Resposta-Reflexo Autêntica:
Expressão verbal da Compreensão Empática
O mundo interno é um mundo de possibilidades diversas que a palavra não consegue acompanhar. Pensamos e sentimos um turbilhão de experiências simultâneas. Mas, a palavra articulada só pode ser verbalizada uma de cada vez. Além disso, ela nunca será suficiente para expressar a riqueza do vivido, particularmente quando essa vivência contém elementos que extrapolam a experiência ordinária, como é o caso das experiências transpessoais.
Esta redução que a comunicação sofre quando passa para a linguagem, só poderá ser revertida, em algum nível, isto é, ampliada, se aquele que ouve for capaz de uma escuta maior, sem as barreiras do preconceito, do julgamento e do diagnóstico tradicional.
Em decorrência dessa atitude de abertura, o terapeuta será capaz de captar algo da experiência do cliente que ele mesmo não é capaz de formular verbalmente. Desse modo, sua intervenção empática assumirá, naturalmente, a forma de uma resposta-reflexo, tal como a entendemos: uma resposta sem a priori, fruto da experiência presente e da relação estabelecida entre ambos.
O aspecto técnico e mecânico da resposta-reflexo inexiste numa relação verdadeiramente empática. Pensar a relação desse modo significa se abrir, enquanto ser em relacionamento, para um mundo de ocorrências fenomenológicas que só pode ser percebida por aquele que se destitui, como já dissemos, de visões diagnósticas e avaliativas a priori.
Quando consideramos o objetivo da resposta-reflexo - participar da experiência imediata da pessoa - algumas conclusões vêm à tona.
Em primeiro lugar, se o terapeuta realmente está participando da experiência imediata do cliente, então esse momento é fenomenológico e a intervenção é, igualmente "fenomenológica".
Segundo, ela é fruto do encontro existencial profundo, Eu-Tu, como diria Buber.
Terceiro, o cliente se reconhece na fala do terapeuta, o que só seria possível através de uma compreensão empática do mundo fenomenológico do cliente e, neste caso, o cliente é o centro, apesar da reciprocidade empática.
Nesse momento, podemos dizer que "Seu conteúdo (do reflexo) pertence à comunicação do indivíduo, como um determinado fundo pertence a uma determinada figura.
A modificação da figura se faz a partir do interior (do próprio indivíduo), não sob a influência de forças exteriores" (p. 62). Por isto mesmo é que intervir deste modo acarreta em alguns benefícios terapêuticos:
1. O cliente se sente acompanhado, compreendido - não criticado - o que o deixa aliviado;
2. Tal constatação, estimula-o a se absorver na sua subjetividade;
3. Absorver-se nessa subjetividade produz nele a tomada de consciência autônoma
da experiência vivida.
Portanto, não é a intervenção em si mesma que produz os efeitos terapêuticos esperados, mas o modo, particularmente, autêntico, aceitador e, sobretudo, empático do terapeuta. Em outras palavras, a sintonia estabelecida entre o terapeuta e o seu cliente. Além disso, é evidente que o aspecto autêntico dessa relação inclui, também, outras formas de comunicação além do reflexo, como é o caso da expressão de sentimentos por parte do terapeuta.
Resumindo, o que estou a defender neste texto é o resgate da resposta-reflexo como uma forma altamente válida de expressão verbal do terapeuta na sua relação existencial e empática com o seu cliente.
Pensando, assim, a considero tão legítima quanto à colocação de sentimentos por parte do terapeuta, enfatizada na fase existencial da terapia centrada no cliente.
Além disso, ressalto que seu uso mecânico e repetitivo não tem nada a ver com o jeito empático e autêntico como Rogers e os terapeutas mais autênticos, sensíveis e empáticos a utilizava ou utiliza na Abordagem Centrada na Pessoa.
sábado, 3 de abril de 2010
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