Uma premissa fundamental da teoria de Carl Rogers é o pressuposto de que as pessoas usam sua experiência para se definir. Em seu principal trabalho teórico de 1959, Rogers define uma série de conceitos a partir dos quais delineia teorias da personalidade e modelos de terapia, mudança da personalidade e relações interpessoais. Os construtos básicos aqui apresentados estabelecem uma estrutura através da qual as pessoas podem construir e modificar suas opiniões a respeito de si mesmas.
O Conhecimento
O conhecimento objetivo é uma forma de testar hipóteses, especulações e conjecturas em relação a sistemas de referência externos. Em Psicologia, os pontos de referência podem incluir observações do comportamento, resultados de testes, questionários ou julgamentos de outros psicólogos.
A utilização dos colegas baseia-se na idéia de que se pode confiar nas pessoas treinadas em uma determinada disciplina para aplicar os mesmos métodos de julgamento a um dado evento. A opinião de um especialista pode ser objetiva mas também pode ser uma percepção coletiva errônea. Qualquer grupo de especialistas pode mostrar-se rígido e defender-se quando se lhes pede para considerar dados que contradizem aspectos axiomáticos de sua própria formação. Rogers observa que teólogos comunistas dialéticos e psicanalistas exemplificam esta tendência. Rogers é o único a questionar a validade do conhecimento objetivo, em especial na tentativa de compreender a experiência de uma outra pessoa.
A terceira forma de conhecimento é o conhecimento inter-pessoal ou conhecimento fenomenológico, que é a essência da terapia centrada no cliente. É a prática da compreensão empática. Penetrar no mundo subjetivo particular do outro para ver se nossa compreensão da opinião dele é correta, não apenas para ver se é objetivamente correta ou se concorda com o nosso próprio ponto de vista, mas se é correta no sentido de compreender a experiência do outro como ele a experiência. Esta compreensão empática é testada pela resposta àquilo que se entendeu, perguntando-se ao outro se foi ouvido corretamente. "Você está se sentindo deprimido esta manhã?", "Parece-me que você está contando ao grupo que seu choro é um pedido de ajuda", "Aposto que você está muito cansado para concluir isto agora".
O Campo da Experiência
Há um campo de experiência único para cada indivíduo. Este campo de experiência ou "campo fenomenal" contém tudo o que se passa no organismo em qualquer momento, e que está potencialmente disponível à consciência. Inclui eventos, percepções, sensações e impactos dos quais a pessoa não toma consciência, mas poderia tomar se focalizasse a atenção nesses estímulos. É um mundo privativo e pessoal que pode ou não corresponder à realidade objetiva.
De início a atenção é colocada naquilo que a pessoa experimenta como seu mundo, não na realidade comum. O campo de experiência é limitado por restrições psicológicas e limitações biológicas. Temos tendência a dirigir nossa atenção para perigos imediatos, assim como para experiências seguras ou agradáveis, ao invés de aceitar todos os estímulos que nos rodeiam.
Self
Dentro do campo de experiência está o Self. O Self não é uma entidade estável, imutável, entretanto, observado num dado momento, parece ser estável. Isto se dá porque congelamos uma secção da experiência a fim de observá-la. Rogers concluiu que a idéia do eu não representa uma acumulação de inumeráveis aprendizagens e condicionamentos efetuados na mesma direção.... Essencialmente é uma gestalt cuja significação vivida é suscetível de mudar sensivelmente (e até mesmo sofrer uma reviravolta) em conseqüência da mudança de qualquer destes elementos. O Self é uma gestalt organizada e consistente num processo constante de formar-se e reformar-se à medida que as situações mudam.
Assim como uma fotografia é uma "parada" de algo que está mudando, da mesma forma o Self não é nenhuma das "fotografias" que tiramos dele, mas o processo fluido subjacente. Outros teóricos usam o termo Self para designar aquela faceta da identidade pessoal que é imutável, estável ou mesmo eterna.
Rogers usa o termo para se referir ao contínuo processo de reconhecimento. É esta diferença, esta ênfase na mudança e na flexibilidade, que fundamenta sua teoria e sua crença de que as pessoas são capazes de crescimento, mudança e desenvolvimento pessoal. O Self ou auto-conceito é a visão que uma pessoa tem de si própria, baseada em experiências passadas, estimulações presentes e expectativas futuras.
Self Ideal
Self Ideal é o conjunto das características que o indivíduo mais gostaria de poder reclamar como descritivas de si mesmo. Assim como o Self, ele é uma estrutura móvel e variável, que passa por redefinição constante. A extensão da diferença entre o Self e o Self Ideal é um indicador de desconforto, insatisfação e dificuldades neuróticas. Aceitar-se como se é na realidade, e não como se quer ser, é um sinal de saúde mental. Aceitar-se não é resignar-se ou abdicar de si mesmo. É uma forma de estar mais perto da realidade e de seu estado atual. A imagem do Self Ideal, na medida em que se diferencia de modo claro do comportamento e dos valores reais de uma pessoa é um obstáculo ao crescimento pessoal.
Um trecho da história de um caso pode esclarecê-lo. Um estudante estava planejando desligar-se da faculdade. Havia sido o melhor aluno no ginásio e o primeiro no colegial e estava indo muito bem na faculdade. Estava desistindo, explicava, porque havia recebido um "C" num curso. Sua imagem de ter sido sempre o melhor estava em perigo. A única seqüência de ações que ele vislumbrava era escapar, deixar o mundo acadêmico, rejeitar a discrepância entre seu desempenho atual e sua visão ideal de si próprio. Disse que iria trabalhar para ser o "melhor" de alguma outra forma.
Para proteger sua auto-imagem ideal ele desejava cortar pela raiz sua carreira acadêmica. Ele deixou a escola, viajou pelo mundo e, por vários anos, teve uma grande quantidade de empregos originais. Quando foi visto novamente era capaz de discutir a possibilidade de que talvez não fosse necessário ser o melhor desde o começo, mas tinha ainda grandes dificuldades em explorar qualquer atividade na qual pudesse experimentar fracasso.
Congruência e Incongruência
Congruência é definida como o grau de exatidão entre a experiência da comunicação e a tomada de consciência. Ela se relaciona às discrepâncias entre experienciar e tomar consciência. Um alto grau da congruência significa que a comunicação (o que se está expressando), a experiência (o que está ocorrendo em nosso campo) e a tomada de consciência (o que se está percebendo) são todas semelhantes. Nossas observações e as de um observador externo seriam consistentes.
Crianças pequenas exibem alta congruência. Expressam seus sentimentos logo que seja possível com o seu ser total. Quando uma criança tem fome ela toda está com fome, neste exato momento! Quando uma criança sente amor ou raiva, ela expressa plenamente essas emoções. Isto pode justificar a rapidez com que a criança substitui um estado emocional por outro. A expressão total de seus sentimentos permite que elas liquidem a bagagem emocional que não foi expressa em experiências anteriores. A congruência é bem descrita por um Zen-budista ao dizer: "Quando tenho fome, como; quando estou cansado, sento-me; quando estou com sono, durmo".
A incongruência ocorre quando há diferenças entre a tomada de consciência, a experiência e a comunicação desta. As pessoas que parecem estar com raiva (punhos cerrados, tom de voz elevado, praguejando) e que replicam que de forma alguma estão com raiva, se interpeladas, ou as pessoas que dizem estar passando por um período maravilhoso mas que se mostram entediadas, isoladas ou facilmente doentes, estão revelando incongruência. É definida não só como inabilidade de perceber com precisão mas também como inabilidade ou incapacidade de comunicação precisa. Quando a incongruência está entre a tomada de consciência e a experiência, é chamada repressão. A pessoa simplesmente não tem consciência do que está fazendo. A maioria das psicoterapias trabalha sobre este sintoma de incongruência ajudando as pessoas a se tomarem mais conscientes de suas ações, pensamentos e atitudes na medida em que estes as afetam e aos outros.
Quando a incongruência é uma discrepância entre a tomada de consciência e a comunicação a pessoa não expressa o que está realmente sentindo, pensando ou experienciando. Este tipo de incongruência é muitas vezes percebido como mentiroso, inautêntico ou desonesto. Muitas vezes esses comportamentos tomam-se foco de discussões em terapias de grupo ou em grupos de encontro. Embora tais comportamentos pareçam ser realizados com malícia, terapeutas e treinadores relatam que a ausência de congruência social, aparente falta de boa vontade em comunicar-se, é com freqüência, uma falta de autocontrole e consciência pessoal. A pessoa não é capaz de expressar suas emoções e percepções reais em virtude do medo e de velhos hábitos de encobrimento que são difíceis de superar. Por outro lado, é possível que a pessoa tenha dificuldade em compreender o que os outros esperam dela.
A incongruência pode ser sentida como tensão, ansiedade ou, em circunstâncias mais extremas, como confusão interna. Um paciente internado em hospital psiquiátrico que declara não saber onde está, em que hospital, qual a hora do dia, ou mesmo quem ele é, está exibindo alto grau de incongruência. A discrepância entre a realidade externa e aquilo que ele está subjetivamente experienciando tomou-se tão grande que ele não é capaz de atuar. A maioria dos sintomas descritos na Literatura psiquiátrica podem ser vistos como formas de incongruência. Para Rogers, a forma particular de distúrbio é menos crítica do que o reconhecimento de que há uma incongruência que exige uma solução.
A incongruência é visível em observações como, por exemplo, "não sou capaz de tomar decisões", "não sei o que quero", "nunca serei capaz de persistir em algo", A confusão aparece quando você não é capaz de escolher dentre os diferentes estímulos aos quais se acha exposto. Considere o caso de um cliente que relata: "Minha mãe pede-me que cuide dela, é o mínimo que posso fazer. Minha namorada recomenda que eu me mantenha firme para não ser puxado de todo lado. Penso que sou muito bom para minha mãe, mais do que ela merece. Às vezes a odeio, às vezes a amo. Às vezes é bom estar com ela, às vezes ela me diminui."
O cliente está assediado por estímulos diferentes. Cada um deles é válido e conduz a ações válidas por algum tempo. É difícil diferenciar, dentre estes estímulos, aqueles que são genuínos daqueles que são impostos. 0 problema pode estar em reconhecê-los como diferentes e ser capaz de trabalhar sobre sentimentos diferentes em momentos diferentes. A ambivalência não é Iara ou anormal; não ser capaz de reconhecê-la ou enfrentá-la pode ser uma causa de ansiedade.
Tendência à Auto-Atualização
Há um aspecto básico da natureza humana que leva uma pessoa em direção a uma maior congruência e a um funcionamento realista. Além disso, este impulso não é limitado aos seres humanos; é parte do processo de todas as coisas vivas. É este impulso que é evidente em toda vida humana e orgânica, expandir-se, estender-se, tornar-se autônomo, desenvolver-se, amadurecer a tendência a expressar e ativar todas as capacidades do organismo na medida em que tal ativação valoriza o organismo ou o Self.
Rogers sugere que em cada um de nós há um impulso inerente em direção a sermos competentes e capazes quanto o que estamos aptos a ser biologicamente. Assim como uma planta tenta tornar-se saudável, como uma semente contém dentro de si impulso para se tomar uma árvore, também uma pessoa é impelida a se tomar uma pessoa total, completa e auto-atualizada.
O impulso em direção à saúde não é uma força esmagadora que super., obstáculos ao longo da vida; pelo contrário, é facilmente embotado, distorcido e reprimido. Rogers o vê como a força motivadora dominante numa pessoa que está funcionando de modo livre, não paralisada por eventos passados ou por crenças correntes que mantinham a incongruência. Maslow chegou a conclusões semelhantes; chamava esta tendência de uma voz interna e fraca que é facilmente abafada. A suposição de que o crescimento é possível e central para o projeto do organismo é crucial para o restante do pensamento de Rogers.
Para Rogers, a tendência à auto-atualização não é simplesmente mais um motivo. É importante observar que esta tendência atualizante é o postulado fundamental da teoria rogeriana.
Crescimento Psicológico
As forças positivas em direção à saúde e ao crescimento são naturais e inerentes ao organismo. Baseado em sua própria experiência clínica, Rogers conclui que os indivíduos têm a capacidade de experienciar e de se tomarem conscientes de seus desajustamentos. Isto é, você pode experienciar as incoerências entre seu auto-conceito e suas experiências reais. Esta capacidade que reside em nós é associada a uma tendência subjacente à modificação do auto-conceito, no sentido de estar realmente de acordo com a realidade. Rogers postula, portanto, um movimento natural para a resolução e distante do conflito. Vê o ajustamento não como um estado estático, mas como um processo no qual novas aprendizagens e novas experiências são cuidadosamente assimiladas.
Rogers está convencido de que estas tendências em direção à saúde são facilitadas por qualquer relação interpessoal na qual um dos membros esteja livre o bastante da incongruência para estar em contato com seu próprio centro de auto-correção. A maior tarefa da terapia é estabelecer tal relacionamento genuíno. Aceitar-se a si mesmo é um pré-requisito para uma aceitação mais fácil e genuína dos outros. Em compensação, ser aceito por outro conduz a uma vontade cada vez maior de aceitar-se a si próprio. Este ciclo de auto-correção e auto-incentivo é a forma principal pela qual se minimiza ns obstáculos ao crescimento psicológico.
Obstáculos ao Crescimento
Rogers sugere que os obstáculos aparecem na infância e são aspectos normais do desenvolvimento. O que a criança aprende em um estágio como benéfico deve ser reavaliado nos estágios posteriores: Motivos que predominam na primeira infância mais tarde podem inibir o desenvolvimento da personalidade.
Quando a criança começa a tomar consciência do Self, desenvolve uma necessidade de amor ou de consideração positiva. Esta necessidade é universal, considerando-se que ela existe em todo ser humano e que se faz sentir de uma maneira contínua e penetrante. A teoria não se preocupa em saber se é uma necessidade inata ou adquirida. Uma vez que as crianças não separam suas ações de seu ser total, reagem à aprovação de uma ação como se fosse aprovação de si mesmas. Da mesma forma, reagem à punição de um ato como se estivessem sendo desaprovadas em geral.
O amor é tão importante para a criança que ela acaba por ser guiada, não pelo caráter agradável ou desagradável de suas experiências e comportamentos, mas pela promessa de afeição que elas encerram. A criança começa a agir da forma que lhe garante amor ou aprovação, sejam os comportamentos saudáveis ou não para ela. As crianças podem agir contra seu próprio interesse, chegando a se perceber em termos destinados, a princípio, a agradar ou apaziguar os outros. Teoricamente esta situação poderia não se desenvolver se a criança sempre se sentisse aceita e houvesse aprovação dos sentimentos mesmo que alguns comportamentos fossem inibidos. Em tal situação ideal a criança nunca seria pressionada a se despojar ou repudiar partes não atraentes mas autênticas de sua personalidade.
Comportamentos ou atitudes que negam algum aspecto do Self são chamados de condições de valor. Quando uma experiência relativa ao eu é procurada ou evitada unicamente porque é percebida como mais ou menos digna de consideração de si, diz Rogers que o indivíduo adquiriu um modo de avaliação condicional. Condições de valor são os obstáculos básicos à exatidão da percepção e à tomada de consciência realista.
Há vendas e filtros seletivos destinados a assegurar um suprimento interminável de amor da parte dos parentes e dos outros. Acumulamos certas condições, atitudes ou ações cujo cumprimento sentimos necessário para permanecermos dignos. Na medida em que essas atitudes e ações são idealizadas, elas constituem áreas de incongruência pessoal. De forma extrema, as condições de valor são caracterizadas pela crença de que "preciso ser respeitado ou amado por todos aqueles com quem estabeleço contato".
As condições de valor criam uma discrepância entre o Self e o auto-conceito. Para mantermos uma condição de valor temos que negar determinados aspectos de nós mesmos. Por exemplo, se falaram "Você deve amar seu irmãozinho recém-nascido, senão mamãe não gosta mais de você", a mensagem é a de que você deve negar ou reprimir seus sentimentos negativos genuínos em relação a ele. Se você conseguir esconder sua vontade maldosa, seu desejo de machucá-lo e seu ciúme normal, sua mãe continuará a amá-lo. Se a pessoa admitir que tem tais sentimentos, se arriscará a perder o amor. Uma solução que cria uma condição de valor é rejeitar tais sentimentos sempre que ocorram, bloqueando-os de sua consciência. Agora a pessoa pode reagir de formas tais como: "Eu realmente amo meu irmãozinho, apesar das vezes em que o abraço tanto até ele gritar" ou, "Meu pé escorregou sob o seu, eis porque ele tropeçou".
Posso ainda lembrar-me da enorme alegria demonstrada por meu irmão mais velho quando lhe foi dada uma oportunidade de bater em mim por algo que fiz. Minha mãe, meu irmão e eu ficamos todos assustados com sua violência. Ao recordar o incidente, meu irmão lembrou-se de que ele não estava especialmente bravo comigo, mas que havia compreendido que aquela era uma rara ocasião e queria descarregar toda a maldade possível enquanto tinha permissão. Admitir tais sentimentos e permitir-lhes alguma expressão e, quando ocorrem é mais saudável, segundo Rogers, do que rejeitá-los ou aliená-los.
Quando a criança amadurece, o problema persiste. O crescimento é impedido na medida em que a pessoa nega impulsos diferentes do auto-conceito artificialmente "bom". Para sustentar a falsa auto-imagem a pessoa continua a distorcer experiências, quanto maior a distorção maior a probabilidade de erros e da criação de novos problemas. Os comportamentos, os erros e a confusão que resultam dão manifestações de distorções iniciais mais fundamentais. E a situação realimenta-se a si mesma. Cada experiência de incongruência entre o Self e a realidade aumenta a vulnerabilidade, a qual, por sua vez, ocasiona o aumento de defesas, interceptando experiências e criando novas ocasiões de incongruência.
Por vezes as manobras defensivas não funcionam. A pessoa toma consciência das discrepâncias óbvias entre os comportamentos e as crenças. Os resultados podem ser pânico, ansiedade crônica, retraimento ou mesmo uma psicose. Rogers observou que o comportamento psicótico parece ser muitas vezes a representação externa de um aspecto anteriormente negado da experiência.
Em 1974 Perry corrobora essa idéia, apresentando evidência de que o episódio psicótico é uma tentativa desesperada da personalidade de se reequilibrar e permitir a realização de necessidades e experiências internas frustradas. A terapia centrada no cliente esforça-se por estabelecer uma atmosfera na qual condições de valor prejudiciais possam ser postas de lado, permitindo, portanto, que as forças saudáveis de uma pessoa retomem sua dominância original. Uma pessoa recupera a saúde reivindicando suas partes reprimidas ou negadas.
O Corpo
Embora Rogers defina a personalidade e a identidade como uma gestalt contínua, não dá ao papel do corpo uma atenção especial. Mesmo no seu trabalho com encontros ele não promove ou facilita o contato físico nem trabalha diretamente com gestos físicos. Como Rogers mesmo assinala, "a minha formação não é das que me tornem especialmente liberto a esse respeito". Sua teoria é baseada na tomada de consciência da experiência. Ela não seleciona a experiência física como diferente em espécie ou valor das experiências emocionais, cognitivas ou intuitivas.
Relacionamento Social
O valor dos relacionamentos é de interesse central nas obras de Rogers. Os relacionamentos mais precoces podem ser congruentes ou podem servir como foco de condições de valor. Relações posteriores são capazes de restaurar a congruência ou retardá-la.
Rogers acredita que a interação com o outro capacita um indivíduo a descobrir, encobrir, experienciar ou encontrar seu Self real de forma direta. Nossa personalidade torna-se visível a nós através do relacionamento com os outros. Na terapia, em situações de encontro e em interações cotidianas, o feedback dos outros oferece às pessoas oportunidade de experienciarem a si mesmas. Se pensamos em pessoas que não têm relacionamentos, imaginamos dois estereótipos contrastantes. O primeiro é o do ermitão relutante, inábil para lidar com outros. O segundo é o contemplativo que se retirou do mundo para cumprir outras tarefas.
Nenhuma dessas imagens atrai Rogers. Para ele, os relacionamentos oferecem a melhor oportunidade para estar "funcionando por inteiro", para estar em harmonia consigo mesmo, com os outros e com o meio ambiente. Através dos relacionamentos, as necessidades organísmicas básicas do indivíduo podem ser satisfeitas. A esperança desta satisfação faz com que as pessoas invistam uma quantidade de energia incrível em relacionamentos, até mesmo naqueles que não parecem ser saudáveis ou satisfatórios.
O Casamento
O casamento é um relacionamento não usual. É potencialmente de longo prazo, intensivo, e carrega dentro de si a possibilidade de manutenção do crescimento e do desenvolvimento. Rogers acredita que o casamento siga as mesmas leis gerais que mantém a verdade dos grupos de encontro, da terapia ou de outros relacionamentos. Os melhores casamentos ocorrem com parceiros que são congruentes consigo mesmos, que têm poucas condições de valor como empecilho e que são capazes de genuína aceitação dos outros. Quando o casamento é usado para manter uma incongruência ou para reforçar tendências defensivas existentes, é menos satisfatório e é menos provável que se mantenha.
As conclusões de Rogers sobre qualquer relação íntima a longo prazo, tal como o casamento, são focalizadas sobre quatro elementos básicos: compromisso contínuo, expressão de sentimentos, não-aceitação de papéis específicos e capacidade de compartilhar a vida íntima. Ele resume cada elemento como uma promessa, um acordo sobre o ideal de um relacionamento contínuo, benéfico e significativo.
1. Dedicação e compromisso.
Cada membro de um casamento deveria ver a união como um processo contínuo e não como um contrato. O trabalho feito visa tanto a satisfação pessoal como a satisfação mútua. Uma relação é trabalho; é um trabalho tendo em vista objetivos separados ou comuns. Rogers sugere que este compromisso seja expresso da seguinte maneira: "Nós dois nos comprometemos a cultivar juntos o processo mutável de nosso atual relacionamento, porque este relacionamento está enriquecendo nosso amor e a nossa vida e nós queremos que ele cresça".
2. Comunicação; expressão de sentimentos
Rogers insiste na comunicação total e aberta. "Arriscar-me-ei tentando comunicar qualquer sentimento persistente, positivo ou negativo, ao meu companheiro, com a mesma profundidade com que o percebo em mim, como uma parte presente e viva em mim. Em seguida, arriscar-me-ei ainda mais tentando compreender, com toda a empatia de que eu for capaz, a sua resposta, seja acusativa e crítica, seja compartilhante e auto-reveladora". A comunicação tem duas fases igualmente importantes: a primeira é expressar a emoção. A segunda é permanecer aberto e experienciar a resposta do outro.
Rogers não defenda simplesmente o colocar para fora os sentimentos Ele sugere que devemos nos comprometer tanto com os efeitos que nossos sentimentos causam em nosso parceiro quanto com a expressão original dos sentimentos em si mesmos.
Isto é muito mais difícil do que simplesmente "desabafar" ou "ser aberto e honesto". É a disposição de aceitar os riscos reais envolvidos: rejeição, desentendimento, sentimentos feridos e retribuição. A crença de Rogers na necessidade de instituir e manter este nível de troca contrapõe-se a posições que advogam o ser polido, diplomático, o contornar questões perturbadoras ou o não mencionar interesses emocionais que aparecem.
3. Não-aceitação de papéis
Numerosos problemas desenvolvem-se na medida em que tentamos satisfazer as expectativas do outro, ao invés de determinarmos as nossas próprias. Rogers dizia que "Viveremos de acordo com as nossas opções, com a sensibilidade orgânica mais profunda de que somos capazes, mas não seremos afeiçoados pelos desejos, pelas regras e pelos papéis que os outros insistem em impor-nos". Ele relata que muitos casais sofrem graves tensões na tentativa de fazer sobreviver sua aceitação parcial e ambivalente das imagens que seus pais e a sociedade impuseram a eles. Um casamento efetuado com tal quantidade de expectativas e imagens irreais é inerentemente instável. e potencialmente pouco : recompensador.
4. Tomar-se um Self separado
Este compromisso é uma profunda tentativa de descobrir e aceitar a natureza total da pessoa. É o mais desafiador dos compromissos, é dedicar-se à remoção das máscaras tão logo elas se formem. "Eu talvez possa descobrir mais do que sou realmente em meu íntimo e chegar mais perto disso sentindo-me, às vezes, encolerizado ou aterrado, às vezes amante e solícito, de vez em quando belo e forte ou desordenado e medonho, sem esconder de mim mesmo esses sentimentos. Eu talvez possa estimar-me como a pessoa ricamente variada que sou. Talvez possa ser espontaneamente mais essa pessoa. Nesse caso, poderei viver de acordo com os meus próprios valores experimentados, conquanto tenha consciência de todos os códigos da sociedade. Nesse caso, poderei ser toda esta complexidade de sentimentos, significados e valores com meu companheiro suficientemente livre para dar o amor, a raiva e a ternura que existem em mim. É possível, então, que eu venha a ser um participante real de uma união, porque estou em vias de ser uma pessoa real. E espero poder incentivar meu companheiro a seguir o seu caminho na direção de uma personalidade única, que eu gostaria imensamente de partilhar".
Emoções
O indivíduo saudável toma consciência de suas emoções, sejam ou não expressas. Sentimentos negados à consciência distorcem a percepção e a reação às experiências que os desencadearam.
Um caso específico é sentir ansiedade sem tomar conhecimento da causa. A ansiedade aparece quando uma experiência que ocorreu, se admitida na consciência, poderia ameaçar a auto-imagem. A reação inconsciente a estas subcepções alerta o organismo para possíveis perigos e acarreta mudanças psicofisiológicas. Estas reações defensivas são uma forma do organismo manter crenças e comportamentos incongruentes. Uma pessoa pode agir com base nestas subcepções sem tomar consciência do por quê está agindo assim. Por exemplo, um homem pode sentir-se desconfortável ao ver homossexuais declarados. A informação que tem de si mesmo incluiria o desconforto, mas não mencionaria sua causa. Ele não poderia admitir seu próprio interesse, sua identidade sexual não resolvida, ou talvez as expectativas e medos que tem a respeito de sua própria sexualidade. Distorcendo suas percepções ele pode, em compensação, reagir com hostilidade aberta a homossexuais, tratando-os como uma eterna ameaça ao invés de admitir seu conflito interno.
Intelecto
Rogers não segrega o intelecto de outras funções. Ele valoriza-o como um tipo de instrumento que pode ser usado de modo efetivo na integração de experiências. Mostra-se cético em relação a sistemas educacionais que dão ênfase exagerada a desempenhos intelectuais e desvalorizam os aspectos intuitivos e emocionais do funcionamento total.
Em particular, Rogers pensa que cursos de graduação em campos diversos são exigentes, pouco significativos e desanimadores. A pressão para a produção de trabalhos limitados e pouco originais, associada aos papéis passivos e dependentes atribuídos aos estudantes de graduação, na realidade sufocam ou retardam suas capacidades criativas e produtivas. Cita a queixa de um estudante: "Essa coerção teve sobre mim um efeito tão desencorajador, que, depois que fiz o exame final, a consideração de qualquer problema me repugnava, durante um ano inteiro".
Se o intelecto, como outras funções, ao operar de forma livre, tende a dirigir o organismo à tomada de consciência mais congruente, então forçar o intelecto por vias específicas pode não ser benéfico. O ponto de vista de Rogers é de que as pessoas estão em melhor situação decidindo o que fazer por si mesmas, com o apoio de outros, do que fazendo o que os outros decidem por elas.
Self
Autores de manuais de psicologia que dedicaram espaço a Rogers, geralmente classificam-no como um teórico do Self. De fato, embora Rogers encare o Self como o foco da experiência, ele está mais interessado na percepção, na tomada de consciência e na experiência do que num construto hipotético, o Self. Como já descrevemos a definição de Rogers sobre o Self, podemos agora voltar para a descrição da pessoa de funcionamento integral: a pessoa que está mais plenamente consciente de seu Self contínuo. A noção de funcionamento ótimo é sinônimo das noções de adaptação psicológica perfeita, de maturidade ótima, de acordo interno completo, de abertura total à experiência. Como estas noções têm a desvantagem de sugerir algum estado mais ou menos estático, final ou acabado, devemos ressaltar que todas as características que acabamos de enumerar, a propósito do indivíduo hipotético, não têm o caráter de estagnação, mas de um processo dinâmico. A personalidade que funciona plenamente é uma personalidade em contínuo estado de fluxo, uma personalidade constantemente mutável.
A pessoa de funcionamento integral tem diversas características distintas, a primeira das quais é uma abertura à experiência. Há pouco ou nenhum uso das "subcepções", estes primeiros sinais de alerta que restringem a percepção consciente. A pessoa está continuamente afastando-se de suas defesas na direção da experiência direta. A pessoa está mais aberta a seus sentimentos de receio, de desânimo e de desgosto. Fica igualmente mais aberto aos seus sentimentos de coragem, de ternura e de fervor. Torna-se mais capaz de viver completamente a experiência do seu organismo, em vez de a impedir de atingir a consciência.
Uma segunda característica é viver no presente, realizar-se completamente cada momento. Este engajamento contínuo e direto com a realidade permite dizer que o eu (Self) e a personalidade emergem da experiência, em vez de dizer que a experiência foi traduzida ou deformada para se ajustar a uma estrutura preconcebida do eu. Uma pessoa é capaz de reestruturar suas respostas à medida que a experiência permite ou sugere novas possibilidades.
Uma característica final é a confiança nas exigências internas e no julgamento intuitivo, uma confiança sempre crescente na capacidade de tomar decisões. Quando uma pessoa está melhor capacitada para coletar e utilizar dados, é mais provável que ela valorize sua capacidade de resumir esses dados e de responder. Esta não é uma atividade apenas intelectual, mas uma função da pessoa inteira. Rogers sugere que na pessoa de funcionamento integral os erros efetuados serão devidos à informação incorreta e não ao processamento incorreto.
Isto se assemelha ao comportamento de um gato que é jogado ao chão de uma determinada altura. O gato não considera a velocidade do vento, o momentum angular ou o tamanho da queda. Ainda assim, tudo isto está sendo levado em conta em sua resposta total.
0 gato não reflete sobre quem poderia tê-lo empurrado, quais teriam sido seus motivos ou o que pode acontecer no futuro. O gato lida com a situação imediata, o problema mais gritante. Roda em meio ao ar e aterriza em pé, ajustando na mesma hora a sua postura pua enfrentar o próximo evento.
A pessoa de funcionamento integral é livre para responder e experienciar suas respostas às situações. Esta é a essência do que Rogers chama de viver uma vida plena. Tal pessoa estará comprometida num contínuo processo de atualização.
Terapia Centrada no Cliente
Rogers foi um terapeuta praticante durante toda sua carreira profissional. Sua teoria da personalidade emerge de seus métodos e idéias sobre terapia e é integrada a eles. A teoria psicoterápica de Rogers passou por diversas fases de desenvolvimento e mudanças de ênfase, e ainda assim há alguns pontos básicos que se mantiveram inalterados. Rogers faz uma citação de uma palestra onde, pela primeira vez, descreveu suas novas idéias sobre terapia:
1. Esta nova abordagem coloca um peso maior sobre o impulso individual em direção ao crescimento, à saúde e ao ajustamento. A terapia é uma questão de libertar o cliente para um crescimento e desenvolvimento normais.
2. Esta terapia dá muito mais ênfase ao aspecto afetivo de uma situação do que aos aspectos intelectuais.
3. Esta nova terapia dá muito mais ênfase à situação imediata do que ao passado do indivíduo.
4. Esta abordagem enfatiza o relacionamento terapêutico em si mesmo como uma experiência de crescimento.
Rogers usa a palavra "cliente" ao invés do termo tradicional "paciente". Um paciente é em geral alguém que está doente, precisa de ajuda e vai ser ajudado por profissionais formados. Um cliente é alguém que deseja um serviço e que pensa não poder realizá-lo sozinho. O cliente, portanto, embora possa ter muitos problemas, é ainda visto como uma pessoa inerentemente capaz de entender sua própria situação. Há uma igualdade implícita no modela do cliente, que não está presente no relacionamento médico-paciente.
A terapia atende a uma pessoa ao revelar seu próprio dilema com um mínimo de intrusão por parte do terapeuta. Rogers define a psicoterapia como a liberação de capacidades já presentes em estado latente. Isto é, implica que o cliente possua, potencialmente, a competência necessária à solução de seus problemas. Tais opiniões se opõem diretamente à concepção da terapia como uma manipulação, por especialista, de um organismo mais ou menos passivo. A terapia é apontada como dirigida pelo cliente ou centrada no cliente, uma vez que é quem assume toda direção que for necessária.
A terapia centrada no cliente e a modificação de comportamento têm algumas semelhanças: ambas ouvem as idéias do cliente sobre suas dificuldades e ambas aceitam o cliente como capaz de compreender seus próprios problemas. Entretanto, na terapia centrada no cliente, a pessoa continua a dirigir e modificar as metas da terapia e iniciar as mudanças comportamentais (ou outras) que deseja que ocorram. Na modificação de comportamento, os novos comportamentos são escolhidos pelo terapeuta. Rogers sente de modo intenso que tais "intervenções do especialista", qualquer que seja a sua natureza, são em última instância prejudiciais ao crescimento da pessoa.
Suas opiniões sobre a natureza do homem e sobre os métodos terapêuticos não somente amadureceram durante sua vida, passaram por uma inversão quase que total. "Espero ter deixado claro que, no decorrer dos anos, distanciei-me muito de algumas das coisas em que inicialmente acreditei: de que o homem é em essência pecador; de que, profissionalmente, ele é melhor tratado enquanto objeto; de que a ajuda fundamenta-se na perícia; de que o perito pode aconselhar, manipular e moldar o indivíduo a fim de produzir o resultado desejado".
Terapeuta Centrado no Cliente
O cliente tem a chave de sua recuperação mas o terapeuta deveria ter determinadas qualidades pessoais que ajudam o cliente a aprender como usar tais chaves. Estes poderes dentro do cliente, tornar-se-ão efetivos se o terapeuta puder estabelecer com o cliente um relacionamento de aceitação e compreensão suficientemente caloroso. Antes do terapeuta ser qualquer coisa para o cliente, ele deve ser autêntico, genuíno, e não estar desempenhando um papel, especialmente o de um terapeuta, quando está com o cliente. Isto envolve a vontade de ser e expressar com minhas próprias palavras e meus comportamentos, os diversos sentimentos e atitudes que existem em mim. Isto significa que se precisa, na medida do possível, perceber os próprios sentimentos, ao invés de apresentar uma fachada externa de uma atitude enquanto na verdade mantém se outra.
Terapeutas que estão se formando em terapia centrada no cliente por vezes perguntam, "como se comportar se não gostamos do paciente ou se estamos aborrecidos ou bravos?" Não serão estes sentimentos genuínos justamente os que ele desperta em todas as pessoas que ofende? A resposta centrada no cliente a estas questões envolve diversos níveis de compreensão. Em um nível, o terapeuta serve como modelo de uma pessoa autêntica. O terapeuta oferece ao cliente um relacionamento através do qual este pode testar sua própria realidade. Se o cliente confia que vá receber uma resposta honesta, pode descobrir se suas antecipações ou defesas são justificadas. O cliente pode aprender a esperar uma reação real, não distorcida ou diluída, à sua busca interior. Este teste de realidade é crucial se o cliente quer se afastar das distorções e experienciar a si mesmo de modo direto.
Num outro nível, o terapeuta centrado no cliente proporciona uma relação de ajuda enquanto aceita e é capaz de manter uma consideração positiva incondicional. Rogers a define como uma preocupação que não é possessiva, que não exige qualquer favor pessoal. É simplesmente uma atmosfera que demonstra, "eu preocupo-me", e não "eu preocupo-me consigo se se comportar desta ou daquela maneira". Não é uma avaliação positiva porque toda avaliação é uma forma de julgamento moral. A avaliação tende a restringir o comportamento respeitando algumas coisas e punindo outras; a consideração positiva incondicional permite à pessoa ser realmente o que é, não importando o que possa ser.
Esta atitude aproxima-se daquilo que Maslow denomina amor taoístico, um amor que não faz julgamento prévio, que não restringe nem define. É a promessa de aceitar alguém simplesmente como ele revela ser. Para fazer isto, um terapeuta centrado no cliente deve ser sempre capaz de ver o centro auto-atualizador do cliente e não os comportamentos destrutivos, prejudiciais e ofensivos. Se puder reter uma consciência da essência positiva do indivíduo poder-se-á ser autêntico com tal pessoa, ao invés de ficar aborrecido, irritado ou bravo com expressões particulares de sua personalidade. Esta atitude é similar à dos mestres espirituais da tradição oriental que, vendo o divino em todos os homens, podem tratar a todos com igual respeito e compaixão.
O terapeuta centrado no cliente mantém uma certeza de que a personalidade interior, e talvez não desenvolvida do cliente, é capaz de entender a si mesma. Na prática, isto é extremamente difícil. Terapeutas rogerianos admitem que são, com freqüência, incapazes de manter esta qualidade de compreensão quando trabalham.
A aceitação pode ser uma mera tolerância, uma postura não julgadora que pode ou não incluir uma real compreensão. Esta aceitação é inadequada. A consideração positiva incondicional deve incluir também uma compreensão empática, captar o mundo particular do cliente como se fosse o seu próprio mundo, mas sem nunca esquecer esse caráter de "como se". Esta nova dimensão permite ao cliente maior liberdade para explorar sentimentos internos. O cliente está certo de que o terapeuta fará mais do que aceitá-lo, pois está engajado de maneira ativa na tentativa de sentir as mesmas situações dentro de si próprio.
O critério final para um bom terapeuta é que ele deve possuir a habilidade para comunicar esta compreensão ao cliente. O cliente precisa saber que o terapeuta é autêntico, preocupa-se, ouve e compreende de fato. É necessário que o terapeuta seja claro apesar das distorções seletivas do cliente, das subcepções de ameaça e dos efeitos danosos de uma auto-consideração mal colocada. Desde que esta ponte entre terapeuta e cliente seja estabelecida, o cliente pode começar a trabalhar a sério.
Grupos de Encontro
A passagem de Rogers de terapeuta centrado no cliente para líder de encontros e pesquisador foi quase inevitável. Suas afirmações de que as pessoas, não especialistas, eram terapeutas, foram correlacionadas com os primeiros dados de encontro. Quando Rogers foi para a Califórnia, foi capaz de dedicar mais tempo para participar, estabelecer e pesquisar este tipo de trabalho de grupo.
À parte da terapia de grupo, os grupo de encontro têm uma história que prenuncia seu ressurgimento nas décadas de 1950 e 1960. Dentro da tradição protestante norte-americana e, numa extensão menor, no Judaísmo, tinha havido experiências de grupo elaboradas para alterar as atitudes de uma pessoa em relação a si mesma e para modificar seu comportamento para com os outros. As técnicas incluíam pequenos grupos de colegas, insistência na honestidade e na abertura, ênfase no aqui e agora e manutenção de uma atmosfera calorosa, de apoio. Mesmo as maratonas (encontros de grupos durante o dia e a noite) não são invenções recentes.
Características comuns a todos os grupos de encontro incluem um clima de segurança psicológica, o encorajamento à expressão dos sentimentos imediatos e a resposta subseqüente por parte dos membros do grupo. O líder, qualquer que seja sua orientação, é responsável por estabelecer e manter o tom e o enfoque de um grupo. Este pode estender-se desde a atmosfera funcional de negócios, até estimulação emocional ou à excitação sexual, à promoção de medo, raiva ou mesmo violência. Há relatos de grupos de todas as descrições.
A contribuição de Rogers e seu trabalho contínuo com grupos de encontro são aplicações de sua teoria. Em Grupos de Encontro ele descreve os principais fenômenos que ocorrem nos grupos que se prolongam por vários dias. Embora haja muitos períodos de insatisfação, incerteza e ansiedade na descrição de encontros que se segue, cada um desses períodos conduz a um clima mais aberto, menos defensivo, mais exposto e mais confiante. A intensidade emocional e a capacidade de tolerar a intensidade parecem aumentar à medida que o grupo prossegue.
Processo de Encontro
Um grupo começa andando à volta, esperando que lhe seja dito como se comportar, o que esperar, como trabalhar com as expectativas sobre o grupo. Há uma crescente frustração à medida que o grupo percebe que os próprios membros determinarão a forma pela qual o grupo funcionará.
Há uma resistência inicial à expressão ou exploração pessoais. É o eu exterior que os membros têm tendência para mostrar e só gradual, tímida e ambiguamente vão revelando algo do eu íntimo. Esta resistência é visível na maioria das situações de grupo, como em coquetéis, bailes ou piqueniques, onde em geral há alguma atividade, além da auto-exploração, à disposição dos participantes. Um grupo de encontro desencoraja a busca de qualquer outra atividade.
À medida que as pessoas continuam a interagir elas compartilham sentimentos passados associados a pessoas ausentes no grupo. Ainda que possam ser experiências importantes para o indivíduo, não passam de uma forma de resistência inicial; as experiências passadas são mais seguras e é pouco provável que sejam afetadas por críticas ou apoio. As pessoas podem ou não responder ao relato de um evento passado, mas ainda assim é um evento passado.
Quando as pessoas começam a expressar seus sentimentos presentes, o mais freqüente é serem as primeiras expressões negativas. "Não me sinto bem com você". "Você tem uma maneira de falar vulgar". "Não acredito que você na realidade queria dizer o que disse sobre sua esposa".
Os sentimentos profundos positivos são muito mais difíceis e perigosos de exprimir que os negativos. Se digo que te amo fico vulnerável e exposto à mais terrível rejeição. Mas se digo que te detesto, fico quando muito sujeito a um ataque de que posso defender-me. A não compreensão deste paradoxo aparente levou a uma série de programas de encontro cujo fracasso era previsível. Por exemplo, a Força Aérea desenvolveu programas de relacionamento racial incluindo sessões de encontro entre brancos e negros, conduzidas por líderes treinados. O resultado final desses encontros, no entanto, sempre parecia ser uma intensificação dos sentimentos racistas de ambos os lados.
Em virtude das dificuldades de planejar horário para as pessoas inseridas no regime militar, tais encontros não duravam mais do que três horas, tempo bastante para que as expressões negativas fossem expressas, mas insuficiente para desenvolver o restante do processo. Quando os sentimentos negativos são expressos e o grupo não se desintegra, divide-se ou desaparece no fogo do inferno, começa a aparecer um material com significado pessoal. Sendo ou não aceitável para os membros do grupo, o "clima de confiança" começa a se formar e as pessoas começam a assumir riscos reais.
Quando o material significativo emerge, as pessoas começam a expressar umas às outras seus sentimentos imediatos tanto positivos quanto negativos. "Acho bom que você esteja compartilhando isto com o grupo". "Toda vez que falo algo você me olha como se quisesse me estrangular." "Gozado, eu pensei que não iria gostar de você. Agora tenho certeza disso."
Quanto mais expressões emocionais vêm à tona e sofrem as reações do grupo, Rogers nota o desenvolvimento de uma capacidade terapêutica no mesmo. As pessoas começam a fazer coisas que parecem ser de grande auxílio, que ajudam os outros a tomar consciência de sua própria experiência de uma forma não-ameaçadora.
O que o terapeuta bem treinado aprendeu a fazer durante anos de supervisão e prática, começa a emergir de modo espontâneo da própria situação. "Esta espécie de faculdade manifesta-se tão freqüentemente em grupos, que me leva a considerar que a capacidade de tratamento ou terapêutica é muito mais freqüente do que supomos na vida humana. Muitas vezes, para se manifestar, apenas necessita da licença concedida, ou da liberdade tornada possível, pelo clima de uma experiência de grupo em liberdade.
Um dos efeitos da disposição do grupo para a aceitação e feedback é que os pessoas podem aceitar a si mesmas. "Creio que realmente tento impedir que as pessoas se aproximem de mim." "Sou forte e mesmo cruel às vezes." "Quero tanto ser amado que chego a fingir ser meia dúzia de coisas." Paradoxalmente, esta aceitação de si mesmo, incluindo suas falhas, inicia a mudança. Rogers nota que quanto mais perto estivermos da congruência, mais fácil será de tomarmo-nos sadios. Se uma pessoa for capaz de admitir que é de uma certa maneira, será então capaz de considerar possíveis alternativas de comportamento. Se negar parte de si mesma, não fará qualquer esforço para mudar. A aceitação, no domínio das atitudes psicológicas por vezes ocasiona uma mudança naquilo que foi aceito. É irônico, mas verdadeiro.
À medida que o grupo continua, há uma crescente impaciência para com as defesas. O grupo parece exigir o direito de ajudar, de curar, de provocar a abertura das pessoas que parecem constrangidas e defendidas. Por vezes gentilmente, outras de forma quase que selvagem, o grupo exige que o indivíduo seja ele mesmo, isto é, que não esconda os sentimentos comuns. A expressão pessoal de alguns membros do grupo tornou evidente que é possível um encontro mais profundo e essencial, e o grupo parece procurar intuitiva e inconscientemente este objetivo.
Em qualquer troca ou encontro há feedback. O líder está sendo informado a todo instante de sua eficiência ou da falta dela. Cada membro que reage a outro pode, por sua vez, obter um feedback à sua reação. Este pode ser difícil de aceitar, mas uma pessoa, num grupo, não pode evitar facilmente o conflito com a opinião do mesmo.
Rogers chama de confrontação às formas extremas de feedback. Conforme diz, "há momentos em que o termo feedback é excessivamente moderado para descrever as interações que se processam, momentos em que é mais correto dizer que um indivíduo se confronta com outro, diretamente, em pé de igualdade. Tais confrontações podem ser positivas, porém são muitas vezes nitidamente negativas". A confrontação leva os sentimentos a uma intensidade tal que um tipo de resolução é exigida. Este é um momento perturbados e difícil para um grupo e, potencialmente, muito mais perturbador para os indivíduos envolvidos.
Parece claro que toda vez que o grupo demonstra de modo efetivo que pode aceitar e tolerar os sentimentos negativos sem rejeitar a pessoa que os expressa, os membros do grupo tomam-se mais confiantes e abertos uns com os outros. Muitas pessoas relatam suas experiências em grupos como as experiências de aceitação mais positivas e empáticas de suas vidas. A popularidade das experiências de grupo repousa tanto no calor emocional que geram como em sua capacidade de facilitar o crescimento pessoal.
sábado, 20 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Spiritual Work
JEFFREY MISHLOVE, Ph.D.: Hello and welcome. I'm Jeffrey Mishlove. Our topic today is "Spiritual Work." With me is a spiritual teacher, IsanaMada, who is author of More Than Me and also A Call to Greatness. Welcome.
ISANAMADA: Thank you, Jeffrey.
MISHLOVE: When we talk about spiritual work, it's very different than other kinds of work that we do in one sense, and in another sense it's very much like other kinds of work that we do. One of the words which seems to be central to your writings in this area is the term surrender.
ISANAMADA: Yes.
MISHLOVE: In fact you write that many, many people talk about surrender, but few people really walk that talk.
ISANAMADA: Yes, and I'll begin speaking about surrender now in this way, by letting you know that in the very early stages of my own process, my own conscious process that began in 1984, I noticed that I was beginning to ask the question, "What is surrender?" and I had never lived in that question before; I had never asked that question before. It had never been an issue for me, and all of a sudden it appeared. I saw myself and heard myself asking that question of different people, and in my own case I couldn't find anyone who could have an intelligent conversation with me, who could teach me what surrender was. I realized after a while that surrender had occurred in me sometime before that.
In fact on January 14 of 1984 I had a mystical moment at home alone on a Saturday night, after which I began to change amazingly and very fast. I began to change and my life began to change, and so anyhow I say that I was propelled out into conscious process and unfoldment of my own spiritual journey in a very fast way. And so some months later I began to ask, "What is surrender?"
But not until a long time after that did I understand, in a way that made sense to me and that I could begin to verbalize for others, what surrender is sort of about, and how it happens, and how we hold it for ourselves, and how we honor it. And I guess I can go on and talk about that, or we can come back and begin to talk first about the difficulty of the concept of surrender in a person's spiritual journey.
MISHLOVE: I suppose it's a difficult concept, because there has been a popular song out called "Never Surrender." There's this other part of the psyche that wants to be upholding things and proud and maintaining things, and surrender seems to be abhorrent to that part of us.
ISANAMADA: Yes, and of course I call that part of us the ego part of us that feels very responsible for keeping us safe and causing us to be successful, and in charge of and in control of our lives, you see. That's the part of us that is frightened, terrified of collapsing or yielding or surrending.
MISHLOVE: I know in your writings you refer very favorably to a spiritual teacher known as Da Avabhasa, and I know from his disciples and students that they describe their spiritual work as being a constant struggle with their desire to surrender and their fear.
ISANAMADA: Yes. Well, that's what I hear also from people who come to me to be supported and to gain some understanding about the process of transformation. In my own case the fear was there. I guess what I say is I was never frightened, I was never fearful, but I was terrified. But what was overriding that and overlying that constantly, always, was the surrender that had been achieved in me. And out of my own experience I say that we cannot surrender; we are totally incapable of surrendering, but what we can do is submit ourselves.
And if you remember, Joseph Campbell says the hero, the true hero, is a man of self-achieved submission. So it's like we submit ourselves to the mystery that life is, that our life is, that life itself is, with the intention that we are available for surrender to happen in us, you see -- that we consciously gesture to that.
MISHLOVE: I suppose it would be a contradiction in terms if I were to say to you, "OK, now I'm going to surrender, right now."
ISANAMADA: Yes, uh huh, because it's impossible for us to do that. And I feel that true surrender is grace, it's a blessing, it's a graceful, mysterious event that occurs for us, and it's arbitrary, it's decided in realms that we don't understand, and it's based on our own readiness for the rigors and the arduous participation of true spiritual journeying.
MISHLOVE: We earlier spoke privately about intuition, and you told me intuition is It -- into It. It seems that in a sense the way you're speaking of surrender now, it's as if surrender is also It -- that there's a relationship here.
ISANAMADA: Yes. The way I'll respond to that -- there are many ways I could come at this, but I'll just say, well, there is only It; there is only It, and we are a part of It, and we have not been experiencing ourselves as It, and what's always been up for the spiritual journeyer is an opening of us into It, and that's the whole intention, it's the whole reason for our spiritual work. So I guess the words are synonymous, as you're saying.
MISHLOVE: Intuition, surrender, and now you've used the term opening.
ISANAMADA: Yes, and I feel a little different about opening. I feel that the opening is caused in most cases by the willingness of the lower self, the ego mind, to align with the higher intention that resides in us as the higher Self. And of course that intention is the transformation, the evolution of the being, to some degree, in any given lifetime.
MISHLOVE: Now, this is interesting; this is very interesting, because here the ego plays a role. The ego is aligning itself. It's very different than the idea of just transcending the ego, or somehow getting rid of the ego.
ISANAMADA: Well, the truth is that we will not experience transformation, either by a lightning bolt from the blue or some other mysterious event in our lives, unless the ego is ready for alignment. And so much of our suffering as human beings, out of our ordinary attempts to be successful -- in relationship, in our jobs, in life itself -- is to weaken the ego's hold on our lives, through disappointment, through disillusionment, through intense psychological distress -- to weaken that ego's agenda, and to provide a reason for it to let go enough to be ready to perhaps allow something else to occur other than its own pathetic attempts to do it all itself.
MISHLOVE: So when we speak of the ego aligning itself with the higher Self, opening up to the higher Self, that is already a form of surrender, because most egos don't have that as their agenda.
ISANAMADA: Yes. The ego's agenda is to keep us safe, and to maintain the status quo against all odds, unless the status quo will change to a better status quo in its own thinking, to where it will feel even more secure by a particular change that it will choose and allow.
But in this alignment with the higher Self, it really comes out of a sense of disappointment, disillusionment, and despair that it can't do it. It's tried and tried and tried to do it, and it's willing to listen to the possibility that some other way might work, and it will then align with that and then of course become very frightened along the way, even after the higher Self has been empowered.
MISHLOVE: I spoke earlier, quoting you about Da Avabhasa, the spiritual teacher, and I recall now hearing one of his disciples speak with gratitude about how she encountered him, and she said, "He broke my heart." I gather that this is sometimes a necessary aspect of spiritual work between a teacher and a student.
ISANAMADA: Umm, yes, and I feel a little bit at a disadvantage because I don't know just in which way he broke her heart. There are different ways that that heart is broken. In my own case you probably have read that I had a very mystical experience with Da -- with really Da Free John; he may have been Master Da at that time. I think he was.
MISHLOVE: He's had many names.
ISANAMADA: Yes. But anyway, I had a most unusual, spontaneous experience that I had never had any reference for. I had never read about such a thing; I did not know that such a thing happened.
But at home alone on a Friday night, I opened a book that had been handed to me by one of my students, and I was just sitting on the floor previewing some books, and I picked up this book and I opened it and began to read, and my heart broke. I felt my heart broke, but in love.
It was a melting of my heart, and I felt myself melting into the book, and I put the book to my face and I felt I couldn't get close enough; I wanted to go into the book, like from deep inside myself. And so in that way my heart was broken by this Da guy. And then there are other ways that I have read of that the master or the guru does relate to the disciple, devotee, student in order to cause a breaking of the heart.
MISHLOVE: Of course the metaphor breaking sounds quite harsh. It's not quite like melting the hardness of the heart. And yet there is that sense of a shell, a rigidity, a hardness around our heart center, that seems to be the armoring of the ego against the possibility of spiritual surrender.
ISANAMADA: Well, I feel it's truly an armoring of the ego in a defensive way. It feels so responsible to defend itself, to defend us from all these scary things and the mean things that are in the world. It's very vulnerable. We are very vulnerable beings, and the ego is very vulnerable in this big, scary, bad world. And I feel that that's the shell, and that that's one way to talk about what the shell is. The shell is actually a wall of mind, a wall of the self-reflexive mind that the ego represents at the third level of consciousness.
MISHLOVE: Now, I'm going to need to stop you here, because when you say third level of consciousness, I don't have a reference.
ISANAMADA: All right. So the teachings that I resonated with when I was doing my research to try to understand what had happened to me, and that I have been used as a way to speak the message that I bring, is that we are beings that contain within us seven levels of consciousness, starting with the first, the level of the physical consciousness, the level at which we instinctively learned -- not learned but lived; we instinctively knew only how to survive. And then we evolved to the level of emotionality and community. And the next level of consciousness is the mental-egoic level, at which we still abide.
MISHLOVE: Civilization as a whole.
ISANAMADA: Civilization as a whole, the species as a whole, generally -- although I also point out that in this world there is such a collage of consciousness, because on every level there are all these stage-specific phases of the evolutionary process that are going on in each individual human being, and their ability to participate as that, and to express as that, you see. So it's very dangerous for us to talk in terms generally -- you know, there's so much going on as humanity in consciousness.
MISHLOVE: What you're suggesting is the ego level is the third stage of consciousness. There are four more, and when we talk about It, when we talk about our deep connection with the universe, that's what is us, that's what awaits us as we intuit or introspect into those areas.
ISANAMADA: Yes. And I want to go ahead and just talk a little bit about this third level and what's beyond it. The third level is at the level of the solar plexus, and the way I teach it, which is the way that other teachers have taught it, there's a leap to the fifth level, and that's the leap that the species generally is up to at this time -- the level of self-expression.
MISHLOVE: At the throat.
ISANAMADA: At the throat. And then above that, the brow level, this is the level of human potential and existential being. We bring ourselves into existence in truth by self-expression. Then the metaphysic level at the brow level, and then true spiritual level at the crown.
MISHLOVE: This is of course the yoga system of the chakras.
ISANAMADA: Yes, the chakra system. And then the fourth level is the level of being at which the transformation actually happens, and once all of the chakras have been opened and brought into aliveness in a human being, then that human being is operating from the heart.
MISHLOVE: The heart is really at the center.
ISANAMADA: It's the wholeness of it, yes, the center of us.
MISHLOVE: And so when you talk about the ego becoming in alignment with the higher Self, really one might translate that in this system to looking at the energies of the solar plexus aligning themselves with the energies of the heart and the throat and the third eye. That I guess is what you mean when you use the term congruence.
ISANAMADA: All right. I guess I would rather answer that or respond in this way -- that I feel that the ego level, the mental-egoic level, when the ego is willing, when it's ready to align with the higher purpose, it's really aligning with the divine impulse that is the impulse; it's It; it's that It, to get back to that, that self that needs expression. And that alignment of self then allows an energetic balancing to begin, and energetic harmony to begin to be accomplished there again by the process itself.
MISHLOVE: An energetic balancing of the energies coming through the system.
ISANAMADA: In from the cosmos, from the universe.
MISHLOVE: From It.
ISANAMADA: From It.
MISHLOVE: Because the ego, conceiving of itself as separate from It, kind of holds It at bay, locks it out.
ISANAMADA: Yes, it defends itself from -- it's the contraction away from the whole, and it does whatever it can do to maintain the closed system that it is, until it gives up enough to have an opening occur in it. And then there is the constant choosing. One of the things that I think we need to say here is that for the spiritual journeyer it's very important, no matter at what point on their path, the spiritual journeyer is constantly making the higher choice, constantly participating in that way.
MISHLOVE: Yes. Constantly, let's just say, mindful of It.
ISANAMADA: Mindful of It, and aware of this regressive pull back to the lower levels of consciousness, that irresistible drawing down that we always choose out of.
MISHLOVE: Well, you seem to be suggesting that if we look at our civilization historically, we have evolved from this lower level, from a more instinctive, a more physical level, to a more -- the path of evolution seems to be towards this spiritual awakening. And perhaps this moment in history is a time when the balance itself is changing, where the call to awakening is now perhaps stronger than the regressive pull, or at least equal.
ISANAMADA: I feel it's so much stronger. I feel it's so much stronger; and you know, recently I was speaking with someone who said, "You know, there are just so many spiritual beings who are still in the closet." And my automatic response was, "They're going to start popping out everywhere." My sense of it is that the readiness level for the new is so high that the irresistible aspect of the dynamic that is our world at this time is for newness. It's like we have done this other stuff long enough that everyone seems bored enough with it and convinced that we're more than this, and that we have proven to ourselves that this isn't working.
MISHLOVE: When you use the word "we" here, it suggests something to me -- that as awakened teachers come to the planet, that they sort of bring or pull other people around them to awakening. And yet it's also a very individual process. I wonder, can you be awakened by the mass of humanity waking up, or to what extent do you have to do it yourself?
ISANAMADA: Well, you know, I say we can't do it ourselves. What I say is that there is an awakening happening in the world. There is. It's very obvious to those people who can see it. It's undeniable. It's just rising up like a mist in a field.
MISHLOVE: And you're speaking as someone who has written very pessimistically about the state of the world at times.
ISANAMADA: Yes. Well, I say I am horrified by the world I live in, and I can't believe I live in such a world. That's how I write about the world. And at the same time I am so convinced, like out of my own feeling of what's happening in this world -- my own guidance, what I see, what I perceive -- that there is an amazement of awakening that's occurring that is at some point going to be a new paradigm, it's going to be a new world, and that everything that's going on now is a transition. It's a transition space, and we are transition beings. No matter what level of awakening we represent, we are a part of the transition being that will bridge to the new man, to the new woman, to the new human of the future. The new human, I feel, will be very unlike us.
MISHLOVE: Something much greater.
ISANAMADA: Something so much greater, yes -- in expression. We are that great, but we have only come this far. And our service at this time is to be conscious that we are transition beings, and to submit ourselves for that evolutionary process to have its way with us.
MISHLOVE: You know, I notice, as I think back to some of the teachers who were very influential to me twenty, twenty-five years ago when I was an undergraduate in college -- people like Norman O. Brown and Abraham Maslow -- they wrote eloquently about enlightenment. And people who I knew, my teachers who knew them, would say, "Yes, they saw the light." But if you look at the way they lived their lives, they didn't quite express it. But I think people of my generation, our generation, we were younger when we heard these teachings, and we were perhaps better able to integrate it, even than those masterful writers who wrote this way. And I suppose each generation is able in some sense to stand upon the attainments of previous generations.
ISANAMADA: So are you telling me that you feel that your generation lived it more than Maslow?
MISHLOVE: That's my sense.
ISANAMADA: All right, good, good.
MISHLOVE: And so by analogy I would think that future generations will be able to integrate into their lives things that I am able to see and to speak of, but perhaps not to live with the same authenticity as will be natural to them.
ISANAMADA: Yes, yes. And I feel that the younger generations, if we more mature ones, we elders, will please begin to be authentic, that the young ones will have an easier time -- that we all knew how to be how we are at some point when we were young, and we just got conditioned out of that.
MISHLOVE: IsanaMada, we're out of time, but this has been such a joyful experience, sharing with you these insights about this essential work.
ISANAMADA: Thank you. I really enjoyed it too.
MISHLOVE: Thanks so much for being with me.
ISANAMADA: Thank you. Thank you, Jeffrey.
JEFFREY MISHLOVE, Ph.D.: Hello and welcome. I'm Jeffrey Mishlove. Our topic today is "Spiritual Work." With me is a spiritual teacher, IsanaMada, who is author of More Than Me and also A Call to Greatness. Welcome.
ISANAMADA: Thank you, Jeffrey.
MISHLOVE: When we talk about spiritual work, it's very different than other kinds of work that we do in one sense, and in another sense it's very much like other kinds of work that we do. One of the words which seems to be central to your writings in this area is the term surrender.
ISANAMADA: Yes.
MISHLOVE: In fact you write that many, many people talk about surrender, but few people really walk that talk.
ISANAMADA: Yes, and I'll begin speaking about surrender now in this way, by letting you know that in the very early stages of my own process, my own conscious process that began in 1984, I noticed that I was beginning to ask the question, "What is surrender?" and I had never lived in that question before; I had never asked that question before. It had never been an issue for me, and all of a sudden it appeared. I saw myself and heard myself asking that question of different people, and in my own case I couldn't find anyone who could have an intelligent conversation with me, who could teach me what surrender was. I realized after a while that surrender had occurred in me sometime before that.
In fact on January 14 of 1984 I had a mystical moment at home alone on a Saturday night, after which I began to change amazingly and very fast. I began to change and my life began to change, and so anyhow I say that I was propelled out into conscious process and unfoldment of my own spiritual journey in a very fast way. And so some months later I began to ask, "What is surrender?"
But not until a long time after that did I understand, in a way that made sense to me and that I could begin to verbalize for others, what surrender is sort of about, and how it happens, and how we hold it for ourselves, and how we honor it. And I guess I can go on and talk about that, or we can come back and begin to talk first about the difficulty of the concept of surrender in a person's spiritual journey.
MISHLOVE: I suppose it's a difficult concept, because there has been a popular song out called "Never Surrender." There's this other part of the psyche that wants to be upholding things and proud and maintaining things, and surrender seems to be abhorrent to that part of us.
ISANAMADA: Yes, and of course I call that part of us the ego part of us that feels very responsible for keeping us safe and causing us to be successful, and in charge of and in control of our lives, you see. That's the part of us that is frightened, terrified of collapsing or yielding or surrending.
MISHLOVE: I know in your writings you refer very favorably to a spiritual teacher known as Da Avabhasa, and I know from his disciples and students that they describe their spiritual work as being a constant struggle with their desire to surrender and their fear.
ISANAMADA: Yes. Well, that's what I hear also from people who come to me to be supported and to gain some understanding about the process of transformation. In my own case the fear was there. I guess what I say is I was never frightened, I was never fearful, but I was terrified. But what was overriding that and overlying that constantly, always, was the surrender that had been achieved in me. And out of my own experience I say that we cannot surrender; we are totally incapable of surrendering, but what we can do is submit ourselves.
And if you remember, Joseph Campbell says the hero, the true hero, is a man of self-achieved submission. So it's like we submit ourselves to the mystery that life is, that our life is, that life itself is, with the intention that we are available for surrender to happen in us, you see -- that we consciously gesture to that.
MISHLOVE: I suppose it would be a contradiction in terms if I were to say to you, "OK, now I'm going to surrender, right now."
ISANAMADA: Yes, uh huh, because it's impossible for us to do that. And I feel that true surrender is grace, it's a blessing, it's a graceful, mysterious event that occurs for us, and it's arbitrary, it's decided in realms that we don't understand, and it's based on our own readiness for the rigors and the arduous participation of true spiritual journeying.
MISHLOVE: We earlier spoke privately about intuition, and you told me intuition is It -- into It. It seems that in a sense the way you're speaking of surrender now, it's as if surrender is also It -- that there's a relationship here.
ISANAMADA: Yes. The way I'll respond to that -- there are many ways I could come at this, but I'll just say, well, there is only It; there is only It, and we are a part of It, and we have not been experiencing ourselves as It, and what's always been up for the spiritual journeyer is an opening of us into It, and that's the whole intention, it's the whole reason for our spiritual work. So I guess the words are synonymous, as you're saying.
MISHLOVE: Intuition, surrender, and now you've used the term opening.
ISANAMADA: Yes, and I feel a little different about opening. I feel that the opening is caused in most cases by the willingness of the lower self, the ego mind, to align with the higher intention that resides in us as the higher Self. And of course that intention is the transformation, the evolution of the being, to some degree, in any given lifetime.
MISHLOVE: Now, this is interesting; this is very interesting, because here the ego plays a role. The ego is aligning itself. It's very different than the idea of just transcending the ego, or somehow getting rid of the ego.
ISANAMADA: Well, the truth is that we will not experience transformation, either by a lightning bolt from the blue or some other mysterious event in our lives, unless the ego is ready for alignment. And so much of our suffering as human beings, out of our ordinary attempts to be successful -- in relationship, in our jobs, in life itself -- is to weaken the ego's hold on our lives, through disappointment, through disillusionment, through intense psychological distress -- to weaken that ego's agenda, and to provide a reason for it to let go enough to be ready to perhaps allow something else to occur other than its own pathetic attempts to do it all itself.
MISHLOVE: So when we speak of the ego aligning itself with the higher Self, opening up to the higher Self, that is already a form of surrender, because most egos don't have that as their agenda.
ISANAMADA: Yes. The ego's agenda is to keep us safe, and to maintain the status quo against all odds, unless the status quo will change to a better status quo in its own thinking, to where it will feel even more secure by a particular change that it will choose and allow.
But in this alignment with the higher Self, it really comes out of a sense of disappointment, disillusionment, and despair that it can't do it. It's tried and tried and tried to do it, and it's willing to listen to the possibility that some other way might work, and it will then align with that and then of course become very frightened along the way, even after the higher Self has been empowered.
MISHLOVE: I spoke earlier, quoting you about Da Avabhasa, the spiritual teacher, and I recall now hearing one of his disciples speak with gratitude about how she encountered him, and she said, "He broke my heart." I gather that this is sometimes a necessary aspect of spiritual work between a teacher and a student.
ISANAMADA: Umm, yes, and I feel a little bit at a disadvantage because I don't know just in which way he broke her heart. There are different ways that that heart is broken. In my own case you probably have read that I had a very mystical experience with Da -- with really Da Free John; he may have been Master Da at that time. I think he was.
MISHLOVE: He's had many names.
ISANAMADA: Yes. But anyway, I had a most unusual, spontaneous experience that I had never had any reference for. I had never read about such a thing; I did not know that such a thing happened.
But at home alone on a Friday night, I opened a book that had been handed to me by one of my students, and I was just sitting on the floor previewing some books, and I picked up this book and I opened it and began to read, and my heart broke. I felt my heart broke, but in love.
It was a melting of my heart, and I felt myself melting into the book, and I put the book to my face and I felt I couldn't get close enough; I wanted to go into the book, like from deep inside myself. And so in that way my heart was broken by this Da guy. And then there are other ways that I have read of that the master or the guru does relate to the disciple, devotee, student in order to cause a breaking of the heart.
MISHLOVE: Of course the metaphor breaking sounds quite harsh. It's not quite like melting the hardness of the heart. And yet there is that sense of a shell, a rigidity, a hardness around our heart center, that seems to be the armoring of the ego against the possibility of spiritual surrender.
ISANAMADA: Well, I feel it's truly an armoring of the ego in a defensive way. It feels so responsible to defend itself, to defend us from all these scary things and the mean things that are in the world. It's very vulnerable. We are very vulnerable beings, and the ego is very vulnerable in this big, scary, bad world. And I feel that that's the shell, and that that's one way to talk about what the shell is. The shell is actually a wall of mind, a wall of the self-reflexive mind that the ego represents at the third level of consciousness.
MISHLOVE: Now, I'm going to need to stop you here, because when you say third level of consciousness, I don't have a reference.
ISANAMADA: All right. So the teachings that I resonated with when I was doing my research to try to understand what had happened to me, and that I have been used as a way to speak the message that I bring, is that we are beings that contain within us seven levels of consciousness, starting with the first, the level of the physical consciousness, the level at which we instinctively learned -- not learned but lived; we instinctively knew only how to survive. And then we evolved to the level of emotionality and community. And the next level of consciousness is the mental-egoic level, at which we still abide.
MISHLOVE: Civilization as a whole.
ISANAMADA: Civilization as a whole, the species as a whole, generally -- although I also point out that in this world there is such a collage of consciousness, because on every level there are all these stage-specific phases of the evolutionary process that are going on in each individual human being, and their ability to participate as that, and to express as that, you see. So it's very dangerous for us to talk in terms generally -- you know, there's so much going on as humanity in consciousness.
MISHLOVE: What you're suggesting is the ego level is the third stage of consciousness. There are four more, and when we talk about It, when we talk about our deep connection with the universe, that's what is us, that's what awaits us as we intuit or introspect into those areas.
ISANAMADA: Yes. And I want to go ahead and just talk a little bit about this third level and what's beyond it. The third level is at the level of the solar plexus, and the way I teach it, which is the way that other teachers have taught it, there's a leap to the fifth level, and that's the leap that the species generally is up to at this time -- the level of self-expression.
MISHLOVE: At the throat.
ISANAMADA: At the throat. And then above that, the brow level, this is the level of human potential and existential being. We bring ourselves into existence in truth by self-expression. Then the metaphysic level at the brow level, and then true spiritual level at the crown.
MISHLOVE: This is of course the yoga system of the chakras.
ISANAMADA: Yes, the chakra system. And then the fourth level is the level of being at which the transformation actually happens, and once all of the chakras have been opened and brought into aliveness in a human being, then that human being is operating from the heart.
MISHLOVE: The heart is really at the center.
ISANAMADA: It's the wholeness of it, yes, the center of us.
MISHLOVE: And so when you talk about the ego becoming in alignment with the higher Self, really one might translate that in this system to looking at the energies of the solar plexus aligning themselves with the energies of the heart and the throat and the third eye. That I guess is what you mean when you use the term congruence.
ISANAMADA: All right. I guess I would rather answer that or respond in this way -- that I feel that the ego level, the mental-egoic level, when the ego is willing, when it's ready to align with the higher purpose, it's really aligning with the divine impulse that is the impulse; it's It; it's that It, to get back to that, that self that needs expression. And that alignment of self then allows an energetic balancing to begin, and energetic harmony to begin to be accomplished there again by the process itself.
MISHLOVE: An energetic balancing of the energies coming through the system.
ISANAMADA: In from the cosmos, from the universe.
MISHLOVE: From It.
ISANAMADA: From It.
MISHLOVE: Because the ego, conceiving of itself as separate from It, kind of holds It at bay, locks it out.
ISANAMADA: Yes, it defends itself from -- it's the contraction away from the whole, and it does whatever it can do to maintain the closed system that it is, until it gives up enough to have an opening occur in it. And then there is the constant choosing. One of the things that I think we need to say here is that for the spiritual journeyer it's very important, no matter at what point on their path, the spiritual journeyer is constantly making the higher choice, constantly participating in that way.
MISHLOVE: Yes. Constantly, let's just say, mindful of It.
ISANAMADA: Mindful of It, and aware of this regressive pull back to the lower levels of consciousness, that irresistible drawing down that we always choose out of.
MISHLOVE: Well, you seem to be suggesting that if we look at our civilization historically, we have evolved from this lower level, from a more instinctive, a more physical level, to a more -- the path of evolution seems to be towards this spiritual awakening. And perhaps this moment in history is a time when the balance itself is changing, where the call to awakening is now perhaps stronger than the regressive pull, or at least equal.
ISANAMADA: I feel it's so much stronger. I feel it's so much stronger; and you know, recently I was speaking with someone who said, "You know, there are just so many spiritual beings who are still in the closet." And my automatic response was, "They're going to start popping out everywhere." My sense of it is that the readiness level for the new is so high that the irresistible aspect of the dynamic that is our world at this time is for newness. It's like we have done this other stuff long enough that everyone seems bored enough with it and convinced that we're more than this, and that we have proven to ourselves that this isn't working.
MISHLOVE: When you use the word "we" here, it suggests something to me -- that as awakened teachers come to the planet, that they sort of bring or pull other people around them to awakening. And yet it's also a very individual process. I wonder, can you be awakened by the mass of humanity waking up, or to what extent do you have to do it yourself?
ISANAMADA: Well, you know, I say we can't do it ourselves. What I say is that there is an awakening happening in the world. There is. It's very obvious to those people who can see it. It's undeniable. It's just rising up like a mist in a field.
MISHLOVE: And you're speaking as someone who has written very pessimistically about the state of the world at times.
ISANAMADA: Yes. Well, I say I am horrified by the world I live in, and I can't believe I live in such a world. That's how I write about the world. And at the same time I am so convinced, like out of my own feeling of what's happening in this world -- my own guidance, what I see, what I perceive -- that there is an amazement of awakening that's occurring that is at some point going to be a new paradigm, it's going to be a new world, and that everything that's going on now is a transition. It's a transition space, and we are transition beings. No matter what level of awakening we represent, we are a part of the transition being that will bridge to the new man, to the new woman, to the new human of the future. The new human, I feel, will be very unlike us.
MISHLOVE: Something much greater.
ISANAMADA: Something so much greater, yes -- in expression. We are that great, but we have only come this far. And our service at this time is to be conscious that we are transition beings, and to submit ourselves for that evolutionary process to have its way with us.
MISHLOVE: You know, I notice, as I think back to some of the teachers who were very influential to me twenty, twenty-five years ago when I was an undergraduate in college -- people like Norman O. Brown and Abraham Maslow -- they wrote eloquently about enlightenment. And people who I knew, my teachers who knew them, would say, "Yes, they saw the light." But if you look at the way they lived their lives, they didn't quite express it. But I think people of my generation, our generation, we were younger when we heard these teachings, and we were perhaps better able to integrate it, even than those masterful writers who wrote this way. And I suppose each generation is able in some sense to stand upon the attainments of previous generations.
ISANAMADA: So are you telling me that you feel that your generation lived it more than Maslow?
MISHLOVE: That's my sense.
ISANAMADA: All right, good, good.
MISHLOVE: And so by analogy I would think that future generations will be able to integrate into their lives things that I am able to see and to speak of, but perhaps not to live with the same authenticity as will be natural to them.
ISANAMADA: Yes, yes. And I feel that the younger generations, if we more mature ones, we elders, will please begin to be authentic, that the young ones will have an easier time -- that we all knew how to be how we are at some point when we were young, and we just got conditioned out of that.
MISHLOVE: IsanaMada, we're out of time, but this has been such a joyful experience, sharing with you these insights about this essential work.
ISANAMADA: Thank you. I really enjoyed it too.
MISHLOVE: Thanks so much for being with me.
ISANAMADA: Thank you. Thank you, Jeffrey.
domingo, 24 de outubro de 2010
Assertiveness and Body Language
By the 1970s, several psychologists researching assertiveness training had started to question whether verbal strategies were sufficient and to focus their attention also upon the non-verbal components of assertive behaviour. Alberti & Emmons, in the best-known textbook on assertiveness, Your Perfect Right, make it clear,
Many people view assertiveness as a verbal behaviour, believing that they must have “just the right words” to handle a situation effectively. On the contrary, we’ve found that how you express an assertive message is a good deal more important than what you say.
Although scripts of “what to say when…” are popular with many assertiveness trainers, that has never been our style. We’re primarily concerned with encouraging honsety and directness, and much of that message is communicated nonverbally. (Alberti & Emmons, 2001)
These authors were influenced by the Californian psychiatrist Michael Serber who became well-known for his research in this area of the assertiveness field. Mehrabian had conducted some research in the 1960s and 1970s that suggested non-verbal components of communication may be more important than what is said. Serber used well-established behaviour therapy principles and techniques to systematically train his patients in the non-verbal components of assertive behaviour. These methods include,
Role-modelling the desired behaviour by the therapist or an actor, for the client to imitate
Rehearsal of the desired behaviour by the client in progressively more challenging role-play exercises
Coaching from the therapist in shaping “successive approximations” to the ideal behaviour
Based on his extensive experience of training clients in this way, Serber found it helpful to distinguish between teh following components of non-verbal behaviour,
Loudness of voice. Are you shouting or speaking too quietly? Can you be heard from a normal distance?
Fluency of words spoken. Is there stammering or excessive pauses? Is speech “staccato” or flowing?
Eye-contact. Are eye-movements normal? Are the eyes being diverted or is there staring?
Facial expression. Does facial expression change? Does it match (congruence) with what is being said?
Body expression. Is body tense and rigid? Are gestures natural and appropriate to what is being said?
Distance/physical contact. Are you tending to stand too close or too far away? Are you observing normal body space?
Take a moment to consider a situation where you’d like to be more assertive (or like someone you’re helping to be more assertive) and give yourself marks out of ten for each of the six component skills above.
Serber found that it was best to clearly identify a specific problem situation for rehearsal. He also recommended that training should focus on one component skill at a time. Serber found it very helpful to video tape role-play sessions to be reviewed with the client, although this is not essential. A typical role-play would be set up as follows,
You have just met a prospective employer who is sitting behind his desk. He will act sympathetically toward you – smile, ask supporting questions, etc. It is your task in 3 minutes to begin a conversation with him and try to impress him with your qualifications for a (specific) job. (Serber, 1972)
Role-play sessions in assertiveness training typically last about 2-3 minutes and may only need to be done once but are more typically repeated 3-4, or more, times in a single session.
Serber introduced the clever method of “silent role-play” to help develop the crucial non-verbal components of assertiveness.
The trainee is told to use only his face and body to express his feelings and thoughts. He is requested to performa timed sample exercise (2-3 minutes) in a stated situation, without any vocalisation. This “silent movie” is then modeled for the trainee, and usually, after several trials, both facial and body expression may become more mobile and appropriate. (Serber, 1972)
Serber developed another exercise called “sell me something” in which he asked clients to try to persuade him of the value of some object, such as a watch, for about thirty seconds. (This is a bit like the notion of an “elevator pitch”.) With progress, clients may be asked to sell themselves, i.e., to persuade another person of their own strengths and good qualities. The challenge here is to find the right words, become familiar with saying them, and to make nonverbal behaviour consistent with the verbal message.
Selling something is a good exercise for developing assertiveness skills because it can be done many times, spontaneously, in naturally-occuring situations. For example, a client might learn to “sell” their favourite book, movie, television programme, or food, and speak persuasively to others about it when the opportunity arises. People often talk about their interests and preferences and it’s natural to contribute comments such as “I saw a great film the other week, the acting was superb, it had a real impact on me…” to a conversation.
Of course, it’s important not to oversell things, and it helps to keep things brief but congruent, and become an advocate for the things (or people) you actually do value or admire in life. This is good training for learning to sell yourself and speak congruently and positively about your own good qualities to other people, when it would be natural to do so.
By the 1970s, several psychologists researching assertiveness training had started to question whether verbal strategies were sufficient and to focus their attention also upon the non-verbal components of assertive behaviour. Alberti & Emmons, in the best-known textbook on assertiveness, Your Perfect Right, make it clear,
Many people view assertiveness as a verbal behaviour, believing that they must have “just the right words” to handle a situation effectively. On the contrary, we’ve found that how you express an assertive message is a good deal more important than what you say.
Although scripts of “what to say when…” are popular with many assertiveness trainers, that has never been our style. We’re primarily concerned with encouraging honsety and directness, and much of that message is communicated nonverbally. (Alberti & Emmons, 2001)
These authors were influenced by the Californian psychiatrist Michael Serber who became well-known for his research in this area of the assertiveness field. Mehrabian had conducted some research in the 1960s and 1970s that suggested non-verbal components of communication may be more important than what is said. Serber used well-established behaviour therapy principles and techniques to systematically train his patients in the non-verbal components of assertive behaviour. These methods include,
Role-modelling the desired behaviour by the therapist or an actor, for the client to imitate
Rehearsal of the desired behaviour by the client in progressively more challenging role-play exercises
Coaching from the therapist in shaping “successive approximations” to the ideal behaviour
Based on his extensive experience of training clients in this way, Serber found it helpful to distinguish between teh following components of non-verbal behaviour,
Loudness of voice. Are you shouting or speaking too quietly? Can you be heard from a normal distance?
Fluency of words spoken. Is there stammering or excessive pauses? Is speech “staccato” or flowing?
Eye-contact. Are eye-movements normal? Are the eyes being diverted or is there staring?
Facial expression. Does facial expression change? Does it match (congruence) with what is being said?
Body expression. Is body tense and rigid? Are gestures natural and appropriate to what is being said?
Distance/physical contact. Are you tending to stand too close or too far away? Are you observing normal body space?
Take a moment to consider a situation where you’d like to be more assertive (or like someone you’re helping to be more assertive) and give yourself marks out of ten for each of the six component skills above.
Serber found that it was best to clearly identify a specific problem situation for rehearsal. He also recommended that training should focus on one component skill at a time. Serber found it very helpful to video tape role-play sessions to be reviewed with the client, although this is not essential. A typical role-play would be set up as follows,
You have just met a prospective employer who is sitting behind his desk. He will act sympathetically toward you – smile, ask supporting questions, etc. It is your task in 3 minutes to begin a conversation with him and try to impress him with your qualifications for a (specific) job. (Serber, 1972)
Role-play sessions in assertiveness training typically last about 2-3 minutes and may only need to be done once but are more typically repeated 3-4, or more, times in a single session.
Serber introduced the clever method of “silent role-play” to help develop the crucial non-verbal components of assertiveness.
The trainee is told to use only his face and body to express his feelings and thoughts. He is requested to performa timed sample exercise (2-3 minutes) in a stated situation, without any vocalisation. This “silent movie” is then modeled for the trainee, and usually, after several trials, both facial and body expression may become more mobile and appropriate. (Serber, 1972)
Serber developed another exercise called “sell me something” in which he asked clients to try to persuade him of the value of some object, such as a watch, for about thirty seconds. (This is a bit like the notion of an “elevator pitch”.) With progress, clients may be asked to sell themselves, i.e., to persuade another person of their own strengths and good qualities. The challenge here is to find the right words, become familiar with saying them, and to make nonverbal behaviour consistent with the verbal message.
Selling something is a good exercise for developing assertiveness skills because it can be done many times, spontaneously, in naturally-occuring situations. For example, a client might learn to “sell” their favourite book, movie, television programme, or food, and speak persuasively to others about it when the opportunity arises. People often talk about their interests and preferences and it’s natural to contribute comments such as “I saw a great film the other week, the acting was superb, it had a real impact on me…” to a conversation.
Of course, it’s important not to oversell things, and it helps to keep things brief but congruent, and become an advocate for the things (or people) you actually do value or admire in life. This is good training for learning to sell yourself and speak congruently and positively about your own good qualities to other people, when it would be natural to do so.
O COMPORTAMENTO ASSERTIVO
Se você passa pela vida cheio de inibições, cedendo à vontade alheia, guardando seus desejos dentro de si, ou, ao contrário, destruindo os outros a fim de atingir seus próprios objetivos seu sentimento de autovalor estará baixo.
Nosso sistema de vida ocidental muitas vezes cultiva maneiras conflitivas de comportamento em várias áreas de relacionamento interpessoal, havendo uma nítida contradição entre comportamentos "recomendados" e comportamentos "reforçados".
As instituições da sociedade têm ensinado com tanto empenho a inibir a expressão dos direitos razoáveis de uma pessoa que esta pode se sentir culpada por haver se afirmado.
Cada pessoa tem o direito de ser e de expressar a si mesma, e sentir-se bem (sem culpas) por fazer isso, desde que não fira seus semelhantes no processo. O comportamento que torna a pessoa capaz de agir em seus próprios interesses, a se afirmar sem ansiedade indevida, a expressar sentimentos sinceros sem constrangimento, ou a exercitar seus próprios direitos sem negar os alheios, é denominado de comportamento assertivo.
A pessoa não-assertiva tende a pensar na resposta apropriada depois que a oportunidade passou. A pessoa agressiva pode responder muito vigorosamente, causando uma forte impressão negativa e mais tarde arrepender-se disso. É nosso propósito neste texto, orienta-lo para que obtenha um repertório de comportamento assertivo mais adequado para que escolha respostas apropriadas e satisfatórias em várias situações.
Pesquisas demonstraram que o aprendizado de respostas assertivas inibirá ou enfraquecerá a ansiedade previamente experimentada em relações interpessoais específicas.
Quando a pessoa se torna capaz de afirmar-se e fazer coisas por iniciativa própria, ela reduz apreciavelmente sua ansiedade ou tensão anteriores em situações críticas e aumenta seu senso de valor como pessoa.
Este mesmo senso de valor está geralmente ausente na pessoa agressiva, cuja agressividade pode mascarar sentimentos de culpa e de insegurança. Desta forma, podemos caracterizar três tipos de comportamento interpessoal:
COMPORTAMENTO
NÃO-ASSERTIVO COMPORTAMENTO
AGRESSIVO COMPORTAMENTO
ASSERTIVO
O EMISSOR O EMISSOR O EMISSOR
Nega a si próprio Valoriza-se às custas dos
dos outros Valoriza-se
Fica inibido Expressa-se Expressa-se
Fica magoado e ansioso. Deprecia os outros Sente-se bem consigo mesmo
Permite que outros escolham Escolhe para os outros Escolhe por si para ele
Não atinge os objetivos Pode atingir os objetivos
ferindo os outros desejados Atinge os objetivos desejados
O RECEPTOR O RECEPTOR O RECEPTOR
Sente culpa ou raiva Repudia-se Valoriza-se
Sente-se ferido, humilhado e na defensiva Deprecia o emissor Expressa-se
Não atinge os objetivos desejados Atinge os objetivos às custas
do emissor Pode atingir os objetivos desejados
O comportamento agressivo resulta comumente num "rebaixar" o receptor. Seus direitos foram negados e ele se sente ferido, humilhado e na defensiva. Embora a pessoa agressiva possa atingir seus objetivos, ela pode também gerar ódio e frustração que poderá receber mais tarde como vingança.
Por outro lado, um comportamento assertivo apropriado na mesma situação aumentaria a auto-apreciação do emissor e uma expressão honesta de seus sentimentos. Geralmente ele atingirá seus objetivos, tendo escolhido por si mesmo como agir. Um sentimento positivo a respeito de si mesmo acompanha uma resposta assertiva.
Do mesmo modo, quando as consequências destes três comportamentos contrastantes são vistas da perspectiva de uma pessoa "sobre a qual" eles são emitidos (ou seja, o indivíduo ao qual o comportamento é dirigido), surge um padrão paralelo. O comportamento não-assertivo produz freqüentemente sentimentos que vão de simpatia a um franco desprezo pelo emissor.
Também a pessoa que recebe a ação (receptor) pode sentir culpa ou raiva ao atingir seus próprios objetivos às custas do emissor. Pelo contrário, uma transação envolvendo asserção aumenta os sentimentos de autovalorização e permite expressão total de si mesmo. Além disso, enquanto o emissor atinge seus objetivos, os objetivos do indivíduo ao qual o comportamento é dirigido também podem ser atingidos.
Em suma, é claro então que no comportamento não-assertivo o emissor se prejudica pela própria autodesvalorização; e no comportamento agressivo o receptor é prejudicado. No caso da asserção, nenhuma pessoa é prejudicada e, a menos que os objetivos desejados sejam totalmente conflitantes, ambos podem sair-se bem.
EXEMPLOS DE CASOS
"Jantando Fora"
O Sr. e a Sra.A estão num restaurante de preços moderados. O Sr.A pediu um bife especial, mas quando foi servido percebeu que estava muito bem passado, ao contrário do que ele havia pedido. Seu comportamento é:
Não-Assertivo:
O Sr.A resmunga para a mulher a respeito do bife "queimado" e diz que não volta mais neste restaurante. Ele não diz nada ao garçom e responde "tudo legal" à sua pergunta "está tudo bem?". A sua noite e seu jantar são altamente insatisfatórios e ele se sente culpado por não ter tomado uma atitude. A auto-estima do Sr.A e a admiração da Sra.A por ele são diminuídas pela experiência.
Agressivo:
O Sr. A chama o garçom à mesa e é injusto e grosseiro com ele por não ter atendido bem. A sua atitude ridiculariza o garçom e constrange a Sra.A. Ele pede e recebe outro bife mais de acordo com o que queria. Ele se sente controlando a situação, mas o embaraço da Sra.A cria atrito entre eles e estraga a noite. O garçom fica humilhado, zangado e sem jeito o resto da noite.
Assertivo:
O Sr.A chama o garçom à sua mesa, lembra-lhe que pediu um bife especial, mostra-lhe o bife bem passado, pede-lhe educada mas firmemente que o troque por um mal passado como ele havia pedido. O garçom pede desculpa pelo erro e rapidamente o atende. O casal aprecia o jantar e o Sr.A se sente satisfeito consigo mesmo. O garçom se sente feliz com o freguês satisfeito e o serviço adequado.
"Emprestando Alguma Coisa"
Helen é uma universitária atraente e excelente estudante, amada pelos professores e colegas. Ela mora numa república com seis moças, dividindo seu quarto com duas. Todas as moças namoram regularmente. Uma noite, enquanto as colegas de quarto de Helen se preparavam para encontrar os namorados (Helen planeja uma noite tranqüila elaborando um trabalho escolar), Maria diz que vai sair com um cara muito legal e espera dar uma boa impressão. Ela pergunta a Helen se pode usar um colar novo que Helen acabou de ganhar de seu irmão. Helen e seu irmão são muito amigos e o colar significa muito para ela. Sua resposta é:
Não-Assertiva:
Ela "engole em seco" seu medo do colar ser perdido ou danificado, e seu sentimento de que seu significado especial o tornava muito importante para ser emprestado e diz:"Claro".
Ela se desvaloriza, reforça Maria por fazer um pedido excessivo e se preocupa toda a noite (o que traz pouca contribuição para o trabalho escolar).
Agressiva:
Helen mostra indignação pelo pedido da amiga, diz-lhe "absolutamente não" e começa a censurá-la severamente por atrever-se a fazer uma pergunta "tão cretina". Ela humilha Maria e faz um papel ridículo. Mais tarde se sente incomodada e com sentimento de culpa, o que interfere no seu estudo. Maria se sente ferida e estes sentimentos manifestam-se mais tarde, estragando seu encontro, pois não cosegue se divertir, o que intriga e desencoraja o rapaz. Daí em diante o relacionamento de Helen com Maria passa a ser bastante tenso.
Assertiva:
Ela fala do significado do colar e, gentil mas firmamente, diz que aquele pedido não pode ser atendido, pois a jóia é muito pessoal. Mais tarde ela se sente bem por ter sido sincera consigo mesma e Maria, reconhecendo a validade da resposta de Helen, faz grande sucesso com o rapaz, sendo também mais honesta e franca com ele.
"Fumando Maconha"
Pam é uma aluna do terceiro colegial, muito simpática, que tem se encontrado com um rapaz muito atraente do qual tem gostado muito. Numa noite ele a convida a participar de um bate-papo com outros dois casais, ambos casados.
Quando todos se reuniram na festa, Pam sentiu-se muito bem e gostou muito. Depois de uma hora mais ou menos, um dos homens casados pegou alguns cigarros de maconha e sugeriu que todos fumassem. Todos prontamente aceitaram, exceto Pam, que não queria experimentar maconha. Ela fica em conflito, porque o rapaz que ela admira está fumando maconha e, quando ele lhe oferece o cigarro, ela decide ser:
Não-Assertiva:
Aceita o cigarro, demonstrando já ter fumado maconha antes. Ela observa atentamente os outros para ver como eles fumam. No fundo, ela teme que eles lhe peçam para fumar mais. Os outros estão falando em "ficar muito doidos" e Pam está preocupada com o que o rapaz está pensando dela. Ela negou a si própria, não foi sincera com seu namorado, e sente remorso por ter entrado numa que não queria.
Agressiva:
Pam fica indignada quando lhe oferecem a maconha e explode com o rapaz por tê-la levado a uma festa de tipo tão "baixo". Diz que prefere voltar logo para casa do que ficar com este tipo de gente. Quando as outras pessoas da festa lhe dizem que ela não precisa fumar, se não quiser, ela não se satisfaz e continua indignada. Seu amigo fica humilhado, sem jeito com seus amigos e desapontado com ela. Embora ele continue cordial com Pam quando a leva para casa, ele não mais a convidará para sair.
Assertiva:
Pam não aceita o cigarro, dizendo simplesmente: "Não, obrigada. Não estou com vontade". Ela continua, explicando que nunca fumou antes e que não tem vontade de fazê-lo. Diz que preferiria que os outros não fumassem, mas reconhece o direito que eles têm de fazer suas próprias escolhas.
"A Gorducha"
O Sr. e Sra.B estão casados há nove anos e recentemente vêm tendo problemas conjugais, porque ele insiste em que ela está muito gorda e precisa emagrecer. Ele volta ao assunto constantemente, dizendo-lhe que ela não é mais a mesma mulher com quem se casou (que tinha 50 Kg.), que este excesso de peso lhe faz mal a saúde, que ela é um mau exemplo para as crianças, etc.
Além disso, ele a goza, dizendo que ela é bola, olha apaixonadamente para as moças magras, comentando sobre o quanto são atraentes, e faz referências à sua má aparência na frente dos amigos. Nos últimos três meses o Sr.B tem se comportado desta maneira e a Sra.B já está terrivelmente contrariada. Ela tem tentado perder peso nestes três meses, mas sem muito sucesso. Seguindo a onda de críticas do Sr.B, a Sra.B é:
Não-Assertiva:
Ela pede descupas por seu excesso de peso, às vezes se descupa sem convicção, outras simplesmente aceita calada as críticas do marido. Interiormente ela sente raiva do marido pela sua chateação e culpa-se pelo excesso de peso. Sua ansiedade torna mais difícil para ela perder peso, e a briga continua.
Agressiva:
A Sra.B faz frequentes comentários, dizendo que seu marido também não vale grande coisa. Ela menciona o fato de que à noite ele cai no sono no sofá, é um péssimo parceiro sexual e não lhe dá atenção suficiente.
Estas coisas não têm nada a ver com o problema, mas a Sra.B continua. Ela queixa-se de que ele a humilha na frente das crianças e amigos mais chegados e age como um "velho sem vergonha" pelo modo que olha as moças atraentes. Na sua raiva ela só consegue ferir o Sr.B e construir uma barreira entre eles, defendendo-se com o contra-ataque.
Assertiva:
A Sra.B procura o marido numa hora em que ele está sozinho e não será interrompido; então lhe diz que sente que ele está certo com relação à sua necessidade de perder peso, mas que não gosta da sua maneira de colocar o problema. Diz que está fazendo o melhor que pode e que está sendo duro perder peso e manter o regime. Ele compreende a ineficácia de ficar repisando o assunto e decidem trabalhar juntos num plano no qual ele vai reforçá-la sistematicamente por seus esforços em perder peso.
"O Menino do Vizinho"
O Sr. e Sra.E têm um filho de dois anos e uma filha de dois meses. Recentemente, por diversas noites, o filho do vizinho de 17 anos, tem ficado em seu carro, ao lado da casa, ouvindo som altíssimo. Ele começa exatamente na hora em que as duas criaças do casal E se recolhem para dormir, exatamente ao lado da casa onde o rapaz ouve as músicas. A música alta acorda as crianças toda noite e é impossível para os pais fazê-las dormir enquanto a música continua. O casal E está incomodado e decide ser:
Não-Assertivo:
O Sr. e Sra.E levam as crianças para seu quarto, do outro lado da casa, esperam até que a música cesse, por volta de 1 hora da madrugada, então transferem as crianças para o quarto delas. E vão dormir muito depois do horário de costume. Eles continuam a maldizer o rapaz em silêncio, e breve se desligam dos vizinhos.
Agressivo:
O casal E. chama a polícia e reclama que "um desses jovens selvagens" da casa ao lado está incomodando. Exigem que a polícia "faça seu papel" e pare com o barulho de uma vez. A polícia fala com o rapaz e com seus pais, que ficam muito chateados e com raiva pelo embaraço da visita da polícia. Eles reprovam o fato de o casal E ter chamado a polícia antes de conversar com eles e resolvem evitar qualquer relacionamento com eles.
Assertivo:
O casal vai à casa do rapaz e diz a ele que sua música está mantendo as crianças acordadas à noite. Procura, junto com o rapaz, encontrar uma solução para o caso, que não pertube o sono das crianças. O rapaz relutantemente concorda em abaixar o volume à noite, mas aprecia a atitude cooperativa do casal E. Todaos se sentem bem com os resultados.
"Já Passou dos Limites"
Marcos, de 28 anos, chega em casa e encontra um bilhete da mulher, dizendo que iniciou um processo de divórcio. Ele fica muito perturbado, principalmente porque ele não lhe disse cara a cara. Enquanto procura se controlar e compreender por que ela agiu daquela maneira, ele relê seu bilhete:
"Marcos, estamos casados há 3 anos e nunca, em nenhum momento, você me permitiu ser eu mesma e agir como um ser humano. Você sempre me disse o que fazer, sempre tomou todas as decisões. Você nunca aprenderá a mostrar carinho e afeição por ninguém. Tenho medo de ter filhos com receio de que eles possam ser tratados como eu sou. Aprendi a perder todo o respeito e admiração por você. Ontem à noite, quando você me bateu, foi o fim. Vou me divorciar de você."
Marcos decide reagir a este bilhete sendo:
Não-Assertivo:
Sente-se completamente só, com remorso e com pena de si mesmo. Começa a bater e finalmente toma coragem suficiente para chamar sua mulher na casa dos pais dela. No telefone, implora perdão, pede a ela que volte e promete mudar.
Agressivo:
Marcos fica furioso com o comportamento de sua mulher e sai para procurá-la. Ele a agarra violentamente pelo braço e exige que ela volte para o lar ao qual ela pertence. Diz-lhe que ela é sua mulher e tem que fazer o que ele diz. Ela briga e resiste; seus pais intervêm e chamam a polícia.
Assertivo:
Marcos liga para a mulher e diz-lhe que percebe que foi tudo basicamente por culpa dele, mas que gostaria de mudar. Fala de sua boa vontade de marcar uma consulta com um psicólogo e espera que ela participe com ele.
FUNDAMENTOS PARA UM COMPORTAMENTO ASSERTIVO
"Tá bom", você diz, "pode ser que eu não seja tão assertivo quanto gostaria de ser. Você não pode ensinar um cavalo velho a marchar. Esta é minha maneira de ser. Não posso mudá-la".
Não concordamos. Milhares de pessoas têm descoberto que se tornar mais assertivo é um processo de aprendizagem e que é possível para elas mudarem. Muitas vezes um "cavalo velho" precisa de mais tempo para aprender, mas a recompensa é grande e o processo não é, de fato, tão difícil. Em primeiro lugar, como posso saber que realmente quero mudar? Existe algum perigo em potencial na asserção? E as pessoas significativas da minha vida; elas não farão objeção se eu, de repente, me tornar mais expressivo?. Este capítulo pretende fornecer uma fundamentação para o desenvolvimento autodirigido do comportamento assertivo.
PORQUE DEVO MUDAR?
"Sim, sou não-assertivo, e daí?" Bem, pense por exemplo, até que ponto você conhece as consequências deste comportamento? Já observou como você se dá com os outros? Frequentemente as pessoas tiram vantagem de você? Você evita certas situações sociais porque se sente muito ansioso? Já perdeu um emprego ou encontro por não ter conseguido conversar com alguém? Nunca isto lhe custou dinheiro, porque você "não podia" devolver à loja uma compra estragada? Já comprou alguma coisa que não queria, porque "não podia dizer não"? Já foi criticado por seu cônjuge ou por outras pessoas por indecisão?
Algumas destas consequências da não-assertividade forçosamente produzirão angústia, desapontamento e talvez auto-recriminação. Se você experimentou este tipo de sofrimento já tem motivação para mudar. Você está pronto para ir em frente e estamos certos de que os procedimentos apresentados aqui lhe serão de grande valor. Aprender a "lutar por seus direitos" não é uma panacéia, mas um grande passo para se libertar do peso de um comportamento de autonegação.
Muitas vezes é mais difícil a pessoa agressiva perceber que necessita de ajuda, pois está acostumada a controlar o ambiente para satisfazer suas necessidades. Se seu estilo é agressivo, é muito provável que suas relações atuais se tornem piores, a não ser que procure ajuda. Um relacionamento que não é saudável tende a se deteriorar e pode fazê-lo se sentir pior do que agora. Temos percebido que, em geral, a pessoa que se comporta agressivamente pode procurar mudar por sugestão de outros. Muitas vezes ela é movida pela sua própria frustração com a inadequação de seu comportamento.
Você sempre assume a liderança em relações sociais? É você, sempre, que tem que telefonar primeiro para seus amigos? Raras vezes as pessoas o introduzem espontaneamente numa discussão? Você é, invariavelmente, o "vencedor" nas discussões? Frequentemente você ralha com empregados por um serviço inadequado? Você dita as regras para seus subordinados no trabalho? Para seus familiares em casa? Você percebe as pessoas tentando evitá-lo? A alienação das pessoas que lhe são próximas é o preço que você paga para que as coisas caminhem do jeito que você quer? A assertividade pode atingir os mesmos resultados com muito menos feridos no relacionamento.
Um exemplo que demonstra de maneira interessante tanto repostas não-assertivas quanto agressivas à ansiedade é o caso de Karen, que estava tendo ataques de raiva dirigidos contra o homem com quem ela planejava se casar. Sua ansiedade era causada pela falta de consideração dele; chegava muito tarde aos encontros, só lhe avisava dos compromissos a que ele queria ir com ela na última hora, e outras faltas de cortesia. Karen não era assertiva com seus direitos de exigir a cortesia devida, até que sua raiva cresceu a um nível irracional e então ela explodiu com ele. Assim que ela tomou consciência de que a situação pioraria depois do casamento, e do que significaria estar casada vivendo este tipo de relacionamento, e da possibilidade de seu casamento terminar em divórcio, Karen concordou com um treinamento assertivo. Infelizmente muitas mulheres atravessam todo o seu casamento "sob o domínio" do marido, porque sentem que é o "seu lugar" no casamento.
OS SEUS DIREITOS
Ao sugerirmos asserção para as pessoas, enfatizamos o fato de que ninguém tem o direito de aproveitar de outro simplesmente por uma questão de se tratar de seres humanos. Por exemplo, um empregador não pode desrespeitar os direitos de cortesia e respeito que o empregado merece como ser humano. Um médico não tem o direito de ser descortês ou injusto ao lidar com um paciente ou enfermeira. Um advogado não deve sentir que tem o direito de "falar de cima" com o operário. Cada pessoa tem o direito inalienável de expressar-se, mesmo que "só tenha o primário" ou "esteja no caminho errado" ou seja "apenas uma auxiliar de escritório". Todas as pessoas são, de fato, criadas iguais num plano humano e cada uma merece o privilégio de expressar seus direitos inatos. Há muito a ganhar da vida sendo-se livre e capaz de lutar por si mesmo e garantir os mesmos direitos para os outros. Sendo assertiva, a pessoa está aprendendo a dar e receber em igualdade com os outros e estar mais a serviço de si e dos outros.
Outra faceta que motiva muitos a se tornarem assertivos é a maneira como certos problemas somáticos se reduzem à medida que a asserção progride. Queixas como dores de cabeça, asma, problemas gástricos, fadiga geral, freqüentemente desaparecem. A redução na ansiedade e culpa que é experimentada por pessoas não-assertivas e agressivas, quando aprendem a ser assertivas, resulta freqüentemente na eliminação destes sintomas físicos.
Esta é a hora para compreender que você não está sozinho, que outros já enfrentaram desafios e situações semelhantes e mudaram para melhor.
A esperança e coragem necessárias para iniciar o treinamento pode ser conseguida estudando as descrições dos casos para aprender como outros ultrapassaram dificuldades similares com êxito. Você poderá se identificar com casos que citamos anteriormente e que continuaremos a descrever.
Uma implicação da asserção está sempre presente em indivíduos não-assertivos: comportamento auto-negativo sutilmente reforça outro comportamento mau ou indesejável. Dois exemplos deixam isso claro:
Diana, uma mulher casada de 35 anos, tinha um marido que desejava ter relações sexuais toda noite. Às vezes ela estava francamente cansada das atividades do dia como dona de casa e mãe de três filhos e não queria ter relações. Contudo, quando Diana recusava, seu marido reclamava e ficava magoado, insistindo até que ela "sentia pena dele" e cedia. Esses fatos se repetiam com tanta frequência em seu relacionamento que se tornaram habituais, e quanto mais Diana negava, mais ele insistia até que ela cedesse. Naturalmente, fazendo isso, ela reforçava o comportamento dele, sem contar o valor do reforço da gratificação sexual dele.
Outro exemplo é de uma estudante universitária, Wendy, de 20 anos, que embora fosse independente financeiramente, era do tipo "hippie" e vivia fora do campus em moradia barata com um rapaz e uma moça. Vivendo juntos eles dividiam as despesas e economizavam muito dinheiro. Wendy e seus amigos tinham a reputação de ser "rebeldes". Rumores sobre o comportamento deles e suas condições de vida chegaram a seus pais, que a submeteram a longa preleção sobre a nova geração, respeito à autoridade, a saúde de sua mãe, ser vulgar, e assim por diante. Isso aconteceu várias vezes e a cada vez Wendy perturbava-se eventualmente e perguntava o que podia fazer para conciliar as coisas, e então cedia a algumas exigências deles. Assim, novamente vemos como Wendy reforçava o comportamento indesejável de seus pais, perturbando-se ou cedendo, quer dizer, ela lhes ensinava como fazer preleções a ela.
Embora possa ser mais difícil para o indivíduo geralmente agressivo admitir as consequências de seus atos, ele geralmente reconhece a reação dos outros quando os direitos deles são desrespeitados. Ele reage internamente com reconhecimento e pesar quando confrontado com a alienação que seu comportamento provoca. Se você procura ajuda, você consegue admitir para si mesmo sua preocupação e sentimento de culpa pelo mal que causou aos outros e pode reconhecer que você simplesmente não sabe como atingir seus objetivos de maneira não-agressiva. Neste ponto você é um excelente candidato para o treinamento assertivo.
Um indivíduo desse tipo foi colocado num grupo de terapia. Depois de um tempo considerável ouvindo Jerry, que monopolizava totalmente o grupo, vários membros o questionaram duramente. Embora fosse um homem forte e turbulento, Jerry logo reagiu a essa resposta, atenciosa porém questionadora que lhe foi transmitida pelo grupo, com uma crise de choro. Ele contou que seu jeito de valentão era apenas um disfarce que o protegia da intimidade das pessoas. Esta intimidade lhe era ameaçadora. Ele se sentia um desajustado e usava a máscara do "machão" para manter os outros à distância. O grupo respondeu à necessidade que Jerry tinha de ser estimado e o ajudou a elaborar respostas adequadamente assertivas que substituíssem seu comportamento provocativo e belicoso.
UMA ADVERTÊNCIA ANTES QUE VOCÊ COMECE
Desde que você está bem motivado e pronto a começar a ser assertivo, você deve primeiramente assegurar-se de que compreende perfeitamente os princípios básicos da asserção. Entender a diferença entre comportamento assertivo e agressivo é importante para seu sucesso. Em segundo lugar, você deve decidir se está pronto para começar a treinar o comportamento auto-assertivo sozinho. Geralmente as pessoas situacionalmente não-assertivas ou situacionalmente agressiva são capazes de começar a asserção com êxito. Para os indivíduos geralmente não-assertivos e geralmente agressivos, contudo, maior prudência é necessária; e recomendamos uma prática e trabalho lento e cuidadoso com outra pessoa, de preferência um terapeuta treinado, como facilitador.
Em terceiro lugar, suas tentativas devem ser escolhidas por ser potencialmente promissoras, para lhe dar o devido reforço. Este ponto, naturalmente, é importante para todos os assertivos iniciantes, mas especialmente para os geralmente não-assertivos e os geralmente agressivos. Quanto maior êxito você obtiver no início, maior a probabilidade de que esse êxito continue durante o treinamento.
Inicialmente, comece com pequenas asserções que tenham possibilidade de ser compensadoras, e então prossiga com algumas mais difíceis. Você pode desejar explorar cada passo com um amigo ou facilitador treinado até que você seja capaz de controlar totalmente a maioria das situações. Você deve proceder com cuidado quando tomar sozinho a iniciativa de tentar uma asserção difícil sem preparação especial. E tome muito cuidado para não tentar uma asserção que possa lhe acarretar um fracasso total. Isso poderá inibir suas tentativas futuras.
Se você sofrer um revés, o que pode muito bem ocorrer, pare a fim de analisar cuidadosamente a situação e tornar a ganhar autoconfiança, obtendo ajuda de um facilitador, se necessário. Especialmente nos primeiros estágios da asserção, é comum cometer erros por não usar adequadamente a técnica ou por excesso de entusiasmo, chegando ao ponto da agressão. Qualquer desvio desses pode causar respostas negativas, particularmente se a outra pessoa, "o receptor", tornar-se hostil e muito agressivo. Não deixe esta ocorrência desanima-lo. Considere novamente seu objetivo e lembre-se que, embora a asserção bem sucedida exija treino, suas compensações são grandes.
Em quarto lugar, pondere seu relacionamento com as pessoas próximas de você. De modo típico, padrões de comportamento não-assertivo ou agressivo têm sido exercidos por um indivíduo por um longo tempo. O indivíduo não-assertivo terá estabelecido padrões de interação com aqueles que estão significativamente próximos a ele, como família, cônjuge, amigos. Assim também acontece com o indivíduo agressivo. Uma mudança nessas relações já estabelecidas pode causar bastante transtorno aos outros envolvidos. De um modo geral, os pais são freqüentemente alvo de comportamento assertivo especialmente no fim da adolescência ou aos vinte e poucos anos, quando os filhos lutam pela independência.
Naturalmente, algumas pessoas cedem aos desejos e ordens dos pais a vida toda (porque é "certo" respeitar os mais velhos, especialmente os pais que se sacrificaram tanto por você, etc.) Muitos pais acreditam piamente nisso e ficam muito desconcertados quando seu filho "se rebela" assertivamente. Por outro lado, pais que pautaram sua vida em resposta a um filho agressivo podem também ficar confusos quando perceberem que o comportamento dele está se tornando assertivo, embora há muito desejassem esta mudança. Consequentemente, pode ser útil pedir a um facilitador que intervenha e converse com os pais para prepará-los para estas modificações. Esta intervenção pode freqüentemente evitar que essas reações se exasperem e provoquem relações profundamente tensas entre pais e filhos.
Relacionamentos conjugais que têm se mantido há anos baseados nas ações não-assertivas ou agressivas de um cônjuge são igualmente propensos a ficar "de pernas para o ar" quando a asserção começa. Se o cônjuge não está preparado e disposto a mudar um pouco também, há uma forte possibilidade de rompimento entre o casal. A cooperação do cônjuge conseguida através de algumas reuniões com o facilitador pode ajudar imensamente a mudança de comportamento. Espera-se que um treinamento assertivo para um esposo fortaleça as relações conjugais. Contudo há um perigo potencial de comportamento de um dos parceiros e deve-se estar atento para agir com plena consciência dessas eventuais consequências. Uma conversa franca com os pais ou cônjuge é firmemente recomendada.
OS COMPONENTES DO COMPORTAMENTO ASSERTIVO
De maneira crescente, observações sistemáticas de comportamento assertivo têm levado muitos cientistas comportamentais a concluir que há muitos elementos que constituem uma ação assertiva. Em nosso trabalho de ajudar os outros a desenvolver maior asserção, demos atenção particular a estes componentes:
Olhar nos olhos - Olhar diretamente para a outra pessoa com a qual você está falando é um modo eficaz de declarar que você é sincero sobre o que está dizendo e que suas palavras são dirigidas a ela.
Postura do corpo - O "peso" de suas mensagens será aumentada se você olhar de frente para a pessoa, ficar de pé ou assentado apropriadamente perto dela, curvar-se para ela, manter a cabeça ereta.
Gestos - Uma mensagem acentuada por gestos apropriados adquire uma ênfase especial (gestos muito exuberantes podem parecer fora de propósito).
Expressão facial - Já viu alguém tentando expressar raiva enquanto sorri ou dá risada? Simplesmente não convence. Asserções eficazes requerem uma expressão que combine com a mensagem.
Tom de voz, inflexão e volume - Um sussurro monótono dificilmente convencerá outra pessoa de sua seriedade, enquanto um ímpeto gritado bloqueará seu campo de comunicação por suscitar resistência na outra pessoa. Um relato num nível correto, num tom coloquial bem modulado, será convincente sem intimidar.
Escolher a hora apropriada - A expressão espontânea será normalmente seu objetivo, pois a hesitação pode diminuir o efeito de uma asserção. Mas tem que haver um critério contudo, para selecionar a ocasião certa. Por exemplo, se você quer falar ao seu chefe, isso deverá ser feito na privacidade do escritório dele e não na frente do pessoal do escritório, onde ele pode responder defensivamente.
Conteúdo - Deixamos esta dimensão óbvia da asserção para o final, a fim de enfatizar que, embora o que você diz seja logicamente importante, é freqüentemente menos importante do que muitos de nós pensamos ser. Nós encorajamos uma honestidade fundamental em intercomunicação pessoal e espontaneidade de expressão. No nosso ponto de vista, isto significa dizer claramente: "Estou danada da vida com o que acabou de fazer"; ao invés de: "Você é um filho da p...".
As pessoas que têm "engasgado" anos a fio "por não saber o que dizer" acharam que a prática de dizer algo, para expressar seus sentimentos do momento, é um passo útil para atingir maior asserção espontaneamente.
Mais um comentário sobre conteúdo: nós lhe encorajamos a expressar seus sentimentos - e a aceitar responsabilidade por eles. Note a diferença entre o exemplo acima: "Estou furioso" e "Você é um filho da P..." Não é necessário humilhar outra pessoa (agressivo) para expressar seu sentimento (assertivo).
Sua imaginação pode levá-lo a uma vasta variedade de situações que demonstram a importância da maneira pela qual você expressa sua asserção. Basta dizer que o tempo que você passa pensando sobre "as palavras certas" será melhor usado se você passá-lo fazendo asserções!. O objetivo final é expressar a si mesmo, sincera e espontaneamente, da maneira "certa" para você.
Pronto, agora? Se chegou até aqui, você está provavelmente pronto para começar a dar os primeiros passos para aumentar sua própria asserção. Nós sabemos que você conseguirá êxito. A recompensa ultrapassa em muito os esforços exigidos. Boa viagem!
O DESENVOLVIMENTO DO COMPORTAMENTO ASSERTIVO
(MUDANDO COMPORTAMENTO E ATITUDES)
Infelizmente há um erro no consenso popular sobre o comportamento das pessoas. Uma opinião generalizada que os psicólogos julgam errônea é a idéia de que alguém deve mudar sua atitude antes de poder mudar o modo como se comporta. Em nossa experiência com centenas de clientes em treinamento clínico assertivo, e no feedback de alguns dos milhares de leitores deste livro, assim como de inúmeros relatórios de nossos colegas em prática psicológica, ficou claro que o comportamento pode mudar primeiro e é mais fácil e mais eficaz agir assim, na maioria dos casos.
Quando você começar o processo de se tornar mais assertivo, nós não pediremos que você acorde uma manhã e diga: "Hoje eu sou uma pessoa nova e assertiva!" Ao invés disso, você achará aqui um guia para uma mudança de comportamento gradual e sistemática. A chave para o desenvolvimento da asserção é a prática de novos padrões de comportamento. Este capítulo destina-se a guiá-lo através dos passos necessários em tal prática e demonstrar-lhe como você pode usar o novo comportamento assertivo no relacionamento com os outros.
Nós observamos um círculo de comportamento não-assertivo ou agressivo que tende a perpetrar-se, até que uma intervenção decisiva ocorra. A pessoa que tem agido não-assertivamente ou agressivamente em suas relações por um longo período, geralmente tem um baixo conceito de si mesma. Seu comportamento com os outros - abusivo ou de auto-negação - é respondido com desprezo, desdém ou abandono. Ela observa as respostas e diz para si mesma: "Veja, eu sabia que não valia nada". Vendo o baixo conceito que faz de si mesma confirmado, ela persiste em seu padrão inadequado de comportamento. Assim o círculo se fecha: comportamento inadequado, feedback negativo, atitude de auto-depreciação, comportamento inadequado.
O comportamento mais prontamente observável deste padrão é o próprio comportamento. Nós podemos facilmente perceber o comportamento claro em oposição a atitudes e sentimentos que podem estar ocultos atrás da fachada que nos é mostrada. Além disso, o comportamento é o comportamento mais passível de mudança. Nossos esforços de facilitar melhoraram as relações interpessoais. Além disso, uma maior valorização de si mesmo como pessoa surgirá com a mudança de seus padrões de comportamento.
Nós achamos que o círculo pode ser reverso, iniciando-se uma sequência positiva: o comportamento mais adequadamente assertivo (auto-valorização) ganha mais respostas positivas dos outros; este feedback positivo leva a uma avaliação positiva de si mesmo ("Puxa, as pessoas estão me tratando como alguém de valor!"), e os sentimentos melhorados sobre si mesmo resultam em asserções futuras.
Harold estava convencido há anos de sua total falta de valor. Ele era totalmente dependente de uma esposa no que se refere a apoio emocional, e, embora tivesse muito boa aparência e habilidade de expressar-se bem, não tinha amigos. Imaginem seu completo desespero quando sua esposa o abandonou! Felizmente, Harold já estava na terapia nessa época e desejava relacionar-se com outras pessoas. Quando suas primeiras tentativas de asserção com jovens atraentes tiveram mais êxito do que ele jamais ousou esperar, o valor reforçador de tais respostas às suas asserções foi altamente positiva. O alto-conceito de Harold mudou rapidamente, e ele tornou-se muito mais assertivo em várias situações.
Nem todos certamente, experimentarão tão rápidos progressos em sua asserção, e nem todas as asserções terão pleno êxito. O sucesso quase sempre requer muita paciência e depende de um processo gradual de lidar com situações cada vez mais difíceis. No entanto, este exemplo enfatiza uma regra geral que encontramos ao facilitar comportamento assertivo: a asserção tende a ser compensadora por si mesma. É muito agradável sentir que os outros começam a responder mais atenciosamente, atingir seu ideal de relacionamento, fazer com que as situações se resolvam do jeito que você quer. E você pode fazer estas coisas acontecerem!
Comece com asserções simples, nas quais você esteja certo de ser bem sucedido. Assim ganhará mais confiança e treino para lidar com outras mais complexas. É geralmente muito útil e reconfortante contar com ajuda e orientação de outra pessoa, talvez um amigo, professor ou terapeuta profissional.
Tenha sempre em mente que a mudança de comportamento leva a uma série de mudanças de atitude em você mesmo e de outras pessoas e situações em relação a você. A parte final desse capítulo apresenta os passos necessários para levar a esta mudança de comportamento. Leia todo o material aqui exposto cuidadosamente antes de começar. Então volte a esse ponto e comece a seguir os passos em sua própria vida. Você gostará de sua nova maneira de ser.
O PROCESSO PASSO A PASSO
1)Observe seu próprio comportamento. Você tem sido adequadamente assertivo? Você está satisfeito com sua atuação positiva em relações interpessoais? Avalie como você se sente com relação a si mesmo e seu comportamento.
2)Observe atenciosamente sua asserção. Faça anotações ou mesmo um diário durante uma semana. Registre diariamente situações nas quais você se encontrou respondendo assertivamente, outras nas quais você "explodiu" e aquelas que evitou completamente para não ter que enfrentar a necessidade de agir assertivamente. Seja honesto consigo mesmo, e também persistente!
3)Concentre-se numa situação determinada. Feche os olhos por alguns momentos e imagine como lidar com um incidente específico (ter recebido o troco errado no supermercado, ou ter de ficar um tempão ouvindo um amigo falar ao telefone numa hora em que você tinha tanta coisa para fazer, ou deixar que seu patrão o humilhe por causa de um pequeno erro). Imagine claramente os detalhes acontecidos, incluindo o que sentiu na hora e posteriormente.
4)Reveja suas respostas. Escreva seu comportamento no 3o. passo em termos dos componentes da asserção anteriormente relacionados (modo de olhar, posição do corpo, gestos, expressão facial, voz, conteúdo da mensagem). Observe cuidadosamente os componentes de seu comportamento no incidente imaginado. Observe suas forças. Tome consciência daqueles componentes que representam comportamento não-assertivo ou agressivo.
5)Observe o modelo eficaz. Neste ponto seria muito útil observar alguém que sabe lidar satisfatoriamente com a mesma situação. Observe os componentes da asserção, especialmente o estilo - as palavras são menos importantes. Se o modelo é um amigo, discuta com ele a maneira de ele agir e suas consequências.
6)Considere respostas alternativas. De quais outros modos o incidente pode ser tratado? Você poderia lidar com ele de uma maneira mais vantajosa? Menos agressivamente? Volte ao quadro inicial e diferencie respostas agressiva, não-assertiva e assertiva.
7)Imagine-se lidando com a situação. Feche os olhos e visualize-se lidando eficazmente com a situação. Você pode agir igual ao "modelo" do 5o passo ou de um modo muito diferente. Seja assertivo, mas tão espontâneo quanto possível. Repita o passo tantas vezes quantas forem necessárias até que possa imaginar um estilo cômodo para si mesmo e que resolva de modo favorável a situação.
8)Ponha em prática. Tendo examinado seu próprio comportamento, considerado alternativas e observado um modelo de ação mais adequado, você está preparado para começar a pôr em prática novos modos de tratar situações problemáticas. Uma repetição dos passos 5,6 e 7 pode ser feita até que você se sinta pronto a começar. É importante escolher uma alternativa que seja um modo mais eficaz de agir diante de uma situação difícil. Você pode desejar seguir seu modelo e agir como ele (5o passo). Tal escolha é correta, mas deve refletir a consciência de que você é um indivíduo único, e a maneira de ele agir pode não servir no seu caso. Depois de escolher um modo alternativo de comportamento mais eficaz, você deve então representar a situação com um amigo, professor ou terapeuta, tentando agir de acordo com a nova resposta que escolheu. Como nos passos 2,3 e 4, faça uma observação cuidadosa de seu comportamento, usando recursos para registro mecânico quando isso for possível.
9)Obtenha feedback. Este passo essencialmente repete o 4, dando ênfase aos aspectos positivos de seu comportamento. Observe particularmente a força de sua atuação e trabalhe positivamente para desenvolver áreas mais deficientes.
10)Formando o comportamento. Os passos 7,8 e 9 devem ser repetidos tão freqüentemente quanto necessário para "formar" seu comportamento - por este processo de aproximações sucessivas de seu objetivo - até o ponto em que você se sinta à vontade para lidar de maneira positiva com situações previamente ameaçadoras.
11)O verdadeiro teste. Você está agora pronto a testar seu novo padrão de respostas na situação real. Até este ponto sua preparação passou-se em um ambiente relativamente seguro. Contudo, treino cuidadoso e prática constante o prepararam para reagir quase "automaticamente" à situação. Você deve portanto ser encorajado a fazer uma tentativa "ao vivo". Se você não está disposto a isso, mais ensaios serão necessários (pessoas que são cronicamente ansiosas e inseguras ou que duvidam seriamente de seu próprio valor podem precisar de terapia profissional. Recomendamos enfaticamente que você procure logo assistência profissional, se for o caso.). Lembre-se que pôr em prática sincera e espontaneamente o que aprendeu aqui é o passo mais importante de todos.
12)Práticas mais avançadas. Insistimos que você repita os procedimentos que forem necessários para atingir o padrão de comportamento desejado. Você pode desejar seguir um programa desse tipo que se relacione a outras situações específicas nas quais você quer desenvolver um repertório de respostas mais adequadas.
13)Reforço social. Como passo final para estabelecer um padrão de comportamento independente, é muito importante que haja um perfeito entendimento da necessidade de um auto-reforço constante. A fim de manter seu comportamento assertivo recentemente desenvolvido, você deve alcançar um sistema de reforço em seu próprio meio social. Por exemplo, agora você conhece o sentimento agradável que acompanha uma asserção bem sucedida e você pode ficar confiante na continuação dessa boa resposta. A admiração que você receberá dos outros será outra resposta positiva constante que você vai obter.
Concluindo, embora enfatizemos a importância deste processo sistemático de aprendizagem, deve ficar claro que o que recomendamos não é um caminho obrigatório e rígido que não leva em consideração as necessidades e objetivos de cada indivíduo. Insistimos que você crie um ambiente de aprendizagem que o ajudará a desenvolver sua asserção. Nenhum sistema é "certo" para todos. Nós o incentivamos a ser sistemático, mas a seguir um programa que satisfaça suas próprias necessidades individuais. Não há, naturalmente, nenhum substituto para a prática ativa do comportamento assertivo em sua própria vida, quando você optar por isto como meio de desenvolver uma asserção maior e gozar suas grandes recompensas.
UM "EMPURRÃOZINHO"
Agora que você está envolvido no processo de desenvolver um comportamento assertivo, não se permita ficar passivo. Se você ficou interessado suficientemente para chegar até este ponto do texto, ou você está pensando seriamente em melhorar sua asserção ou imaginando como pode ajudar outros a serem mais assertivos. Em qualquer caso, faça alguma coisa! Você não pode mudar somente lendo esse texto. Se você não começar a mudar de atitude no seu cotidiano, nós servimos apenas como um passatempo. Se, por outro lado, você partir agora e lidar como uma situação interpessoal defendendo seus próprios interesses, estamos satisfeitos de ter participado de seu crescimento. Tente!
ALÉM DA ASSERÇÃO
O tema desenvolvido nesse texto versa sobre o valor do comportamento assertivo para o indivíduo que procura dar um sentido próprio à sua vida, e particularmente às suas relações interpessoais. O leitor sensível terá reconhecido algumas das falhas e desvios inerentes à sua própria asserção pessoal. A sensibilidade é necessária a uma análise dessas limitações e consequências negativas da auto-asserção.
Embora o comportamento assertivo por si mesmo seja a recompensa para a maioria, as consequências da situação podem diminuir seu valor. Considere por exemplo, o menino pequeno que assertivamente recusa o pedido de outro grandão para andar em sua nova bicicleta, e como resultado ganha um olho roxo. Sua asserção foi perfeitamente legítima, mas a outra pessoa não quis aceitar a negação da vontade dela. Portanto, sem sugerir que a asserção seja evitada quando parecer arriscada, nós realmente incentivamos os indivíduos a considerar as consequências prováveis de seus atos assertivos. Sob outras circunstâncias, o valor pessoal da asserção será contrabalançado pelo valor de evitar a resposta provável àquela asserção.
Pode ser útil rever um número de situações possíveis nas quais o valor potencial da asserção é pesado em relação às consequências prováveis. É nossa convicção que cada pessoa deve ser capaz de escolher por si mesma como agir. Se um indivíduo pode agir assertivamente sob determinadas condições, mas escolhe não agir, nosso objetivo é alcançado. Se ele é incapaz de agir assertivamente (quer dizer, não consegue escolher por si próprio como se comportar, mas é intimidado em sua assertividade ou compelido a ser agressivo), sua vida será governada por outros e sua saúde mental sofrerá.
REAÇÕES POTENCIAIS ADVERSAS
Em nossa experiência como facilitadores da asserção, descobrimos que resultados negativos ocorrem em um número mínimo de casos. Certos indivíduos, porém, reagem de modo desagradável quando enfrentam a asserção de outrem. Portanto, mesmo quando lida adequadamente com a asserção não deixando que ela seja agressiva ou não assertiva em nenhum grau, alguém pode às vezes ainda ver-se às voltas com situações incômodas, tais como:
1)Revides - Depois de você expressar-se assertivamente, a outra pessoa envolvida pode ficar zangada mas não declarará isto abertamente. Por exemplo, se outros "furam fila" e você exige seu lugar assertivamente, a outra pessoa pode resmungar quando tiver de passar para o fim da linha. Você pode ouvir coisas como: "Quem ele pensa que é?", "Que vantagem!", "É o bom!", e assim por diante. Em nosso modo de pensar, a melhor solução é simplesmente ignorar esse comportamento infantil. Se você replicar de algum modo, é provável que a situação se complique, pois sua resposta reforçará o fato de que as palavras dela o atingiram.
2)Agressões - Neste caso a outra pessoa torna-se abertamente hostil a você. Isso pode significar gritos, brados ou reações físicas como tapas, murros, empurrões. Novamente, o melhor meio de lidar com isso é evitar deixar essa condição dominá-lo. Você pode optar por dizer o quanto lamenta tê-la deixado nervosa com seus atos, mas deve continuar firme em sua asserção. Essa firmeza será especialmente essencial se seu contato com ela continuar no futuro. Se você voltar atrás em sua asserção, simplesmente reforçará a reação negativa da parte dela. Como resultado, da próxima vez que você agir assertivamente com ela, a possibilidade de receber reações agressivas será alta.
3)Crises de Temperamento - Em certas situações você pode ser assertivo com alguém que esteja acostumado a dominar. Ele pode então reagir à sua asserção ficando magoado, queixando-se da saúde, dizendo que você não gosta dele, chorando e lamentando-se, manipulando-o para que você se sinta culpado.
4)Reações Psicossomáticas - Doenças físicas verdadeiras podem ocorrer em alguns indivíduos, se você cortar um hábito arraigado. Dores abdominais, dores de cabeça, desmaios são alguns dos sintomas possíveis. Para continuar assertiva, a pessoa deve, porém, optar por ser firme na asserção, reconhecendo que o outro se ajustará às novas condições em pouco tempo. Você deve também ser coerente em sua asserção quando quiser que a mesma situação ocorra com este indivíduo. Se você é incoerente na asserção de seus direitos, a outra pessoa ficará confusa. Ele ou ela pode vir a simplesmente ignorar sua asserção.
5)Desculpas Excessivas - Em raras ocasiões, depois de você ter afirmado seus direitos, o outro indivíduo se tornará muito humilde com você ou se desculpará demais. Você deve mostrar-lhe que esse comportamento é dispensável. Se, em encontros posteriores, ele parecer temê-lo ou estar excessivamente respeitoso com você, não se aproveite dele. Ao invés disso, você pode ajudá-lo a ser assertivo, utilizando os métodos que descrevemos.
6)Vinganças - Se você tiver uma relação prolongada com a pessoa com a qual foi assertivo, há chance de ela procurar se vingar. Primeiramente, pode ser difícil entender suas intenções, mas com o correr do tempo seus propósitos se tornarão evidentes. Quando você tiver certeza de que ela planeja complicar terrivelmente sua vida, o método indicado é enfrentá-la diretamente, pondo as cartas na mesa. Geralmente isto é suficiente para fazê-la parar suas táticas vingativas.
OPTANDO PELA NÃO-ASSERÇÃO
Opção é a palavra chave no processo assertivo. Desde que você esteja realmente convicto (com a certeza adquirida em encontros assertivos anteriores bem sucedidos) de que consegue ser assertivo, você pode em dado momento decidir não querer ser assim. A seguir citaremos algumas circunstâncias em que se pode optar pela não-asserção:
1)Indivíduos Extremamentes Sensíveis - Em certas ocasiões, a partir de suas próprias observações você pode concluir que certa pessoa é incapaz de aceitar mesmo as asserções mais simples. Quando isso é óbvio, é muito melhor se resignar e não arriscar nenhuma asserção. Embora haja tipos supersensíveis que usam aparente fraqueza para manipular os outros, todos temos consciência de que há alguns indivíduos que se sentem tão facilmente ameaçados que a menor discordância os faz explodir, ou interiormente (e assim ferindo-se), ou exteriormente (e assim ferindo outros). Você deve evitar contatos com este tipo de pessoas o máximo possível, mas se isto for inevitável, há respostas alternativas, como aceitar essa pessoa como ele é e não causar atritos, se isso for possível.
2)Redundância - Uma vez ou outra a pessoa que desrespeitou seus direitos notará que se excedeu antes que você tenha demonstrado sua asserção. Ela estão remediará a situação de modo apropriado. Obviamente você não deve esperar eternamente até que ela faça isso. Além disso, você não deve hesitar em ser assertivo se ela falhar em se corrigir. Se, por outro lado, você vê que a pessoa reconheceu a falta dela, você não deve insistir na sua asserção.
3)Sendo Compreensivo - Uma vez ou outra você pode escolher não ser assertivo porque nota que a pessoa está tendo dificuldades; as circunstâncias podem estar sendo adversas para ela. Em um restaurante, à noite, depois de ter pedido um certo prato, notamos que a cozinheira nova estava tendo grandes dificuldades. Portanto, quando nossa refeição chegou, não exatamente como havíamos pedido, escolhemos não ser assertivos em vez de "complicar" ainda mais. Outro exemplo é quando um conhecido seu está em um dia ruim ou com um mau humor incomum. Nestes caso você pode escolher "passar por cima" de certas coisas que o incomodam, ou adiar um confronto até um momento mais produtivo. (Cuidado: É fácil usar "não desejar magoar os sentimentos de outrem" como racionalização para a não asserção, quando a asserção seria mais apropriada. Se você se encontrar fazendo isso frequentemente, sugerimos que examine cuidadosamente seus motivos verdadeiros).
QUANDO VOCÊ ESTÁ ERRADO
Principalmente em suas primeiras asserções, pode acontecer que você seja assertivo em uma situação interpretada erroneamente. Além disso, pode ser que você use uma técnica ainda imperfeita e ofenda a outra pessoa. Se quaisquer destas situações ocorrerem, você deve ter muito boa vontade em admitir que errou. Não há necessidade de se justificar em demasia, tentando remediar a situação naturalmente, mas você deve ser aberto suficientemente para demonstrar que sabe quando cometeu um erro. Mais ainda, você não deve ficar apreensivo com as asserções futuras em relação àquela pessoa, se você sentir novamente que a situação exige isso.
Texto extraído do livro:
ALBERTI & EMMONS Comportamento Assertivo: um guia de auto-expressão. Belo Horizonte: Interlivros, 1978.
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Se você passa pela vida cheio de inibições, cedendo à vontade alheia, guardando seus desejos dentro de si, ou, ao contrário, destruindo os outros a fim de atingir seus próprios objetivos seu sentimento de autovalor estará baixo.
Nosso sistema de vida ocidental muitas vezes cultiva maneiras conflitivas de comportamento em várias áreas de relacionamento interpessoal, havendo uma nítida contradição entre comportamentos "recomendados" e comportamentos "reforçados".
As instituições da sociedade têm ensinado com tanto empenho a inibir a expressão dos direitos razoáveis de uma pessoa que esta pode se sentir culpada por haver se afirmado.
Cada pessoa tem o direito de ser e de expressar a si mesma, e sentir-se bem (sem culpas) por fazer isso, desde que não fira seus semelhantes no processo. O comportamento que torna a pessoa capaz de agir em seus próprios interesses, a se afirmar sem ansiedade indevida, a expressar sentimentos sinceros sem constrangimento, ou a exercitar seus próprios direitos sem negar os alheios, é denominado de comportamento assertivo.
A pessoa não-assertiva tende a pensar na resposta apropriada depois que a oportunidade passou. A pessoa agressiva pode responder muito vigorosamente, causando uma forte impressão negativa e mais tarde arrepender-se disso. É nosso propósito neste texto, orienta-lo para que obtenha um repertório de comportamento assertivo mais adequado para que escolha respostas apropriadas e satisfatórias em várias situações.
Pesquisas demonstraram que o aprendizado de respostas assertivas inibirá ou enfraquecerá a ansiedade previamente experimentada em relações interpessoais específicas.
Quando a pessoa se torna capaz de afirmar-se e fazer coisas por iniciativa própria, ela reduz apreciavelmente sua ansiedade ou tensão anteriores em situações críticas e aumenta seu senso de valor como pessoa.
Este mesmo senso de valor está geralmente ausente na pessoa agressiva, cuja agressividade pode mascarar sentimentos de culpa e de insegurança. Desta forma, podemos caracterizar três tipos de comportamento interpessoal:
COMPORTAMENTO
NÃO-ASSERTIVO COMPORTAMENTO
AGRESSIVO COMPORTAMENTO
ASSERTIVO
O EMISSOR O EMISSOR O EMISSOR
Nega a si próprio Valoriza-se às custas dos
dos outros Valoriza-se
Fica inibido Expressa-se Expressa-se
Fica magoado e ansioso. Deprecia os outros Sente-se bem consigo mesmo
Permite que outros escolham Escolhe para os outros Escolhe por si para ele
Não atinge os objetivos Pode atingir os objetivos
ferindo os outros desejados Atinge os objetivos desejados
O RECEPTOR O RECEPTOR O RECEPTOR
Sente culpa ou raiva Repudia-se Valoriza-se
Sente-se ferido, humilhado e na defensiva Deprecia o emissor Expressa-se
Não atinge os objetivos desejados Atinge os objetivos às custas
do emissor Pode atingir os objetivos desejados
O comportamento agressivo resulta comumente num "rebaixar" o receptor. Seus direitos foram negados e ele se sente ferido, humilhado e na defensiva. Embora a pessoa agressiva possa atingir seus objetivos, ela pode também gerar ódio e frustração que poderá receber mais tarde como vingança.
Por outro lado, um comportamento assertivo apropriado na mesma situação aumentaria a auto-apreciação do emissor e uma expressão honesta de seus sentimentos. Geralmente ele atingirá seus objetivos, tendo escolhido por si mesmo como agir. Um sentimento positivo a respeito de si mesmo acompanha uma resposta assertiva.
Do mesmo modo, quando as consequências destes três comportamentos contrastantes são vistas da perspectiva de uma pessoa "sobre a qual" eles são emitidos (ou seja, o indivíduo ao qual o comportamento é dirigido), surge um padrão paralelo. O comportamento não-assertivo produz freqüentemente sentimentos que vão de simpatia a um franco desprezo pelo emissor.
Também a pessoa que recebe a ação (receptor) pode sentir culpa ou raiva ao atingir seus próprios objetivos às custas do emissor. Pelo contrário, uma transação envolvendo asserção aumenta os sentimentos de autovalorização e permite expressão total de si mesmo. Além disso, enquanto o emissor atinge seus objetivos, os objetivos do indivíduo ao qual o comportamento é dirigido também podem ser atingidos.
Em suma, é claro então que no comportamento não-assertivo o emissor se prejudica pela própria autodesvalorização; e no comportamento agressivo o receptor é prejudicado. No caso da asserção, nenhuma pessoa é prejudicada e, a menos que os objetivos desejados sejam totalmente conflitantes, ambos podem sair-se bem.
EXEMPLOS DE CASOS
"Jantando Fora"
O Sr. e a Sra.A estão num restaurante de preços moderados. O Sr.A pediu um bife especial, mas quando foi servido percebeu que estava muito bem passado, ao contrário do que ele havia pedido. Seu comportamento é:
Não-Assertivo:
O Sr.A resmunga para a mulher a respeito do bife "queimado" e diz que não volta mais neste restaurante. Ele não diz nada ao garçom e responde "tudo legal" à sua pergunta "está tudo bem?". A sua noite e seu jantar são altamente insatisfatórios e ele se sente culpado por não ter tomado uma atitude. A auto-estima do Sr.A e a admiração da Sra.A por ele são diminuídas pela experiência.
Agressivo:
O Sr. A chama o garçom à mesa e é injusto e grosseiro com ele por não ter atendido bem. A sua atitude ridiculariza o garçom e constrange a Sra.A. Ele pede e recebe outro bife mais de acordo com o que queria. Ele se sente controlando a situação, mas o embaraço da Sra.A cria atrito entre eles e estraga a noite. O garçom fica humilhado, zangado e sem jeito o resto da noite.
Assertivo:
O Sr.A chama o garçom à sua mesa, lembra-lhe que pediu um bife especial, mostra-lhe o bife bem passado, pede-lhe educada mas firmemente que o troque por um mal passado como ele havia pedido. O garçom pede desculpa pelo erro e rapidamente o atende. O casal aprecia o jantar e o Sr.A se sente satisfeito consigo mesmo. O garçom se sente feliz com o freguês satisfeito e o serviço adequado.
"Emprestando Alguma Coisa"
Helen é uma universitária atraente e excelente estudante, amada pelos professores e colegas. Ela mora numa república com seis moças, dividindo seu quarto com duas. Todas as moças namoram regularmente. Uma noite, enquanto as colegas de quarto de Helen se preparavam para encontrar os namorados (Helen planeja uma noite tranqüila elaborando um trabalho escolar), Maria diz que vai sair com um cara muito legal e espera dar uma boa impressão. Ela pergunta a Helen se pode usar um colar novo que Helen acabou de ganhar de seu irmão. Helen e seu irmão são muito amigos e o colar significa muito para ela. Sua resposta é:
Não-Assertiva:
Ela "engole em seco" seu medo do colar ser perdido ou danificado, e seu sentimento de que seu significado especial o tornava muito importante para ser emprestado e diz:"Claro".
Ela se desvaloriza, reforça Maria por fazer um pedido excessivo e se preocupa toda a noite (o que traz pouca contribuição para o trabalho escolar).
Agressiva:
Helen mostra indignação pelo pedido da amiga, diz-lhe "absolutamente não" e começa a censurá-la severamente por atrever-se a fazer uma pergunta "tão cretina". Ela humilha Maria e faz um papel ridículo. Mais tarde se sente incomodada e com sentimento de culpa, o que interfere no seu estudo. Maria se sente ferida e estes sentimentos manifestam-se mais tarde, estragando seu encontro, pois não cosegue se divertir, o que intriga e desencoraja o rapaz. Daí em diante o relacionamento de Helen com Maria passa a ser bastante tenso.
Assertiva:
Ela fala do significado do colar e, gentil mas firmamente, diz que aquele pedido não pode ser atendido, pois a jóia é muito pessoal. Mais tarde ela se sente bem por ter sido sincera consigo mesma e Maria, reconhecendo a validade da resposta de Helen, faz grande sucesso com o rapaz, sendo também mais honesta e franca com ele.
"Fumando Maconha"
Pam é uma aluna do terceiro colegial, muito simpática, que tem se encontrado com um rapaz muito atraente do qual tem gostado muito. Numa noite ele a convida a participar de um bate-papo com outros dois casais, ambos casados.
Quando todos se reuniram na festa, Pam sentiu-se muito bem e gostou muito. Depois de uma hora mais ou menos, um dos homens casados pegou alguns cigarros de maconha e sugeriu que todos fumassem. Todos prontamente aceitaram, exceto Pam, que não queria experimentar maconha. Ela fica em conflito, porque o rapaz que ela admira está fumando maconha e, quando ele lhe oferece o cigarro, ela decide ser:
Não-Assertiva:
Aceita o cigarro, demonstrando já ter fumado maconha antes. Ela observa atentamente os outros para ver como eles fumam. No fundo, ela teme que eles lhe peçam para fumar mais. Os outros estão falando em "ficar muito doidos" e Pam está preocupada com o que o rapaz está pensando dela. Ela negou a si própria, não foi sincera com seu namorado, e sente remorso por ter entrado numa que não queria.
Agressiva:
Pam fica indignada quando lhe oferecem a maconha e explode com o rapaz por tê-la levado a uma festa de tipo tão "baixo". Diz que prefere voltar logo para casa do que ficar com este tipo de gente. Quando as outras pessoas da festa lhe dizem que ela não precisa fumar, se não quiser, ela não se satisfaz e continua indignada. Seu amigo fica humilhado, sem jeito com seus amigos e desapontado com ela. Embora ele continue cordial com Pam quando a leva para casa, ele não mais a convidará para sair.
Assertiva:
Pam não aceita o cigarro, dizendo simplesmente: "Não, obrigada. Não estou com vontade". Ela continua, explicando que nunca fumou antes e que não tem vontade de fazê-lo. Diz que preferiria que os outros não fumassem, mas reconhece o direito que eles têm de fazer suas próprias escolhas.
"A Gorducha"
O Sr. e Sra.B estão casados há nove anos e recentemente vêm tendo problemas conjugais, porque ele insiste em que ela está muito gorda e precisa emagrecer. Ele volta ao assunto constantemente, dizendo-lhe que ela não é mais a mesma mulher com quem se casou (que tinha 50 Kg.), que este excesso de peso lhe faz mal a saúde, que ela é um mau exemplo para as crianças, etc.
Além disso, ele a goza, dizendo que ela é bola, olha apaixonadamente para as moças magras, comentando sobre o quanto são atraentes, e faz referências à sua má aparência na frente dos amigos. Nos últimos três meses o Sr.B tem se comportado desta maneira e a Sra.B já está terrivelmente contrariada. Ela tem tentado perder peso nestes três meses, mas sem muito sucesso. Seguindo a onda de críticas do Sr.B, a Sra.B é:
Não-Assertiva:
Ela pede descupas por seu excesso de peso, às vezes se descupa sem convicção, outras simplesmente aceita calada as críticas do marido. Interiormente ela sente raiva do marido pela sua chateação e culpa-se pelo excesso de peso. Sua ansiedade torna mais difícil para ela perder peso, e a briga continua.
Agressiva:
A Sra.B faz frequentes comentários, dizendo que seu marido também não vale grande coisa. Ela menciona o fato de que à noite ele cai no sono no sofá, é um péssimo parceiro sexual e não lhe dá atenção suficiente.
Estas coisas não têm nada a ver com o problema, mas a Sra.B continua. Ela queixa-se de que ele a humilha na frente das crianças e amigos mais chegados e age como um "velho sem vergonha" pelo modo que olha as moças atraentes. Na sua raiva ela só consegue ferir o Sr.B e construir uma barreira entre eles, defendendo-se com o contra-ataque.
Assertiva:
A Sra.B procura o marido numa hora em que ele está sozinho e não será interrompido; então lhe diz que sente que ele está certo com relação à sua necessidade de perder peso, mas que não gosta da sua maneira de colocar o problema. Diz que está fazendo o melhor que pode e que está sendo duro perder peso e manter o regime. Ele compreende a ineficácia de ficar repisando o assunto e decidem trabalhar juntos num plano no qual ele vai reforçá-la sistematicamente por seus esforços em perder peso.
"O Menino do Vizinho"
O Sr. e Sra.E têm um filho de dois anos e uma filha de dois meses. Recentemente, por diversas noites, o filho do vizinho de 17 anos, tem ficado em seu carro, ao lado da casa, ouvindo som altíssimo. Ele começa exatamente na hora em que as duas criaças do casal E se recolhem para dormir, exatamente ao lado da casa onde o rapaz ouve as músicas. A música alta acorda as crianças toda noite e é impossível para os pais fazê-las dormir enquanto a música continua. O casal E está incomodado e decide ser:
Não-Assertivo:
O Sr. e Sra.E levam as crianças para seu quarto, do outro lado da casa, esperam até que a música cesse, por volta de 1 hora da madrugada, então transferem as crianças para o quarto delas. E vão dormir muito depois do horário de costume. Eles continuam a maldizer o rapaz em silêncio, e breve se desligam dos vizinhos.
Agressivo:
O casal E. chama a polícia e reclama que "um desses jovens selvagens" da casa ao lado está incomodando. Exigem que a polícia "faça seu papel" e pare com o barulho de uma vez. A polícia fala com o rapaz e com seus pais, que ficam muito chateados e com raiva pelo embaraço da visita da polícia. Eles reprovam o fato de o casal E ter chamado a polícia antes de conversar com eles e resolvem evitar qualquer relacionamento com eles.
Assertivo:
O casal vai à casa do rapaz e diz a ele que sua música está mantendo as crianças acordadas à noite. Procura, junto com o rapaz, encontrar uma solução para o caso, que não pertube o sono das crianças. O rapaz relutantemente concorda em abaixar o volume à noite, mas aprecia a atitude cooperativa do casal E. Todaos se sentem bem com os resultados.
"Já Passou dos Limites"
Marcos, de 28 anos, chega em casa e encontra um bilhete da mulher, dizendo que iniciou um processo de divórcio. Ele fica muito perturbado, principalmente porque ele não lhe disse cara a cara. Enquanto procura se controlar e compreender por que ela agiu daquela maneira, ele relê seu bilhete:
"Marcos, estamos casados há 3 anos e nunca, em nenhum momento, você me permitiu ser eu mesma e agir como um ser humano. Você sempre me disse o que fazer, sempre tomou todas as decisões. Você nunca aprenderá a mostrar carinho e afeição por ninguém. Tenho medo de ter filhos com receio de que eles possam ser tratados como eu sou. Aprendi a perder todo o respeito e admiração por você. Ontem à noite, quando você me bateu, foi o fim. Vou me divorciar de você."
Marcos decide reagir a este bilhete sendo:
Não-Assertivo:
Sente-se completamente só, com remorso e com pena de si mesmo. Começa a bater e finalmente toma coragem suficiente para chamar sua mulher na casa dos pais dela. No telefone, implora perdão, pede a ela que volte e promete mudar.
Agressivo:
Marcos fica furioso com o comportamento de sua mulher e sai para procurá-la. Ele a agarra violentamente pelo braço e exige que ela volte para o lar ao qual ela pertence. Diz-lhe que ela é sua mulher e tem que fazer o que ele diz. Ela briga e resiste; seus pais intervêm e chamam a polícia.
Assertivo:
Marcos liga para a mulher e diz-lhe que percebe que foi tudo basicamente por culpa dele, mas que gostaria de mudar. Fala de sua boa vontade de marcar uma consulta com um psicólogo e espera que ela participe com ele.
FUNDAMENTOS PARA UM COMPORTAMENTO ASSERTIVO
"Tá bom", você diz, "pode ser que eu não seja tão assertivo quanto gostaria de ser. Você não pode ensinar um cavalo velho a marchar. Esta é minha maneira de ser. Não posso mudá-la".
Não concordamos. Milhares de pessoas têm descoberto que se tornar mais assertivo é um processo de aprendizagem e que é possível para elas mudarem. Muitas vezes um "cavalo velho" precisa de mais tempo para aprender, mas a recompensa é grande e o processo não é, de fato, tão difícil. Em primeiro lugar, como posso saber que realmente quero mudar? Existe algum perigo em potencial na asserção? E as pessoas significativas da minha vida; elas não farão objeção se eu, de repente, me tornar mais expressivo?. Este capítulo pretende fornecer uma fundamentação para o desenvolvimento autodirigido do comportamento assertivo.
PORQUE DEVO MUDAR?
"Sim, sou não-assertivo, e daí?" Bem, pense por exemplo, até que ponto você conhece as consequências deste comportamento? Já observou como você se dá com os outros? Frequentemente as pessoas tiram vantagem de você? Você evita certas situações sociais porque se sente muito ansioso? Já perdeu um emprego ou encontro por não ter conseguido conversar com alguém? Nunca isto lhe custou dinheiro, porque você "não podia" devolver à loja uma compra estragada? Já comprou alguma coisa que não queria, porque "não podia dizer não"? Já foi criticado por seu cônjuge ou por outras pessoas por indecisão?
Algumas destas consequências da não-assertividade forçosamente produzirão angústia, desapontamento e talvez auto-recriminação. Se você experimentou este tipo de sofrimento já tem motivação para mudar. Você está pronto para ir em frente e estamos certos de que os procedimentos apresentados aqui lhe serão de grande valor. Aprender a "lutar por seus direitos" não é uma panacéia, mas um grande passo para se libertar do peso de um comportamento de autonegação.
Muitas vezes é mais difícil a pessoa agressiva perceber que necessita de ajuda, pois está acostumada a controlar o ambiente para satisfazer suas necessidades. Se seu estilo é agressivo, é muito provável que suas relações atuais se tornem piores, a não ser que procure ajuda. Um relacionamento que não é saudável tende a se deteriorar e pode fazê-lo se sentir pior do que agora. Temos percebido que, em geral, a pessoa que se comporta agressivamente pode procurar mudar por sugestão de outros. Muitas vezes ela é movida pela sua própria frustração com a inadequação de seu comportamento.
Você sempre assume a liderança em relações sociais? É você, sempre, que tem que telefonar primeiro para seus amigos? Raras vezes as pessoas o introduzem espontaneamente numa discussão? Você é, invariavelmente, o "vencedor" nas discussões? Frequentemente você ralha com empregados por um serviço inadequado? Você dita as regras para seus subordinados no trabalho? Para seus familiares em casa? Você percebe as pessoas tentando evitá-lo? A alienação das pessoas que lhe são próximas é o preço que você paga para que as coisas caminhem do jeito que você quer? A assertividade pode atingir os mesmos resultados com muito menos feridos no relacionamento.
Um exemplo que demonstra de maneira interessante tanto repostas não-assertivas quanto agressivas à ansiedade é o caso de Karen, que estava tendo ataques de raiva dirigidos contra o homem com quem ela planejava se casar. Sua ansiedade era causada pela falta de consideração dele; chegava muito tarde aos encontros, só lhe avisava dos compromissos a que ele queria ir com ela na última hora, e outras faltas de cortesia. Karen não era assertiva com seus direitos de exigir a cortesia devida, até que sua raiva cresceu a um nível irracional e então ela explodiu com ele. Assim que ela tomou consciência de que a situação pioraria depois do casamento, e do que significaria estar casada vivendo este tipo de relacionamento, e da possibilidade de seu casamento terminar em divórcio, Karen concordou com um treinamento assertivo. Infelizmente muitas mulheres atravessam todo o seu casamento "sob o domínio" do marido, porque sentem que é o "seu lugar" no casamento.
OS SEUS DIREITOS
Ao sugerirmos asserção para as pessoas, enfatizamos o fato de que ninguém tem o direito de aproveitar de outro simplesmente por uma questão de se tratar de seres humanos. Por exemplo, um empregador não pode desrespeitar os direitos de cortesia e respeito que o empregado merece como ser humano. Um médico não tem o direito de ser descortês ou injusto ao lidar com um paciente ou enfermeira. Um advogado não deve sentir que tem o direito de "falar de cima" com o operário. Cada pessoa tem o direito inalienável de expressar-se, mesmo que "só tenha o primário" ou "esteja no caminho errado" ou seja "apenas uma auxiliar de escritório". Todas as pessoas são, de fato, criadas iguais num plano humano e cada uma merece o privilégio de expressar seus direitos inatos. Há muito a ganhar da vida sendo-se livre e capaz de lutar por si mesmo e garantir os mesmos direitos para os outros. Sendo assertiva, a pessoa está aprendendo a dar e receber em igualdade com os outros e estar mais a serviço de si e dos outros.
Outra faceta que motiva muitos a se tornarem assertivos é a maneira como certos problemas somáticos se reduzem à medida que a asserção progride. Queixas como dores de cabeça, asma, problemas gástricos, fadiga geral, freqüentemente desaparecem. A redução na ansiedade e culpa que é experimentada por pessoas não-assertivas e agressivas, quando aprendem a ser assertivas, resulta freqüentemente na eliminação destes sintomas físicos.
Esta é a hora para compreender que você não está sozinho, que outros já enfrentaram desafios e situações semelhantes e mudaram para melhor.
A esperança e coragem necessárias para iniciar o treinamento pode ser conseguida estudando as descrições dos casos para aprender como outros ultrapassaram dificuldades similares com êxito. Você poderá se identificar com casos que citamos anteriormente e que continuaremos a descrever.
Uma implicação da asserção está sempre presente em indivíduos não-assertivos: comportamento auto-negativo sutilmente reforça outro comportamento mau ou indesejável. Dois exemplos deixam isso claro:
Diana, uma mulher casada de 35 anos, tinha um marido que desejava ter relações sexuais toda noite. Às vezes ela estava francamente cansada das atividades do dia como dona de casa e mãe de três filhos e não queria ter relações. Contudo, quando Diana recusava, seu marido reclamava e ficava magoado, insistindo até que ela "sentia pena dele" e cedia. Esses fatos se repetiam com tanta frequência em seu relacionamento que se tornaram habituais, e quanto mais Diana negava, mais ele insistia até que ela cedesse. Naturalmente, fazendo isso, ela reforçava o comportamento dele, sem contar o valor do reforço da gratificação sexual dele.
Outro exemplo é de uma estudante universitária, Wendy, de 20 anos, que embora fosse independente financeiramente, era do tipo "hippie" e vivia fora do campus em moradia barata com um rapaz e uma moça. Vivendo juntos eles dividiam as despesas e economizavam muito dinheiro. Wendy e seus amigos tinham a reputação de ser "rebeldes". Rumores sobre o comportamento deles e suas condições de vida chegaram a seus pais, que a submeteram a longa preleção sobre a nova geração, respeito à autoridade, a saúde de sua mãe, ser vulgar, e assim por diante. Isso aconteceu várias vezes e a cada vez Wendy perturbava-se eventualmente e perguntava o que podia fazer para conciliar as coisas, e então cedia a algumas exigências deles. Assim, novamente vemos como Wendy reforçava o comportamento indesejável de seus pais, perturbando-se ou cedendo, quer dizer, ela lhes ensinava como fazer preleções a ela.
Embora possa ser mais difícil para o indivíduo geralmente agressivo admitir as consequências de seus atos, ele geralmente reconhece a reação dos outros quando os direitos deles são desrespeitados. Ele reage internamente com reconhecimento e pesar quando confrontado com a alienação que seu comportamento provoca. Se você procura ajuda, você consegue admitir para si mesmo sua preocupação e sentimento de culpa pelo mal que causou aos outros e pode reconhecer que você simplesmente não sabe como atingir seus objetivos de maneira não-agressiva. Neste ponto você é um excelente candidato para o treinamento assertivo.
Um indivíduo desse tipo foi colocado num grupo de terapia. Depois de um tempo considerável ouvindo Jerry, que monopolizava totalmente o grupo, vários membros o questionaram duramente. Embora fosse um homem forte e turbulento, Jerry logo reagiu a essa resposta, atenciosa porém questionadora que lhe foi transmitida pelo grupo, com uma crise de choro. Ele contou que seu jeito de valentão era apenas um disfarce que o protegia da intimidade das pessoas. Esta intimidade lhe era ameaçadora. Ele se sentia um desajustado e usava a máscara do "machão" para manter os outros à distância. O grupo respondeu à necessidade que Jerry tinha de ser estimado e o ajudou a elaborar respostas adequadamente assertivas que substituíssem seu comportamento provocativo e belicoso.
UMA ADVERTÊNCIA ANTES QUE VOCÊ COMECE
Desde que você está bem motivado e pronto a começar a ser assertivo, você deve primeiramente assegurar-se de que compreende perfeitamente os princípios básicos da asserção. Entender a diferença entre comportamento assertivo e agressivo é importante para seu sucesso. Em segundo lugar, você deve decidir se está pronto para começar a treinar o comportamento auto-assertivo sozinho. Geralmente as pessoas situacionalmente não-assertivas ou situacionalmente agressiva são capazes de começar a asserção com êxito. Para os indivíduos geralmente não-assertivos e geralmente agressivos, contudo, maior prudência é necessária; e recomendamos uma prática e trabalho lento e cuidadoso com outra pessoa, de preferência um terapeuta treinado, como facilitador.
Em terceiro lugar, suas tentativas devem ser escolhidas por ser potencialmente promissoras, para lhe dar o devido reforço. Este ponto, naturalmente, é importante para todos os assertivos iniciantes, mas especialmente para os geralmente não-assertivos e os geralmente agressivos. Quanto maior êxito você obtiver no início, maior a probabilidade de que esse êxito continue durante o treinamento.
Inicialmente, comece com pequenas asserções que tenham possibilidade de ser compensadoras, e então prossiga com algumas mais difíceis. Você pode desejar explorar cada passo com um amigo ou facilitador treinado até que você seja capaz de controlar totalmente a maioria das situações. Você deve proceder com cuidado quando tomar sozinho a iniciativa de tentar uma asserção difícil sem preparação especial. E tome muito cuidado para não tentar uma asserção que possa lhe acarretar um fracasso total. Isso poderá inibir suas tentativas futuras.
Se você sofrer um revés, o que pode muito bem ocorrer, pare a fim de analisar cuidadosamente a situação e tornar a ganhar autoconfiança, obtendo ajuda de um facilitador, se necessário. Especialmente nos primeiros estágios da asserção, é comum cometer erros por não usar adequadamente a técnica ou por excesso de entusiasmo, chegando ao ponto da agressão. Qualquer desvio desses pode causar respostas negativas, particularmente se a outra pessoa, "o receptor", tornar-se hostil e muito agressivo. Não deixe esta ocorrência desanima-lo. Considere novamente seu objetivo e lembre-se que, embora a asserção bem sucedida exija treino, suas compensações são grandes.
Em quarto lugar, pondere seu relacionamento com as pessoas próximas de você. De modo típico, padrões de comportamento não-assertivo ou agressivo têm sido exercidos por um indivíduo por um longo tempo. O indivíduo não-assertivo terá estabelecido padrões de interação com aqueles que estão significativamente próximos a ele, como família, cônjuge, amigos. Assim também acontece com o indivíduo agressivo. Uma mudança nessas relações já estabelecidas pode causar bastante transtorno aos outros envolvidos. De um modo geral, os pais são freqüentemente alvo de comportamento assertivo especialmente no fim da adolescência ou aos vinte e poucos anos, quando os filhos lutam pela independência.
Naturalmente, algumas pessoas cedem aos desejos e ordens dos pais a vida toda (porque é "certo" respeitar os mais velhos, especialmente os pais que se sacrificaram tanto por você, etc.) Muitos pais acreditam piamente nisso e ficam muito desconcertados quando seu filho "se rebela" assertivamente. Por outro lado, pais que pautaram sua vida em resposta a um filho agressivo podem também ficar confusos quando perceberem que o comportamento dele está se tornando assertivo, embora há muito desejassem esta mudança. Consequentemente, pode ser útil pedir a um facilitador que intervenha e converse com os pais para prepará-los para estas modificações. Esta intervenção pode freqüentemente evitar que essas reações se exasperem e provoquem relações profundamente tensas entre pais e filhos.
Relacionamentos conjugais que têm se mantido há anos baseados nas ações não-assertivas ou agressivas de um cônjuge são igualmente propensos a ficar "de pernas para o ar" quando a asserção começa. Se o cônjuge não está preparado e disposto a mudar um pouco também, há uma forte possibilidade de rompimento entre o casal. A cooperação do cônjuge conseguida através de algumas reuniões com o facilitador pode ajudar imensamente a mudança de comportamento. Espera-se que um treinamento assertivo para um esposo fortaleça as relações conjugais. Contudo há um perigo potencial de comportamento de um dos parceiros e deve-se estar atento para agir com plena consciência dessas eventuais consequências. Uma conversa franca com os pais ou cônjuge é firmemente recomendada.
OS COMPONENTES DO COMPORTAMENTO ASSERTIVO
De maneira crescente, observações sistemáticas de comportamento assertivo têm levado muitos cientistas comportamentais a concluir que há muitos elementos que constituem uma ação assertiva. Em nosso trabalho de ajudar os outros a desenvolver maior asserção, demos atenção particular a estes componentes:
Olhar nos olhos - Olhar diretamente para a outra pessoa com a qual você está falando é um modo eficaz de declarar que você é sincero sobre o que está dizendo e que suas palavras são dirigidas a ela.
Postura do corpo - O "peso" de suas mensagens será aumentada se você olhar de frente para a pessoa, ficar de pé ou assentado apropriadamente perto dela, curvar-se para ela, manter a cabeça ereta.
Gestos - Uma mensagem acentuada por gestos apropriados adquire uma ênfase especial (gestos muito exuberantes podem parecer fora de propósito).
Expressão facial - Já viu alguém tentando expressar raiva enquanto sorri ou dá risada? Simplesmente não convence. Asserções eficazes requerem uma expressão que combine com a mensagem.
Tom de voz, inflexão e volume - Um sussurro monótono dificilmente convencerá outra pessoa de sua seriedade, enquanto um ímpeto gritado bloqueará seu campo de comunicação por suscitar resistência na outra pessoa. Um relato num nível correto, num tom coloquial bem modulado, será convincente sem intimidar.
Escolher a hora apropriada - A expressão espontânea será normalmente seu objetivo, pois a hesitação pode diminuir o efeito de uma asserção. Mas tem que haver um critério contudo, para selecionar a ocasião certa. Por exemplo, se você quer falar ao seu chefe, isso deverá ser feito na privacidade do escritório dele e não na frente do pessoal do escritório, onde ele pode responder defensivamente.
Conteúdo - Deixamos esta dimensão óbvia da asserção para o final, a fim de enfatizar que, embora o que você diz seja logicamente importante, é freqüentemente menos importante do que muitos de nós pensamos ser. Nós encorajamos uma honestidade fundamental em intercomunicação pessoal e espontaneidade de expressão. No nosso ponto de vista, isto significa dizer claramente: "Estou danada da vida com o que acabou de fazer"; ao invés de: "Você é um filho da p...".
As pessoas que têm "engasgado" anos a fio "por não saber o que dizer" acharam que a prática de dizer algo, para expressar seus sentimentos do momento, é um passo útil para atingir maior asserção espontaneamente.
Mais um comentário sobre conteúdo: nós lhe encorajamos a expressar seus sentimentos - e a aceitar responsabilidade por eles. Note a diferença entre o exemplo acima: "Estou furioso" e "Você é um filho da P..." Não é necessário humilhar outra pessoa (agressivo) para expressar seu sentimento (assertivo).
Sua imaginação pode levá-lo a uma vasta variedade de situações que demonstram a importância da maneira pela qual você expressa sua asserção. Basta dizer que o tempo que você passa pensando sobre "as palavras certas" será melhor usado se você passá-lo fazendo asserções!. O objetivo final é expressar a si mesmo, sincera e espontaneamente, da maneira "certa" para você.
Pronto, agora? Se chegou até aqui, você está provavelmente pronto para começar a dar os primeiros passos para aumentar sua própria asserção. Nós sabemos que você conseguirá êxito. A recompensa ultrapassa em muito os esforços exigidos. Boa viagem!
O DESENVOLVIMENTO DO COMPORTAMENTO ASSERTIVO
(MUDANDO COMPORTAMENTO E ATITUDES)
Infelizmente há um erro no consenso popular sobre o comportamento das pessoas. Uma opinião generalizada que os psicólogos julgam errônea é a idéia de que alguém deve mudar sua atitude antes de poder mudar o modo como se comporta. Em nossa experiência com centenas de clientes em treinamento clínico assertivo, e no feedback de alguns dos milhares de leitores deste livro, assim como de inúmeros relatórios de nossos colegas em prática psicológica, ficou claro que o comportamento pode mudar primeiro e é mais fácil e mais eficaz agir assim, na maioria dos casos.
Quando você começar o processo de se tornar mais assertivo, nós não pediremos que você acorde uma manhã e diga: "Hoje eu sou uma pessoa nova e assertiva!" Ao invés disso, você achará aqui um guia para uma mudança de comportamento gradual e sistemática. A chave para o desenvolvimento da asserção é a prática de novos padrões de comportamento. Este capítulo destina-se a guiá-lo através dos passos necessários em tal prática e demonstrar-lhe como você pode usar o novo comportamento assertivo no relacionamento com os outros.
Nós observamos um círculo de comportamento não-assertivo ou agressivo que tende a perpetrar-se, até que uma intervenção decisiva ocorra. A pessoa que tem agido não-assertivamente ou agressivamente em suas relações por um longo período, geralmente tem um baixo conceito de si mesma. Seu comportamento com os outros - abusivo ou de auto-negação - é respondido com desprezo, desdém ou abandono. Ela observa as respostas e diz para si mesma: "Veja, eu sabia que não valia nada". Vendo o baixo conceito que faz de si mesma confirmado, ela persiste em seu padrão inadequado de comportamento. Assim o círculo se fecha: comportamento inadequado, feedback negativo, atitude de auto-depreciação, comportamento inadequado.
O comportamento mais prontamente observável deste padrão é o próprio comportamento. Nós podemos facilmente perceber o comportamento claro em oposição a atitudes e sentimentos que podem estar ocultos atrás da fachada que nos é mostrada. Além disso, o comportamento é o comportamento mais passível de mudança. Nossos esforços de facilitar melhoraram as relações interpessoais. Além disso, uma maior valorização de si mesmo como pessoa surgirá com a mudança de seus padrões de comportamento.
Nós achamos que o círculo pode ser reverso, iniciando-se uma sequência positiva: o comportamento mais adequadamente assertivo (auto-valorização) ganha mais respostas positivas dos outros; este feedback positivo leva a uma avaliação positiva de si mesmo ("Puxa, as pessoas estão me tratando como alguém de valor!"), e os sentimentos melhorados sobre si mesmo resultam em asserções futuras.
Harold estava convencido há anos de sua total falta de valor. Ele era totalmente dependente de uma esposa no que se refere a apoio emocional, e, embora tivesse muito boa aparência e habilidade de expressar-se bem, não tinha amigos. Imaginem seu completo desespero quando sua esposa o abandonou! Felizmente, Harold já estava na terapia nessa época e desejava relacionar-se com outras pessoas. Quando suas primeiras tentativas de asserção com jovens atraentes tiveram mais êxito do que ele jamais ousou esperar, o valor reforçador de tais respostas às suas asserções foi altamente positiva. O alto-conceito de Harold mudou rapidamente, e ele tornou-se muito mais assertivo em várias situações.
Nem todos certamente, experimentarão tão rápidos progressos em sua asserção, e nem todas as asserções terão pleno êxito. O sucesso quase sempre requer muita paciência e depende de um processo gradual de lidar com situações cada vez mais difíceis. No entanto, este exemplo enfatiza uma regra geral que encontramos ao facilitar comportamento assertivo: a asserção tende a ser compensadora por si mesma. É muito agradável sentir que os outros começam a responder mais atenciosamente, atingir seu ideal de relacionamento, fazer com que as situações se resolvam do jeito que você quer. E você pode fazer estas coisas acontecerem!
Comece com asserções simples, nas quais você esteja certo de ser bem sucedido. Assim ganhará mais confiança e treino para lidar com outras mais complexas. É geralmente muito útil e reconfortante contar com ajuda e orientação de outra pessoa, talvez um amigo, professor ou terapeuta profissional.
Tenha sempre em mente que a mudança de comportamento leva a uma série de mudanças de atitude em você mesmo e de outras pessoas e situações em relação a você. A parte final desse capítulo apresenta os passos necessários para levar a esta mudança de comportamento. Leia todo o material aqui exposto cuidadosamente antes de começar. Então volte a esse ponto e comece a seguir os passos em sua própria vida. Você gostará de sua nova maneira de ser.
O PROCESSO PASSO A PASSO
1)Observe seu próprio comportamento. Você tem sido adequadamente assertivo? Você está satisfeito com sua atuação positiva em relações interpessoais? Avalie como você se sente com relação a si mesmo e seu comportamento.
2)Observe atenciosamente sua asserção. Faça anotações ou mesmo um diário durante uma semana. Registre diariamente situações nas quais você se encontrou respondendo assertivamente, outras nas quais você "explodiu" e aquelas que evitou completamente para não ter que enfrentar a necessidade de agir assertivamente. Seja honesto consigo mesmo, e também persistente!
3)Concentre-se numa situação determinada. Feche os olhos por alguns momentos e imagine como lidar com um incidente específico (ter recebido o troco errado no supermercado, ou ter de ficar um tempão ouvindo um amigo falar ao telefone numa hora em que você tinha tanta coisa para fazer, ou deixar que seu patrão o humilhe por causa de um pequeno erro). Imagine claramente os detalhes acontecidos, incluindo o que sentiu na hora e posteriormente.
4)Reveja suas respostas. Escreva seu comportamento no 3o. passo em termos dos componentes da asserção anteriormente relacionados (modo de olhar, posição do corpo, gestos, expressão facial, voz, conteúdo da mensagem). Observe cuidadosamente os componentes de seu comportamento no incidente imaginado. Observe suas forças. Tome consciência daqueles componentes que representam comportamento não-assertivo ou agressivo.
5)Observe o modelo eficaz. Neste ponto seria muito útil observar alguém que sabe lidar satisfatoriamente com a mesma situação. Observe os componentes da asserção, especialmente o estilo - as palavras são menos importantes. Se o modelo é um amigo, discuta com ele a maneira de ele agir e suas consequências.
6)Considere respostas alternativas. De quais outros modos o incidente pode ser tratado? Você poderia lidar com ele de uma maneira mais vantajosa? Menos agressivamente? Volte ao quadro inicial e diferencie respostas agressiva, não-assertiva e assertiva.
7)Imagine-se lidando com a situação. Feche os olhos e visualize-se lidando eficazmente com a situação. Você pode agir igual ao "modelo" do 5o passo ou de um modo muito diferente. Seja assertivo, mas tão espontâneo quanto possível. Repita o passo tantas vezes quantas forem necessárias até que possa imaginar um estilo cômodo para si mesmo e que resolva de modo favorável a situação.
8)Ponha em prática. Tendo examinado seu próprio comportamento, considerado alternativas e observado um modelo de ação mais adequado, você está preparado para começar a pôr em prática novos modos de tratar situações problemáticas. Uma repetição dos passos 5,6 e 7 pode ser feita até que você se sinta pronto a começar. É importante escolher uma alternativa que seja um modo mais eficaz de agir diante de uma situação difícil. Você pode desejar seguir seu modelo e agir como ele (5o passo). Tal escolha é correta, mas deve refletir a consciência de que você é um indivíduo único, e a maneira de ele agir pode não servir no seu caso. Depois de escolher um modo alternativo de comportamento mais eficaz, você deve então representar a situação com um amigo, professor ou terapeuta, tentando agir de acordo com a nova resposta que escolheu. Como nos passos 2,3 e 4, faça uma observação cuidadosa de seu comportamento, usando recursos para registro mecânico quando isso for possível.
9)Obtenha feedback. Este passo essencialmente repete o 4, dando ênfase aos aspectos positivos de seu comportamento. Observe particularmente a força de sua atuação e trabalhe positivamente para desenvolver áreas mais deficientes.
10)Formando o comportamento. Os passos 7,8 e 9 devem ser repetidos tão freqüentemente quanto necessário para "formar" seu comportamento - por este processo de aproximações sucessivas de seu objetivo - até o ponto em que você se sinta à vontade para lidar de maneira positiva com situações previamente ameaçadoras.
11)O verdadeiro teste. Você está agora pronto a testar seu novo padrão de respostas na situação real. Até este ponto sua preparação passou-se em um ambiente relativamente seguro. Contudo, treino cuidadoso e prática constante o prepararam para reagir quase "automaticamente" à situação. Você deve portanto ser encorajado a fazer uma tentativa "ao vivo". Se você não está disposto a isso, mais ensaios serão necessários (pessoas que são cronicamente ansiosas e inseguras ou que duvidam seriamente de seu próprio valor podem precisar de terapia profissional. Recomendamos enfaticamente que você procure logo assistência profissional, se for o caso.). Lembre-se que pôr em prática sincera e espontaneamente o que aprendeu aqui é o passo mais importante de todos.
12)Práticas mais avançadas. Insistimos que você repita os procedimentos que forem necessários para atingir o padrão de comportamento desejado. Você pode desejar seguir um programa desse tipo que se relacione a outras situações específicas nas quais você quer desenvolver um repertório de respostas mais adequadas.
13)Reforço social. Como passo final para estabelecer um padrão de comportamento independente, é muito importante que haja um perfeito entendimento da necessidade de um auto-reforço constante. A fim de manter seu comportamento assertivo recentemente desenvolvido, você deve alcançar um sistema de reforço em seu próprio meio social. Por exemplo, agora você conhece o sentimento agradável que acompanha uma asserção bem sucedida e você pode ficar confiante na continuação dessa boa resposta. A admiração que você receberá dos outros será outra resposta positiva constante que você vai obter.
Concluindo, embora enfatizemos a importância deste processo sistemático de aprendizagem, deve ficar claro que o que recomendamos não é um caminho obrigatório e rígido que não leva em consideração as necessidades e objetivos de cada indivíduo. Insistimos que você crie um ambiente de aprendizagem que o ajudará a desenvolver sua asserção. Nenhum sistema é "certo" para todos. Nós o incentivamos a ser sistemático, mas a seguir um programa que satisfaça suas próprias necessidades individuais. Não há, naturalmente, nenhum substituto para a prática ativa do comportamento assertivo em sua própria vida, quando você optar por isto como meio de desenvolver uma asserção maior e gozar suas grandes recompensas.
UM "EMPURRÃOZINHO"
Agora que você está envolvido no processo de desenvolver um comportamento assertivo, não se permita ficar passivo. Se você ficou interessado suficientemente para chegar até este ponto do texto, ou você está pensando seriamente em melhorar sua asserção ou imaginando como pode ajudar outros a serem mais assertivos. Em qualquer caso, faça alguma coisa! Você não pode mudar somente lendo esse texto. Se você não começar a mudar de atitude no seu cotidiano, nós servimos apenas como um passatempo. Se, por outro lado, você partir agora e lidar como uma situação interpessoal defendendo seus próprios interesses, estamos satisfeitos de ter participado de seu crescimento. Tente!
ALÉM DA ASSERÇÃO
O tema desenvolvido nesse texto versa sobre o valor do comportamento assertivo para o indivíduo que procura dar um sentido próprio à sua vida, e particularmente às suas relações interpessoais. O leitor sensível terá reconhecido algumas das falhas e desvios inerentes à sua própria asserção pessoal. A sensibilidade é necessária a uma análise dessas limitações e consequências negativas da auto-asserção.
Embora o comportamento assertivo por si mesmo seja a recompensa para a maioria, as consequências da situação podem diminuir seu valor. Considere por exemplo, o menino pequeno que assertivamente recusa o pedido de outro grandão para andar em sua nova bicicleta, e como resultado ganha um olho roxo. Sua asserção foi perfeitamente legítima, mas a outra pessoa não quis aceitar a negação da vontade dela. Portanto, sem sugerir que a asserção seja evitada quando parecer arriscada, nós realmente incentivamos os indivíduos a considerar as consequências prováveis de seus atos assertivos. Sob outras circunstâncias, o valor pessoal da asserção será contrabalançado pelo valor de evitar a resposta provável àquela asserção.
Pode ser útil rever um número de situações possíveis nas quais o valor potencial da asserção é pesado em relação às consequências prováveis. É nossa convicção que cada pessoa deve ser capaz de escolher por si mesma como agir. Se um indivíduo pode agir assertivamente sob determinadas condições, mas escolhe não agir, nosso objetivo é alcançado. Se ele é incapaz de agir assertivamente (quer dizer, não consegue escolher por si próprio como se comportar, mas é intimidado em sua assertividade ou compelido a ser agressivo), sua vida será governada por outros e sua saúde mental sofrerá.
REAÇÕES POTENCIAIS ADVERSAS
Em nossa experiência como facilitadores da asserção, descobrimos que resultados negativos ocorrem em um número mínimo de casos. Certos indivíduos, porém, reagem de modo desagradável quando enfrentam a asserção de outrem. Portanto, mesmo quando lida adequadamente com a asserção não deixando que ela seja agressiva ou não assertiva em nenhum grau, alguém pode às vezes ainda ver-se às voltas com situações incômodas, tais como:
1)Revides - Depois de você expressar-se assertivamente, a outra pessoa envolvida pode ficar zangada mas não declarará isto abertamente. Por exemplo, se outros "furam fila" e você exige seu lugar assertivamente, a outra pessoa pode resmungar quando tiver de passar para o fim da linha. Você pode ouvir coisas como: "Quem ele pensa que é?", "Que vantagem!", "É o bom!", e assim por diante. Em nosso modo de pensar, a melhor solução é simplesmente ignorar esse comportamento infantil. Se você replicar de algum modo, é provável que a situação se complique, pois sua resposta reforçará o fato de que as palavras dela o atingiram.
2)Agressões - Neste caso a outra pessoa torna-se abertamente hostil a você. Isso pode significar gritos, brados ou reações físicas como tapas, murros, empurrões. Novamente, o melhor meio de lidar com isso é evitar deixar essa condição dominá-lo. Você pode optar por dizer o quanto lamenta tê-la deixado nervosa com seus atos, mas deve continuar firme em sua asserção. Essa firmeza será especialmente essencial se seu contato com ela continuar no futuro. Se você voltar atrás em sua asserção, simplesmente reforçará a reação negativa da parte dela. Como resultado, da próxima vez que você agir assertivamente com ela, a possibilidade de receber reações agressivas será alta.
3)Crises de Temperamento - Em certas situações você pode ser assertivo com alguém que esteja acostumado a dominar. Ele pode então reagir à sua asserção ficando magoado, queixando-se da saúde, dizendo que você não gosta dele, chorando e lamentando-se, manipulando-o para que você se sinta culpado.
4)Reações Psicossomáticas - Doenças físicas verdadeiras podem ocorrer em alguns indivíduos, se você cortar um hábito arraigado. Dores abdominais, dores de cabeça, desmaios são alguns dos sintomas possíveis. Para continuar assertiva, a pessoa deve, porém, optar por ser firme na asserção, reconhecendo que o outro se ajustará às novas condições em pouco tempo. Você deve também ser coerente em sua asserção quando quiser que a mesma situação ocorra com este indivíduo. Se você é incoerente na asserção de seus direitos, a outra pessoa ficará confusa. Ele ou ela pode vir a simplesmente ignorar sua asserção.
5)Desculpas Excessivas - Em raras ocasiões, depois de você ter afirmado seus direitos, o outro indivíduo se tornará muito humilde com você ou se desculpará demais. Você deve mostrar-lhe que esse comportamento é dispensável. Se, em encontros posteriores, ele parecer temê-lo ou estar excessivamente respeitoso com você, não se aproveite dele. Ao invés disso, você pode ajudá-lo a ser assertivo, utilizando os métodos que descrevemos.
6)Vinganças - Se você tiver uma relação prolongada com a pessoa com a qual foi assertivo, há chance de ela procurar se vingar. Primeiramente, pode ser difícil entender suas intenções, mas com o correr do tempo seus propósitos se tornarão evidentes. Quando você tiver certeza de que ela planeja complicar terrivelmente sua vida, o método indicado é enfrentá-la diretamente, pondo as cartas na mesa. Geralmente isto é suficiente para fazê-la parar suas táticas vingativas.
OPTANDO PELA NÃO-ASSERÇÃO
Opção é a palavra chave no processo assertivo. Desde que você esteja realmente convicto (com a certeza adquirida em encontros assertivos anteriores bem sucedidos) de que consegue ser assertivo, você pode em dado momento decidir não querer ser assim. A seguir citaremos algumas circunstâncias em que se pode optar pela não-asserção:
1)Indivíduos Extremamentes Sensíveis - Em certas ocasiões, a partir de suas próprias observações você pode concluir que certa pessoa é incapaz de aceitar mesmo as asserções mais simples. Quando isso é óbvio, é muito melhor se resignar e não arriscar nenhuma asserção. Embora haja tipos supersensíveis que usam aparente fraqueza para manipular os outros, todos temos consciência de que há alguns indivíduos que se sentem tão facilmente ameaçados que a menor discordância os faz explodir, ou interiormente (e assim ferindo-se), ou exteriormente (e assim ferindo outros). Você deve evitar contatos com este tipo de pessoas o máximo possível, mas se isto for inevitável, há respostas alternativas, como aceitar essa pessoa como ele é e não causar atritos, se isso for possível.
2)Redundância - Uma vez ou outra a pessoa que desrespeitou seus direitos notará que se excedeu antes que você tenha demonstrado sua asserção. Ela estão remediará a situação de modo apropriado. Obviamente você não deve esperar eternamente até que ela faça isso. Além disso, você não deve hesitar em ser assertivo se ela falhar em se corrigir. Se, por outro lado, você vê que a pessoa reconheceu a falta dela, você não deve insistir na sua asserção.
3)Sendo Compreensivo - Uma vez ou outra você pode escolher não ser assertivo porque nota que a pessoa está tendo dificuldades; as circunstâncias podem estar sendo adversas para ela. Em um restaurante, à noite, depois de ter pedido um certo prato, notamos que a cozinheira nova estava tendo grandes dificuldades. Portanto, quando nossa refeição chegou, não exatamente como havíamos pedido, escolhemos não ser assertivos em vez de "complicar" ainda mais. Outro exemplo é quando um conhecido seu está em um dia ruim ou com um mau humor incomum. Nestes caso você pode escolher "passar por cima" de certas coisas que o incomodam, ou adiar um confronto até um momento mais produtivo. (Cuidado: É fácil usar "não desejar magoar os sentimentos de outrem" como racionalização para a não asserção, quando a asserção seria mais apropriada. Se você se encontrar fazendo isso frequentemente, sugerimos que examine cuidadosamente seus motivos verdadeiros).
QUANDO VOCÊ ESTÁ ERRADO
Principalmente em suas primeiras asserções, pode acontecer que você seja assertivo em uma situação interpretada erroneamente. Além disso, pode ser que você use uma técnica ainda imperfeita e ofenda a outra pessoa. Se quaisquer destas situações ocorrerem, você deve ter muito boa vontade em admitir que errou. Não há necessidade de se justificar em demasia, tentando remediar a situação naturalmente, mas você deve ser aberto suficientemente para demonstrar que sabe quando cometeu um erro. Mais ainda, você não deve ficar apreensivo com as asserções futuras em relação àquela pessoa, se você sentir novamente que a situação exige isso.
Texto extraído do livro:
ALBERTI & EMMONS Comportamento Assertivo: um guia de auto-expressão. Belo Horizonte: Interlivros, 1978.
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