Loosely speaking, congruence means genuineness. Grosseiramente falando, a congruência significa autenticidade. People are congruent when they are not trying to appear to be anything other than what they are. Pessoas são congruentes quando eles não estão tentando parecer ser outra coisa senão o que são. Congruence is the opposite of dissemblance. Congruência é o oposto da dessemelhança. It is closely related to a number of other terms, some of which will concern us below: honesty, authenticity, transparency, immediacy, spontaneity; yet its meaning does not precisely coincide with any of these. Ela está intimamente relacionada a uma série de outros termos, algumas das quais nos interessa seguir: a honestidade, a autenticidade, imediatez, transparência, espontaneidade, mas seu significado não coincide exatamente com qualquer um destes.
As a topic in psychotherapy, congruence is concerned with a person's attempts to achieve harmony in their way of being. Como um tópico na psicoterapia, congruência está preocupado com as tentativas de uma pessoa para alcançar a harmonia no seu jeito de ser. We may speak here particularly of harmony between body and mind. Podemos falar aqui, em especial da harmonia entre corpo e mente. Body, in this statement, refers primarily to behaviour, to all the movements and sensations which constitute our experience of our physical being. Corpo, nesta declaração, refere-se principalmente ao comportamento, a todos os movimentos e sensações que constituem a nossa experiência de nosso ser físico. Mind refers to our sentiments, beliefs, emotions, thoughts and imagery. Mente se refere aos nossos sentimentos, crenças, emoções, pensamentos e imagens. Sometimes we make this same distinction by talking about a person's "outer" and "inner" lives. Às vezes, fazemos essa mesma distinção, falando interior "a vida da pessoa" exterior "e um".
In practice, the line between body and mind cannot be drawn with precision. Na prática, a linha entre o corpo ea mente não pode ser estabelecida com precisão. Nonetheless, the distinction is meaningful so long as we do not start to think that it is absolute. No entanto, a distinção é significativa, enquanto não começarmos a pensar que ele é absoluto. The more congruent we are, the less easy it becomes to distinguish one from the other. O mais congruentes estamos, menos fácil se torna para distinguir uma coisa da outra. In Carl Rogers' terms, a person who is congruent becomes his (her) organism. Em Rogers Carl termos, uma pessoa que é congruente torna-se seu (sua) com o organismo.
The term congruence is derived from a Latin word meaning harmony. A congruência termo é derivado de uma palavra latina que significa harmonia. I am incongruent when I am not in harmony with myself. Eu sou incongruente quando não estou em harmonia comigo mesmo. A person who smiles (body) while actually feeling miserable (mind), is said to be incongruent. Uma pessoa que sorri (corpo), enquanto na verdade sentindo miserável (mente), diz-se ser incongruente. Much psychotherapy, personal growth and spiritual work revolves around the attempt to achieve self harmony, to eliminate incongruence. Muito psicoterapia, crescimento pessoal e trabalho espiritual gira em torno da tentativa de alcançar a harmonia pessoal, para eliminar a incongruência. Incongruence is one of the most used sign-posts in psychotherapy. Incongruência é um dos mais utilizados cadastre-posts em psicoterapia. When the client manifests signs of incongruence, that is where the therapist is likely to focus attention. Quando o cliente manifesta sinais de incongruência, que é onde o terapeuta é provável que o foco de atenção.
While what has just been said is not untrue, there is a more revealing way to think about it. Enquanto o que acaba de ser dito não é falsa, existe uma reveladora forma mais pensar nisso. To say that therapy is about eliminating incongruence gives us a simple idea of the process. Para dizer que a terapia é sobre a eliminação de incongruências nos dá uma idéia simples do processo. It tells us where to look, for instance. Ela nos diz onde procurar, por exemplo. On the other hand, the human being is infinitely more complex than this simple prescription suggests. Por outro lado, o ser humano é infinitamente mais complexa do que sugere essa receita simples. When we do focus upon some element of apparent incongruence in ourselves or in another person, what we find is that we are beginning to enter into an appreciation of some of that human complexity. Quando fazemos o foco em cima de algum elemento da aparente incongruência em nós mesmos ou em outra pessoa, o que encontramos é que estamos começando a entrar em uma apreciação de alguns dos que a complexidade humana.
We could say, therefore, that therapy, rather than being a matter of helping a person get rid of incongruence, is actually more a process of coming to appreciate the full complexity of the person, a process in which the perception of incongruence plays a key role. Poderíamos dizer, portanto, que a terapia, ao invés de ser uma questão de ajudar a pessoa a se livrar de incongruência, é na verdade mais um processo de vir a apreciar toda a complexidade da pessoa, um processo em que a percepção da incongruência tem um papel fundamental função. Incongruence is, from this perspective, simply an appearance. Incongruência é, nesta perspectiva, apenas uma aparência. Incongruence is superficial only. Incongruência é apenas superficial. When my client covers his misery with a smile there is an appearance of incongruence. Quando meu cliente cobre a miséria, com um sorriso há uma aparência de incongruência. Beyond this apparent self-contradiction, however, we find everything which makes this person a character rather than simply a facade. Para além desta aparente auto-contradição, no entanto, encontramos tudo o que faz essa pessoa um personagem ao invés de simplesmente uma fachada. His smile, for instance, is congruent, perhaps, with his desire not to put me ill at ease and it may well be this sensitivity to the needs of others which, in juxtaposition to adverse circumstances common in the world, accounts for his misery. Seu sorriso, por exemplo, é congruente, talvez, com seu desejo de não me colocar à vontade e pode muito bem ser esta sensibilidade às necessidades dos outros, que, em justaposição com circunstâncias adversas comuns no mundo, é responsável por sua miséria. Thus, in this hypothetical instance, we quickly see that there is no incongruence between his misery and his smile after all. Assim, neste caso hipotético, nós rapidamente vemos que não há incongruência entre a sua miséria e seu sorriso depois de tudo. Both derive from a single aspect of his character which I had failed to appreciate immediately. Ambos derivam de um único aspecto de seu caráter que eu não tinha de apreciar imediatamente.
The example just given illustrates the complicated relationship which exists between congruence, incongruence and the hidden part of the person. O exemplo dado ilustra a relação complexa que existe entre a congruência, incongruência e da parte oculta da pessoa. Incongruence is a superficial appearance of mismatch between manifestations of the person's character in different aspects of their physical presence. Incongruência é uma aparência superficial de incompatibilidade entre as manifestações da pessoa, o personagem em diferentes aspectos de sua presença física. These different aspects, however, give us a bearing, as it were, upon the parts of the person's character which we cannot immediately perceive, the hidden parts. Estes diferentes aspectos, no entanto, dá-nos uma relação, por assim dizer, sobre as partes da pessoa o caráter que não podemos perceber imediatamente, as partes ocultas. When the hidden part is perceived, what had been taken to be incongruence no longer seems so. Quando a parte oculta é percebido, que tinha sido levado para a incongruência, já não parece assim. Thus by attending to what we see as incongruence we do discover the secret parts of the person's character and we do have the experience of the incongruence disappearing. Assim, atendendo ao que vemos como incongruência nós descobrimos as partes secretas de pessoa de caráter e nós temos a experiência da incongruência desaparecendo. It does not disappear because one of the aspects of surface appearance has been removed or changed. Ele não morre porque um dos aspectos da aparência da superfície tenha sido removido ou alterado. It disappears only to an observer who understands. Ela desaparece apenas para um observador que compreenda.
All psychotherapy, not just the person-centred approach, is concerned with understanding what is going on when people are "not themselves". Todos psicoterapia, não apenas centrada na pessoa a abordagem, está preocupado com a compreensão do que está acontecendo quando as pessoas não são "eles mesmos". This much used colloquialism is recognisable as meaningful to nearly all of us even though logic tells us it does not make sense. Esta muito usado coloquialismo é reconhecido como importante para quase todos nós, embora a lógica nos diz que não faz sentido. How can one not be oneself? Como não ser você mesmo? Clearly, "self" can cover a great range of perceptions which a person has of themselves, a great range of different things which, nonetheless, we have learned to consider as one thing, namely our self. Claramente, "auto" pode abranger uma grande variedade de percepções que uma pessoa tem de si, uma grande variedade de coisas diferentes que, no entanto, que aprendemos a considerar como uma coisa, ou seja, nosso ego.
I do not wish here to get into a depth of analysis of the concept of "self", but merely to note that it is not a unitary entity. Não quero aqui entrar em uma profundidade de análise do conceito de "auto", mas apenas para notar que não é uma entidade unitária. Self is what one identifies with and so it is not necessarily fixed, even from moment to moment. Self é o que se identifica com e por isso não é necessariamente fixa, embora de momento a momento. We are therefore here concerned with a phenomenon which has the nature of flow rather than fixity. Estamos aqui, portanto, preocupado com um fenómeno que tem a natureza de fluxo, em vez de fixidez. It is also the case that much of what we consider to be part of ourselves is taken for granted by, or we might therefore say hidden from, us for much of the time. Também é verdade que muito do que consideramos ser parte de nós é um dado adquirido por, ou poderíamos dizer, portanto, escondido, nós por muito tempo. To refer back to the example given earlier, if I were to confront my client with a statement such as: "I sense that you feel miserable, yet I observe that you are smiling," it is quite likely that this person would not be able to offer any immediate satisfactory explanation and might well say: "Yes, I'm silly like that sometimes," or make some equally unrevealing apology. Remeter para o exemplo dado anteriormente, se eu fosse para enfrentar o meu cliente com uma declaração como: "Sinto que você se sentir miserável, mas eu observo que você está sorrindo", é bastante provável que essa pessoa não seria capaz oferecer qualquer explicação satisfatória imediata e poderia muito bem dizer: "Sim, eu sou bobo como esse, às vezes," ou fazer algum pedido de desculpas unrevealing igualmente. And yet, even this apology does reveal the person because it is also congruent with the same sensitivity we referred to earlier. No entanto, mesmo este pedido de desculpas não revelar a pessoa, porque também é congruente com a mesma sensibilidade que nos referimos anteriormente.
We may say, perhaps, that congruence is a process rather than a state, a process in which there is an open harmonious flow, spontaneity. Podemos dizer, talvez, que a congruência é um processo e não um estado, um processo no qual existe um fluxo harmonioso aberto, espontaneidade. When one is congruent, one's outward manifestation in behaviour, facial expression, body language and so on is all of a piece with one's inner sentiments, beliefs and thoughts as they arise. Quando alguém é congruente, é uma manifestação externa de comportamento, expressão facial, linguagem corporal e assim por diante é tudo de uma só peça com um interior de sentimentos, crenças e pensamentos que possam surgir. As we have discovered, however, what is consistent and what is inconsistent is more a function of the depth of perception of the observer than a description of the actual state of the person in question. Como temos descoberto, porém, o que é consistente e que é inconsistente é mais uma função da profundidade da percepção do observador do que uma descrição do estado real da pessoa em questão.
THE ORIGIN OF THE TERM A origem do termo
The term congruence was introduced to psychotherapeutic language by Carl Rogers who regarded it as one of the necessary and sufficient conditions for constructive personality change. A congruência termo foi introduzido à linguagem psicoterapêutica por Carl Rogers que ele considerada como uma das condições necessárias e suficientes para a mudança de personalidade construtivos. It is also arguable that it was through a deepening understanding of the implications of this construct for therapeutic practice that Rogers was able to refine his method and carry it beyond the limitations to which his original form of client-centred therapy was subject. Também é possível argumentar que foi através de uma compreensão mais profunda das implicações deste construto para a prática terapêutica que Rogers era capaz de refinar o seu método e levá-lo além das limitações a que a sua forma original de Terapia Centrada cliente foi sujeito. In its original form, client-centred therapy (Rogers 1965) was really only suitable for motivated, non-psychotic, non-institutionalized clients and this made it only really appropriate for clinic situations. Em sua forma original, centrada em terapia cliente (Rogers 1965) foi realmente adequado apenas para não-psicóticos, não institucionalizados clientes motivados e isso fez ela só é realmente adequada para situações clínicas. Rogers and his colleagues later pushed forward with work in long stay psychiatric hospitals (Rogers & Stevens 1968) and later still with the development of the encounter group movement (Rogers 1970) and, in the course of these experiences, they were led to place greater emphasis upon the importance of the genuineness and integrity of the therapist as a therapeutic factor. Rogers e seus colegas depois empurrado para a frente com o trabalho em hospitais psiquiátricos de longa permanência (Rogers & Stevens 1968) e mais tarde ainda com o desenvolvimento do movimento de grupo de encontro (Rogers 1970) e, no decurso dessas experiências, eles foram levados para o local de maior ênfase sobre a importância da autenticidade e integridade do terapeuta como um fator terapêutico. We may say, therefore, that in the work of the later Rogers, congruence has a more prominent place than it does in his earlier formulations. Podemos dizer, portanto, que o trabalho da tarde Rogers, a congruência tem um lugar de destaque mais do que em suas formulações anteriores.
The move toward giving greater prominence to congruence as a factor in healthy human relations was stimulated by Rogers' extension of his interests beyond the field of therapy. O movimento para dar maior destaque à congruência como um factor de relações humanas saudáveis foi estimulado pela "extensão Rogers dos seus interesses para além do campo da terapia. This was also the stimulus for the change of name from client-centred therapy to person-centred approach. Este também foi o estímulo para a mudança de nome da terapia centrada no cliente-a-abordagem centrada na pessoa. One can only be client-centred where there is a client. Um só pode ser centrada no cliente onde existe um cliente. One can be person-centred in all inter-personal encounters. Pode-se ser uma pessoa centrada em todos os encontros inter-pessoais. Rogers became interested in the application of his ideas in education (Rogers 1983), in organizations, in personal relationships (Rogers 1973) and in politics and peace work. Rogers tornou-se interessado na aplicação de suas idéias na educação (Rogers 1983), nas organizações, nas relações pessoais (Rogers 1973) e na política e no trabalho pela paz. Eventually he produced a book called A Way of Being (Rogers 1980) which suggested that what he was writing about was just that, a way of being for all occasions, not just for therapy. Eventualmente, ele produziu um livro chamado "Uma forma de ser (Rogers 1980), que sugeriu que o que estava escrito era sobre exatamente isso, um modo de ser para todas as ocasiões, não apenas para a terapia.
A further implication of this shift of terminology also high-lights congruence since, even in the therapy situation there is only one client but there are two persons. A implicação dessa mudança de congruência também alta luzes terminologia, pois, mesmo na situação terapêutica não é apenas um cliente, mas há duas pessoas. The term person-centred approach tend to suggest a practitioner who is self-revealing whereas the term client-centred therapy suggests one who is self-effacing. A abordagem centrada na pessoa prazo tendem a sugerir um médico que é auto-revelador Considerando que a terapia centrada no cliente termo sugere alguém que está se auto-anular. This contrast was not apparently consciously intended by Rogers himself, however. Esse contraste não foi, aparentemente, conscientemente pretendido pelo próprio Rogers, no entanto.
Despite Rogers' own increasing concern with this concept, however, congruence has not been a subject which has drawn a great deal of attention from person-centred theorists since Rogers. Apesar do próprio aumento da «preocupação Rogers com este conceito, no entanto, a coerência não tem sido um tema que tem atraído muita atenção centrada teóricos pessoa desde Rogers. Neither of the two most significant collections of contemporary person-centred writings (Lietaer et al. 1990; Levant & Shlien 1984) have a chapter on the subject. Nenhum dos dois mais importantes coleções de obras contemporâneas centradas pessoa (al. Lietaer al 1990; Levant & Shlien 1984) tem um capítulo sobre o assunto. Lietaer himself, however, is in process of remedying this (Lietaer in press), but the gap is noticeable. Lietaer-se, no entanto, está em processo de resolução deste (Lietaer no prelo), mas a diferença é perceptível.
ROGERS' CONCEPT OF CONGRUENCE IN 1974 "Conceito de congruência no ROGERS 1974
Rogers describes congruence as follows: Rogers descreve congruência da seguinte forma:
It has been found that personal change is facilitated when the psychotherapist is what he is, when in the relationship with the client he is genuine and without "front" or facade, openly being the feelings and attitudes which at that moment are flowing in him. Foi constatado que a mudança pessoal é facilitada quando o psicoterapeuta é que ele é, quando no relacionamento com o cliente que ele é genuíno e sem "frente" ou de fachada, sendo abertamente os sentimentos e atitudes que naquele momento estão fluindo dentro dele. We have coined the term "congruence" to try to describe this condition. Temos cunhou o termo "termo" congruência tentar descrever esta condição. By this we mean that the feelings the therapist is experiencing are available to him, available to his awareness, and he is able to live these feelings, be them, and able to communicate them if appropriate (Rogers 1974, p.61). Com isto queremos dizer que os sentimentos do terapeuta está experimentando estão disponíveis para ele, disponíveis para a sua consciência, e ele é capaz de viver estes sentimentos, sejam eles, e capaz de comunicá-los se for caso disso (Rogers 1974, p.61).
We can see that in this definition congruence is a matter of not pretending. Podemos ver que nesta definição de congruência é uma questão de não fingir. In particular Rogers was opposed to the assumption by the professional of a stance of superiority, clinical distance or presumption of false expertise. Em particular, Rogers se opôs à aquisição por parte do profissional de uma posição de superioridade, de distância clínicos ou presunção de especialização falso. Congruence here also means awareness of one's own inner condition as it unfolds from moment to moment and ability to communicate about this. Congruência aqui também a consciência da própria condição interna que se desenrola a cada momento ea capacidade de comunicar sobre isto. On the other hand it does not necessarily here imply transparency in all respects. Por outro lado, não necessariamente aqui implica transparência em todos os aspectos. The therapist is only to communicate his inner state to the client when "appropriate". O terapeuta é apenas para comunicar seu estado interno para o cliente quando "apropriado". In general, Rogers thought it appropriate to communicate a feeling if it persisted. Em geral, Rogers pensei que seria apropriado para comunicar um sentimento se ele persistiu. Congruence, in Rogers' definition, therefore, is not, strictly speaking, the same as immediacy. Congruência, na definição de Rogers, portanto, não é, estritamente falando, a mesma rapidez.
On Rogers' 1974 definition congruence can exist for a person even when it is not communicated to the other person in a dialogue. Em congruência Rogers definição de 1974 pode existir para uma pessoa, mesmo quando não é comunicado à outra pessoa em um diálogo. If I am aware that I am frightened and I do not make a deliberate attempt to hide this fact, then I am being congruent. Se estou consciente que estou assustado e eu não faço uma tentativa deliberada de esconder esse fato, então eu estou sendo congruente. I may still not actually tell you that I am frightened and you might not notice. Eu realmente ainda não pode dizer que eu estou com medo e você não pode notar. Congruence does not, therefore, necessarily imply that the inner state of a person has been successfully communicated to another person. A congruência não é, portanto, implica necessariamente que o estado interior de uma pessoa foi transmitida com sucesso para outra pessoa.
We may therefore draw a useful distinction between congruence which is communicated and congruence which is not. Podemos, portanto, uma distinção útil entre a congruência, que é comunicada e congruência, o que não é. I am inclined to call these explicit and implicit congruence. Estou inclinado a chamar esses congruência explícitos e implícitos. Discussions of this topic can become confused when this distinction is unclear. As discussões sobre este tema pode ficar confuso quando essa distinção não é clara. On the other hand, the tendency of some people to equate the term congruence only with what I am here calling explicit congruence can lead to another problem which one could call technicalization. Por outro lado, a tendência de algumas pessoas para equiparar a congruência prazo apenas com o que estou chamando aqui de congruência explícito pode levar a outro problema que se poderia chamar de tecnicismo.
Rogers introduced the concept of congruence in order to counter the tendency to see psychotherapy as a set of techniques. Rogers introduziu o conceito de congruência, a fim de contrariar a tendência para ver a psicoterapia como um conjunto de técnicas. If therapy is simply a set of techniques, then the quality of the therapist as a person is immaterial. Se a terapia é simplesmente um conjunto de técnicas, então a qualidade do terapeuta como uma pessoa é irrelevante. Rogers did not believe in technique. Rogers não acredita na técnica. He thought that what mattered was to create a psychological climate which was conducive to genuine encounter between two people free of manipulation and social manoeuvring. Ele pensou que o que importava era criar um clima psicológico que foi favorável ao encontro genuíno entre duas pessoas livres de manipulações e manobras sociais. He proposed three factors, accurate empathy, congruence and unconditional positive regard, which he suggested were both necessary and sufficient to set up this desired climate. Ele propôs três fatores, a empatia exacta, congruência e consideração positiva incondicional, que foram sugeridas, como necessário e suficiente para criar este clima desejado. These three factors are really qualities of the therapist, not techniques used by the therapist. Esses três fatores são realmente as qualidades do terapeuta, e não técnicas utilizadas pelo terapeuta.
Despite this, there have been many attempts to reinterpret Rogers' method as a set of three (or more) techniques. Apesar disso, tem havido muitas tentativas de reinterpretar o método de Rogers como um conjunto de três (ou mais) técnicas. This is a complete betrayal of Rogers' most cherished principles but, it has to be said, it is not difficult to see how people made this jump. Esta é uma traição de princípios mais caros de Rogers, mas tem que ser dito, não é difícil ver como as pessoas fizeram este salto. For one thing, Rogers was very interested in research and research usually implies measurement and as soon as one starts to measure these things they do start to look more like techniques than human qualities. Por um lado, Rogers estava muito interessado na pesquisa e investigação implica geralmente medição e logo se começa a medir essas coisas que fazem começar a olhar mais como técnicas do que as qualidades humanas. One does therefore hear people say such things as "That therapist needs to use a bit more empathy" or "I was not sure whether to use congruence at this point or not." A gente faz, portanto, ouvir as pessoas dizer coisas como "Isso terapeuta precisa usar um pouco mais de empatia" ou "Eu não tinha certeza se deve usar congruência neste momento ou não." Any statement of this kind, although one knows what it means, is actually, from a Rogerian perspective, a contradiction of terms. Qualquer declaração deste tipo, embora se saiba o que isso significa, é, na verdade, de uma perspectiva rogeriana, uma contradição de termos. Congruence is not something that one can use. A congruência não é algo que se pode usar. It is something that, at a given moment, one either is or is not. É algo que, num dado momento, um é ou não é. Nonetheless, the question of when, whether and how much to reveal one's inner experience to the other person remains, even though, from Rogers' perspective, this problem is something over and above the question of whether one is or is not congruent. No entanto, a questão de quando, se e quanto a revelar uma experiência interior é a outra pessoa permanece, embora, do ponto de vista de Rogers, esse problema é algo além e acima da questão de saber se é ou não é congruente. The only implication we can fairly draw from the 1974 definition is that it probably does not really matter very much; that what matters is that we not deliberately try to conceal. A conclusão que podemos tirar bastante da definição de 1974 é que ele provavelmente não importa muito, o que importa é que não estamos deliberadamente tentam esconder.
ROGERS' CONCEPT OF CONGRUENCE IN 1980 "Conceito de congruência no ROGERS 1980
In A Way of Being , Rogers says this: Em Um jeito de ser, Rogers diz o seguinte:
I find it very satisfying when I can be real, when I can be close to whatever it is that is going on within me... Acho que é muito gratificante quando eu posso ser real, quando eu puder estar perto de tudo o que é que está acontecendo dentro de mim ... (this) is by no means an easy thing, but... (Isso) é de nenhuma maneira uma coisa fácil, mas ... I have been improving at it... Tenho vindo a melhorar nisso ... it is a lifelong task... é uma tarefa ao longo da vida ... none of us ever is totally able to be comfortably close to all that is going on within our own experience. nenhum de nós jamais está totalmente capaz de ser confortavelmente perto de tudo o que está acontecendo dentro de nossa própria experiência.
In place of the term "realness" I have sometimes used the word "congruence." No lugar do "realismo", termo que, por vezes, usou a palavra "congruência". By this I mean that when my experiencing of this moment is present in my awareness and when what is present in my awareness is present in my communication, then each of these three levels matches or is congruent. (Rogers 1980, p.15) Com isto quero dizer que quando minha experiência deste momento está na minha consciência e quando o que está presente em minha consciência está presente em minha comunicação, então cada um destes três níveis corresponde ou é congruente. (Rogers 1980, p.15)
We can see that the concept remains essentially the same but there is now more emphasis upon congruence as a basis for communication. Podemos ver que o conceito permanece essencialmente a mesma, mas há agora mais ênfase a congruência como base para a comunicação. Rogers goes on from this passage to describe occasions when a feeling "rises up in me" which might seem at first to have no obvious relationship to what is going on and to say how he has often found that sharing such things with the client may "strike some deep note in him" and "advance our relationship". Rogers se passa com esta passagem para descrever ocasiões em que um sentimento de "sobe em mim", que poderia parecer à primeira vista não têm nenhuma relação óbvia com o que está acontecendo e dizer como ele tem encontrado frequentemente que a partilha de tais coisas com o cliente pode " greve alguma nota no fundo ele "e" avançar no nosso relacionamento ".
It seems that in this second definition of congruence Rogers has moved a step further in describing congruence in terms of the elimination of self-censorship. Parece que nesta segunda definição de congruência Rogers avançou mais um passo na descrição de congruência em termos de eliminação de auto-censura. He talks about how he tries to write as far as possible without thinking about what will or will not please his audience so that he can say what comes genuinely from his own experience, for instance. Ele fala sobre como ele tenta escrever o mais possível sem pensar no que vai ou não vai agradar a sua audiência para que ele possa dizer o que vem verdadeiramente de sua própria experiência, por exemplo.
In the same book, Rogers does explicitly equate congruence with transparency as follows: No mesmo livro, Rogers diz explicitamente equacionar congruência com transparência como segue:
genuineness, realness or congruence... , Realness autenticidade ou congruência ... means that the therapist is openly being the feelings and attitudes that are flowing within at the moment. significa que o terapeuta está sendo abertamente os sentimentos e as atitudes que estão fluindo no momento. The term "transparent" catches the flavour of this condition: the therapist makes himself or herself transparent to the client; the client can see right through what the therapist is in the relationship... O termo "transparente" captura o sabor desta condição: o terapeuta faz a si mesmo transparente para o cliente, o cliente pode ver através de que o terapeuta é na relação ... Thus there is a close matching, or congruence, between what is being experienced at the gut level, what is present in awareness, and what is expressed to the client (Rogers 1980, p.115-6). Assim, há uma correspondência estreita, ou congruência entre o que se vive ao nível do intestino, o que está presente na consciência, e que é expresso ao cliente (Rogers, 1980, p.115-6).
The question of appropriateness has not been dropped completely but one is left with a clear impression that here Rogers is advancing the idea that the therapist can afford to be a good deal more self-disclosing than was implied in his 1974 definition. A questão da adequação não foi descartada totalmente, mas fica-se com uma clara impressão de que aqui Rogers está a avançar a ideia de que o terapeuta pode dar ao luxo de ser um bom negócio mais auto-divulgação do que estava implícito em sua definição de 1974.
Rogers believed that both client and therapist were struggling to get closer to their experiencing. Rogers acreditava que o cliente eo terapeuta estavam lutando para se aproximar de seu viver. This really is the key to personal growth in Rogers' view: to discard the facade and try to achieve a deep personal encounter with another person. Esta é realmente a chave para o crescimento pessoal em vista de Rogers: para descartar a fachada e tentar chegar a um encontro íntimo e pessoal com outra pessoa.
THE IMPORTANCE OF SECRETS A IMPORTÂNCIA DOS SEGREDOS
I would like at this point to make a small digression into the question of secrecy and to consider whether it has any positive value. Gostaria neste momento de fazer uma pequena digressão sobre a questão do sigilo e determinar se ele tem algum valor positivo. Rogers was clearly in favour of the idea that, within the confines of the therapeutic relationship certainly and perhaps even in relationships more generally, openness is preferable. Rogers foi claramente a favor da idéia de que, dentro dos limites do relacionamento terapêutico, certamente, e talvez até mesmo nas relações mais gerais, a abertura é preferível. There have, however, been some who have taken the view that this is a culture specific attitude which may work less well in proportion as one becomes more distant from the United States of America. Temos, no entanto, alguns que já deram a entender que esta é uma atitude cultura específica que pode funcionar tão bem na proporção em que se torna mais distante dos Estados Unidos da América.
A famous exponent of the Japanese No Theatre, Zeami, reportedly said: "What is concealed is the flower. What is not concealed cannot be the flower. To know this distinction is the flower, and among all flowers this flower is the most important" (Doi 1986, p.110). Um famoso expoente dos japoneses no Teatro, Zeami, teria dito: "O que está escondido é a flor que não é oculto não pode ser a flor Para saber essa distinção é a flor, e entre todas as flores esta flor é o mais importante.". (Doi 1986, p.110). Doi comments upon this statement that "For Zeami, secrets did not exist because what they made secret was important. It was the fact of making something secret itself that was important" (Doi 1986, p.111). Doi comentários sobre esta declaração de que "Para Zeami, segredos não existia, porque o que eles fizeram segredo era importante. Foi o fato de fazer algo secreto em si que era importante" (Doi 1986, p.111).
Not only in Japan: in former times the acquisition of a skill or trade or profession or spiritual discipline typically involved something which was referred to as being admitted to the "mysteries". Não só no Japão: em épocas anteriores a aquisição de uma habilidade ou ofício ou profissão ou disciplina espiritual, normalmente envolvidos algo que foi referido como sendo admitidos os "mistérios". These mysteries were guarded as a precious treasure. Esses mistérios foram guardados como um tesouro precioso. The importance of secrets as a repository of power pervaded most aspects of society. A importância dos segredos de como um repositório de poder permeado a maioria dos aspectos da sociedade. The power of women in society lay in their handing down of mysteries just as did the power of societies of men. O poder das mulheres na sociedade reside na sua entrega abaixo dos mistérios tal como fez o poder das sociedades dos homens. It was only in the "modern" age that people came to believe that everything should be exposed and mystery should be banished from our lives. Foi somente na era "moderna" que as pessoas passaram a acreditar que tudo deve ser exposto e mistério deve ser banido de nossas vidas. It is open to question whether we are the richer for this. É aberto a questão de saber se estamos mais ricos por isso.
This exposure of everything to scrutiny was begun by the early protestants who wanted no priests between them and their god and went on from there to develop a spirit of positivism, rationalism, science, progress and modernism. Esta exposição de tudo ao escrutínio foi iniciada por os primeiros protestantes que não queria sacerdotes entre eles e seu Deus e foi a partir daí a desenvolver um espírito de positivismo, o racionalismo, a ciência, progresso e modernidade. The modern spirit has given birth to many great advances in science and technology but we are all now aware that it has not solved the "problem" of human subjectivity. O espírito moderno deu origem a muitos grandes avanços na ciência e na tecnologia, mas agora estamos todos conscientes de que isso não tem resolvido o "problema" da subjetividade humana. These days we live longer, we eat better (some of us), we kill each other more efficiently, we live more complicated lives, we sustain bigger cities (and smaller forests), but we are not noticeably happier than we were for all this. Hoje em dia vivemos mais tempo, nós comemos melhor (alguns de nós), nós matamos uns aos outros de forma mais eficiente, nós vivemos uma vida mais complicada, nós apoiamos as cidades maiores (menores e florestas), mas não são visivelmente mais feliz do que nós estávamos por tudo isso . The mystery which science has not unravelled is the mystery of the human heart and perhaps that is all to the good. O mistério que a ciência ainda não desvendaram o mistério do coração humano e talvez isso seja tudo para o bem.
Sometimes we find on the shelf of a bookshop a volume which purports to reveal in a few chapters the secrets of this or that esoteric society or tradition. Às vezes, encontramos nas prateleiras de uma livraria um volume que pretende revelar em alguns capítulos os segredos desta ou daquela sociedade esotérica ou tradição. We know, of course, that no book is really capable of such a thing. Sabemos, é claro, que nenhum livro é realmente capaz de tal coisa. The "mystery" of a carpenter, for instance, does not reside in the instructions to be found in a DIY manual but is lodged, rather, in the harmony of his body and mind when interacting with a piece of timber. O "mistério" de um carpinteiro, por exemplo, não reside nas instruções a serem encontrados em um manual de bricolage, mas é apresentada, ao contrário, na harmonia do seu corpo e mente quando interagem com um pedaço de madeira. Such a thing is not at all easy to convey in words but it may inspire wonderment if we can become aware of its presence. Tal coisa não é nada fácil de se transmitir em palavras, mas isso pode inspirar espanto se podemos nos tornar conscientes de sua presença.
Phenomenology is, in part, an attempt to restore some of the sense of wonder which we feel when we stand before the mysteries of life and do not try too hastily to explain them away. Fenomenologia é, em parte, uma tentativa de recuperar um pouco do sentimento de admiração que sentimos quando estamos diante dos mistérios da vida e não tentam apressadamente para explicá-los. No explanation is, in any case, ever adequate to the experience. Nenhuma explicação é, em qualquer caso, sempre adequada à experiência.
In therapy we are concerned with the mysteries of the client. Na terapia, estamos preocupados com os mistérios do cliente. I hope I have dispelled the idea that these are to be done away with. Espero ter dissipado a idéia de que estes devem ser eliminados. I have a sense, rather, that in this inquiry which we call therapy, it is really the client who is the master and the therapist who is the apprentice. Eu tenho um sentimento, sim, que neste inquérito que chamamos de terapia, é realmente o cliente que é o mestre e terapeuta, que é o aprendiz.
The client embodies her own mystery. O cliente incorpora o seu próprio mistério. Our task is to appreciate that mystery, not destroy it. Nossa missão é valorizar esse mistério, não destruí-lo. The client, of course, does not necessarily know this. O cliente, claro, não necessariamente sabem disso. She may believe that she suffers from her secret self and be tempted to think that the sooner she gets rid of it the better. Ela pode acreditar que ela sofre de segredo dela própria e ser tentado a pensar que quanto mais cedo ela se livrar dele melhor. The experienced therapist, however, is by no means so enthusiastic to expose and dispose of everything too quickly. O terapeuta experiente, no entanto, não é de forma tão entusiasmada para expor e dispor de tudo muito rapidamente. To do so is rather unseemly and shows disrespect. Para fazer isso é muito feio e demonstra falta de respeito.
The client brings us a precious gift, carefully wrapped. O cliente traz-nos um dom precioso, cuidadosamente embrulhados. To simply rip off the paper as quickly as possible to get at the contents would be evidence of a total misunderstanding of what the gift relationship is all about. Para simplesmente rasgar o papel o mais rapidamente possível para obter o conteúdo seria prova de uma total incompreensão do que a relação do presente é tudo. When we tear off the paper with undue haste we betray the fact that we are more interested in the contents than in the meaning of the gift: we display greed rather than love. Quando se corte o papel com uma pressa injustificada nós divulgamos o fato de que estamos mais interessados no conteúdo do que no significado do dom: nós mostrar a ganância em vez de amor. Similarly, in therapy, it is not the content of what the client presents that matters so much as what the presenting signifies. Da mesma forma, na terapia, não é o conteúdo do que o cliente apresenta o que importa tanto quanto o que significa a apresentação.
CONGRUENCE AND SECRETS Congruência e SEGREDOS
In one sense, congruence is about not having secrets. Em certo sentido, congruência é sobre não ter segredos. In a more important sense, however, congruence is about being true to one's secrets. Em um sentido mais importante, porém, a congruência é ser fiel a uma de segredos. In this second statement, the secrets to which I refer are the things which are laid up in our hearts; things which it is impossible to do full justice to save through out manner of being itself. Nesta segunda declaração, os segredos a que me refiro são as coisas que são colocadas em nossos corações, coisas que é impossível fazer justiça a salvar a maneira através do próprio ser.
We might say that love, really, is what occurs when we become open to the secret life of another person. Poderíamos dizer que o amor, realmente, é o que ocorre quando nos tornamos abertos para a vida secreta de uma outra pessoa. The congruent behaviour of the therapist demonstrates that it is possible for a person to be true to their nature including those aspects of it which cannot readily be put into words. O comportamento do terapeuta congruente demonstra que é possível uma pessoa ser fiel à sua natureza, incluindo os seus aspectos que não podem ser facilmente posta em palavras. Therapy involves an attempt to find and appreciate these "secrets"; and because words are so often inadequate we can use all the great variety of artistic, dramatic and expressive media which people have developed for this purpose. A terapia envolve uma tentativa de encontrar e valorizar estes "segredos", e porque as palavras são tantas vezes insuficientes podemos utilizar toda a variedade grande de meios artísticos, dramáticos e expressivos que as pessoas têm desenvolvido para esta finalidade. However, the aim is not really to expose as much as possible. No entanto, o objectivo não é realmente para expor o máximo possível.
The first rule of therapy is confidentiality. A primeira regra da terapia é a confidencialidade. Therapist and client together create a special place in which to do their magic work. Terapeuta e cliente, juntos, criam um lugar especial em que para fazer o seu trabalho de magia. In this space, what is created is a kind of love. Neste espaço, o que é criado é um tipo de amor. It is the therapist's congruence, which is the therapist's capacity to be true to her own secret nature which enables the client to rediscover and cherish his own mystery again. É congruência do terapeuta, que é a capacidade do terapeuta para ser fiel à sua própria natureza secreta que permite ao cliente redescobrir e valorizar seu próprio mistério novamente.
Love is signified by the sharing of the distilled essence of our very human experience of life. O amor é representado pela partilha da essência destilada de nossa própria experiência de vida humana. Love heals. O amor cura. It is for this reason that the client's secret wounds are also the key to his heart. É por esta razão que as feridas secretas do cliente são também a chave para seu coração. The "confession of a secret is the same in essence as a confession of love" (Doi 1986, p.133). A "confissão de um segredo é o mesmo na sua essência como uma confissão de amor" (Doi 1986, p.133).
EXPLANATIONS OF INCONGRUENCE EXPLICAÇÕES de incongruência
Here are four theories of the origins of incongruence. Aqui estão quatro teorias sobre as origens da incongruência. They are not mutually exclusive. Eles não são mutuamente exclusivas. Like most things in psychology, it is possible to approach this topic from many angles and the more angles we appreciate the more rounded our understanding is likely to become. Como a maioria das coisas em psicologia, é possível abordar o tema sob diversos ângulos e os ângulos mais agradecemos a compreensão de nossa mais arredondado é susceptível de se tornar.
a) Dissimulation and the unconscious uma dissimulação) e do inconsciente
When a person acts in a manner which is out of keeping with their inner state we speak of incongruence. Quando uma pessoa age de uma forma que está fora de sintonia com o seu estado interior falamos de incongruência. Why might this happen? Por que isso pode acontecer? Why would a person not reveal some aspect of self? Por que não uma pessoa revelar algum aspecto de si mesmo? One answer might be that the person is trying to keep something secret deliberately while another might be that the person is simply not aware of what it is that they are not disclosing. Uma resposta poderia ser que a pessoa está tentando manter em segredo algo deliberadamente, enquanto outra pode ser que a pessoa simplesmente não está consciente do que é que eles não estão divulgando.
Thus there are those situations where a person simply chooses not to reveal their inner state, in full knowledge that this is what they are doing. Assim, há situações em que uma pessoa simplesmente opta por não revelar o seu estado interior, com pleno conhecimento de que este é o que eles estão fazendo. If one is going for a job interview, one might not wish to reveal how nervous one feels. Se alguém está indo para uma entrevista de emprego, não se pode querer revelar como se sente nervoso. In this situation, the person might know that he felt nervous, but choose to cover this up by dressing smartly, wearing a smile and talking in a louder voice. Nesta situação, a pessoa pode saber que ele estava nervoso, mas optar por cobrir este por vestir elegantemente, com um sorriso e falando em voz alta. This is dissimulation. Esta é a dissimulação.
Then there are those situations where the person is not immediately aware of some aspect of their inner reactions. Depois, há as situações em que a pessoa não está imediatamente ciente de alguns aspectos de suas reações internas. If one is not offered the job and one is asked how one feels about it one might answer straight away that one feels disappointed. Se a pessoa não é oferecido o trabalho e um é perguntado como se sente sobre isso se pode responder de imediato que se sente decepcionado. Later one might reflect and come to the conclusion that one only said one was disappointed because that is what people expect you to say whereas the truth was that one actually felt relieved not to have to take on a job that was too difficult. Mais tarde pode-se refletir e chegar à conclusão de que só se disse um desapontado porque é isso que as pessoas esperam que você diga que a verdade foi que realmente senti um alívio não ter de assumir um trabalho que foi muito difícil.
Then there are situations in which some aspect of our being is completely out of reach of consciousness until revealed by a detailed analysis of our whole situation. Depois, há situações em que alguns aspectos de nosso ser é completamente fora do alcance da consciência, até revelados por uma análise detalhada da nossa situação. These are the sort of occasions catalogued by Freud in which we make mistakes such as choosing a wrong word or phrase which nonetheless reveals an unconscious motivation, or where we manage to forget an appointment with someone who had stood us up on a previous occasion, or where we quite inadvertently leave some item behind when we depart from a place to which we would actually like to return, thus giving ourselves an innocent motive to carry out our desire. Esses são os tipos de ocasiões catalogados por Freud em que nós cometemos erros, como escolher uma palavra errada ou frase que, no entanto revela uma motivação inconsciente, ou quando conseguimos esquecer um compromisso com alguém que tivesse nos ergueu em uma ocasião anterior, ou onde inadvertidamente deixar algum item para trás quando partimos de um lugar a que realmente gostaria de voltar, dando-nos um motivo inocente para realizar o nosso desejo.
Congruence can thus be related to the psychoanalytic concept of the unconscious. Congruência podem ser relacionados ao conceito psicanalítico do inconsciente. We can say that incongruent behaviour is actually motivated either by a deliberate attempt to deceive or by unconscious desires. Podemos dizer que o comportamento incongruente é, na verdade motivadas por uma tentativa deliberada de enganar ou por desejos inconscientes. Congruence, from this perspective, is the (exceedingly rare) condition of being free from repressed motives. Congruência, a partir dessa perspectiva, é a condição (rara) de estar livre de motivos reprimidos.
b) Conditions of worth b) Condições de pena
A second explanation of incongruence is in terms of learning. Uma segunda explicação é de incongruência, em termos de aprendizagem. Rogers conjectured that we learn to be incongruent in order to cope with conditions of worth imposed upon us by those from whom we seek positive regard. Rogers conjecturou que aprendemos a ser incongruente, a fim de lidar com as condições da pena imposta a nós por aqueles de quem nós procuramos consideração positiva. In the first instance these will usually be our parents. No primeiro caso, estes serão geralmente nossos pais. It is our parents that we learn to deceive first, pretending to be what they want us to be in order to retain their love and affection (Thorne 1992, p.32). É o nosso pais que aprendemos a enganar primeiro, fingindo ser o que eles querem que sejamos, a fim de conservar o seu amor e afeição (Thorne, 1992, p.32).
This part of Rogers' theory is not original and is commonly assumed. Esta parte da teoria de Rogers não é original e é comumente assumido. The general idea is that a child is shaped by its need to receive love. A idéia geral é que uma criança é moldado pela sua necessidade de receber amor. Instead of receiving unconditional acceptance, a child generally meets a situation in life in which the parents trade upon the child's needs in order to get him or her to adopt patterns of behaviour which will be socially accepted or will meet the narcissistic needs of the parents. Em vez de receber a aceitação incondicional, a criança geralmente corresponde a uma situação na vida em que o comércio dos pais sobre as necessidades da criança, a fim de obter-lhe a adoptar padrões de comportamento que seja socialmente aceito ou vão ao encontro das necessidades narcísicas dos pais. The parents place conditions upon their affirmation of the child's worth. Os pais colocam sobre suas condições de afirmação do valor da criança. They say, in effect, I will affirm that you are a good child so long as you behave in an acceptable manner. Eles dizem que, na verdade, eu vou afirmar que você é uma criança boa, desde que se comporte de uma maneira aceitável. The child thus learns to disguise some of its needs, to dissimulate, and thus becomes incongruent. A criança aprende assim para disfarçar algumas das suas necessidades, para dissimular e, portanto, torna-se incongruente.
The theory of conditions of worth is part of a general tendency in modern western psychology to blame parents for everything. A teoria das condições da pena é parte de uma tendência geral na psicologia moderna ocidental a culpar os pais por tudo. Whatever is wrong in our lives is attributed to the way we were conditioned by our parents. Tudo o que é errado em nossas vidas é atribuída à forma como foram condicionados por nossos pais. This might seem self evident, perhaps. Isso pode parecer evidente, talvez.
The theory is open to criticism, however. A teoria é passível de críticas, no entanto. It seems somehow unsatisfactory to assert that the process by which all children are necessarily socialized goes against their basic nature in a fundamental way. Parece que de alguma forma insatisfatória para afirmar que o processo pelo qual todas as crianças são socializadas necessariamente vai contra a sua natureza básica de uma maneira fundamental. I have argued in another paper (Brazier, in press) that rather than being shaped by its need to receive affection, it is just as possible to conceptualize the child as formed by its own efforts to express love. Argumentei em outro trabalho (Braseiro, no prelo), que ao invés de ser moldado pela sua necessidade de receber afeto, é tão possível conceituar a criança como formada por seus próprios esforços para expressar amor. The common view is that the child's pleasing behaviour is a betrayal of its true nature for the ulterior motive of obtaining approval. A opinião comum é que o comportamento da criança agradável é uma traição à sua verdadeira natureza para o motivo oculto de obter aprovação. It could be, however, that the child's pleasing behaviour is itself instinctive or primary and therefore not in the least incongruent. Poderia ser, contudo, que o comportamento da criança é agradável em si instintiva ou primárias e, portanto, em menos incongruentes. In general, people enjoy pleasing others and this enjoyment seems neither to be a false sentiment nor is it mediated by some secondary consequence such as approval seeking. Em geral, as pessoas gostam de agradar aos outros e esse gozo não parece nem ser um falso sentimento nem é mediada por alguma consequência secundária, tais como busca de aprovação. Indeed, it is only when it is so false or mediated that we are inclined to call it incongruent and being rewarded by the person we have pleased may actually detract from the pure joy of seeing their pleasure. Na verdade, é somente quando ele é tão falso ou mediada que estamos inclinados a chamar-lhe incongruentes e ser recompensado pela pessoa que temos o prazer pode realmente prejudicar o puro prazer de ver o seu prazer.
It may be that in our innocent state we are both congruent and pleasing. Pode ser que em nosso estado inocentes que são congruentes e agradável. The growth of a capacity for incongruence may actually equate with loss of innocence. O crescimento da capacidade de incongruência pode realmente equiparar com a perda da inocência. We learn to be incongruent in order to ward off disasters and to protect our innermost secret which is our capacity for love. Aprendemos a ser incongruente, a fim de evitar catástrofes e proteger nosso segredo mais íntimo que é a nossa capacidade de amar. When the circumstances are inauspicious, the best part of ourselves goes into hibernation, like the princess in sleeping beauty. Quando as circunstâncias são nefastas, a melhor parte de nós mesmos entra em hibernação, como a princesa em A Bela Adormecida. When we encounter a client in this state, the therapist may have to find his way through a forbidding thicket and over decaying battlements before he is able to provide the kiss of life. Quando nos deparamos com um cliente neste estado, o terapeuta pode ter que encontrar o seu caminho por um matagal e mais decadente proibindo ameias, antes que ele é capaz de fornecer o beijo da vida.
The theory of conditions of worth, therefore, seems to me to be based upon a somewhat pessimistic view of human nature as essentially self-seeking which, in many respects, seems out of keeping with the remainder and general tone of Rogers' theory. A teoria das condições da pena, portanto, parece-me ser baseada em uma visão um tanto pessimista da natureza humana como essencialmente egoístas que, em muitos aspectos, parece fora de sintonia com o restante e tom geral da teoria de Rogers. My own clinical experience suggests that when one gets to the core of the client's personality one does not generally find a grasping nature but rather a capacity for love. Minha própria experiência clínica sugere que, quando um chega ao núcleo de uma personalidade do cliente geralmente não encontrar uma natureza agarrar, mas sim a capacidade de amar.
Clearly, the view we have of what the basic nature of people may be will have a strong influence upon what we see as congruent and what we see as incongruent in their behaviour. Claramente, a visão que temos do que a natureza básica das pessoas pode ser a vontade de ter uma forte influência sobre o que vemos como congruentes e que vemos como incongruente em seu comportamento. It seems to me to be a failing of many western forms of therapy that they focus upon bringing the worst aspects of the person into focus and according them the dignity of being the person's supposed "real nature". Parece-me ser uma falha de muitas formas ocidentais de terapia que se concentram ao trazer os piores aspectos da pessoa em foco e segundo eles a dignidade de ser a pessoa supostamente "verdadeira natureza". When, through empathy, one gets to understand more and more people ever more deeply, however, one repeatedly has the experience of finding that what at first seemed self-defeating or destructive behaviour was actually the acting out of the experience of deep (hidden, secret) motives which one can recognise as positive. Quando, através da empatia, uma começa a entender mais e mais pessoas cada vez mais profundamente, no entanto, uma repetidamente tem a experiência de descobrir que o que a princípio parecia derrotista ou comportamento destrutivo foi realmente a atuação da experiência de profunda (oculto, segredo) os motivos que se pode reconhecer como positivo.
In summary, therefore, I think that it makes more sense to see the growth of what appears to be incongruence as a means developed, via loss of innocence, for the protection of our capacity for love, rather than as a way of manipulating those around us to provide narcissistic supplies. Em resumo, portanto, eu acho que faz mais sentido ver o crescimento do que parece ser incongruência como um meio desenvolvido, através da perda de inocência, para a protecção da nossa capacidade de amar, e não como uma forma de manipular pessoas à sua volta nos fornecer suprimentos narcisista. My hypothesis in this respect is also consistent, I think, with my suggestion that incongruence is only ever a superficial appearance and that it actually, to one with enough wisdom to appreciate it, reveals rather than conceals the human heart. Minha hipótese, neste contexto também é consistente, penso eu, com minha sugestão de que a incongruência é só uma aparência superficial e que, na verdade, para um com a sabedoria suficiente para apreciá-lo, revela, ao contrário do que esconde o coração humano.
sábado, 20 de novembro de 2010
Uma premissa fundamental da teoria de Carl Rogers é o pressuposto de que as pessoas usam sua experiência para se definir. Em seu principal trabalho teórico de 1959, Rogers define uma série de conceitos a partir dos quais delineia teorias da personalidade e modelos de terapia, mudança da personalidade e relações interpessoais. Os construtos básicos aqui apresentados estabelecem uma estrutura através da qual as pessoas podem construir e modificar suas opiniões a respeito de si mesmas.
O Conhecimento
O conhecimento objetivo é uma forma de testar hipóteses, especulações e conjecturas em relação a sistemas de referência externos. Em Psicologia, os pontos de referência podem incluir observações do comportamento, resultados de testes, questionários ou julgamentos de outros psicólogos.
A utilização dos colegas baseia-se na idéia de que se pode confiar nas pessoas treinadas em uma determinada disciplina para aplicar os mesmos métodos de julgamento a um dado evento. A opinião de um especialista pode ser objetiva mas também pode ser uma percepção coletiva errônea. Qualquer grupo de especialistas pode mostrar-se rígido e defender-se quando se lhes pede para considerar dados que contradizem aspectos axiomáticos de sua própria formação. Rogers observa que teólogos comunistas dialéticos e psicanalistas exemplificam esta tendência. Rogers é o único a questionar a validade do conhecimento objetivo, em especial na tentativa de compreender a experiência de uma outra pessoa.
A terceira forma de conhecimento é o conhecimento inter-pessoal ou conhecimento fenomenológico, que é a essência da terapia centrada no cliente. É a prática da compreensão empática. Penetrar no mundo subjetivo particular do outro para ver se nossa compreensão da opinião dele é correta, não apenas para ver se é objetivamente correta ou se concorda com o nosso próprio ponto de vista, mas se é correta no sentido de compreender a experiência do outro como ele a experiência. Esta compreensão empática é testada pela resposta àquilo que se entendeu, perguntando-se ao outro se foi ouvido corretamente. "Você está se sentindo deprimido esta manhã?", "Parece-me que você está contando ao grupo que seu choro é um pedido de ajuda", "Aposto que você está muito cansado para concluir isto agora".
O Campo da Experiência
Há um campo de experiência único para cada indivíduo. Este campo de experiência ou "campo fenomenal" contém tudo o que se passa no organismo em qualquer momento, e que está potencialmente disponível à consciência. Inclui eventos, percepções, sensações e impactos dos quais a pessoa não toma consciência, mas poderia tomar se focalizasse a atenção nesses estímulos. É um mundo privativo e pessoal que pode ou não corresponder à realidade objetiva.
De início a atenção é colocada naquilo que a pessoa experimenta como seu mundo, não na realidade comum. O campo de experiência é limitado por restrições psicológicas e limitações biológicas. Temos tendência a dirigir nossa atenção para perigos imediatos, assim como para experiências seguras ou agradáveis, ao invés de aceitar todos os estímulos que nos rodeiam.
Self
Dentro do campo de experiência está o Self. O Self não é uma entidade estável, imutável, entretanto, observado num dado momento, parece ser estável. Isto se dá porque congelamos uma secção da experiência a fim de observá-la. Rogers concluiu que a idéia do eu não representa uma acumulação de inumeráveis aprendizagens e condicionamentos efetuados na mesma direção.... Essencialmente é uma gestalt cuja significação vivida é suscetível de mudar sensivelmente (e até mesmo sofrer uma reviravolta) em conseqüência da mudança de qualquer destes elementos. O Self é uma gestalt organizada e consistente num processo constante de formar-se e reformar-se à medida que as situações mudam.
Assim como uma fotografia é uma "parada" de algo que está mudando, da mesma forma o Self não é nenhuma das "fotografias" que tiramos dele, mas o processo fluido subjacente. Outros teóricos usam o termo Self para designar aquela faceta da identidade pessoal que é imutável, estável ou mesmo eterna.
Rogers usa o termo para se referir ao contínuo processo de reconhecimento. É esta diferença, esta ênfase na mudança e na flexibilidade, que fundamenta sua teoria e sua crença de que as pessoas são capazes de crescimento, mudança e desenvolvimento pessoal. O Self ou auto-conceito é a visão que uma pessoa tem de si própria, baseada em experiências passadas, estimulações presentes e expectativas futuras.
Self Ideal
Self Ideal é o conjunto das características que o indivíduo mais gostaria de poder reclamar como descritivas de si mesmo. Assim como o Self, ele é uma estrutura móvel e variável, que passa por redefinição constante. A extensão da diferença entre o Self e o Self Ideal é um indicador de desconforto, insatisfação e dificuldades neuróticas. Aceitar-se como se é na realidade, e não como se quer ser, é um sinal de saúde mental. Aceitar-se não é resignar-se ou abdicar de si mesmo. É uma forma de estar mais perto da realidade e de seu estado atual. A imagem do Self Ideal, na medida em que se diferencia de modo claro do comportamento e dos valores reais de uma pessoa é um obstáculo ao crescimento pessoal.
Um trecho da história de um caso pode esclarecê-lo. Um estudante estava planejando desligar-se da faculdade. Havia sido o melhor aluno no ginásio e o primeiro no colegial e estava indo muito bem na faculdade. Estava desistindo, explicava, porque havia recebido um "C" num curso. Sua imagem de ter sido sempre o melhor estava em perigo. A única seqüência de ações que ele vislumbrava era escapar, deixar o mundo acadêmico, rejeitar a discrepância entre seu desempenho atual e sua visão ideal de si próprio. Disse que iria trabalhar para ser o "melhor" de alguma outra forma.
Para proteger sua auto-imagem ideal ele desejava cortar pela raiz sua carreira acadêmica. Ele deixou a escola, viajou pelo mundo e, por vários anos, teve uma grande quantidade de empregos originais. Quando foi visto novamente era capaz de discutir a possibilidade de que talvez não fosse necessário ser o melhor desde o começo, mas tinha ainda grandes dificuldades em explorar qualquer atividade na qual pudesse experimentar fracasso.
Congruência e Incongruência
Congruência é definida como o grau de exatidão entre a experiência da comunicação e a tomada de consciência. Ela se relaciona às discrepâncias entre experienciar e tomar consciência. Um alto grau da congruência significa que a comunicação (o que se está expressando), a experiência (o que está ocorrendo em nosso campo) e a tomada de consciência (o que se está percebendo) são todas semelhantes. Nossas observações e as de um observador externo seriam consistentes.
Crianças pequenas exibem alta congruência. Expressam seus sentimentos logo que seja possível com o seu ser total. Quando uma criança tem fome ela toda está com fome, neste exato momento! Quando uma criança sente amor ou raiva, ela expressa plenamente essas emoções. Isto pode justificar a rapidez com que a criança substitui um estado emocional por outro. A expressão total de seus sentimentos permite que elas liquidem a bagagem emocional que não foi expressa em experiências anteriores. A congruência é bem descrita por um Zen-budista ao dizer: "Quando tenho fome, como; quando estou cansado, sento-me; quando estou com sono, durmo".
A incongruência ocorre quando há diferenças entre a tomada de consciência, a experiência e a comunicação desta. As pessoas que parecem estar com raiva (punhos cerrados, tom de voz elevado, praguejando) e que replicam que de forma alguma estão com raiva, se interpeladas, ou as pessoas que dizem estar passando por um período maravilhoso mas que se mostram entediadas, isoladas ou facilmente doentes, estão revelando incongruência. É definida não só como inabilidade de perceber com precisão mas também como inabilidade ou incapacidade de comunicação precisa. Quando a incongruência está entre a tomada de consciência e a experiência, é chamada repressão. A pessoa simplesmente não tem consciência do que está fazendo. A maioria das psicoterapias trabalha sobre este sintoma de incongruência ajudando as pessoas a se tomarem mais conscientes de suas ações, pensamentos e atitudes na medida em que estes as afetam e aos outros.
Quando a incongruência é uma discrepância entre a tomada de consciência e a comunicação a pessoa não expressa o que está realmente sentindo, pensando ou experienciando. Este tipo de incongruência é muitas vezes percebido como mentiroso, inautêntico ou desonesto. Muitas vezes esses comportamentos tomam-se foco de discussões em terapias de grupo ou em grupos de encontro. Embora tais comportamentos pareçam ser realizados com malícia, terapeutas e treinadores relatam que a ausência de congruência social, aparente falta de boa vontade em comunicar-se, é com freqüência, uma falta de autocontrole e consciência pessoal. A pessoa não é capaz de expressar suas emoções e percepções reais em virtude do medo e de velhos hábitos de encobrimento que são difíceis de superar. Por outro lado, é possível que a pessoa tenha dificuldade em compreender o que os outros esperam dela.
A incongruência pode ser sentida como tensão, ansiedade ou, em circunstâncias mais extremas, como confusão interna. Um paciente internado em hospital psiquiátrico que declara não saber onde está, em que hospital, qual a hora do dia, ou mesmo quem ele é, está exibindo alto grau de incongruência. A discrepância entre a realidade externa e aquilo que ele está subjetivamente experienciando tomou-se tão grande que ele não é capaz de atuar. A maioria dos sintomas descritos na Literatura psiquiátrica podem ser vistos como formas de incongruência. Para Rogers, a forma particular de distúrbio é menos crítica do que o reconhecimento de que há uma incongruência que exige uma solução.
A incongruência é visível em observações como, por exemplo, "não sou capaz de tomar decisões", "não sei o que quero", "nunca serei capaz de persistir em algo", A confusão aparece quando você não é capaz de escolher dentre os diferentes estímulos aos quais se acha exposto. Considere o caso de um cliente que relata: "Minha mãe pede-me que cuide dela, é o mínimo que posso fazer. Minha namorada recomenda que eu me mantenha firme para não ser puxado de todo lado. Penso que sou muito bom para minha mãe, mais do que ela merece. Às vezes a odeio, às vezes a amo. Às vezes é bom estar com ela, às vezes ela me diminui."
O cliente está assediado por estímulos diferentes. Cada um deles é válido e conduz a ações válidas por algum tempo. É difícil diferenciar, dentre estes estímulos, aqueles que são genuínos daqueles que são impostos. 0 problema pode estar em reconhecê-los como diferentes e ser capaz de trabalhar sobre sentimentos diferentes em momentos diferentes. A ambivalência não é Iara ou anormal; não ser capaz de reconhecê-la ou enfrentá-la pode ser uma causa de ansiedade.
Tendência à Auto-Atualização
Há um aspecto básico da natureza humana que leva uma pessoa em direção a uma maior congruência e a um funcionamento realista. Além disso, este impulso não é limitado aos seres humanos; é parte do processo de todas as coisas vivas. É este impulso que é evidente em toda vida humana e orgânica, expandir-se, estender-se, tornar-se autônomo, desenvolver-se, amadurecer a tendência a expressar e ativar todas as capacidades do organismo na medida em que tal ativação valoriza o organismo ou o Self.
Rogers sugere que em cada um de nós há um impulso inerente em direção a sermos competentes e capazes quanto o que estamos aptos a ser biologicamente. Assim como uma planta tenta tornar-se saudável, como uma semente contém dentro de si impulso para se tomar uma árvore, também uma pessoa é impelida a se tomar uma pessoa total, completa e auto-atualizada.
O impulso em direção à saúde não é uma força esmagadora que super., obstáculos ao longo da vida; pelo contrário, é facilmente embotado, distorcido e reprimido. Rogers o vê como a força motivadora dominante numa pessoa que está funcionando de modo livre, não paralisada por eventos passados ou por crenças correntes que mantinham a incongruência. Maslow chegou a conclusões semelhantes; chamava esta tendência de uma voz interna e fraca que é facilmente abafada. A suposição de que o crescimento é possível e central para o projeto do organismo é crucial para o restante do pensamento de Rogers.
Para Rogers, a tendência à auto-atualização não é simplesmente mais um motivo. É importante observar que esta tendência atualizante é o postulado fundamental da teoria rogeriana.
Crescimento Psicológico
As forças positivas em direção à saúde e ao crescimento são naturais e inerentes ao organismo. Baseado em sua própria experiência clínica, Rogers conclui que os indivíduos têm a capacidade de experienciar e de se tomarem conscientes de seus desajustamentos. Isto é, você pode experienciar as incoerências entre seu auto-conceito e suas experiências reais. Esta capacidade que reside em nós é associada a uma tendência subjacente à modificação do auto-conceito, no sentido de estar realmente de acordo com a realidade. Rogers postula, portanto, um movimento natural para a resolução e distante do conflito. Vê o ajustamento não como um estado estático, mas como um processo no qual novas aprendizagens e novas experiências são cuidadosamente assimiladas.
Rogers está convencido de que estas tendências em direção à saúde são facilitadas por qualquer relação interpessoal na qual um dos membros esteja livre o bastante da incongruência para estar em contato com seu próprio centro de auto-correção. A maior tarefa da terapia é estabelecer tal relacionamento genuíno. Aceitar-se a si mesmo é um pré-requisito para uma aceitação mais fácil e genuína dos outros. Em compensação, ser aceito por outro conduz a uma vontade cada vez maior de aceitar-se a si próprio. Este ciclo de auto-correção e auto-incentivo é a forma principal pela qual se minimiza ns obstáculos ao crescimento psicológico.
Obstáculos ao Crescimento
Rogers sugere que os obstáculos aparecem na infância e são aspectos normais do desenvolvimento. O que a criança aprende em um estágio como benéfico deve ser reavaliado nos estágios posteriores: Motivos que predominam na primeira infância mais tarde podem inibir o desenvolvimento da personalidade.
Quando a criança começa a tomar consciência do Self, desenvolve uma necessidade de amor ou de consideração positiva. Esta necessidade é universal, considerando-se que ela existe em todo ser humano e que se faz sentir de uma maneira contínua e penetrante. A teoria não se preocupa em saber se é uma necessidade inata ou adquirida. Uma vez que as crianças não separam suas ações de seu ser total, reagem à aprovação de uma ação como se fosse aprovação de si mesmas. Da mesma forma, reagem à punição de um ato como se estivessem sendo desaprovadas em geral.
O amor é tão importante para a criança que ela acaba por ser guiada, não pelo caráter agradável ou desagradável de suas experiências e comportamentos, mas pela promessa de afeição que elas encerram. A criança começa a agir da forma que lhe garante amor ou aprovação, sejam os comportamentos saudáveis ou não para ela. As crianças podem agir contra seu próprio interesse, chegando a se perceber em termos destinados, a princípio, a agradar ou apaziguar os outros. Teoricamente esta situação poderia não se desenvolver se a criança sempre se sentisse aceita e houvesse aprovação dos sentimentos mesmo que alguns comportamentos fossem inibidos. Em tal situação ideal a criança nunca seria pressionada a se despojar ou repudiar partes não atraentes mas autênticas de sua personalidade.
Comportamentos ou atitudes que negam algum aspecto do Self são chamados de condições de valor. Quando uma experiência relativa ao eu é procurada ou evitada unicamente porque é percebida como mais ou menos digna de consideração de si, diz Rogers que o indivíduo adquiriu um modo de avaliação condicional. Condições de valor são os obstáculos básicos à exatidão da percepção e à tomada de consciência realista.
Há vendas e filtros seletivos destinados a assegurar um suprimento interminável de amor da parte dos parentes e dos outros. Acumulamos certas condições, atitudes ou ações cujo cumprimento sentimos necessário para permanecermos dignos. Na medida em que essas atitudes e ações são idealizadas, elas constituem áreas de incongruência pessoal. De forma extrema, as condições de valor são caracterizadas pela crença de que "preciso ser respeitado ou amado por todos aqueles com quem estabeleço contato".
As condições de valor criam uma discrepância entre o Self e o auto-conceito. Para mantermos uma condição de valor temos que negar determinados aspectos de nós mesmos. Por exemplo, se falaram "Você deve amar seu irmãozinho recém-nascido, senão mamãe não gosta mais de você", a mensagem é a de que você deve negar ou reprimir seus sentimentos negativos genuínos em relação a ele. Se você conseguir esconder sua vontade maldosa, seu desejo de machucá-lo e seu ciúme normal, sua mãe continuará a amá-lo. Se a pessoa admitir que tem tais sentimentos, se arriscará a perder o amor. Uma solução que cria uma condição de valor é rejeitar tais sentimentos sempre que ocorram, bloqueando-os de sua consciência. Agora a pessoa pode reagir de formas tais como: "Eu realmente amo meu irmãozinho, apesar das vezes em que o abraço tanto até ele gritar" ou, "Meu pé escorregou sob o seu, eis porque ele tropeçou".
Posso ainda lembrar-me da enorme alegria demonstrada por meu irmão mais velho quando lhe foi dada uma oportunidade de bater em mim por algo que fiz. Minha mãe, meu irmão e eu ficamos todos assustados com sua violência. Ao recordar o incidente, meu irmão lembrou-se de que ele não estava especialmente bravo comigo, mas que havia compreendido que aquela era uma rara ocasião e queria descarregar toda a maldade possível enquanto tinha permissão. Admitir tais sentimentos e permitir-lhes alguma expressão e, quando ocorrem é mais saudável, segundo Rogers, do que rejeitá-los ou aliená-los.
Quando a criança amadurece, o problema persiste. O crescimento é impedido na medida em que a pessoa nega impulsos diferentes do auto-conceito artificialmente "bom". Para sustentar a falsa auto-imagem a pessoa continua a distorcer experiências, quanto maior a distorção maior a probabilidade de erros e da criação de novos problemas. Os comportamentos, os erros e a confusão que resultam dão manifestações de distorções iniciais mais fundamentais. E a situação realimenta-se a si mesma. Cada experiência de incongruência entre o Self e a realidade aumenta a vulnerabilidade, a qual, por sua vez, ocasiona o aumento de defesas, interceptando experiências e criando novas ocasiões de incongruência.
Por vezes as manobras defensivas não funcionam. A pessoa toma consciência das discrepâncias óbvias entre os comportamentos e as crenças. Os resultados podem ser pânico, ansiedade crônica, retraimento ou mesmo uma psicose. Rogers observou que o comportamento psicótico parece ser muitas vezes a representação externa de um aspecto anteriormente negado da experiência.
Em 1974 Perry corrobora essa idéia, apresentando evidência de que o episódio psicótico é uma tentativa desesperada da personalidade de se reequilibrar e permitir a realização de necessidades e experiências internas frustradas. A terapia centrada no cliente esforça-se por estabelecer uma atmosfera na qual condições de valor prejudiciais possam ser postas de lado, permitindo, portanto, que as forças saudáveis de uma pessoa retomem sua dominância original. Uma pessoa recupera a saúde reivindicando suas partes reprimidas ou negadas.
O Corpo
Embora Rogers defina a personalidade e a identidade como uma gestalt contínua, não dá ao papel do corpo uma atenção especial. Mesmo no seu trabalho com encontros ele não promove ou facilita o contato físico nem trabalha diretamente com gestos físicos. Como Rogers mesmo assinala, "a minha formação não é das que me tornem especialmente liberto a esse respeito". Sua teoria é baseada na tomada de consciência da experiência. Ela não seleciona a experiência física como diferente em espécie ou valor das experiências emocionais, cognitivas ou intuitivas.
Relacionamento Social
O valor dos relacionamentos é de interesse central nas obras de Rogers. Os relacionamentos mais precoces podem ser congruentes ou podem servir como foco de condições de valor. Relações posteriores são capazes de restaurar a congruência ou retardá-la.
Rogers acredita que a interação com o outro capacita um indivíduo a descobrir, encobrir, experienciar ou encontrar seu Self real de forma direta. Nossa personalidade torna-se visível a nós através do relacionamento com os outros. Na terapia, em situações de encontro e em interações cotidianas, o feedback dos outros oferece às pessoas oportunidade de experienciarem a si mesmas. Se pensamos em pessoas que não têm relacionamentos, imaginamos dois estereótipos contrastantes. O primeiro é o do ermitão relutante, inábil para lidar com outros. O segundo é o contemplativo que se retirou do mundo para cumprir outras tarefas.
Nenhuma dessas imagens atrai Rogers. Para ele, os relacionamentos oferecem a melhor oportunidade para estar "funcionando por inteiro", para estar em harmonia consigo mesmo, com os outros e com o meio ambiente. Através dos relacionamentos, as necessidades organísmicas básicas do indivíduo podem ser satisfeitas. A esperança desta satisfação faz com que as pessoas invistam uma quantidade de energia incrível em relacionamentos, até mesmo naqueles que não parecem ser saudáveis ou satisfatórios.
O Casamento
O casamento é um relacionamento não usual. É potencialmente de longo prazo, intensivo, e carrega dentro de si a possibilidade de manutenção do crescimento e do desenvolvimento. Rogers acredita que o casamento siga as mesmas leis gerais que mantém a verdade dos grupos de encontro, da terapia ou de outros relacionamentos. Os melhores casamentos ocorrem com parceiros que são congruentes consigo mesmos, que têm poucas condições de valor como empecilho e que são capazes de genuína aceitação dos outros. Quando o casamento é usado para manter uma incongruência ou para reforçar tendências defensivas existentes, é menos satisfatório e é menos provável que se mantenha.
As conclusões de Rogers sobre qualquer relação íntima a longo prazo, tal como o casamento, são focalizadas sobre quatro elementos básicos: compromisso contínuo, expressão de sentimentos, não-aceitação de papéis específicos e capacidade de compartilhar a vida íntima. Ele resume cada elemento como uma promessa, um acordo sobre o ideal de um relacionamento contínuo, benéfico e significativo.
1. Dedicação e compromisso.
Cada membro de um casamento deveria ver a união como um processo contínuo e não como um contrato. O trabalho feito visa tanto a satisfação pessoal como a satisfação mútua. Uma relação é trabalho; é um trabalho tendo em vista objetivos separados ou comuns. Rogers sugere que este compromisso seja expresso da seguinte maneira: "Nós dois nos comprometemos a cultivar juntos o processo mutável de nosso atual relacionamento, porque este relacionamento está enriquecendo nosso amor e a nossa vida e nós queremos que ele cresça".
2. Comunicação; expressão de sentimentos
Rogers insiste na comunicação total e aberta. "Arriscar-me-ei tentando comunicar qualquer sentimento persistente, positivo ou negativo, ao meu companheiro, com a mesma profundidade com que o percebo em mim, como uma parte presente e viva em mim. Em seguida, arriscar-me-ei ainda mais tentando compreender, com toda a empatia de que eu for capaz, a sua resposta, seja acusativa e crítica, seja compartilhante e auto-reveladora". A comunicação tem duas fases igualmente importantes: a primeira é expressar a emoção. A segunda é permanecer aberto e experienciar a resposta do outro.
Rogers não defenda simplesmente o colocar para fora os sentimentos Ele sugere que devemos nos comprometer tanto com os efeitos que nossos sentimentos causam em nosso parceiro quanto com a expressão original dos sentimentos em si mesmos.
Isto é muito mais difícil do que simplesmente "desabafar" ou "ser aberto e honesto". É a disposição de aceitar os riscos reais envolvidos: rejeição, desentendimento, sentimentos feridos e retribuição. A crença de Rogers na necessidade de instituir e manter este nível de troca contrapõe-se a posições que advogam o ser polido, diplomático, o contornar questões perturbadoras ou o não mencionar interesses emocionais que aparecem.
3. Não-aceitação de papéis
Numerosos problemas desenvolvem-se na medida em que tentamos satisfazer as expectativas do outro, ao invés de determinarmos as nossas próprias. Rogers dizia que "Viveremos de acordo com as nossas opções, com a sensibilidade orgânica mais profunda de que somos capazes, mas não seremos afeiçoados pelos desejos, pelas regras e pelos papéis que os outros insistem em impor-nos". Ele relata que muitos casais sofrem graves tensões na tentativa de fazer sobreviver sua aceitação parcial e ambivalente das imagens que seus pais e a sociedade impuseram a eles. Um casamento efetuado com tal quantidade de expectativas e imagens irreais é inerentemente instável. e potencialmente pouco : recompensador.
4. Tomar-se um Self separado
Este compromisso é uma profunda tentativa de descobrir e aceitar a natureza total da pessoa. É o mais desafiador dos compromissos, é dedicar-se à remoção das máscaras tão logo elas se formem. "Eu talvez possa descobrir mais do que sou realmente em meu íntimo e chegar mais perto disso sentindo-me, às vezes, encolerizado ou aterrado, às vezes amante e solícito, de vez em quando belo e forte ou desordenado e medonho, sem esconder de mim mesmo esses sentimentos. Eu talvez possa estimar-me como a pessoa ricamente variada que sou. Talvez possa ser espontaneamente mais essa pessoa. Nesse caso, poderei viver de acordo com os meus próprios valores experimentados, conquanto tenha consciência de todos os códigos da sociedade. Nesse caso, poderei ser toda esta complexidade de sentimentos, significados e valores com meu companheiro suficientemente livre para dar o amor, a raiva e a ternura que existem em mim. É possível, então, que eu venha a ser um participante real de uma união, porque estou em vias de ser uma pessoa real. E espero poder incentivar meu companheiro a seguir o seu caminho na direção de uma personalidade única, que eu gostaria imensamente de partilhar".
Emoções
O indivíduo saudável toma consciência de suas emoções, sejam ou não expressas. Sentimentos negados à consciência distorcem a percepção e a reação às experiências que os desencadearam.
Um caso específico é sentir ansiedade sem tomar conhecimento da causa. A ansiedade aparece quando uma experiência que ocorreu, se admitida na consciência, poderia ameaçar a auto-imagem. A reação inconsciente a estas subcepções alerta o organismo para possíveis perigos e acarreta mudanças psicofisiológicas. Estas reações defensivas são uma forma do organismo manter crenças e comportamentos incongruentes. Uma pessoa pode agir com base nestas subcepções sem tomar consciência do por quê está agindo assim. Por exemplo, um homem pode sentir-se desconfortável ao ver homossexuais declarados. A informação que tem de si mesmo incluiria o desconforto, mas não mencionaria sua causa. Ele não poderia admitir seu próprio interesse, sua identidade sexual não resolvida, ou talvez as expectativas e medos que tem a respeito de sua própria sexualidade. Distorcendo suas percepções ele pode, em compensação, reagir com hostilidade aberta a homossexuais, tratando-os como uma eterna ameaça ao invés de admitir seu conflito interno.
Intelecto
Rogers não segrega o intelecto de outras funções. Ele valoriza-o como um tipo de instrumento que pode ser usado de modo efetivo na integração de experiências. Mostra-se cético em relação a sistemas educacionais que dão ênfase exagerada a desempenhos intelectuais e desvalorizam os aspectos intuitivos e emocionais do funcionamento total.
Em particular, Rogers pensa que cursos de graduação em campos diversos são exigentes, pouco significativos e desanimadores. A pressão para a produção de trabalhos limitados e pouco originais, associada aos papéis passivos e dependentes atribuídos aos estudantes de graduação, na realidade sufocam ou retardam suas capacidades criativas e produtivas. Cita a queixa de um estudante: "Essa coerção teve sobre mim um efeito tão desencorajador, que, depois que fiz o exame final, a consideração de qualquer problema me repugnava, durante um ano inteiro".
Se o intelecto, como outras funções, ao operar de forma livre, tende a dirigir o organismo à tomada de consciência mais congruente, então forçar o intelecto por vias específicas pode não ser benéfico. O ponto de vista de Rogers é de que as pessoas estão em melhor situação decidindo o que fazer por si mesmas, com o apoio de outros, do que fazendo o que os outros decidem por elas.
Self
Autores de manuais de psicologia que dedicaram espaço a Rogers, geralmente classificam-no como um teórico do Self. De fato, embora Rogers encare o Self como o foco da experiência, ele está mais interessado na percepção, na tomada de consciência e na experiência do que num construto hipotético, o Self. Como já descrevemos a definição de Rogers sobre o Self, podemos agora voltar para a descrição da pessoa de funcionamento integral: a pessoa que está mais plenamente consciente de seu Self contínuo. A noção de funcionamento ótimo é sinônimo das noções de adaptação psicológica perfeita, de maturidade ótima, de acordo interno completo, de abertura total à experiência. Como estas noções têm a desvantagem de sugerir algum estado mais ou menos estático, final ou acabado, devemos ressaltar que todas as características que acabamos de enumerar, a propósito do indivíduo hipotético, não têm o caráter de estagnação, mas de um processo dinâmico. A personalidade que funciona plenamente é uma personalidade em contínuo estado de fluxo, uma personalidade constantemente mutável.
A pessoa de funcionamento integral tem diversas características distintas, a primeira das quais é uma abertura à experiência. Há pouco ou nenhum uso das "subcepções", estes primeiros sinais de alerta que restringem a percepção consciente. A pessoa está continuamente afastando-se de suas defesas na direção da experiência direta. A pessoa está mais aberta a seus sentimentos de receio, de desânimo e de desgosto. Fica igualmente mais aberto aos seus sentimentos de coragem, de ternura e de fervor. Torna-se mais capaz de viver completamente a experiência do seu organismo, em vez de a impedir de atingir a consciência.
Uma segunda característica é viver no presente, realizar-se completamente cada momento. Este engajamento contínuo e direto com a realidade permite dizer que o eu (Self) e a personalidade emergem da experiência, em vez de dizer que a experiência foi traduzida ou deformada para se ajustar a uma estrutura preconcebida do eu. Uma pessoa é capaz de reestruturar suas respostas à medida que a experiência permite ou sugere novas possibilidades.
Uma característica final é a confiança nas exigências internas e no julgamento intuitivo, uma confiança sempre crescente na capacidade de tomar decisões. Quando uma pessoa está melhor capacitada para coletar e utilizar dados, é mais provável que ela valorize sua capacidade de resumir esses dados e de responder. Esta não é uma atividade apenas intelectual, mas uma função da pessoa inteira. Rogers sugere que na pessoa de funcionamento integral os erros efetuados serão devidos à informação incorreta e não ao processamento incorreto.
Isto se assemelha ao comportamento de um gato que é jogado ao chão de uma determinada altura. O gato não considera a velocidade do vento, o momentum angular ou o tamanho da queda. Ainda assim, tudo isto está sendo levado em conta em sua resposta total.
0 gato não reflete sobre quem poderia tê-lo empurrado, quais teriam sido seus motivos ou o que pode acontecer no futuro. O gato lida com a situação imediata, o problema mais gritante. Roda em meio ao ar e aterriza em pé, ajustando na mesma hora a sua postura pua enfrentar o próximo evento.
A pessoa de funcionamento integral é livre para responder e experienciar suas respostas às situações. Esta é a essência do que Rogers chama de viver uma vida plena. Tal pessoa estará comprometida num contínuo processo de atualização.
Terapia Centrada no Cliente
Rogers foi um terapeuta praticante durante toda sua carreira profissional. Sua teoria da personalidade emerge de seus métodos e idéias sobre terapia e é integrada a eles. A teoria psicoterápica de Rogers passou por diversas fases de desenvolvimento e mudanças de ênfase, e ainda assim há alguns pontos básicos que se mantiveram inalterados. Rogers faz uma citação de uma palestra onde, pela primeira vez, descreveu suas novas idéias sobre terapia:
1. Esta nova abordagem coloca um peso maior sobre o impulso individual em direção ao crescimento, à saúde e ao ajustamento. A terapia é uma questão de libertar o cliente para um crescimento e desenvolvimento normais.
2. Esta terapia dá muito mais ênfase ao aspecto afetivo de uma situação do que aos aspectos intelectuais.
3. Esta nova terapia dá muito mais ênfase à situação imediata do que ao passado do indivíduo.
4. Esta abordagem enfatiza o relacionamento terapêutico em si mesmo como uma experiência de crescimento.
Rogers usa a palavra "cliente" ao invés do termo tradicional "paciente". Um paciente é em geral alguém que está doente, precisa de ajuda e vai ser ajudado por profissionais formados. Um cliente é alguém que deseja um serviço e que pensa não poder realizá-lo sozinho. O cliente, portanto, embora possa ter muitos problemas, é ainda visto como uma pessoa inerentemente capaz de entender sua própria situação. Há uma igualdade implícita no modela do cliente, que não está presente no relacionamento médico-paciente.
A terapia atende a uma pessoa ao revelar seu próprio dilema com um mínimo de intrusão por parte do terapeuta. Rogers define a psicoterapia como a liberação de capacidades já presentes em estado latente. Isto é, implica que o cliente possua, potencialmente, a competência necessária à solução de seus problemas. Tais opiniões se opõem diretamente à concepção da terapia como uma manipulação, por especialista, de um organismo mais ou menos passivo. A terapia é apontada como dirigida pelo cliente ou centrada no cliente, uma vez que é quem assume toda direção que for necessária.
A terapia centrada no cliente e a modificação de comportamento têm algumas semelhanças: ambas ouvem as idéias do cliente sobre suas dificuldades e ambas aceitam o cliente como capaz de compreender seus próprios problemas. Entretanto, na terapia centrada no cliente, a pessoa continua a dirigir e modificar as metas da terapia e iniciar as mudanças comportamentais (ou outras) que deseja que ocorram. Na modificação de comportamento, os novos comportamentos são escolhidos pelo terapeuta. Rogers sente de modo intenso que tais "intervenções do especialista", qualquer que seja a sua natureza, são em última instância prejudiciais ao crescimento da pessoa.
Suas opiniões sobre a natureza do homem e sobre os métodos terapêuticos não somente amadureceram durante sua vida, passaram por uma inversão quase que total. "Espero ter deixado claro que, no decorrer dos anos, distanciei-me muito de algumas das coisas em que inicialmente acreditei: de que o homem é em essência pecador; de que, profissionalmente, ele é melhor tratado enquanto objeto; de que a ajuda fundamenta-se na perícia; de que o perito pode aconselhar, manipular e moldar o indivíduo a fim de produzir o resultado desejado".
Terapeuta Centrado no Cliente
O cliente tem a chave de sua recuperação mas o terapeuta deveria ter determinadas qualidades pessoais que ajudam o cliente a aprender como usar tais chaves. Estes poderes dentro do cliente, tornar-se-ão efetivos se o terapeuta puder estabelecer com o cliente um relacionamento de aceitação e compreensão suficientemente caloroso. Antes do terapeuta ser qualquer coisa para o cliente, ele deve ser autêntico, genuíno, e não estar desempenhando um papel, especialmente o de um terapeuta, quando está com o cliente. Isto envolve a vontade de ser e expressar com minhas próprias palavras e meus comportamentos, os diversos sentimentos e atitudes que existem em mim. Isto significa que se precisa, na medida do possível, perceber os próprios sentimentos, ao invés de apresentar uma fachada externa de uma atitude enquanto na verdade mantém se outra.
Terapeutas que estão se formando em terapia centrada no cliente por vezes perguntam, "como se comportar se não gostamos do paciente ou se estamos aborrecidos ou bravos?" Não serão estes sentimentos genuínos justamente os que ele desperta em todas as pessoas que ofende? A resposta centrada no cliente a estas questões envolve diversos níveis de compreensão. Em um nível, o terapeuta serve como modelo de uma pessoa autêntica. O terapeuta oferece ao cliente um relacionamento através do qual este pode testar sua própria realidade. Se o cliente confia que vá receber uma resposta honesta, pode descobrir se suas antecipações ou defesas são justificadas. O cliente pode aprender a esperar uma reação real, não distorcida ou diluída, à sua busca interior. Este teste de realidade é crucial se o cliente quer se afastar das distorções e experienciar a si mesmo de modo direto.
Num outro nível, o terapeuta centrado no cliente proporciona uma relação de ajuda enquanto aceita e é capaz de manter uma consideração positiva incondicional. Rogers a define como uma preocupação que não é possessiva, que não exige qualquer favor pessoal. É simplesmente uma atmosfera que demonstra, "eu preocupo-me", e não "eu preocupo-me consigo se se comportar desta ou daquela maneira". Não é uma avaliação positiva porque toda avaliação é uma forma de julgamento moral. A avaliação tende a restringir o comportamento respeitando algumas coisas e punindo outras; a consideração positiva incondicional permite à pessoa ser realmente o que é, não importando o que possa ser.
Esta atitude aproxima-se daquilo que Maslow denomina amor taoístico, um amor que não faz julgamento prévio, que não restringe nem define. É a promessa de aceitar alguém simplesmente como ele revela ser. Para fazer isto, um terapeuta centrado no cliente deve ser sempre capaz de ver o centro auto-atualizador do cliente e não os comportamentos destrutivos, prejudiciais e ofensivos. Se puder reter uma consciência da essência positiva do indivíduo poder-se-á ser autêntico com tal pessoa, ao invés de ficar aborrecido, irritado ou bravo com expressões particulares de sua personalidade. Esta atitude é similar à dos mestres espirituais da tradição oriental que, vendo o divino em todos os homens, podem tratar a todos com igual respeito e compaixão.
O terapeuta centrado no cliente mantém uma certeza de que a personalidade interior, e talvez não desenvolvida do cliente, é capaz de entender a si mesma. Na prática, isto é extremamente difícil. Terapeutas rogerianos admitem que são, com freqüência, incapazes de manter esta qualidade de compreensão quando trabalham.
A aceitação pode ser uma mera tolerância, uma postura não julgadora que pode ou não incluir uma real compreensão. Esta aceitação é inadequada. A consideração positiva incondicional deve incluir também uma compreensão empática, captar o mundo particular do cliente como se fosse o seu próprio mundo, mas sem nunca esquecer esse caráter de "como se". Esta nova dimensão permite ao cliente maior liberdade para explorar sentimentos internos. O cliente está certo de que o terapeuta fará mais do que aceitá-lo, pois está engajado de maneira ativa na tentativa de sentir as mesmas situações dentro de si próprio.
O critério final para um bom terapeuta é que ele deve possuir a habilidade para comunicar esta compreensão ao cliente. O cliente precisa saber que o terapeuta é autêntico, preocupa-se, ouve e compreende de fato. É necessário que o terapeuta seja claro apesar das distorções seletivas do cliente, das subcepções de ameaça e dos efeitos danosos de uma auto-consideração mal colocada. Desde que esta ponte entre terapeuta e cliente seja estabelecida, o cliente pode começar a trabalhar a sério.
Grupos de Encontro
A passagem de Rogers de terapeuta centrado no cliente para líder de encontros e pesquisador foi quase inevitável. Suas afirmações de que as pessoas, não especialistas, eram terapeutas, foram correlacionadas com os primeiros dados de encontro. Quando Rogers foi para a Califórnia, foi capaz de dedicar mais tempo para participar, estabelecer e pesquisar este tipo de trabalho de grupo.
À parte da terapia de grupo, os grupo de encontro têm uma história que prenuncia seu ressurgimento nas décadas de 1950 e 1960. Dentro da tradição protestante norte-americana e, numa extensão menor, no Judaísmo, tinha havido experiências de grupo elaboradas para alterar as atitudes de uma pessoa em relação a si mesma e para modificar seu comportamento para com os outros. As técnicas incluíam pequenos grupos de colegas, insistência na honestidade e na abertura, ênfase no aqui e agora e manutenção de uma atmosfera calorosa, de apoio. Mesmo as maratonas (encontros de grupos durante o dia e a noite) não são invenções recentes.
Características comuns a todos os grupos de encontro incluem um clima de segurança psicológica, o encorajamento à expressão dos sentimentos imediatos e a resposta subseqüente por parte dos membros do grupo. O líder, qualquer que seja sua orientação, é responsável por estabelecer e manter o tom e o enfoque de um grupo. Este pode estender-se desde a atmosfera funcional de negócios, até estimulação emocional ou à excitação sexual, à promoção de medo, raiva ou mesmo violência. Há relatos de grupos de todas as descrições.
A contribuição de Rogers e seu trabalho contínuo com grupos de encontro são aplicações de sua teoria. Em Grupos de Encontro ele descreve os principais fenômenos que ocorrem nos grupos que se prolongam por vários dias. Embora haja muitos períodos de insatisfação, incerteza e ansiedade na descrição de encontros que se segue, cada um desses períodos conduz a um clima mais aberto, menos defensivo, mais exposto e mais confiante. A intensidade emocional e a capacidade de tolerar a intensidade parecem aumentar à medida que o grupo prossegue.
Processo de Encontro
Um grupo começa andando à volta, esperando que lhe seja dito como se comportar, o que esperar, como trabalhar com as expectativas sobre o grupo. Há uma crescente frustração à medida que o grupo percebe que os próprios membros determinarão a forma pela qual o grupo funcionará.
Há uma resistência inicial à expressão ou exploração pessoais. É o eu exterior que os membros têm tendência para mostrar e só gradual, tímida e ambiguamente vão revelando algo do eu íntimo. Esta resistência é visível na maioria das situações de grupo, como em coquetéis, bailes ou piqueniques, onde em geral há alguma atividade, além da auto-exploração, à disposição dos participantes. Um grupo de encontro desencoraja a busca de qualquer outra atividade.
À medida que as pessoas continuam a interagir elas compartilham sentimentos passados associados a pessoas ausentes no grupo. Ainda que possam ser experiências importantes para o indivíduo, não passam de uma forma de resistência inicial; as experiências passadas são mais seguras e é pouco provável que sejam afetadas por críticas ou apoio. As pessoas podem ou não responder ao relato de um evento passado, mas ainda assim é um evento passado.
Quando as pessoas começam a expressar seus sentimentos presentes, o mais freqüente é serem as primeiras expressões negativas. "Não me sinto bem com você". "Você tem uma maneira de falar vulgar". "Não acredito que você na realidade queria dizer o que disse sobre sua esposa".
Os sentimentos profundos positivos são muito mais difíceis e perigosos de exprimir que os negativos. Se digo que te amo fico vulnerável e exposto à mais terrível rejeição. Mas se digo que te detesto, fico quando muito sujeito a um ataque de que posso defender-me. A não compreensão deste paradoxo aparente levou a uma série de programas de encontro cujo fracasso era previsível. Por exemplo, a Força Aérea desenvolveu programas de relacionamento racial incluindo sessões de encontro entre brancos e negros, conduzidas por líderes treinados. O resultado final desses encontros, no entanto, sempre parecia ser uma intensificação dos sentimentos racistas de ambos os lados.
Em virtude das dificuldades de planejar horário para as pessoas inseridas no regime militar, tais encontros não duravam mais do que três horas, tempo bastante para que as expressões negativas fossem expressas, mas insuficiente para desenvolver o restante do processo. Quando os sentimentos negativos são expressos e o grupo não se desintegra, divide-se ou desaparece no fogo do inferno, começa a aparecer um material com significado pessoal. Sendo ou não aceitável para os membros do grupo, o "clima de confiança" começa a se formar e as pessoas começam a assumir riscos reais.
Quando o material significativo emerge, as pessoas começam a expressar umas às outras seus sentimentos imediatos tanto positivos quanto negativos. "Acho bom que você esteja compartilhando isto com o grupo". "Toda vez que falo algo você me olha como se quisesse me estrangular." "Gozado, eu pensei que não iria gostar de você. Agora tenho certeza disso."
Quanto mais expressões emocionais vêm à tona e sofrem as reações do grupo, Rogers nota o desenvolvimento de uma capacidade terapêutica no mesmo. As pessoas começam a fazer coisas que parecem ser de grande auxílio, que ajudam os outros a tomar consciência de sua própria experiência de uma forma não-ameaçadora.
O que o terapeuta bem treinado aprendeu a fazer durante anos de supervisão e prática, começa a emergir de modo espontâneo da própria situação. "Esta espécie de faculdade manifesta-se tão freqüentemente em grupos, que me leva a considerar que a capacidade de tratamento ou terapêutica é muito mais freqüente do que supomos na vida humana. Muitas vezes, para se manifestar, apenas necessita da licença concedida, ou da liberdade tornada possível, pelo clima de uma experiência de grupo em liberdade.
Um dos efeitos da disposição do grupo para a aceitação e feedback é que os pessoas podem aceitar a si mesmas. "Creio que realmente tento impedir que as pessoas se aproximem de mim." "Sou forte e mesmo cruel às vezes." "Quero tanto ser amado que chego a fingir ser meia dúzia de coisas." Paradoxalmente, esta aceitação de si mesmo, incluindo suas falhas, inicia a mudança. Rogers nota que quanto mais perto estivermos da congruência, mais fácil será de tomarmo-nos sadios. Se uma pessoa for capaz de admitir que é de uma certa maneira, será então capaz de considerar possíveis alternativas de comportamento. Se negar parte de si mesma, não fará qualquer esforço para mudar. A aceitação, no domínio das atitudes psicológicas por vezes ocasiona uma mudança naquilo que foi aceito. É irônico, mas verdadeiro.
À medida que o grupo continua, há uma crescente impaciência para com as defesas. O grupo parece exigir o direito de ajudar, de curar, de provocar a abertura das pessoas que parecem constrangidas e defendidas. Por vezes gentilmente, outras de forma quase que selvagem, o grupo exige que o indivíduo seja ele mesmo, isto é, que não esconda os sentimentos comuns. A expressão pessoal de alguns membros do grupo tornou evidente que é possível um encontro mais profundo e essencial, e o grupo parece procurar intuitiva e inconscientemente este objetivo.
Em qualquer troca ou encontro há feedback. O líder está sendo informado a todo instante de sua eficiência ou da falta dela. Cada membro que reage a outro pode, por sua vez, obter um feedback à sua reação. Este pode ser difícil de aceitar, mas uma pessoa, num grupo, não pode evitar facilmente o conflito com a opinião do mesmo.
Rogers chama de confrontação às formas extremas de feedback. Conforme diz, "há momentos em que o termo feedback é excessivamente moderado para descrever as interações que se processam, momentos em que é mais correto dizer que um indivíduo se confronta com outro, diretamente, em pé de igualdade. Tais confrontações podem ser positivas, porém são muitas vezes nitidamente negativas". A confrontação leva os sentimentos a uma intensidade tal que um tipo de resolução é exigida. Este é um momento perturbados e difícil para um grupo e, potencialmente, muito mais perturbador para os indivíduos envolvidos.
Parece claro que toda vez que o grupo demonstra de modo efetivo que pode aceitar e tolerar os sentimentos negativos sem rejeitar a pessoa que os expressa, os membros do grupo tomam-se mais confiantes e abertos uns com os outros. Muitas pessoas relatam suas experiências em grupos como as experiências de aceitação mais positivas e empáticas de suas vidas. A popularidade das experiências de grupo repousa tanto no calor emocional que geram como em sua capacidade de facilitar o crescimento pessoal.
O Conhecimento
O conhecimento objetivo é uma forma de testar hipóteses, especulações e conjecturas em relação a sistemas de referência externos. Em Psicologia, os pontos de referência podem incluir observações do comportamento, resultados de testes, questionários ou julgamentos de outros psicólogos.
A utilização dos colegas baseia-se na idéia de que se pode confiar nas pessoas treinadas em uma determinada disciplina para aplicar os mesmos métodos de julgamento a um dado evento. A opinião de um especialista pode ser objetiva mas também pode ser uma percepção coletiva errônea. Qualquer grupo de especialistas pode mostrar-se rígido e defender-se quando se lhes pede para considerar dados que contradizem aspectos axiomáticos de sua própria formação. Rogers observa que teólogos comunistas dialéticos e psicanalistas exemplificam esta tendência. Rogers é o único a questionar a validade do conhecimento objetivo, em especial na tentativa de compreender a experiência de uma outra pessoa.
A terceira forma de conhecimento é o conhecimento inter-pessoal ou conhecimento fenomenológico, que é a essência da terapia centrada no cliente. É a prática da compreensão empática. Penetrar no mundo subjetivo particular do outro para ver se nossa compreensão da opinião dele é correta, não apenas para ver se é objetivamente correta ou se concorda com o nosso próprio ponto de vista, mas se é correta no sentido de compreender a experiência do outro como ele a experiência. Esta compreensão empática é testada pela resposta àquilo que se entendeu, perguntando-se ao outro se foi ouvido corretamente. "Você está se sentindo deprimido esta manhã?", "Parece-me que você está contando ao grupo que seu choro é um pedido de ajuda", "Aposto que você está muito cansado para concluir isto agora".
O Campo da Experiência
Há um campo de experiência único para cada indivíduo. Este campo de experiência ou "campo fenomenal" contém tudo o que se passa no organismo em qualquer momento, e que está potencialmente disponível à consciência. Inclui eventos, percepções, sensações e impactos dos quais a pessoa não toma consciência, mas poderia tomar se focalizasse a atenção nesses estímulos. É um mundo privativo e pessoal que pode ou não corresponder à realidade objetiva.
De início a atenção é colocada naquilo que a pessoa experimenta como seu mundo, não na realidade comum. O campo de experiência é limitado por restrições psicológicas e limitações biológicas. Temos tendência a dirigir nossa atenção para perigos imediatos, assim como para experiências seguras ou agradáveis, ao invés de aceitar todos os estímulos que nos rodeiam.
Self
Dentro do campo de experiência está o Self. O Self não é uma entidade estável, imutável, entretanto, observado num dado momento, parece ser estável. Isto se dá porque congelamos uma secção da experiência a fim de observá-la. Rogers concluiu que a idéia do eu não representa uma acumulação de inumeráveis aprendizagens e condicionamentos efetuados na mesma direção.... Essencialmente é uma gestalt cuja significação vivida é suscetível de mudar sensivelmente (e até mesmo sofrer uma reviravolta) em conseqüência da mudança de qualquer destes elementos. O Self é uma gestalt organizada e consistente num processo constante de formar-se e reformar-se à medida que as situações mudam.
Assim como uma fotografia é uma "parada" de algo que está mudando, da mesma forma o Self não é nenhuma das "fotografias" que tiramos dele, mas o processo fluido subjacente. Outros teóricos usam o termo Self para designar aquela faceta da identidade pessoal que é imutável, estável ou mesmo eterna.
Rogers usa o termo para se referir ao contínuo processo de reconhecimento. É esta diferença, esta ênfase na mudança e na flexibilidade, que fundamenta sua teoria e sua crença de que as pessoas são capazes de crescimento, mudança e desenvolvimento pessoal. O Self ou auto-conceito é a visão que uma pessoa tem de si própria, baseada em experiências passadas, estimulações presentes e expectativas futuras.
Self Ideal
Self Ideal é o conjunto das características que o indivíduo mais gostaria de poder reclamar como descritivas de si mesmo. Assim como o Self, ele é uma estrutura móvel e variável, que passa por redefinição constante. A extensão da diferença entre o Self e o Self Ideal é um indicador de desconforto, insatisfação e dificuldades neuróticas. Aceitar-se como se é na realidade, e não como se quer ser, é um sinal de saúde mental. Aceitar-se não é resignar-se ou abdicar de si mesmo. É uma forma de estar mais perto da realidade e de seu estado atual. A imagem do Self Ideal, na medida em que se diferencia de modo claro do comportamento e dos valores reais de uma pessoa é um obstáculo ao crescimento pessoal.
Um trecho da história de um caso pode esclarecê-lo. Um estudante estava planejando desligar-se da faculdade. Havia sido o melhor aluno no ginásio e o primeiro no colegial e estava indo muito bem na faculdade. Estava desistindo, explicava, porque havia recebido um "C" num curso. Sua imagem de ter sido sempre o melhor estava em perigo. A única seqüência de ações que ele vislumbrava era escapar, deixar o mundo acadêmico, rejeitar a discrepância entre seu desempenho atual e sua visão ideal de si próprio. Disse que iria trabalhar para ser o "melhor" de alguma outra forma.
Para proteger sua auto-imagem ideal ele desejava cortar pela raiz sua carreira acadêmica. Ele deixou a escola, viajou pelo mundo e, por vários anos, teve uma grande quantidade de empregos originais. Quando foi visto novamente era capaz de discutir a possibilidade de que talvez não fosse necessário ser o melhor desde o começo, mas tinha ainda grandes dificuldades em explorar qualquer atividade na qual pudesse experimentar fracasso.
Congruência e Incongruência
Congruência é definida como o grau de exatidão entre a experiência da comunicação e a tomada de consciência. Ela se relaciona às discrepâncias entre experienciar e tomar consciência. Um alto grau da congruência significa que a comunicação (o que se está expressando), a experiência (o que está ocorrendo em nosso campo) e a tomada de consciência (o que se está percebendo) são todas semelhantes. Nossas observações e as de um observador externo seriam consistentes.
Crianças pequenas exibem alta congruência. Expressam seus sentimentos logo que seja possível com o seu ser total. Quando uma criança tem fome ela toda está com fome, neste exato momento! Quando uma criança sente amor ou raiva, ela expressa plenamente essas emoções. Isto pode justificar a rapidez com que a criança substitui um estado emocional por outro. A expressão total de seus sentimentos permite que elas liquidem a bagagem emocional que não foi expressa em experiências anteriores. A congruência é bem descrita por um Zen-budista ao dizer: "Quando tenho fome, como; quando estou cansado, sento-me; quando estou com sono, durmo".
A incongruência ocorre quando há diferenças entre a tomada de consciência, a experiência e a comunicação desta. As pessoas que parecem estar com raiva (punhos cerrados, tom de voz elevado, praguejando) e que replicam que de forma alguma estão com raiva, se interpeladas, ou as pessoas que dizem estar passando por um período maravilhoso mas que se mostram entediadas, isoladas ou facilmente doentes, estão revelando incongruência. É definida não só como inabilidade de perceber com precisão mas também como inabilidade ou incapacidade de comunicação precisa. Quando a incongruência está entre a tomada de consciência e a experiência, é chamada repressão. A pessoa simplesmente não tem consciência do que está fazendo. A maioria das psicoterapias trabalha sobre este sintoma de incongruência ajudando as pessoas a se tomarem mais conscientes de suas ações, pensamentos e atitudes na medida em que estes as afetam e aos outros.
Quando a incongruência é uma discrepância entre a tomada de consciência e a comunicação a pessoa não expressa o que está realmente sentindo, pensando ou experienciando. Este tipo de incongruência é muitas vezes percebido como mentiroso, inautêntico ou desonesto. Muitas vezes esses comportamentos tomam-se foco de discussões em terapias de grupo ou em grupos de encontro. Embora tais comportamentos pareçam ser realizados com malícia, terapeutas e treinadores relatam que a ausência de congruência social, aparente falta de boa vontade em comunicar-se, é com freqüência, uma falta de autocontrole e consciência pessoal. A pessoa não é capaz de expressar suas emoções e percepções reais em virtude do medo e de velhos hábitos de encobrimento que são difíceis de superar. Por outro lado, é possível que a pessoa tenha dificuldade em compreender o que os outros esperam dela.
A incongruência pode ser sentida como tensão, ansiedade ou, em circunstâncias mais extremas, como confusão interna. Um paciente internado em hospital psiquiátrico que declara não saber onde está, em que hospital, qual a hora do dia, ou mesmo quem ele é, está exibindo alto grau de incongruência. A discrepância entre a realidade externa e aquilo que ele está subjetivamente experienciando tomou-se tão grande que ele não é capaz de atuar. A maioria dos sintomas descritos na Literatura psiquiátrica podem ser vistos como formas de incongruência. Para Rogers, a forma particular de distúrbio é menos crítica do que o reconhecimento de que há uma incongruência que exige uma solução.
A incongruência é visível em observações como, por exemplo, "não sou capaz de tomar decisões", "não sei o que quero", "nunca serei capaz de persistir em algo", A confusão aparece quando você não é capaz de escolher dentre os diferentes estímulos aos quais se acha exposto. Considere o caso de um cliente que relata: "Minha mãe pede-me que cuide dela, é o mínimo que posso fazer. Minha namorada recomenda que eu me mantenha firme para não ser puxado de todo lado. Penso que sou muito bom para minha mãe, mais do que ela merece. Às vezes a odeio, às vezes a amo. Às vezes é bom estar com ela, às vezes ela me diminui."
O cliente está assediado por estímulos diferentes. Cada um deles é válido e conduz a ações válidas por algum tempo. É difícil diferenciar, dentre estes estímulos, aqueles que são genuínos daqueles que são impostos. 0 problema pode estar em reconhecê-los como diferentes e ser capaz de trabalhar sobre sentimentos diferentes em momentos diferentes. A ambivalência não é Iara ou anormal; não ser capaz de reconhecê-la ou enfrentá-la pode ser uma causa de ansiedade.
Tendência à Auto-Atualização
Há um aspecto básico da natureza humana que leva uma pessoa em direção a uma maior congruência e a um funcionamento realista. Além disso, este impulso não é limitado aos seres humanos; é parte do processo de todas as coisas vivas. É este impulso que é evidente em toda vida humana e orgânica, expandir-se, estender-se, tornar-se autônomo, desenvolver-se, amadurecer a tendência a expressar e ativar todas as capacidades do organismo na medida em que tal ativação valoriza o organismo ou o Self.
Rogers sugere que em cada um de nós há um impulso inerente em direção a sermos competentes e capazes quanto o que estamos aptos a ser biologicamente. Assim como uma planta tenta tornar-se saudável, como uma semente contém dentro de si impulso para se tomar uma árvore, também uma pessoa é impelida a se tomar uma pessoa total, completa e auto-atualizada.
O impulso em direção à saúde não é uma força esmagadora que super., obstáculos ao longo da vida; pelo contrário, é facilmente embotado, distorcido e reprimido. Rogers o vê como a força motivadora dominante numa pessoa que está funcionando de modo livre, não paralisada por eventos passados ou por crenças correntes que mantinham a incongruência. Maslow chegou a conclusões semelhantes; chamava esta tendência de uma voz interna e fraca que é facilmente abafada. A suposição de que o crescimento é possível e central para o projeto do organismo é crucial para o restante do pensamento de Rogers.
Para Rogers, a tendência à auto-atualização não é simplesmente mais um motivo. É importante observar que esta tendência atualizante é o postulado fundamental da teoria rogeriana.
Crescimento Psicológico
As forças positivas em direção à saúde e ao crescimento são naturais e inerentes ao organismo. Baseado em sua própria experiência clínica, Rogers conclui que os indivíduos têm a capacidade de experienciar e de se tomarem conscientes de seus desajustamentos. Isto é, você pode experienciar as incoerências entre seu auto-conceito e suas experiências reais. Esta capacidade que reside em nós é associada a uma tendência subjacente à modificação do auto-conceito, no sentido de estar realmente de acordo com a realidade. Rogers postula, portanto, um movimento natural para a resolução e distante do conflito. Vê o ajustamento não como um estado estático, mas como um processo no qual novas aprendizagens e novas experiências são cuidadosamente assimiladas.
Rogers está convencido de que estas tendências em direção à saúde são facilitadas por qualquer relação interpessoal na qual um dos membros esteja livre o bastante da incongruência para estar em contato com seu próprio centro de auto-correção. A maior tarefa da terapia é estabelecer tal relacionamento genuíno. Aceitar-se a si mesmo é um pré-requisito para uma aceitação mais fácil e genuína dos outros. Em compensação, ser aceito por outro conduz a uma vontade cada vez maior de aceitar-se a si próprio. Este ciclo de auto-correção e auto-incentivo é a forma principal pela qual se minimiza ns obstáculos ao crescimento psicológico.
Obstáculos ao Crescimento
Rogers sugere que os obstáculos aparecem na infância e são aspectos normais do desenvolvimento. O que a criança aprende em um estágio como benéfico deve ser reavaliado nos estágios posteriores: Motivos que predominam na primeira infância mais tarde podem inibir o desenvolvimento da personalidade.
Quando a criança começa a tomar consciência do Self, desenvolve uma necessidade de amor ou de consideração positiva. Esta necessidade é universal, considerando-se que ela existe em todo ser humano e que se faz sentir de uma maneira contínua e penetrante. A teoria não se preocupa em saber se é uma necessidade inata ou adquirida. Uma vez que as crianças não separam suas ações de seu ser total, reagem à aprovação de uma ação como se fosse aprovação de si mesmas. Da mesma forma, reagem à punição de um ato como se estivessem sendo desaprovadas em geral.
O amor é tão importante para a criança que ela acaba por ser guiada, não pelo caráter agradável ou desagradável de suas experiências e comportamentos, mas pela promessa de afeição que elas encerram. A criança começa a agir da forma que lhe garante amor ou aprovação, sejam os comportamentos saudáveis ou não para ela. As crianças podem agir contra seu próprio interesse, chegando a se perceber em termos destinados, a princípio, a agradar ou apaziguar os outros. Teoricamente esta situação poderia não se desenvolver se a criança sempre se sentisse aceita e houvesse aprovação dos sentimentos mesmo que alguns comportamentos fossem inibidos. Em tal situação ideal a criança nunca seria pressionada a se despojar ou repudiar partes não atraentes mas autênticas de sua personalidade.
Comportamentos ou atitudes que negam algum aspecto do Self são chamados de condições de valor. Quando uma experiência relativa ao eu é procurada ou evitada unicamente porque é percebida como mais ou menos digna de consideração de si, diz Rogers que o indivíduo adquiriu um modo de avaliação condicional. Condições de valor são os obstáculos básicos à exatidão da percepção e à tomada de consciência realista.
Há vendas e filtros seletivos destinados a assegurar um suprimento interminável de amor da parte dos parentes e dos outros. Acumulamos certas condições, atitudes ou ações cujo cumprimento sentimos necessário para permanecermos dignos. Na medida em que essas atitudes e ações são idealizadas, elas constituem áreas de incongruência pessoal. De forma extrema, as condições de valor são caracterizadas pela crença de que "preciso ser respeitado ou amado por todos aqueles com quem estabeleço contato".
As condições de valor criam uma discrepância entre o Self e o auto-conceito. Para mantermos uma condição de valor temos que negar determinados aspectos de nós mesmos. Por exemplo, se falaram "Você deve amar seu irmãozinho recém-nascido, senão mamãe não gosta mais de você", a mensagem é a de que você deve negar ou reprimir seus sentimentos negativos genuínos em relação a ele. Se você conseguir esconder sua vontade maldosa, seu desejo de machucá-lo e seu ciúme normal, sua mãe continuará a amá-lo. Se a pessoa admitir que tem tais sentimentos, se arriscará a perder o amor. Uma solução que cria uma condição de valor é rejeitar tais sentimentos sempre que ocorram, bloqueando-os de sua consciência. Agora a pessoa pode reagir de formas tais como: "Eu realmente amo meu irmãozinho, apesar das vezes em que o abraço tanto até ele gritar" ou, "Meu pé escorregou sob o seu, eis porque ele tropeçou".
Posso ainda lembrar-me da enorme alegria demonstrada por meu irmão mais velho quando lhe foi dada uma oportunidade de bater em mim por algo que fiz. Minha mãe, meu irmão e eu ficamos todos assustados com sua violência. Ao recordar o incidente, meu irmão lembrou-se de que ele não estava especialmente bravo comigo, mas que havia compreendido que aquela era uma rara ocasião e queria descarregar toda a maldade possível enquanto tinha permissão. Admitir tais sentimentos e permitir-lhes alguma expressão e, quando ocorrem é mais saudável, segundo Rogers, do que rejeitá-los ou aliená-los.
Quando a criança amadurece, o problema persiste. O crescimento é impedido na medida em que a pessoa nega impulsos diferentes do auto-conceito artificialmente "bom". Para sustentar a falsa auto-imagem a pessoa continua a distorcer experiências, quanto maior a distorção maior a probabilidade de erros e da criação de novos problemas. Os comportamentos, os erros e a confusão que resultam dão manifestações de distorções iniciais mais fundamentais. E a situação realimenta-se a si mesma. Cada experiência de incongruência entre o Self e a realidade aumenta a vulnerabilidade, a qual, por sua vez, ocasiona o aumento de defesas, interceptando experiências e criando novas ocasiões de incongruência.
Por vezes as manobras defensivas não funcionam. A pessoa toma consciência das discrepâncias óbvias entre os comportamentos e as crenças. Os resultados podem ser pânico, ansiedade crônica, retraimento ou mesmo uma psicose. Rogers observou que o comportamento psicótico parece ser muitas vezes a representação externa de um aspecto anteriormente negado da experiência.
Em 1974 Perry corrobora essa idéia, apresentando evidência de que o episódio psicótico é uma tentativa desesperada da personalidade de se reequilibrar e permitir a realização de necessidades e experiências internas frustradas. A terapia centrada no cliente esforça-se por estabelecer uma atmosfera na qual condições de valor prejudiciais possam ser postas de lado, permitindo, portanto, que as forças saudáveis de uma pessoa retomem sua dominância original. Uma pessoa recupera a saúde reivindicando suas partes reprimidas ou negadas.
O Corpo
Embora Rogers defina a personalidade e a identidade como uma gestalt contínua, não dá ao papel do corpo uma atenção especial. Mesmo no seu trabalho com encontros ele não promove ou facilita o contato físico nem trabalha diretamente com gestos físicos. Como Rogers mesmo assinala, "a minha formação não é das que me tornem especialmente liberto a esse respeito". Sua teoria é baseada na tomada de consciência da experiência. Ela não seleciona a experiência física como diferente em espécie ou valor das experiências emocionais, cognitivas ou intuitivas.
Relacionamento Social
O valor dos relacionamentos é de interesse central nas obras de Rogers. Os relacionamentos mais precoces podem ser congruentes ou podem servir como foco de condições de valor. Relações posteriores são capazes de restaurar a congruência ou retardá-la.
Rogers acredita que a interação com o outro capacita um indivíduo a descobrir, encobrir, experienciar ou encontrar seu Self real de forma direta. Nossa personalidade torna-se visível a nós através do relacionamento com os outros. Na terapia, em situações de encontro e em interações cotidianas, o feedback dos outros oferece às pessoas oportunidade de experienciarem a si mesmas. Se pensamos em pessoas que não têm relacionamentos, imaginamos dois estereótipos contrastantes. O primeiro é o do ermitão relutante, inábil para lidar com outros. O segundo é o contemplativo que se retirou do mundo para cumprir outras tarefas.
Nenhuma dessas imagens atrai Rogers. Para ele, os relacionamentos oferecem a melhor oportunidade para estar "funcionando por inteiro", para estar em harmonia consigo mesmo, com os outros e com o meio ambiente. Através dos relacionamentos, as necessidades organísmicas básicas do indivíduo podem ser satisfeitas. A esperança desta satisfação faz com que as pessoas invistam uma quantidade de energia incrível em relacionamentos, até mesmo naqueles que não parecem ser saudáveis ou satisfatórios.
O Casamento
O casamento é um relacionamento não usual. É potencialmente de longo prazo, intensivo, e carrega dentro de si a possibilidade de manutenção do crescimento e do desenvolvimento. Rogers acredita que o casamento siga as mesmas leis gerais que mantém a verdade dos grupos de encontro, da terapia ou de outros relacionamentos. Os melhores casamentos ocorrem com parceiros que são congruentes consigo mesmos, que têm poucas condições de valor como empecilho e que são capazes de genuína aceitação dos outros. Quando o casamento é usado para manter uma incongruência ou para reforçar tendências defensivas existentes, é menos satisfatório e é menos provável que se mantenha.
As conclusões de Rogers sobre qualquer relação íntima a longo prazo, tal como o casamento, são focalizadas sobre quatro elementos básicos: compromisso contínuo, expressão de sentimentos, não-aceitação de papéis específicos e capacidade de compartilhar a vida íntima. Ele resume cada elemento como uma promessa, um acordo sobre o ideal de um relacionamento contínuo, benéfico e significativo.
1. Dedicação e compromisso.
Cada membro de um casamento deveria ver a união como um processo contínuo e não como um contrato. O trabalho feito visa tanto a satisfação pessoal como a satisfação mútua. Uma relação é trabalho; é um trabalho tendo em vista objetivos separados ou comuns. Rogers sugere que este compromisso seja expresso da seguinte maneira: "Nós dois nos comprometemos a cultivar juntos o processo mutável de nosso atual relacionamento, porque este relacionamento está enriquecendo nosso amor e a nossa vida e nós queremos que ele cresça".
2. Comunicação; expressão de sentimentos
Rogers insiste na comunicação total e aberta. "Arriscar-me-ei tentando comunicar qualquer sentimento persistente, positivo ou negativo, ao meu companheiro, com a mesma profundidade com que o percebo em mim, como uma parte presente e viva em mim. Em seguida, arriscar-me-ei ainda mais tentando compreender, com toda a empatia de que eu for capaz, a sua resposta, seja acusativa e crítica, seja compartilhante e auto-reveladora". A comunicação tem duas fases igualmente importantes: a primeira é expressar a emoção. A segunda é permanecer aberto e experienciar a resposta do outro.
Rogers não defenda simplesmente o colocar para fora os sentimentos Ele sugere que devemos nos comprometer tanto com os efeitos que nossos sentimentos causam em nosso parceiro quanto com a expressão original dos sentimentos em si mesmos.
Isto é muito mais difícil do que simplesmente "desabafar" ou "ser aberto e honesto". É a disposição de aceitar os riscos reais envolvidos: rejeição, desentendimento, sentimentos feridos e retribuição. A crença de Rogers na necessidade de instituir e manter este nível de troca contrapõe-se a posições que advogam o ser polido, diplomático, o contornar questões perturbadoras ou o não mencionar interesses emocionais que aparecem.
3. Não-aceitação de papéis
Numerosos problemas desenvolvem-se na medida em que tentamos satisfazer as expectativas do outro, ao invés de determinarmos as nossas próprias. Rogers dizia que "Viveremos de acordo com as nossas opções, com a sensibilidade orgânica mais profunda de que somos capazes, mas não seremos afeiçoados pelos desejos, pelas regras e pelos papéis que os outros insistem em impor-nos". Ele relata que muitos casais sofrem graves tensões na tentativa de fazer sobreviver sua aceitação parcial e ambivalente das imagens que seus pais e a sociedade impuseram a eles. Um casamento efetuado com tal quantidade de expectativas e imagens irreais é inerentemente instável. e potencialmente pouco : recompensador.
4. Tomar-se um Self separado
Este compromisso é uma profunda tentativa de descobrir e aceitar a natureza total da pessoa. É o mais desafiador dos compromissos, é dedicar-se à remoção das máscaras tão logo elas se formem. "Eu talvez possa descobrir mais do que sou realmente em meu íntimo e chegar mais perto disso sentindo-me, às vezes, encolerizado ou aterrado, às vezes amante e solícito, de vez em quando belo e forte ou desordenado e medonho, sem esconder de mim mesmo esses sentimentos. Eu talvez possa estimar-me como a pessoa ricamente variada que sou. Talvez possa ser espontaneamente mais essa pessoa. Nesse caso, poderei viver de acordo com os meus próprios valores experimentados, conquanto tenha consciência de todos os códigos da sociedade. Nesse caso, poderei ser toda esta complexidade de sentimentos, significados e valores com meu companheiro suficientemente livre para dar o amor, a raiva e a ternura que existem em mim. É possível, então, que eu venha a ser um participante real de uma união, porque estou em vias de ser uma pessoa real. E espero poder incentivar meu companheiro a seguir o seu caminho na direção de uma personalidade única, que eu gostaria imensamente de partilhar".
Emoções
O indivíduo saudável toma consciência de suas emoções, sejam ou não expressas. Sentimentos negados à consciência distorcem a percepção e a reação às experiências que os desencadearam.
Um caso específico é sentir ansiedade sem tomar conhecimento da causa. A ansiedade aparece quando uma experiência que ocorreu, se admitida na consciência, poderia ameaçar a auto-imagem. A reação inconsciente a estas subcepções alerta o organismo para possíveis perigos e acarreta mudanças psicofisiológicas. Estas reações defensivas são uma forma do organismo manter crenças e comportamentos incongruentes. Uma pessoa pode agir com base nestas subcepções sem tomar consciência do por quê está agindo assim. Por exemplo, um homem pode sentir-se desconfortável ao ver homossexuais declarados. A informação que tem de si mesmo incluiria o desconforto, mas não mencionaria sua causa. Ele não poderia admitir seu próprio interesse, sua identidade sexual não resolvida, ou talvez as expectativas e medos que tem a respeito de sua própria sexualidade. Distorcendo suas percepções ele pode, em compensação, reagir com hostilidade aberta a homossexuais, tratando-os como uma eterna ameaça ao invés de admitir seu conflito interno.
Intelecto
Rogers não segrega o intelecto de outras funções. Ele valoriza-o como um tipo de instrumento que pode ser usado de modo efetivo na integração de experiências. Mostra-se cético em relação a sistemas educacionais que dão ênfase exagerada a desempenhos intelectuais e desvalorizam os aspectos intuitivos e emocionais do funcionamento total.
Em particular, Rogers pensa que cursos de graduação em campos diversos são exigentes, pouco significativos e desanimadores. A pressão para a produção de trabalhos limitados e pouco originais, associada aos papéis passivos e dependentes atribuídos aos estudantes de graduação, na realidade sufocam ou retardam suas capacidades criativas e produtivas. Cita a queixa de um estudante: "Essa coerção teve sobre mim um efeito tão desencorajador, que, depois que fiz o exame final, a consideração de qualquer problema me repugnava, durante um ano inteiro".
Se o intelecto, como outras funções, ao operar de forma livre, tende a dirigir o organismo à tomada de consciência mais congruente, então forçar o intelecto por vias específicas pode não ser benéfico. O ponto de vista de Rogers é de que as pessoas estão em melhor situação decidindo o que fazer por si mesmas, com o apoio de outros, do que fazendo o que os outros decidem por elas.
Self
Autores de manuais de psicologia que dedicaram espaço a Rogers, geralmente classificam-no como um teórico do Self. De fato, embora Rogers encare o Self como o foco da experiência, ele está mais interessado na percepção, na tomada de consciência e na experiência do que num construto hipotético, o Self. Como já descrevemos a definição de Rogers sobre o Self, podemos agora voltar para a descrição da pessoa de funcionamento integral: a pessoa que está mais plenamente consciente de seu Self contínuo. A noção de funcionamento ótimo é sinônimo das noções de adaptação psicológica perfeita, de maturidade ótima, de acordo interno completo, de abertura total à experiência. Como estas noções têm a desvantagem de sugerir algum estado mais ou menos estático, final ou acabado, devemos ressaltar que todas as características que acabamos de enumerar, a propósito do indivíduo hipotético, não têm o caráter de estagnação, mas de um processo dinâmico. A personalidade que funciona plenamente é uma personalidade em contínuo estado de fluxo, uma personalidade constantemente mutável.
A pessoa de funcionamento integral tem diversas características distintas, a primeira das quais é uma abertura à experiência. Há pouco ou nenhum uso das "subcepções", estes primeiros sinais de alerta que restringem a percepção consciente. A pessoa está continuamente afastando-se de suas defesas na direção da experiência direta. A pessoa está mais aberta a seus sentimentos de receio, de desânimo e de desgosto. Fica igualmente mais aberto aos seus sentimentos de coragem, de ternura e de fervor. Torna-se mais capaz de viver completamente a experiência do seu organismo, em vez de a impedir de atingir a consciência.
Uma segunda característica é viver no presente, realizar-se completamente cada momento. Este engajamento contínuo e direto com a realidade permite dizer que o eu (Self) e a personalidade emergem da experiência, em vez de dizer que a experiência foi traduzida ou deformada para se ajustar a uma estrutura preconcebida do eu. Uma pessoa é capaz de reestruturar suas respostas à medida que a experiência permite ou sugere novas possibilidades.
Uma característica final é a confiança nas exigências internas e no julgamento intuitivo, uma confiança sempre crescente na capacidade de tomar decisões. Quando uma pessoa está melhor capacitada para coletar e utilizar dados, é mais provável que ela valorize sua capacidade de resumir esses dados e de responder. Esta não é uma atividade apenas intelectual, mas uma função da pessoa inteira. Rogers sugere que na pessoa de funcionamento integral os erros efetuados serão devidos à informação incorreta e não ao processamento incorreto.
Isto se assemelha ao comportamento de um gato que é jogado ao chão de uma determinada altura. O gato não considera a velocidade do vento, o momentum angular ou o tamanho da queda. Ainda assim, tudo isto está sendo levado em conta em sua resposta total.
0 gato não reflete sobre quem poderia tê-lo empurrado, quais teriam sido seus motivos ou o que pode acontecer no futuro. O gato lida com a situação imediata, o problema mais gritante. Roda em meio ao ar e aterriza em pé, ajustando na mesma hora a sua postura pua enfrentar o próximo evento.
A pessoa de funcionamento integral é livre para responder e experienciar suas respostas às situações. Esta é a essência do que Rogers chama de viver uma vida plena. Tal pessoa estará comprometida num contínuo processo de atualização.
Terapia Centrada no Cliente
Rogers foi um terapeuta praticante durante toda sua carreira profissional. Sua teoria da personalidade emerge de seus métodos e idéias sobre terapia e é integrada a eles. A teoria psicoterápica de Rogers passou por diversas fases de desenvolvimento e mudanças de ênfase, e ainda assim há alguns pontos básicos que se mantiveram inalterados. Rogers faz uma citação de uma palestra onde, pela primeira vez, descreveu suas novas idéias sobre terapia:
1. Esta nova abordagem coloca um peso maior sobre o impulso individual em direção ao crescimento, à saúde e ao ajustamento. A terapia é uma questão de libertar o cliente para um crescimento e desenvolvimento normais.
2. Esta terapia dá muito mais ênfase ao aspecto afetivo de uma situação do que aos aspectos intelectuais.
3. Esta nova terapia dá muito mais ênfase à situação imediata do que ao passado do indivíduo.
4. Esta abordagem enfatiza o relacionamento terapêutico em si mesmo como uma experiência de crescimento.
Rogers usa a palavra "cliente" ao invés do termo tradicional "paciente". Um paciente é em geral alguém que está doente, precisa de ajuda e vai ser ajudado por profissionais formados. Um cliente é alguém que deseja um serviço e que pensa não poder realizá-lo sozinho. O cliente, portanto, embora possa ter muitos problemas, é ainda visto como uma pessoa inerentemente capaz de entender sua própria situação. Há uma igualdade implícita no modela do cliente, que não está presente no relacionamento médico-paciente.
A terapia atende a uma pessoa ao revelar seu próprio dilema com um mínimo de intrusão por parte do terapeuta. Rogers define a psicoterapia como a liberação de capacidades já presentes em estado latente. Isto é, implica que o cliente possua, potencialmente, a competência necessária à solução de seus problemas. Tais opiniões se opõem diretamente à concepção da terapia como uma manipulação, por especialista, de um organismo mais ou menos passivo. A terapia é apontada como dirigida pelo cliente ou centrada no cliente, uma vez que é quem assume toda direção que for necessária.
A terapia centrada no cliente e a modificação de comportamento têm algumas semelhanças: ambas ouvem as idéias do cliente sobre suas dificuldades e ambas aceitam o cliente como capaz de compreender seus próprios problemas. Entretanto, na terapia centrada no cliente, a pessoa continua a dirigir e modificar as metas da terapia e iniciar as mudanças comportamentais (ou outras) que deseja que ocorram. Na modificação de comportamento, os novos comportamentos são escolhidos pelo terapeuta. Rogers sente de modo intenso que tais "intervenções do especialista", qualquer que seja a sua natureza, são em última instância prejudiciais ao crescimento da pessoa.
Suas opiniões sobre a natureza do homem e sobre os métodos terapêuticos não somente amadureceram durante sua vida, passaram por uma inversão quase que total. "Espero ter deixado claro que, no decorrer dos anos, distanciei-me muito de algumas das coisas em que inicialmente acreditei: de que o homem é em essência pecador; de que, profissionalmente, ele é melhor tratado enquanto objeto; de que a ajuda fundamenta-se na perícia; de que o perito pode aconselhar, manipular e moldar o indivíduo a fim de produzir o resultado desejado".
Terapeuta Centrado no Cliente
O cliente tem a chave de sua recuperação mas o terapeuta deveria ter determinadas qualidades pessoais que ajudam o cliente a aprender como usar tais chaves. Estes poderes dentro do cliente, tornar-se-ão efetivos se o terapeuta puder estabelecer com o cliente um relacionamento de aceitação e compreensão suficientemente caloroso. Antes do terapeuta ser qualquer coisa para o cliente, ele deve ser autêntico, genuíno, e não estar desempenhando um papel, especialmente o de um terapeuta, quando está com o cliente. Isto envolve a vontade de ser e expressar com minhas próprias palavras e meus comportamentos, os diversos sentimentos e atitudes que existem em mim. Isto significa que se precisa, na medida do possível, perceber os próprios sentimentos, ao invés de apresentar uma fachada externa de uma atitude enquanto na verdade mantém se outra.
Terapeutas que estão se formando em terapia centrada no cliente por vezes perguntam, "como se comportar se não gostamos do paciente ou se estamos aborrecidos ou bravos?" Não serão estes sentimentos genuínos justamente os que ele desperta em todas as pessoas que ofende? A resposta centrada no cliente a estas questões envolve diversos níveis de compreensão. Em um nível, o terapeuta serve como modelo de uma pessoa autêntica. O terapeuta oferece ao cliente um relacionamento através do qual este pode testar sua própria realidade. Se o cliente confia que vá receber uma resposta honesta, pode descobrir se suas antecipações ou defesas são justificadas. O cliente pode aprender a esperar uma reação real, não distorcida ou diluída, à sua busca interior. Este teste de realidade é crucial se o cliente quer se afastar das distorções e experienciar a si mesmo de modo direto.
Num outro nível, o terapeuta centrado no cliente proporciona uma relação de ajuda enquanto aceita e é capaz de manter uma consideração positiva incondicional. Rogers a define como uma preocupação que não é possessiva, que não exige qualquer favor pessoal. É simplesmente uma atmosfera que demonstra, "eu preocupo-me", e não "eu preocupo-me consigo se se comportar desta ou daquela maneira". Não é uma avaliação positiva porque toda avaliação é uma forma de julgamento moral. A avaliação tende a restringir o comportamento respeitando algumas coisas e punindo outras; a consideração positiva incondicional permite à pessoa ser realmente o que é, não importando o que possa ser.
Esta atitude aproxima-se daquilo que Maslow denomina amor taoístico, um amor que não faz julgamento prévio, que não restringe nem define. É a promessa de aceitar alguém simplesmente como ele revela ser. Para fazer isto, um terapeuta centrado no cliente deve ser sempre capaz de ver o centro auto-atualizador do cliente e não os comportamentos destrutivos, prejudiciais e ofensivos. Se puder reter uma consciência da essência positiva do indivíduo poder-se-á ser autêntico com tal pessoa, ao invés de ficar aborrecido, irritado ou bravo com expressões particulares de sua personalidade. Esta atitude é similar à dos mestres espirituais da tradição oriental que, vendo o divino em todos os homens, podem tratar a todos com igual respeito e compaixão.
O terapeuta centrado no cliente mantém uma certeza de que a personalidade interior, e talvez não desenvolvida do cliente, é capaz de entender a si mesma. Na prática, isto é extremamente difícil. Terapeutas rogerianos admitem que são, com freqüência, incapazes de manter esta qualidade de compreensão quando trabalham.
A aceitação pode ser uma mera tolerância, uma postura não julgadora que pode ou não incluir uma real compreensão. Esta aceitação é inadequada. A consideração positiva incondicional deve incluir também uma compreensão empática, captar o mundo particular do cliente como se fosse o seu próprio mundo, mas sem nunca esquecer esse caráter de "como se". Esta nova dimensão permite ao cliente maior liberdade para explorar sentimentos internos. O cliente está certo de que o terapeuta fará mais do que aceitá-lo, pois está engajado de maneira ativa na tentativa de sentir as mesmas situações dentro de si próprio.
O critério final para um bom terapeuta é que ele deve possuir a habilidade para comunicar esta compreensão ao cliente. O cliente precisa saber que o terapeuta é autêntico, preocupa-se, ouve e compreende de fato. É necessário que o terapeuta seja claro apesar das distorções seletivas do cliente, das subcepções de ameaça e dos efeitos danosos de uma auto-consideração mal colocada. Desde que esta ponte entre terapeuta e cliente seja estabelecida, o cliente pode começar a trabalhar a sério.
Grupos de Encontro
A passagem de Rogers de terapeuta centrado no cliente para líder de encontros e pesquisador foi quase inevitável. Suas afirmações de que as pessoas, não especialistas, eram terapeutas, foram correlacionadas com os primeiros dados de encontro. Quando Rogers foi para a Califórnia, foi capaz de dedicar mais tempo para participar, estabelecer e pesquisar este tipo de trabalho de grupo.
À parte da terapia de grupo, os grupo de encontro têm uma história que prenuncia seu ressurgimento nas décadas de 1950 e 1960. Dentro da tradição protestante norte-americana e, numa extensão menor, no Judaísmo, tinha havido experiências de grupo elaboradas para alterar as atitudes de uma pessoa em relação a si mesma e para modificar seu comportamento para com os outros. As técnicas incluíam pequenos grupos de colegas, insistência na honestidade e na abertura, ênfase no aqui e agora e manutenção de uma atmosfera calorosa, de apoio. Mesmo as maratonas (encontros de grupos durante o dia e a noite) não são invenções recentes.
Características comuns a todos os grupos de encontro incluem um clima de segurança psicológica, o encorajamento à expressão dos sentimentos imediatos e a resposta subseqüente por parte dos membros do grupo. O líder, qualquer que seja sua orientação, é responsável por estabelecer e manter o tom e o enfoque de um grupo. Este pode estender-se desde a atmosfera funcional de negócios, até estimulação emocional ou à excitação sexual, à promoção de medo, raiva ou mesmo violência. Há relatos de grupos de todas as descrições.
A contribuição de Rogers e seu trabalho contínuo com grupos de encontro são aplicações de sua teoria. Em Grupos de Encontro ele descreve os principais fenômenos que ocorrem nos grupos que se prolongam por vários dias. Embora haja muitos períodos de insatisfação, incerteza e ansiedade na descrição de encontros que se segue, cada um desses períodos conduz a um clima mais aberto, menos defensivo, mais exposto e mais confiante. A intensidade emocional e a capacidade de tolerar a intensidade parecem aumentar à medida que o grupo prossegue.
Processo de Encontro
Um grupo começa andando à volta, esperando que lhe seja dito como se comportar, o que esperar, como trabalhar com as expectativas sobre o grupo. Há uma crescente frustração à medida que o grupo percebe que os próprios membros determinarão a forma pela qual o grupo funcionará.
Há uma resistência inicial à expressão ou exploração pessoais. É o eu exterior que os membros têm tendência para mostrar e só gradual, tímida e ambiguamente vão revelando algo do eu íntimo. Esta resistência é visível na maioria das situações de grupo, como em coquetéis, bailes ou piqueniques, onde em geral há alguma atividade, além da auto-exploração, à disposição dos participantes. Um grupo de encontro desencoraja a busca de qualquer outra atividade.
À medida que as pessoas continuam a interagir elas compartilham sentimentos passados associados a pessoas ausentes no grupo. Ainda que possam ser experiências importantes para o indivíduo, não passam de uma forma de resistência inicial; as experiências passadas são mais seguras e é pouco provável que sejam afetadas por críticas ou apoio. As pessoas podem ou não responder ao relato de um evento passado, mas ainda assim é um evento passado.
Quando as pessoas começam a expressar seus sentimentos presentes, o mais freqüente é serem as primeiras expressões negativas. "Não me sinto bem com você". "Você tem uma maneira de falar vulgar". "Não acredito que você na realidade queria dizer o que disse sobre sua esposa".
Os sentimentos profundos positivos são muito mais difíceis e perigosos de exprimir que os negativos. Se digo que te amo fico vulnerável e exposto à mais terrível rejeição. Mas se digo que te detesto, fico quando muito sujeito a um ataque de que posso defender-me. A não compreensão deste paradoxo aparente levou a uma série de programas de encontro cujo fracasso era previsível. Por exemplo, a Força Aérea desenvolveu programas de relacionamento racial incluindo sessões de encontro entre brancos e negros, conduzidas por líderes treinados. O resultado final desses encontros, no entanto, sempre parecia ser uma intensificação dos sentimentos racistas de ambos os lados.
Em virtude das dificuldades de planejar horário para as pessoas inseridas no regime militar, tais encontros não duravam mais do que três horas, tempo bastante para que as expressões negativas fossem expressas, mas insuficiente para desenvolver o restante do processo. Quando os sentimentos negativos são expressos e o grupo não se desintegra, divide-se ou desaparece no fogo do inferno, começa a aparecer um material com significado pessoal. Sendo ou não aceitável para os membros do grupo, o "clima de confiança" começa a se formar e as pessoas começam a assumir riscos reais.
Quando o material significativo emerge, as pessoas começam a expressar umas às outras seus sentimentos imediatos tanto positivos quanto negativos. "Acho bom que você esteja compartilhando isto com o grupo". "Toda vez que falo algo você me olha como se quisesse me estrangular." "Gozado, eu pensei que não iria gostar de você. Agora tenho certeza disso."
Quanto mais expressões emocionais vêm à tona e sofrem as reações do grupo, Rogers nota o desenvolvimento de uma capacidade terapêutica no mesmo. As pessoas começam a fazer coisas que parecem ser de grande auxílio, que ajudam os outros a tomar consciência de sua própria experiência de uma forma não-ameaçadora.
O que o terapeuta bem treinado aprendeu a fazer durante anos de supervisão e prática, começa a emergir de modo espontâneo da própria situação. "Esta espécie de faculdade manifesta-se tão freqüentemente em grupos, que me leva a considerar que a capacidade de tratamento ou terapêutica é muito mais freqüente do que supomos na vida humana. Muitas vezes, para se manifestar, apenas necessita da licença concedida, ou da liberdade tornada possível, pelo clima de uma experiência de grupo em liberdade.
Um dos efeitos da disposição do grupo para a aceitação e feedback é que os pessoas podem aceitar a si mesmas. "Creio que realmente tento impedir que as pessoas se aproximem de mim." "Sou forte e mesmo cruel às vezes." "Quero tanto ser amado que chego a fingir ser meia dúzia de coisas." Paradoxalmente, esta aceitação de si mesmo, incluindo suas falhas, inicia a mudança. Rogers nota que quanto mais perto estivermos da congruência, mais fácil será de tomarmo-nos sadios. Se uma pessoa for capaz de admitir que é de uma certa maneira, será então capaz de considerar possíveis alternativas de comportamento. Se negar parte de si mesma, não fará qualquer esforço para mudar. A aceitação, no domínio das atitudes psicológicas por vezes ocasiona uma mudança naquilo que foi aceito. É irônico, mas verdadeiro.
À medida que o grupo continua, há uma crescente impaciência para com as defesas. O grupo parece exigir o direito de ajudar, de curar, de provocar a abertura das pessoas que parecem constrangidas e defendidas. Por vezes gentilmente, outras de forma quase que selvagem, o grupo exige que o indivíduo seja ele mesmo, isto é, que não esconda os sentimentos comuns. A expressão pessoal de alguns membros do grupo tornou evidente que é possível um encontro mais profundo e essencial, e o grupo parece procurar intuitiva e inconscientemente este objetivo.
Em qualquer troca ou encontro há feedback. O líder está sendo informado a todo instante de sua eficiência ou da falta dela. Cada membro que reage a outro pode, por sua vez, obter um feedback à sua reação. Este pode ser difícil de aceitar, mas uma pessoa, num grupo, não pode evitar facilmente o conflito com a opinião do mesmo.
Rogers chama de confrontação às formas extremas de feedback. Conforme diz, "há momentos em que o termo feedback é excessivamente moderado para descrever as interações que se processam, momentos em que é mais correto dizer que um indivíduo se confronta com outro, diretamente, em pé de igualdade. Tais confrontações podem ser positivas, porém são muitas vezes nitidamente negativas". A confrontação leva os sentimentos a uma intensidade tal que um tipo de resolução é exigida. Este é um momento perturbados e difícil para um grupo e, potencialmente, muito mais perturbador para os indivíduos envolvidos.
Parece claro que toda vez que o grupo demonstra de modo efetivo que pode aceitar e tolerar os sentimentos negativos sem rejeitar a pessoa que os expressa, os membros do grupo tomam-se mais confiantes e abertos uns com os outros. Muitas pessoas relatam suas experiências em grupos como as experiências de aceitação mais positivas e empáticas de suas vidas. A popularidade das experiências de grupo repousa tanto no calor emocional que geram como em sua capacidade de facilitar o crescimento pessoal.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Spiritual Work
JEFFREY MISHLOVE, Ph.D.: Hello and welcome. I'm Jeffrey Mishlove. Our topic today is "Spiritual Work." With me is a spiritual teacher, IsanaMada, who is author of More Than Me and also A Call to Greatness. Welcome.
ISANAMADA: Thank you, Jeffrey.
MISHLOVE: When we talk about spiritual work, it's very different than other kinds of work that we do in one sense, and in another sense it's very much like other kinds of work that we do. One of the words which seems to be central to your writings in this area is the term surrender.
ISANAMADA: Yes.
MISHLOVE: In fact you write that many, many people talk about surrender, but few people really walk that talk.
ISANAMADA: Yes, and I'll begin speaking about surrender now in this way, by letting you know that in the very early stages of my own process, my own conscious process that began in 1984, I noticed that I was beginning to ask the question, "What is surrender?" and I had never lived in that question before; I had never asked that question before. It had never been an issue for me, and all of a sudden it appeared. I saw myself and heard myself asking that question of different people, and in my own case I couldn't find anyone who could have an intelligent conversation with me, who could teach me what surrender was. I realized after a while that surrender had occurred in me sometime before that.
In fact on January 14 of 1984 I had a mystical moment at home alone on a Saturday night, after which I began to change amazingly and very fast. I began to change and my life began to change, and so anyhow I say that I was propelled out into conscious process and unfoldment of my own spiritual journey in a very fast way. And so some months later I began to ask, "What is surrender?"
But not until a long time after that did I understand, in a way that made sense to me and that I could begin to verbalize for others, what surrender is sort of about, and how it happens, and how we hold it for ourselves, and how we honor it. And I guess I can go on and talk about that, or we can come back and begin to talk first about the difficulty of the concept of surrender in a person's spiritual journey.
MISHLOVE: I suppose it's a difficult concept, because there has been a popular song out called "Never Surrender." There's this other part of the psyche that wants to be upholding things and proud and maintaining things, and surrender seems to be abhorrent to that part of us.
ISANAMADA: Yes, and of course I call that part of us the ego part of us that feels very responsible for keeping us safe and causing us to be successful, and in charge of and in control of our lives, you see. That's the part of us that is frightened, terrified of collapsing or yielding or surrending.
MISHLOVE: I know in your writings you refer very favorably to a spiritual teacher known as Da Avabhasa, and I know from his disciples and students that they describe their spiritual work as being a constant struggle with their desire to surrender and their fear.
ISANAMADA: Yes. Well, that's what I hear also from people who come to me to be supported and to gain some understanding about the process of transformation. In my own case the fear was there. I guess what I say is I was never frightened, I was never fearful, but I was terrified. But what was overriding that and overlying that constantly, always, was the surrender that had been achieved in me. And out of my own experience I say that we cannot surrender; we are totally incapable of surrendering, but what we can do is submit ourselves.
And if you remember, Joseph Campbell says the hero, the true hero, is a man of self-achieved submission. So it's like we submit ourselves to the mystery that life is, that our life is, that life itself is, with the intention that we are available for surrender to happen in us, you see -- that we consciously gesture to that.
MISHLOVE: I suppose it would be a contradiction in terms if I were to say to you, "OK, now I'm going to surrender, right now."
ISANAMADA: Yes, uh huh, because it's impossible for us to do that. And I feel that true surrender is grace, it's a blessing, it's a graceful, mysterious event that occurs for us, and it's arbitrary, it's decided in realms that we don't understand, and it's based on our own readiness for the rigors and the arduous participation of true spiritual journeying.
MISHLOVE: We earlier spoke privately about intuition, and you told me intuition is It -- into It. It seems that in a sense the way you're speaking of surrender now, it's as if surrender is also It -- that there's a relationship here.
ISANAMADA: Yes. The way I'll respond to that -- there are many ways I could come at this, but I'll just say, well, there is only It; there is only It, and we are a part of It, and we have not been experiencing ourselves as It, and what's always been up for the spiritual journeyer is an opening of us into It, and that's the whole intention, it's the whole reason for our spiritual work. So I guess the words are synonymous, as you're saying.
MISHLOVE: Intuition, surrender, and now you've used the term opening.
ISANAMADA: Yes, and I feel a little different about opening. I feel that the opening is caused in most cases by the willingness of the lower self, the ego mind, to align with the higher intention that resides in us as the higher Self. And of course that intention is the transformation, the evolution of the being, to some degree, in any given lifetime.
MISHLOVE: Now, this is interesting; this is very interesting, because here the ego plays a role. The ego is aligning itself. It's very different than the idea of just transcending the ego, or somehow getting rid of the ego.
ISANAMADA: Well, the truth is that we will not experience transformation, either by a lightning bolt from the blue or some other mysterious event in our lives, unless the ego is ready for alignment. And so much of our suffering as human beings, out of our ordinary attempts to be successful -- in relationship, in our jobs, in life itself -- is to weaken the ego's hold on our lives, through disappointment, through disillusionment, through intense psychological distress -- to weaken that ego's agenda, and to provide a reason for it to let go enough to be ready to perhaps allow something else to occur other than its own pathetic attempts to do it all itself.
MISHLOVE: So when we speak of the ego aligning itself with the higher Self, opening up to the higher Self, that is already a form of surrender, because most egos don't have that as their agenda.
ISANAMADA: Yes. The ego's agenda is to keep us safe, and to maintain the status quo against all odds, unless the status quo will change to a better status quo in its own thinking, to where it will feel even more secure by a particular change that it will choose and allow.
But in this alignment with the higher Self, it really comes out of a sense of disappointment, disillusionment, and despair that it can't do it. It's tried and tried and tried to do it, and it's willing to listen to the possibility that some other way might work, and it will then align with that and then of course become very frightened along the way, even after the higher Self has been empowered.
MISHLOVE: I spoke earlier, quoting you about Da Avabhasa, the spiritual teacher, and I recall now hearing one of his disciples speak with gratitude about how she encountered him, and she said, "He broke my heart." I gather that this is sometimes a necessary aspect of spiritual work between a teacher and a student.
ISANAMADA: Umm, yes, and I feel a little bit at a disadvantage because I don't know just in which way he broke her heart. There are different ways that that heart is broken. In my own case you probably have read that I had a very mystical experience with Da -- with really Da Free John; he may have been Master Da at that time. I think he was.
MISHLOVE: He's had many names.
ISANAMADA: Yes. But anyway, I had a most unusual, spontaneous experience that I had never had any reference for. I had never read about such a thing; I did not know that such a thing happened.
But at home alone on a Friday night, I opened a book that had been handed to me by one of my students, and I was just sitting on the floor previewing some books, and I picked up this book and I opened it and began to read, and my heart broke. I felt my heart broke, but in love.
It was a melting of my heart, and I felt myself melting into the book, and I put the book to my face and I felt I couldn't get close enough; I wanted to go into the book, like from deep inside myself. And so in that way my heart was broken by this Da guy. And then there are other ways that I have read of that the master or the guru does relate to the disciple, devotee, student in order to cause a breaking of the heart.
MISHLOVE: Of course the metaphor breaking sounds quite harsh. It's not quite like melting the hardness of the heart. And yet there is that sense of a shell, a rigidity, a hardness around our heart center, that seems to be the armoring of the ego against the possibility of spiritual surrender.
ISANAMADA: Well, I feel it's truly an armoring of the ego in a defensive way. It feels so responsible to defend itself, to defend us from all these scary things and the mean things that are in the world. It's very vulnerable. We are very vulnerable beings, and the ego is very vulnerable in this big, scary, bad world. And I feel that that's the shell, and that that's one way to talk about what the shell is. The shell is actually a wall of mind, a wall of the self-reflexive mind that the ego represents at the third level of consciousness.
MISHLOVE: Now, I'm going to need to stop you here, because when you say third level of consciousness, I don't have a reference.
ISANAMADA: All right. So the teachings that I resonated with when I was doing my research to try to understand what had happened to me, and that I have been used as a way to speak the message that I bring, is that we are beings that contain within us seven levels of consciousness, starting with the first, the level of the physical consciousness, the level at which we instinctively learned -- not learned but lived; we instinctively knew only how to survive. And then we evolved to the level of emotionality and community. And the next level of consciousness is the mental-egoic level, at which we still abide.
MISHLOVE: Civilization as a whole.
ISANAMADA: Civilization as a whole, the species as a whole, generally -- although I also point out that in this world there is such a collage of consciousness, because on every level there are all these stage-specific phases of the evolutionary process that are going on in each individual human being, and their ability to participate as that, and to express as that, you see. So it's very dangerous for us to talk in terms generally -- you know, there's so much going on as humanity in consciousness.
MISHLOVE: What you're suggesting is the ego level is the third stage of consciousness. There are four more, and when we talk about It, when we talk about our deep connection with the universe, that's what is us, that's what awaits us as we intuit or introspect into those areas.
ISANAMADA: Yes. And I want to go ahead and just talk a little bit about this third level and what's beyond it. The third level is at the level of the solar plexus, and the way I teach it, which is the way that other teachers have taught it, there's a leap to the fifth level, and that's the leap that the species generally is up to at this time -- the level of self-expression.
MISHLOVE: At the throat.
ISANAMADA: At the throat. And then above that, the brow level, this is the level of human potential and existential being. We bring ourselves into existence in truth by self-expression. Then the metaphysic level at the brow level, and then true spiritual level at the crown.
MISHLOVE: This is of course the yoga system of the chakras.
ISANAMADA: Yes, the chakra system. And then the fourth level is the level of being at which the transformation actually happens, and once all of the chakras have been opened and brought into aliveness in a human being, then that human being is operating from the heart.
MISHLOVE: The heart is really at the center.
ISANAMADA: It's the wholeness of it, yes, the center of us.
MISHLOVE: And so when you talk about the ego becoming in alignment with the higher Self, really one might translate that in this system to looking at the energies of the solar plexus aligning themselves with the energies of the heart and the throat and the third eye. That I guess is what you mean when you use the term congruence.
ISANAMADA: All right. I guess I would rather answer that or respond in this way -- that I feel that the ego level, the mental-egoic level, when the ego is willing, when it's ready to align with the higher purpose, it's really aligning with the divine impulse that is the impulse; it's It; it's that It, to get back to that, that self that needs expression. And that alignment of self then allows an energetic balancing to begin, and energetic harmony to begin to be accomplished there again by the process itself.
MISHLOVE: An energetic balancing of the energies coming through the system.
ISANAMADA: In from the cosmos, from the universe.
MISHLOVE: From It.
ISANAMADA: From It.
MISHLOVE: Because the ego, conceiving of itself as separate from It, kind of holds It at bay, locks it out.
ISANAMADA: Yes, it defends itself from -- it's the contraction away from the whole, and it does whatever it can do to maintain the closed system that it is, until it gives up enough to have an opening occur in it. And then there is the constant choosing. One of the things that I think we need to say here is that for the spiritual journeyer it's very important, no matter at what point on their path, the spiritual journeyer is constantly making the higher choice, constantly participating in that way.
MISHLOVE: Yes. Constantly, let's just say, mindful of It.
ISANAMADA: Mindful of It, and aware of this regressive pull back to the lower levels of consciousness, that irresistible drawing down that we always choose out of.
MISHLOVE: Well, you seem to be suggesting that if we look at our civilization historically, we have evolved from this lower level, from a more instinctive, a more physical level, to a more -- the path of evolution seems to be towards this spiritual awakening. And perhaps this moment in history is a time when the balance itself is changing, where the call to awakening is now perhaps stronger than the regressive pull, or at least equal.
ISANAMADA: I feel it's so much stronger. I feel it's so much stronger; and you know, recently I was speaking with someone who said, "You know, there are just so many spiritual beings who are still in the closet." And my automatic response was, "They're going to start popping out everywhere." My sense of it is that the readiness level for the new is so high that the irresistible aspect of the dynamic that is our world at this time is for newness. It's like we have done this other stuff long enough that everyone seems bored enough with it and convinced that we're more than this, and that we have proven to ourselves that this isn't working.
MISHLOVE: When you use the word "we" here, it suggests something to me -- that as awakened teachers come to the planet, that they sort of bring or pull other people around them to awakening. And yet it's also a very individual process. I wonder, can you be awakened by the mass of humanity waking up, or to what extent do you have to do it yourself?
ISANAMADA: Well, you know, I say we can't do it ourselves. What I say is that there is an awakening happening in the world. There is. It's very obvious to those people who can see it. It's undeniable. It's just rising up like a mist in a field.
MISHLOVE: And you're speaking as someone who has written very pessimistically about the state of the world at times.
ISANAMADA: Yes. Well, I say I am horrified by the world I live in, and I can't believe I live in such a world. That's how I write about the world. And at the same time I am so convinced, like out of my own feeling of what's happening in this world -- my own guidance, what I see, what I perceive -- that there is an amazement of awakening that's occurring that is at some point going to be a new paradigm, it's going to be a new world, and that everything that's going on now is a transition. It's a transition space, and we are transition beings. No matter what level of awakening we represent, we are a part of the transition being that will bridge to the new man, to the new woman, to the new human of the future. The new human, I feel, will be very unlike us.
MISHLOVE: Something much greater.
ISANAMADA: Something so much greater, yes -- in expression. We are that great, but we have only come this far. And our service at this time is to be conscious that we are transition beings, and to submit ourselves for that evolutionary process to have its way with us.
MISHLOVE: You know, I notice, as I think back to some of the teachers who were very influential to me twenty, twenty-five years ago when I was an undergraduate in college -- people like Norman O. Brown and Abraham Maslow -- they wrote eloquently about enlightenment. And people who I knew, my teachers who knew them, would say, "Yes, they saw the light." But if you look at the way they lived their lives, they didn't quite express it. But I think people of my generation, our generation, we were younger when we heard these teachings, and we were perhaps better able to integrate it, even than those masterful writers who wrote this way. And I suppose each generation is able in some sense to stand upon the attainments of previous generations.
ISANAMADA: So are you telling me that you feel that your generation lived it more than Maslow?
MISHLOVE: That's my sense.
ISANAMADA: All right, good, good.
MISHLOVE: And so by analogy I would think that future generations will be able to integrate into their lives things that I am able to see and to speak of, but perhaps not to live with the same authenticity as will be natural to them.
ISANAMADA: Yes, yes. And I feel that the younger generations, if we more mature ones, we elders, will please begin to be authentic, that the young ones will have an easier time -- that we all knew how to be how we are at some point when we were young, and we just got conditioned out of that.
MISHLOVE: IsanaMada, we're out of time, but this has been such a joyful experience, sharing with you these insights about this essential work.
ISANAMADA: Thank you. I really enjoyed it too.
MISHLOVE: Thanks so much for being with me.
ISANAMADA: Thank you. Thank you, Jeffrey.
JEFFREY MISHLOVE, Ph.D.: Hello and welcome. I'm Jeffrey Mishlove. Our topic today is "Spiritual Work." With me is a spiritual teacher, IsanaMada, who is author of More Than Me and also A Call to Greatness. Welcome.
ISANAMADA: Thank you, Jeffrey.
MISHLOVE: When we talk about spiritual work, it's very different than other kinds of work that we do in one sense, and in another sense it's very much like other kinds of work that we do. One of the words which seems to be central to your writings in this area is the term surrender.
ISANAMADA: Yes.
MISHLOVE: In fact you write that many, many people talk about surrender, but few people really walk that talk.
ISANAMADA: Yes, and I'll begin speaking about surrender now in this way, by letting you know that in the very early stages of my own process, my own conscious process that began in 1984, I noticed that I was beginning to ask the question, "What is surrender?" and I had never lived in that question before; I had never asked that question before. It had never been an issue for me, and all of a sudden it appeared. I saw myself and heard myself asking that question of different people, and in my own case I couldn't find anyone who could have an intelligent conversation with me, who could teach me what surrender was. I realized after a while that surrender had occurred in me sometime before that.
In fact on January 14 of 1984 I had a mystical moment at home alone on a Saturday night, after which I began to change amazingly and very fast. I began to change and my life began to change, and so anyhow I say that I was propelled out into conscious process and unfoldment of my own spiritual journey in a very fast way. And so some months later I began to ask, "What is surrender?"
But not until a long time after that did I understand, in a way that made sense to me and that I could begin to verbalize for others, what surrender is sort of about, and how it happens, and how we hold it for ourselves, and how we honor it. And I guess I can go on and talk about that, or we can come back and begin to talk first about the difficulty of the concept of surrender in a person's spiritual journey.
MISHLOVE: I suppose it's a difficult concept, because there has been a popular song out called "Never Surrender." There's this other part of the psyche that wants to be upholding things and proud and maintaining things, and surrender seems to be abhorrent to that part of us.
ISANAMADA: Yes, and of course I call that part of us the ego part of us that feels very responsible for keeping us safe and causing us to be successful, and in charge of and in control of our lives, you see. That's the part of us that is frightened, terrified of collapsing or yielding or surrending.
MISHLOVE: I know in your writings you refer very favorably to a spiritual teacher known as Da Avabhasa, and I know from his disciples and students that they describe their spiritual work as being a constant struggle with their desire to surrender and their fear.
ISANAMADA: Yes. Well, that's what I hear also from people who come to me to be supported and to gain some understanding about the process of transformation. In my own case the fear was there. I guess what I say is I was never frightened, I was never fearful, but I was terrified. But what was overriding that and overlying that constantly, always, was the surrender that had been achieved in me. And out of my own experience I say that we cannot surrender; we are totally incapable of surrendering, but what we can do is submit ourselves.
And if you remember, Joseph Campbell says the hero, the true hero, is a man of self-achieved submission. So it's like we submit ourselves to the mystery that life is, that our life is, that life itself is, with the intention that we are available for surrender to happen in us, you see -- that we consciously gesture to that.
MISHLOVE: I suppose it would be a contradiction in terms if I were to say to you, "OK, now I'm going to surrender, right now."
ISANAMADA: Yes, uh huh, because it's impossible for us to do that. And I feel that true surrender is grace, it's a blessing, it's a graceful, mysterious event that occurs for us, and it's arbitrary, it's decided in realms that we don't understand, and it's based on our own readiness for the rigors and the arduous participation of true spiritual journeying.
MISHLOVE: We earlier spoke privately about intuition, and you told me intuition is It -- into It. It seems that in a sense the way you're speaking of surrender now, it's as if surrender is also It -- that there's a relationship here.
ISANAMADA: Yes. The way I'll respond to that -- there are many ways I could come at this, but I'll just say, well, there is only It; there is only It, and we are a part of It, and we have not been experiencing ourselves as It, and what's always been up for the spiritual journeyer is an opening of us into It, and that's the whole intention, it's the whole reason for our spiritual work. So I guess the words are synonymous, as you're saying.
MISHLOVE: Intuition, surrender, and now you've used the term opening.
ISANAMADA: Yes, and I feel a little different about opening. I feel that the opening is caused in most cases by the willingness of the lower self, the ego mind, to align with the higher intention that resides in us as the higher Self. And of course that intention is the transformation, the evolution of the being, to some degree, in any given lifetime.
MISHLOVE: Now, this is interesting; this is very interesting, because here the ego plays a role. The ego is aligning itself. It's very different than the idea of just transcending the ego, or somehow getting rid of the ego.
ISANAMADA: Well, the truth is that we will not experience transformation, either by a lightning bolt from the blue or some other mysterious event in our lives, unless the ego is ready for alignment. And so much of our suffering as human beings, out of our ordinary attempts to be successful -- in relationship, in our jobs, in life itself -- is to weaken the ego's hold on our lives, through disappointment, through disillusionment, through intense psychological distress -- to weaken that ego's agenda, and to provide a reason for it to let go enough to be ready to perhaps allow something else to occur other than its own pathetic attempts to do it all itself.
MISHLOVE: So when we speak of the ego aligning itself with the higher Self, opening up to the higher Self, that is already a form of surrender, because most egos don't have that as their agenda.
ISANAMADA: Yes. The ego's agenda is to keep us safe, and to maintain the status quo against all odds, unless the status quo will change to a better status quo in its own thinking, to where it will feel even more secure by a particular change that it will choose and allow.
But in this alignment with the higher Self, it really comes out of a sense of disappointment, disillusionment, and despair that it can't do it. It's tried and tried and tried to do it, and it's willing to listen to the possibility that some other way might work, and it will then align with that and then of course become very frightened along the way, even after the higher Self has been empowered.
MISHLOVE: I spoke earlier, quoting you about Da Avabhasa, the spiritual teacher, and I recall now hearing one of his disciples speak with gratitude about how she encountered him, and she said, "He broke my heart." I gather that this is sometimes a necessary aspect of spiritual work between a teacher and a student.
ISANAMADA: Umm, yes, and I feel a little bit at a disadvantage because I don't know just in which way he broke her heart. There are different ways that that heart is broken. In my own case you probably have read that I had a very mystical experience with Da -- with really Da Free John; he may have been Master Da at that time. I think he was.
MISHLOVE: He's had many names.
ISANAMADA: Yes. But anyway, I had a most unusual, spontaneous experience that I had never had any reference for. I had never read about such a thing; I did not know that such a thing happened.
But at home alone on a Friday night, I opened a book that had been handed to me by one of my students, and I was just sitting on the floor previewing some books, and I picked up this book and I opened it and began to read, and my heart broke. I felt my heart broke, but in love.
It was a melting of my heart, and I felt myself melting into the book, and I put the book to my face and I felt I couldn't get close enough; I wanted to go into the book, like from deep inside myself. And so in that way my heart was broken by this Da guy. And then there are other ways that I have read of that the master or the guru does relate to the disciple, devotee, student in order to cause a breaking of the heart.
MISHLOVE: Of course the metaphor breaking sounds quite harsh. It's not quite like melting the hardness of the heart. And yet there is that sense of a shell, a rigidity, a hardness around our heart center, that seems to be the armoring of the ego against the possibility of spiritual surrender.
ISANAMADA: Well, I feel it's truly an armoring of the ego in a defensive way. It feels so responsible to defend itself, to defend us from all these scary things and the mean things that are in the world. It's very vulnerable. We are very vulnerable beings, and the ego is very vulnerable in this big, scary, bad world. And I feel that that's the shell, and that that's one way to talk about what the shell is. The shell is actually a wall of mind, a wall of the self-reflexive mind that the ego represents at the third level of consciousness.
MISHLOVE: Now, I'm going to need to stop you here, because when you say third level of consciousness, I don't have a reference.
ISANAMADA: All right. So the teachings that I resonated with when I was doing my research to try to understand what had happened to me, and that I have been used as a way to speak the message that I bring, is that we are beings that contain within us seven levels of consciousness, starting with the first, the level of the physical consciousness, the level at which we instinctively learned -- not learned but lived; we instinctively knew only how to survive. And then we evolved to the level of emotionality and community. And the next level of consciousness is the mental-egoic level, at which we still abide.
MISHLOVE: Civilization as a whole.
ISANAMADA: Civilization as a whole, the species as a whole, generally -- although I also point out that in this world there is such a collage of consciousness, because on every level there are all these stage-specific phases of the evolutionary process that are going on in each individual human being, and their ability to participate as that, and to express as that, you see. So it's very dangerous for us to talk in terms generally -- you know, there's so much going on as humanity in consciousness.
MISHLOVE: What you're suggesting is the ego level is the third stage of consciousness. There are four more, and when we talk about It, when we talk about our deep connection with the universe, that's what is us, that's what awaits us as we intuit or introspect into those areas.
ISANAMADA: Yes. And I want to go ahead and just talk a little bit about this third level and what's beyond it. The third level is at the level of the solar plexus, and the way I teach it, which is the way that other teachers have taught it, there's a leap to the fifth level, and that's the leap that the species generally is up to at this time -- the level of self-expression.
MISHLOVE: At the throat.
ISANAMADA: At the throat. And then above that, the brow level, this is the level of human potential and existential being. We bring ourselves into existence in truth by self-expression. Then the metaphysic level at the brow level, and then true spiritual level at the crown.
MISHLOVE: This is of course the yoga system of the chakras.
ISANAMADA: Yes, the chakra system. And then the fourth level is the level of being at which the transformation actually happens, and once all of the chakras have been opened and brought into aliveness in a human being, then that human being is operating from the heart.
MISHLOVE: The heart is really at the center.
ISANAMADA: It's the wholeness of it, yes, the center of us.
MISHLOVE: And so when you talk about the ego becoming in alignment with the higher Self, really one might translate that in this system to looking at the energies of the solar plexus aligning themselves with the energies of the heart and the throat and the third eye. That I guess is what you mean when you use the term congruence.
ISANAMADA: All right. I guess I would rather answer that or respond in this way -- that I feel that the ego level, the mental-egoic level, when the ego is willing, when it's ready to align with the higher purpose, it's really aligning with the divine impulse that is the impulse; it's It; it's that It, to get back to that, that self that needs expression. And that alignment of self then allows an energetic balancing to begin, and energetic harmony to begin to be accomplished there again by the process itself.
MISHLOVE: An energetic balancing of the energies coming through the system.
ISANAMADA: In from the cosmos, from the universe.
MISHLOVE: From It.
ISANAMADA: From It.
MISHLOVE: Because the ego, conceiving of itself as separate from It, kind of holds It at bay, locks it out.
ISANAMADA: Yes, it defends itself from -- it's the contraction away from the whole, and it does whatever it can do to maintain the closed system that it is, until it gives up enough to have an opening occur in it. And then there is the constant choosing. One of the things that I think we need to say here is that for the spiritual journeyer it's very important, no matter at what point on their path, the spiritual journeyer is constantly making the higher choice, constantly participating in that way.
MISHLOVE: Yes. Constantly, let's just say, mindful of It.
ISANAMADA: Mindful of It, and aware of this regressive pull back to the lower levels of consciousness, that irresistible drawing down that we always choose out of.
MISHLOVE: Well, you seem to be suggesting that if we look at our civilization historically, we have evolved from this lower level, from a more instinctive, a more physical level, to a more -- the path of evolution seems to be towards this spiritual awakening. And perhaps this moment in history is a time when the balance itself is changing, where the call to awakening is now perhaps stronger than the regressive pull, or at least equal.
ISANAMADA: I feel it's so much stronger. I feel it's so much stronger; and you know, recently I was speaking with someone who said, "You know, there are just so many spiritual beings who are still in the closet." And my automatic response was, "They're going to start popping out everywhere." My sense of it is that the readiness level for the new is so high that the irresistible aspect of the dynamic that is our world at this time is for newness. It's like we have done this other stuff long enough that everyone seems bored enough with it and convinced that we're more than this, and that we have proven to ourselves that this isn't working.
MISHLOVE: When you use the word "we" here, it suggests something to me -- that as awakened teachers come to the planet, that they sort of bring or pull other people around them to awakening. And yet it's also a very individual process. I wonder, can you be awakened by the mass of humanity waking up, or to what extent do you have to do it yourself?
ISANAMADA: Well, you know, I say we can't do it ourselves. What I say is that there is an awakening happening in the world. There is. It's very obvious to those people who can see it. It's undeniable. It's just rising up like a mist in a field.
MISHLOVE: And you're speaking as someone who has written very pessimistically about the state of the world at times.
ISANAMADA: Yes. Well, I say I am horrified by the world I live in, and I can't believe I live in such a world. That's how I write about the world. And at the same time I am so convinced, like out of my own feeling of what's happening in this world -- my own guidance, what I see, what I perceive -- that there is an amazement of awakening that's occurring that is at some point going to be a new paradigm, it's going to be a new world, and that everything that's going on now is a transition. It's a transition space, and we are transition beings. No matter what level of awakening we represent, we are a part of the transition being that will bridge to the new man, to the new woman, to the new human of the future. The new human, I feel, will be very unlike us.
MISHLOVE: Something much greater.
ISANAMADA: Something so much greater, yes -- in expression. We are that great, but we have only come this far. And our service at this time is to be conscious that we are transition beings, and to submit ourselves for that evolutionary process to have its way with us.
MISHLOVE: You know, I notice, as I think back to some of the teachers who were very influential to me twenty, twenty-five years ago when I was an undergraduate in college -- people like Norman O. Brown and Abraham Maslow -- they wrote eloquently about enlightenment. And people who I knew, my teachers who knew them, would say, "Yes, they saw the light." But if you look at the way they lived their lives, they didn't quite express it. But I think people of my generation, our generation, we were younger when we heard these teachings, and we were perhaps better able to integrate it, even than those masterful writers who wrote this way. And I suppose each generation is able in some sense to stand upon the attainments of previous generations.
ISANAMADA: So are you telling me that you feel that your generation lived it more than Maslow?
MISHLOVE: That's my sense.
ISANAMADA: All right, good, good.
MISHLOVE: And so by analogy I would think that future generations will be able to integrate into their lives things that I am able to see and to speak of, but perhaps not to live with the same authenticity as will be natural to them.
ISANAMADA: Yes, yes. And I feel that the younger generations, if we more mature ones, we elders, will please begin to be authentic, that the young ones will have an easier time -- that we all knew how to be how we are at some point when we were young, and we just got conditioned out of that.
MISHLOVE: IsanaMada, we're out of time, but this has been such a joyful experience, sharing with you these insights about this essential work.
ISANAMADA: Thank you. I really enjoyed it too.
MISHLOVE: Thanks so much for being with me.
ISANAMADA: Thank you. Thank you, Jeffrey.
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