruente, ao respeitar a pessoa
A partir da abertura desse espaço de diálogo
não apenas através de palavras, mas também
entre profissional e cuidador é que surge a
através de atos e atitudes em sua postura
necessidade
de
se
estabelecer
as
bases
profissional frente ao outro.
metodológicas da relação de ajuda.
A relação de ajuda é, pois, um instrumento de
A relação de ajuda ocorre quando o profissional
grande valor para se estabelecer uma comunicação
cria e mantém com o cliente uma relação na qual
direta, esclarecedora e eficaz ao compreender de
este tem a oportunidade de experimentar uma boa
maneira aberta e livre de preconceitos a situação
relação consigo mesmo para compreender-se melhor
vivenciada
pelo
cuidador
familiar
do
na situação que vivencia. É por isso que essa relação
incapacitado.
deve-se centrar no momento presente (aqui e
É objetivo deste estudo analisar a interação de
agora), mas sempre tendo em mente o processo de
uma profissional psicóloga com uma cuidadora de
uma pessoa idosa incapacitada, com base na teoria
transformação. Perceber o outro no momento
presente é uma forma de respeito e compreensão(14).
de relação de ajuda não-diretiva.
O cliente que se submete a uma relação de ajuda
não-diretiva pode adquirir maior congruência, ou
MÉTODO
seja, comportamentos e atitudes mais adequados ao
Essa pesquisa fez parte de uma pesquisa maior
contexto e que sejam satisfatórios para si e para o os
denominada “Pesquisa e ensino das relações
outros(14).
interpessoais na enfermagem”, cujo projeto foi
A relação de ajuda de orientação não-diretiva
apreciado e aprovado pelo Comitê de Ética em
não focaliza o problema da pessoa com quem o
Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Escola de
profissional estabelece o vínculo, mas centra-se na
Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de
São Paulo USP (no 0151/2001).
pessoa,
em
seu
desenvolvimento
funcional,
maturidade e nos recursos internos que utiliza para
Trata-se de um estudo de caso que, por meio do
enfrentar os conflitos. Essa comunicação na
referencial teórico da relação terapêutica não-
diretiva(14-20), pretendeu analisar a interação de uma
orientação não-diretiva se dá de forma estruturada e
tecnicamente reconhecida(14). Difere, portanto, de
profissional psicóloga com uma cuidadora de uma
uma conversa comum, pois almeja que o indivíduo
pessoa idosa incapacitada.
restitua as falhas de comunicação onde ele deixou de
A relação terapêutica não diretiva fundamenta-
comunicar-se bem consigo e com os outros(15).
se, de modo geral, em uma abordagem terapêutica
Um requisito fundamental para a relação de
centrada na pessoa atendida, onde a sua historia e
ajuda é a empatia. Nela, o profissional busca
conceitos são compreendidos a luz de suas próprias
conhecer profundamente os problemas do cliente e a
perspectivas e visão de mundo. Para que essa
sua maneira de pensar. Por meio desse conhecimento
relação se estabeleça preceitos como a empatia,
pretende ajudar o cliente a enfrentar e resolver seus
congruência e aceitação incondicional já citados
problemas conforme o seu próprio ponto de vista.
anteriormente, são indispensáveis.
Para isso é necessário que o profissional esteja em
A interação deu-se na casa da própria cuidadora,
uma verdadeira relação de ajuda com o outro,
que morava na região oeste da cidade de Ribeirão
visando, através de sua doação, a capacitação da
Preto-SP, em um bairro de classe média baixa. A
parte ajudada. Para compreender os sentimentos e
cuidadora, a quem chamarei de Sandra, tinha 54
concepções do cliente o profissional deve estar
anos de idade, era solteira e aposentada devido
disposto a aceitar os comportamentos e atitudes do
invalidez no serviço. Ela e a mãe viviam em uma
outro sem preconceitos. Só assim poderá ajudá-lo a
residência pequena de três cômodos e se
compreender suas dificuldades e tomar atitudes
sustentavam com a aposentadoria de Sandra, que
positivas perante elas.
tinha um salário mínimo de renda.
Essa aceitação incondicional deve ser feita
Sandra tornou-se cuidadora da mãe há cerca de
também através dos próprios atos do profissional.
1 ano e meio quando esta caiu e fraturou o quadril. A
Assim, deve-se estar atento a gestos, olhares, e tons
mãe de Sandra se submeteu a duas cirurgias. Na
de voz que podem se mostrar ameaçadores e
primeira colocou pinos. Com a quebra dos pinos, foi
punitivos ao cliente.
internada novamente para a colocação de uma
É de fundamental importância o terapeuta
prótese. No entanto, a partir do acidente, não
adotar internamente uma atitude de profundo
conseguiu mais andar, e, na época da entrevista, iria
respeito e de aceitação total de seu cliente, para que
se submeter a sua terceira cirurgia.
este possa ser compreendido enquanto pessoa(16). O
As atividades da cuidadora eram: dar banho na
homem necessita de um clima permissivo para que
mãe, levá-la ao banheiro, alimentá-la e mudá-la de
possa fazer simbolizações corretas e ter liberdade
posição em vários momentos do dia. A mãe de
experiencial para as elaborações interiores(15). Dessa
Sandra tinha 84 anos e se encontrava em bom
Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(4):923-31. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n4/v11n4a17.htm.
Ramos TMB, Pedrão LJ, Furegato AR. A relação de ajuda não-diretiva junto ao cuidador de um idoso incapacitado.
estado mental. No período da entrevista a cuidadora
Sandra: - ... porque a bunda está doendo muito
se submeteu a uma cirurgia de hérnia de disco, mas
(coloca a mão na boca e indica o gravador, parece
não pode repousar para desempenhar os cuidados
envergonhada ao ter dito a palavra “bunda” enquanto
com a mãe.
a entrevista estava sendo gravada).
Sandra, sujeito do estudo, foi escolhida devido a
Nesse momento é indicado à participante,
um conhecimento prévio do caso através da
através de um gesto, que não haveria problemas em
vizinhança do bairro onde morava.
dizer nomes que a moral social consideraria chulos,
No primeiro contato, foram explicados os
gesto esse, que tentou deixar a participante mais à
objetivos da pesquisa. Foi informado à participante
vontade e disposta a expressar seus pensamentos e
que seria realizada uma “conversa” onde ela pudesse
sentimentos.
contar a sua vivência ao ser cuidadora de sua mãe
O começo da conversa foi marcado por
acamada. Informou-se que os dados seriam
perguntas fechadas tais como: “Eu queria saber, o
coletados por intermédio de um gravador de voz, se
que a sua mãe tem?” “Qual é o problema dela?” “A
sua mãe tem quantos anos?”. Entretanto acredita-se
a participante concordasse. A participante concordou
com o uso do gravador e com a participação na
que o modelo pergunta-resposta não colabora para o
pesquisa,
e,
assim,
assinou
o
Termo
de
desenvolvimento
de
uma
atmosfera
Consentimento Livre e Esclarecido.
relacionamento
positivo
e
cordial,
onde
A interação aconteceu em maio de 2008 e teve
entrevistado pode conhecer-se melhor e descobrir os
duração de 70 minutos. Foi realizada na casa da
recursos internos para enfrentar o problema que
vivencia(17). Por essa razão há um alerta para a
própria participante, na sala de estar, numa
disposição frente a frente, com apoio em uma mesa.
necessidade de se avaliar as perguntas que, ao
O conteúdo da gravação foi transcrito na integra
serem feitas, são realmente úteis para o entrevistado
e literalmente. Somado a esses dados foram
ou entravarão o relacionamento compreensivo. Deve-
acrescentados as expressões não verbais registradas
se propiciar sempre a possibilidade de abertura para
pela pesquisadora durante a entrevista.
o diálogo e estar atento às limitações que as
A análise foi baseada nos conteúdos de vários
perguntas fechadas ocasionam. Porém, em algumas
autores que trataram da relação terapêutica não-
situações, é necessário obter informações e
diretiva(14-20). A “Pesquisa e ensino das relações
esclarecimentos. Ao se fazer questionamentos, tudo
interpessoais na enfermagem” é integrada à
depende do modo como se verbaliza as interrogações
disciplina EERP-5731 Relacionamento Interpessoal
e de se ter a sensibilidade do momento de
Enfermeiro-Paciente. Devido a isto os relatos da
interromper o fluxo de pensamentos e sentimentos
do entrevistado(17). Assim, na interação, alguns
experiência profissional de cada aluno presente na
disciplina serviram como base para a análise dessa
pedidos de maiores esclarecimentos foram feitos,
interação.
mas sempre na tentativa de não prejudicar o fluxo
discursivo, como no exemplo abaixo:
APRESENTAÇÃO DA INTERAÇÃO E ANÁLISE
Entrevistadora: - ...quando você diz “avoando”,
CRÍTICA
significa...
O horário marcado para a interação foi o das 14
Sandra: - ...correndo.
horas, mas, logo no seu início, Sandra solicitou que
Entrevistadora: - ...um-hum.
esse horário fosse postergado para as 16 horas, o
Sandra: - ...correndo, eu vou correndo.
que foi aceito, partindo do princípio de que a empatia
Entrevistadora: - ...para ir e voltar logo para a casa?
tem o seu princípio em posturas dessa natureza,
Sandra: - ...para voltar logo.
principalmente porque era necessário todo um
Há complicações no uso da expressão “por que”
nas perguntas diretivas(17). Esta expressão possui
esforço na tentativa de compreensão e respeito à
Sandra como pessoa, pensando que o horário inicial
uma conotação punitiva devido aos entraves na
marcado para a conversa não seria propício no
comunicação ocasionados pelo fato dessa expressão
sentido de oferecer um clima permissivo, capaz de
ser mal interpretada pelo entrevistado, seja porque
trazer a ela a confiança e liberdade para dizer sobre
compreenda
que
está
sendo
punido
seus receios, angústias e resistências.
entrevistador, seja porque realmente não saiba a
A interação então começou às 16 horas, mas
resposta da questão onde se usou o “por que”.
logo nos primeiros momentos de interação foi
Assim, ela deve ser evitada o máximo possível, mas
percebido certo receio da participante em se
se for usada, deve ser feita em um contexto onde o
expressar da maneira que lhe era habitual. Apesar da
entrevistado não perceba a atitude do entrevistador
tentativa de se desenvolver um clima de aceitação e
como ameaçadora, e entenda que o uso do “por que”
abertura para o diálogo, notava-se que a presença do
foi simplesmente para obter maiores esclarecimentos
gravador era um fator que bloqueava uma
das informações. Na interação foi usado o “por que”
comunicação livre, franca e sem receios, ilustrado
na seguinte frase: “você acha que você emagreceu,
pelos dizeres que segue:
por quê?”. Essa pergunta foi feita por se entender
Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(4):923-31. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n4/v11n4a17.htm.
Ramos TMB, Pedrão LJ, Furegato AR. A relação de ajuda não-diretiva junto ao cuidador de um idoso incapacitado.
que a participante possuía certa reflexão sobre o
Entrevistadora: - ...tudo bem...
assunto questionado e não entenderia a pergunta
(...)
como uma punição.
Sandra: - ...nós estamos com medo, eu e a Marta
Há também ocasiões em que o cliente ou
(irmã de Sandra) [silêncio]. E assim é minha vida...
entrevistado faz perguntas no sentido de pedir
Entrevistadora: - ...tudo bem (pausa), obrigada pela
informações, como aconteceu nesses segmentos da
conversa.
interação:
(...)
Sandra: - ...como você chama?
Sandra: - ...por isso que eles (médicos) tiraram o
Entrevistadora: - (a pesquisadora diz o nome).
antibiótico para limpar o corpo, para por aquele de
(...)
bolsinha. Quinhentos reais cada bolsinha....
Sandra: - ...porque já podia dar para dormir e fazer
Entrevistadora: - ...tá bom.
tudo de uma vez, não é?
(...)
Entrevistadora: - ...um-hum.
Sandra: - ...mas é que a (enfermeira) verdadeira
mesmo é essa que vem, que ela mora para cá, então
Nas
intervenções
terapêuticas
existem
atividades informantes e atividades estruturantes(19).
ela já veio até visitar ela (mãe de Sandra) aqui (casa
A atividade estruturante é o ato de o terapeuta
de Sandra). E de dia... que é o período da manhã até
determinar ao cliente quais acontecimentos, valores
meio-dia, da meio-dia até as sete é outra
e objetivos deve julgar significativos. A atividade
(enfermeira) e das sete já é outra (enfermeira). Que
informante são intervenções do terapeuta orientadas
das noite já é mais tranqüilo, né.
para o esclarecimento de questões do cliente. Na
Entrevistadora: - ...um-hum.
intervenção não-diretiva o terapeuta usa a atividade
Apesar da existência de perguntas diretivas, a
informante para que o cliente possa, através das
terapeuta tentou utilizar técnicas compreensivas que
informações recebidas, efetuar ele próprio a atividade
consistem em exprimir com os próprios termos o que
foi percebido daquilo que o cliente manifestou(15). O
estruturante. Assim, perguntas que afetam apenas
indiretamente o tratamento psicoterápico e que
terapeuta não julga, avalia ou interpreta, mas
servem para facilitar o esclarecimento do cliente,
procura seguir o ritmo de desenvolvimento do próprio
podem ser respondidas pelo terapeuta(15). No caso da
cliente, sem acelerá-lo ou retardá-lo. Tentou-se isso
interação descrita acima, ambas as perguntas foram
nos seguintes segmentos:
respondidas, porque o terapeuta considerou que elas
Sandra: - ...minha cunhada, só tem ela que me
possuíam uma atividade informante apenas.
ajuda. E a Marta quando vem de noite. Aqui, (mostra
O uso de respostas verbais como “an-han” e
os pulsos) estou com os pulsos até abertos.
“um-hum” foram empregadas diversas vezes na
Entrevistadora: - ...está com os pulsos até abertos.
interação. O uso desse tipo de resposta geralmente
(...)
indica que o entrevistador está dando abertura para
Sandra: - ...porque os alunos é... do jeitinho que
que o entrevistado se expresse e está entendendo o
“tava” lá não olhou nem na cara dela. Um encostou
que o outro diz, porém, pode também ser percebida
na parede e o outro escreveu. Aí só levantou, deu
como um sinal de aprovação ou crítica do que foi
uma olhadinha, “não vamos dar mais antibiótico.
dito(17). Portanto, dá margem a ambigüidade. Na
Vamos cortar os antibióticos.”. Viemos (Sandra e a
interação com Sandra, essa resposta verbal foi usada
mãe) embora. Agora quarta-feira é o retorno e eu
geralmente com o sentido de compreensão:
não sei como vai ser.
Sandra: - ...um (médico na nova equipe que atendeu
Entrevistadora: -...então você sentiu um descaso dos
a mãe de Sandra) encostou na parede, de lá. Ficou
médicos.
de boca aberta. E o outro (médico) de cabeça baixa,
Sandra: - ...dos médicos, dessa vez.
aqui, mas não olhou na minha mãe.
Entretanto apesar dos esforços em emitir
Entrevistadora: - ...um-hum.
respostas não-diretivas, a transcrição mostra
respostas classificadas como “elucidação” (15). A
Mas em alguns momentos, certas expressões
verbais que queriam ser transmitidas pela terapeuta
elucidação possui o componente da inferência e
com o sentido de compreensão, foram, talvez,
aproxima-se da interpretação. Precisa ser usada com
compreendidas por Sandra como se tivessem o
cautela, pois através dela o profissional pode impor
sentido de aprovação. É o caso desses segmentos:
valores e julgamentos próprios sobre o cliente,
Sandra: - ...não pôs nem a mão. Porque eu falei, “ó,
rompendo o clima de permissividade, respeito e livre
aceitação do outro(16).
ela (mãe de Sandra) é pesada na mesa, vocês
(médicos) não vão poder por ela”. Porque médico não
Em alguns casos a terapeuta considera ter
vai agüentar, o sobrinho do Lucas (vizinho) põe ela
havido inferências e imposições de ideias e valores
sozinha lá, né. Porque é ele quem leva. Aí só fez
sobre a participante. São os casos:
assim, olhou, tudo bem, “vamos tirar o antibiótico
Sandra: - ...também as coisas que são dadas, que
dela, até vir no retorno.”. Tem dias que eu faço
você consegue arrumar, duram muito pouco, parece
curativo três vezes porque vaza demais....
que...
Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(4):923-31. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n4/v11n4a17.htm.
Ramos TMB, Pedrão LJ, Furegato AR. A relação de ajuda não-diretiva junto ao cuidador de um idoso incapacitado.
Entrevistadora: -...é essa (almofada) que ela
Quando diz das feridas da mãe, Sandra parece
ter em si o sentimento de dor. Esta impressão é
comprou durou muito pouquinho. A única que ainda
está inteira é essa cadeira de banho aí, ó, que deram
transmitida de maneira tão direta à terapeuta que
para ela, que salvou.
esta última entende que as feridas são de Sandra e
(...)
não de sua mãe. O sentimento de empatia é
Entrevistadora: - ...então a senhora diz que a sua
essencial para que se possa compreender o outro em
sua vivência(18). No entanto, empatia é diferente da
vida está um pouco complicada...
Sandra: - ...a minha vida está complicadíssima.
simpatia, esta, consequente da identificação. A
(...)
identificação
pode
ser
nociva
em
(18)
Entrevistadora: - ...e você só sai para cuidar de sua
momentos , pois quando uma pessoa se identifica
saúde.
a outra, a primeira projeta seus pensamentos e
Sandra: - ...só, só.
sentimentos na situação vivenciada pela última.
Entrevistadora: - ...para o essencial.
Assim, a pessoa que realmente está vivendo aquela
(...)
situação não será compreendida em sua dor, valores,
Sandra: - ...as meninas, as minhas colegas estão
julgamentos e sentimentos.
conversando comigo, tem hora que elas falam:
No que tange a relação interpessoal entre
“acorda Sandra! Tua mãe está em boas mãos. É a
profissionais de saúde e paciente, vê-se na interação
tua irmã que está lá.” Então manda eu acordar.
que alguns conceitos que seriam base para o bom
Entrevistadora: -...é que parece que você assumiu a
estabelecimento de um relacionamento interpessoal
responsabilidade.
não são considerados na prática de atendimento. O
(...)
vínculo que o paciente desenvolve junto aos
Sandra: - ...é, porque eu tive que fazer um eletro.
profissionais parece não ser respeitado pelo serviço
Porque eu fui para o psiquiatra, porque eu estava
de saúde frequentado por Sandra e sua mãe.
numa situação, andando a noite inteira e fumando
Observa-se esse fato no relato:
dois maços de cigarro.
Sandra: - ...agora o dela... ela teve retorno faz 15
Entrevistadora: - ...muita ansiedade.
dias. Mudou toda a equipe.
Sandra: - ...é, aí meu médico aqui, o Dr. X,
Entrevistadora: - ...mudou.
encaminhou para o psiquiatra.
Sandra: - ...o médico dela foi embora. Não olharam
No primeiro segmento houve uma generalização,
(alguns médicos da nova equipe) na cara dela.
pois foi transmitido pela profissional que todas as
A mudança de toda equipe interrompe com o
coisas dadas duravam pouco. Fato que não ocorre,
processo de “identificação”, uma das fases do
processo interpessoal(20). Dessa forma, todo o
pois Sandra respondeu dizendo que “a cadeira de
banho” ainda estava inteira. No segundo segmento a
processo interpessoal que se inicia desde a entrada
terapeuta usa a expressão “um pouco complicada”.
do paciente ao serviço, até a sua saída, depara-se
Porém esse parece não ser o sentimento de Sandra,
com uma interrupção pela mudança de equipe, o que
que diz que sua vida está “complicadíssima”. No
dificulta uma interação terapêutica com vistas em um
terceiro segmento a terapeuta faz a inferência de que
ser humano integral, onde os aspectos psíquicos e
a saúde seria para a participante “essencial”,
sociais do paciente são considerados, além do
julgamento este que não foi transmitido por Sandra.
biológico.
No quarto segmento a profissional faz a inferência de
A empatia é um dos instrumentos mais
que
a
participante
teria
assumido
a
importantes para o profissional que realmente deseja
ajudar o outro(14). No relato de Sandra observa-se
“responsabilidade” de cuidado da mãe. Apesar do
discurso da participante conduzir a esse raciocínio,
que alguns profissionais não foram empáticos e que
ele não foi expresso por Sandra. No quinto segmento
algumas atitudes beiram a falta de respeito e ao
também há uma inferência, pois a terapeuta
descaso.
classifica o comportamento da participante como
Sandra: - ...o médico dela foi embora. (alguns
“ansiedade”, sem que ela tivesse dito que se sentia
médicos da nova equipe) Não olharam na cara dela.
ansiosa.
Simplesmente só levantou o curativinho, olhou... do
Ao voltar-se agora o foco de atenção às falas da
jeito que estava aqui escrevendo, não olhou. (...)
participante nota-se em diversos momentos da
Porque os alunos é... do jeitinho que “tava” lá não
interação uma identificação de Sandra com a mãe
olhou nem na cara dela. Um encostou na parede e o
doente. Assim poder-se-ía dizer que a participante
outro escreveu. Aí só levantou, deu uma olhadinha,
adota uma postura simpática com a condição
“não vamos dar mais antibiótico. Vamos cortar os
adoentada da mãe:
antibióticos.”. Viemos embora. Agora quarta-feira é o
Sandra: - ...porque aqui está tudo com ferida (indica
retorno e eu não sei como vai ser.
em seu corpo onde estariam as feridas).
(...)
Entrevistadora: - ...em você?
Sandra: - (Sandra fala sobre a última internação da
Sandra: - ...nela (mãe de Sandra).
mãe) ..., foi um aperto para mim. O banho da manhã
Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(4):923-31. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n4/v11n4a17.htm.
Ramos TMB, Pedrão LJ, Furegato AR. A relação de ajuda não-diretiva junto ao cuidador de um idoso incapacitado.
eu que tinha que dar. Eu que tinha que enrolar ela lá
que o médico Y. Agora a equipe dele eu não sei não.
na cama para ajudar por frauda. Enquanto elas
Eu estou com um pouco de medo.
(enfermeiras) arrumavam a cama, o banho era
(...)
sempre eu quem dava. Então para mim não adiantou
Sandra: - ...uma da noite... porque deu esses
nada. Eu fiquei lá três meses, porque ela é de idade e
problemas, desses dias aqui, de eu sozinha aqui sem
sempre tinha que ter um acompanhante. Então se
saber o que eu fazia, deu lá (no hospital). E a “G”
der uma dor de barriga no meio do dia, ninguém vem
(enfermeira) quando chegou, falou: “‘W!” Saiu todo
tirar ela da cama, manda ela fazer na roupa.
mundo da enfermaria, de tanto que era carniça. Só
(...)
que não deram remédio. (enfermeira G): “Vamos
Sandra: - ...nós estamos com um pouco de medo.
lavar!”. Aí catou aquelas bacias de hospital, as
Entrevistadora: - ...por causa dessa nova equipe.
panaiada. Com cuidado, porque aquela (enfermeira
(Sandra acena que sim com a cabeça).
G) teve uma paciência com a minha mãe.
A relação interpessoal, quando com um enfoque
(...)
Sandra: - ...é, e ela (enfermeira G) já veio até aqui
humanista, tem a finalidade e é estruturada para
ajudar o outro(14). A relação de ajuda não-diretiva
(casa de Sandra) ver ela (mãe de Sandra).
centra-se sobre a própria pessoa considerando-a em
No
hospital
os
enfermeiros
têm
seu aspecto humano e não apenas se restringe ao
responsabilidade de promover o crescimento pessoal
seu problema. Vê-se nos segmentos transcritos
do paciente atendido e assim desenvolver e melhorar
o contexto social desse local(20). Dessa forma,
acima exatamente o oposto, pois na pessoa em
questão é focalizada apenas a ferida e não o ser
posturas empáticas de respeito e atenção desses
humano que esta por trás de sua doença. Em
profissionais propiciam uma abertura onde as
conseqüência, a relação terapêutica não se faz, o que
dúvidas, questões, medos, angústias e decisões
produz como resultado o sentimento de medo e
podem ser compartilhados entre paciente-família-
insegurança com relação à nova equipe de saúde.
profissional, formando assim uma verdadeira relação
Antes os principais interesses das intervenções
interpessoal com finalidades terapêuticas.
em enfermagem centravam-se em desenvolver a
O segmento que está transcrito abaixo parece
saúde das pessoas. Atualmente a enfermagem visa
indicar que a relação empática do médico da nova
oferecer serviços de saúde preventivos e curativos, o
equipe de profissionais, com a participante e sua
que faz com que as práticas da enfermagem se
mãe, promoveu a possibilidade de que a participante
ampliem para funções educativas e terapêuticas(20).
estivesse mais próxima e aberta frente a esse
O processo de enfermagem será educativo e
profissional para expor suas reclamações, dúvidas e
terapêutico somente quando enfermeiro e paciente
angústias:
puderem se conhecer e se respeitar mutuamente,
Sandra: - ...portanto eu vou falar: doutor, aconteceu
realizando
assim
uma
verdadeira
relação
isso, assim, assim, na última internação dela. Ela
interpessoal. Uma relação interpessoal é aquela em
reclamou muito. Eu estou desconfiada que ela não
que as pessoas em contato conhecem-se o suficiente
anda por causa de tanta anestesia que deram.
para que possam enfrentar os problemas que surjam
Esse relato mostra o importante instrumento que
de forma cooperativa(20).
é a relação de ajuda compreendida por uma visão
Na
comunicação
interpessoal,
a
ajuda
empática, compreensiva e não-diretiva, e as
terapêutica que o enfermeiro pode dar, dirige-se para
mudanças ocasionadas por sua utilização nos
uma mudança da percepção do paciente, onde este,
contextos assistenciais em saúde.
através de uma elaboração interior que se dá
também pelo relacionamento interpessoal, possa
CONSIDERAÇÕES FINAIS
olhar e se comportar frente ao mundo de maneira
Considera-se que a relação de ajuda não-diretiva
transformada(14).
realizada atingiu alguns de seus objetivos, pois, de
O novo médico e algumas enfermeiras que
modo geral, possibilitou um clima compreensivo e de
atenderam em internações anteriores a mãe da
respeito, permitindo que a participante colocasse
participante parecem possuir uma atitude que
seus sentimentos em relação à situação vivenciada
propicia o relacionamento interpessoal:
de maneira tranqüila e aberta. Durante a interação
Sandra: - ...é. Só que esse (médico) que pegou o
observou-se que a participante refletiu sobre as
cargo do lugar do médico Y me parece que ele é um
dificuldades, medos e mudanças que ocorreram após
pouco melhor. Porque ele chegou feliz, “Dona W
o acidente de sua mãe, e os recursos de auxílio que
(mãe da participante), como vai?! E a senhora!” Para
podem ser buscados como apoio para enfrentar as
mim também deu a mão, cumprimentou.
dificuldades. Pode-se dizer que Sandra, ao ter mais
(...)
consciência do momento em que está vivendo,
Sandra: - ...eu estou com a impressão de que ele
tornou seus pensamentos e sentimentos mais
(médico da nova equipe) vai ser um pouco melhor
congruentes.
Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(4):923-31. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n4/v11n4a17.htm.
Ramos TMB, Pedrão LJ, Furegato AR. A relação de ajuda não-diretiva junto ao cuidador de um idoso incapacitado.
Vários pontos foram abordados e refletidos, o
Sandra expressou na interação, que as atitudes
pouco empáticas e pouco compreensivas de alguns
que possibilitou uma maior conscientização sobre
determinados aspectos.
profissionais geraram nela um sentimento de
Sandra analisou as dificuldades que vem
ansiedade e insegurança. Durante a interação,
experimentando desde o momento em que sua mãe
Sandra considerou as qualidades do novo médico,
ficou incapacitada de andar. Refletiu sobre a sua
que apresentava uma postura empática, e decidiu ir
responsabilização para com o cuidado da mãe, e a
conversar com ele sobre seus medos e dúvidas, antes
sua tentativa de dar a ela uma melhor alimentação e
da cirurgia da mãe.
conforto. Relatou as novas coisas que teve de
Essa atitude mostra que uma postura empática e
aprender como, por exemplo, cozinhar novos
compreensiva dos profissionais favorece uma melhor
alimentos e fazer os curativos. Refletiu sobre a sua
comunicação entre profissional e usuário e um
preocupação de dar sempre o melhor para mãe e o
melhor atendimento e acolhimento. Diante das novas
sentimento de remorso que poderia vir a ter se sua
diretrizes do SUS que traz como proposta o
acolhimento das necessidades do usuário e um
mãe falecesse sem que tivesse seus desejos e
vontades atendidos. Da mesma forma, dizia da sua
serviço usuário-centrado, a relação de ajuda não-
dificuldade em se retirar do papel de cuidadora, pois,
diretiva pode ser um instrumento de grande
mesmo quando realizava outras atividades, estava
contribuição para que a proposta de acolhimento
preocupada com o bem-estar de sua mãe.
realmente se efetive.
A dificuldade financeira para comprar os objetos
de cuidado necessários, como por exemplo:
REFERÊNCIAS
1. Alves LC, Leite IC, Machado CJ.Perfis de saúde dos
remédios, esparadrapos, cadeira de rodas, etc.,
também agravava ainda mais a situação emocional
idosos no Brasil: análise da Pesquisa Nacional por
da participante e de sua mãe e a adequada condição
Amostra de Domicílios de 2003 utilizando o método
do cuidar. A debilidade da saúde da cuidadora era
grade of
membership.
Cad. Saúde Pública.
algo que também dificultava a execução do papel ao
2008;24(3):535-46.
qual assumiu. A saúde de Sandra, que já estava
2. Pan American Health Organization [Internet].
debilitada antes do acidente da mãe, agravou-se com
Washington: Pan American Health Organization.
a assunção do papel de cuidadora.
[update 2009 jun 15, cited 2009 jun 15]. Plan of
No entanto, alguns aspectos positivos foram
action on health and aging: older adults in the
analisados na interação. No começo, Sandra afirmava
Americas
1999-2002.
Available
a sua dificuldade em cuidar sozinha de sua mãe. No
http://www.paho.org/English/HPP/HPF/AGN/csp25_1
entanto, em momentos posteriores, ela começou a
2.pdf
considerar a ajuda que recebia de seus vizinhos, de
3. IBGE [Internet]. Brasília: IBGE, 2000. [update
sua irmã e de sua cunhada, que mostrou ser alguém
2009 jun 15, cited 2009 jun 15]. Pesquisa nacional
em que Sandra confiava muito e na qual poderia
por amostra de domicílios e censo demográfico 2000.
conferir os cuidados da mãe caso necessitasse sair
Available
para tratar de alguns interesses pessoais.
http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/idb2001/a14.htm
Além da possibilidade de ajuda dos vizinhos e
4. Lollar DJ, Crews JE. Redefining the role of public
familiares, o posto de saúde próximo a sua casa e as
health in disability. Annu Rev Public Health.
enfermeiras que lhe auxiliaram em períodos
2003;(24):195-208.
anteriores de internação, e com quem ainda
5. Organização Mundial da Saúde. Classificação
mantinha alguns vínculos, e, ainda, o novo médico do
Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e
hospital em que sua mãe iria ser internada,
Saúde. São Paulo: EDUSP; 2003.
mostraram-se como novos pontos de auxílio e
6. Lima-Costa MFF. A saúde dos adultos na Região
acolhimento.
Metropolitana de Belo Horizonte: um estudo
No momento da interação, a mãe de Sandra iria
epidemiológico de base populacional. Belo Horizonte:
realizar mais uma cirurgia, e Sandra revelava o medo
Núcleo
de
Estudos
em
Saúde
Pública
sobre essa nova internação, denotando especial
Envelhecimento,
Fundação
Oswaldo
preocupação à anestesia. Foi mostrando, pouco a
Cruz/Universidade Federal de Minas Gerais; 2004.
pouco, que se sentia insegura também com a nova
7. Franco TB, Merhy EE. A produção imaginária da
equipe de profissionais que iriam atender a sua mãe.
demanda e o processo de trabalho em saúde. In:
O fato da equipe se mostrar pouco empática e
Pinheiro, R, Mattos, RA, orgs. Construção social da
compreensiva fez com que Sandra temesse a nova
demanda: direito à saúde, trabalho em equipe,
cirurgia e relembrasse as dificuldades vivenciadas por
participação e espaços públicos. Rio de Janeiro:
ela em internações anteriores, quando as enfermeiras
IMS/UERJ/CEPESC/ABRASCO; 2005. p. 181-194.
não cumpriam algumas de suas obrigações e
8. Ministério da Saúde. Pactos pela vida, em defesa
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do SUS e de gestão. Brasília: Ministério da Saúde;
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http://www.fen.ufg.br/revista/revista7_1/pdf/ORIGIN
AL_05.pdf.
sábado, 3 de abril de 2010
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